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Santa Maria, 27/01/2013

28 de January de 2013 2

texto e foto de capa: Lauro Alves

“Eu não sabia o que fazer!”
Dizia um bombeiro com tristeza no rosto a minha direita. Na minha esquerda outro o conformava:
“Tu fez o que pode meu amigo, o que pode…”
Vivi muitos anos nesta cidade onde cresci e fui educado.
Saindo da redação de ZH, fiquei pensando o que fazer ao chegar ao mesmo tempo que os números insistiam em aumentar a cada passagem no radio que ouvíamos no carro.
Como trabalhar nesse ambiente? Como reconhecer amigos que eram felizes falantes e que tinham muito a fazer, e que agora eu os revejo deitado no chão com restos de desespero gravados em seus rostos?
Pensei em uma só palavra que meu pai Alvino Alves e minha mãe Cleci Alves, tanto me explicavam.

RESPEITO

Colocar meus equipamentos foi quase como me vestir para a guerra, mas esta palavra ficou o dia todo ressonando na minha cabeça. Respeito Lauro, Respeito… Respeito…
Fiquei pensando: E se fosse eu? Se fosse meu filho? Minha linda irmã? Meus primos? Meu incrível irmão? Meu filho?
Devo trabalhar pelo bem das pessoas, apontar a câmera para as pessoas mas contra o problema, não ferir e informar.
Meu pai que expressa seu anseios pintando olho sobre tela ao mesmo tempo que eu brincava na terra cresci ouvindo uma frase.

“Filho não tenha medo de misturas as tintas para se expressar, a criação das imagens é a arte de ver, se não se doar não vai conseguir ver”.

Levantar a câmera para traduzir o que eu sentia me fazia baixa-la novamente pelo mesmo motivo.

A entrada ainda não era permitida, então, esperei e fiquei olhando outros tentando entrar discutindo com os os policiais. Nesse mesmo momento uma gaúchinha com um chapéu acompanhava aos prantos um caixão fechado. Eles entram por outra porta, olho novamente a para a porta onde a discussão já não existia mais.
Os policiais me chamaram depois de alguns instantes pois a liberação não devia ser em “bando”, então entrei.
Lá dentro procurei a mesma menina. Ela parecia estar fora de seu corpo os movimentos corporais eram desordenado e seus olhos pareciam estar olhando um deserto, parecia só.
Eu tinha passe pare me aproximar mais e mais, podia ter esperado ela levantar o seu triste rosto, mas o respeito ainda ecoava.
Deixei ela suspirar mais uma vez entre seu chapéu e sua tristeza.

Vi os mais valentes ficarem humildes e se prontificar com tudo e todos. Cobrir tal evento é ruim mas impossível ignorar, fotojornalismo é isso, desde a concepção da vida até que a morte nos separe.

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Comentários (2)

  • Jessica Pedroso diz: 28 de January de 2013

    “Cobrir tal evento é ruim mas impossível ignorar, fotojornalismo é isso, desde a concepção da vida até que a morte nos separe.”

    O FOTOJORNALISMO só é possível com este elemento crucial que se chama RESPEITO.
    Sem o respeito, o que nos resta é o retrato medíocre de um fato.

    PARABÉNS Lauro Alves, não somente pelo teu extremo profissionalismo e ética, que me fazem ter orgulho de te ter como colega de profissão, mas principalmente pela tua HUMANIDADE.

  • Daiane diz: 29 de January de 2013

    Lauro!!! A sua foto foi de um respeito tremendo.
    Demonstrou a dor de todos os gaúchos, sem mostrar um rosto, um corpo.
    Parabéns pela sensibilidade!

    Abraços

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