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Sonhos de educação

16 de December de 2012 0

Em 2011, o Brasil aumentou em 5,7% o total de matrículas no Ensino Superior em relação a 2010, superou 1 milhão de formandos e ampliou o acesso à universidade. Em uma década, de 2001 a 2011, as matrículas cresceram 122%, chegando a 6.739.689.

A ampliação das oportunidades na educação torna o ambiente acadêmico cada vez mais inclusivo. Mas, para se beneficiar desta nova realidade, muitas pessoas são testadas todos os dias na sua convicção de estudar e evoluir.

E são testes duríssimos, como mostram as histórias dos três personagens desta reportagem, fotografados pelo colega Jean Schwarz.

Recomeço na vida adulta

Ela abriu o e- mail na imobiliária onde trabalhava como faxineira e não se conteve. Levantou- se com orgulho e espalhou entre os colegas a notícia que transformaria sua vida para sempre. A mensagem era do Ministério da Educação e parabenizava Andreza Oliveira, 35 anos, pela aprovação no Programa Universidade para Todos ( ProUni) do governo federal. Foi o ápice de uma mudança de rumo, iniciada após conhecer uma professora que a incentivou a concluir os estudos do Ensino Médio e passar no Enem. A nota alta no exame permitiu sonhar com voos mais altos.

Andreza é um dos 83.425 bolsistas da região sul do Brasil inscritos em cursos de graduação. Desde 2005, ano em que o programa foi posto em prática, a oferta cresceu 153%. Em 2012, foram oferecidas 284.622 bolsas.

Sentidos além da visão

Assim como Andreza, Roger Bueno, 30 anos, também venceu a barreira do acesso à universidade. O caminho para a educação percorrido pelo menino de Triunfo, vítima de glaucoma congênito, foi tortuoso. Roger enfrentou, na companhia de sua bengala guia, mata fechada, ponte de madeira e acostamento de autoestrada para chegar à parada por onde passava o ônibus que o levava à universidade. Escolheu mudar- se para Porto Alegre e morar longe da família porque, para ele, “ educação é o alicerce, sem ela tu não vais a lugar nenhum”.

Prestes a se formar tecnólogo em Gestão de Marketing, Roger é um dos 23.250 alunos com necessidades especiais matriculados no Ensino Superior no Brasil. No Estado são 1.810, sendo apenas 84 deficientes visuais. Na sala de aula, os amigos o reconhecem pela batida da punção sobre a régua metálica chamada reglete, ferramenta usada para anotar em braile as lições dos professores.

Tradução de um mundo à parte

Hábil em jogos eletrônicos, Rodrigo Brasil, 25 anos, enxerga no futuro um novo nicho de mercado. Cursa pós- graduação em língua inglesa para desbravar o mercado de tradução de games digitais e literatura. Em escolas particulares que se adaptaram ao ritmo de aprendizado típico do austismo do subtipo Asperger, Rodrigo descobriu a facilidade com o idioma estrangeiro e não perdeu mais o foco nos estudos.

Andreza, Roger e Rodrigo ensinam nas páginas seguintes lições aprendidas com persistência e dedicação. Ao tomar consciência de suas limitações e buscar o apoio necessário para superá- las, esses três estudantes concretizam sonhos de educação.

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