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O peixe nosso de cada dia

28 de March de 2013 0

texto: Bruna Scirea | fotos: Tadeu Vilani

— Era só isso pra ti? — indaga o vendedor ao finalizar o atendimento, um dos primeiros do dia.

O “só isso” se refere a nada menos do que duas tainhas do mar, inteiras, retiradas do balcão em que, naquela hora, já se exibiam entre outras tantas encobertas por gelo. No “só isso” também estavam inclusos um bom tanto de camarão e de filé de linguado _ limpinhos, limpinhos.

Eram cinco quilos de “só isso”. Não parece pouco. Mas para o vendedor Celso Feiteiro, 52 anos, é quase nada. É que antes de as portas da banca se abrirem, pontualmente às 8h daquela manhã, já haviam se passado pelo menos duas horas de muito trabalho, num sobe e desce de toneladas de pescados.

Enquanto a noite virava dia, funcionários vestidos de branco descarregavam os caminhões estacionados em uma das laterais do Mercado Público de Porto Alegre. E era tanto gelo, mas tanto gelo, que só se via gelo. Nada de peixe. Mas eles estavam ali, encaixotados, esperando para virar filé nas mãos de Jerri, ser alinhados para a venda conforme o bom gosto de Celso e, depois, desejados pelos olhos de Paulo.

Em carrinhos, as caixas eram levadas para as bancas, onde outra equipe já preparava os balcões com uma espessa base de gelo, sobre a qual os pescados eram ordenados por tipo, tamanho e cor. Mercadoria exposta. Uma mangueirada de água para limpar o vidro, outra no chão para suavizar o cheiro e uma última conferida no relógio.

7h55min.

Ainda sobravam alguns minutos, nessa correria toda, para sintonizar o rádio, ajustar a caneta atrás da orelha e fixar as placas de preço. Agora sim. Celso abre um sorriso. Venderá os primeiros dos 600 quilos de peixe que comercializa todos os dias.

— Bom dia, o que era pra ti?

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