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World Press Photo 2014: um prêmio à tecnologia

14 de February de 2014 1

John Stanmeyer/VII for National Geographic/AP John Stanmeyer/VII for National Geographic/AP 

Bruno Alencastro

Eis que chegou o aguardado dia do anúncio do grande vencedor de mais um World Press Photo – e, com ele, mais uma polêmica envolvendo a fotografia vencedora. Em 2013, a repercussão foi tão grande que os jurados quase voltaram atrás. A fotografia de Paul Hansen, de palestinos carregando os corpos de crianças mortas durante um ataque aéreo israelita, traria indícios de que a imagem foi composta a partir da união de três fotografias diferentes, uma prática condenável no fotojornalismo.

Já nesse ano, as primeiras críticas estão relacionadas mais ao conteúdo expresso na imagem do que a questões de ordem técnicas. Talvez pelo fato da imagem não trazer os horrores das guerras, de forma dura e objetiva – como em 2011, 2012 e 2013 -, e tematizar de maneira mais subjetiva e interpretativa “a discussão sobre a tecnologia, a globalização, a migração, a pobreza, a alienação, a Humanidade”, conforme declarou um membro do júri, Jillian Edelstein.

De toda forma, não podemos deixar de atentar, sim, para a técnica, uma vez que essa imagem aparentemente “simples”, mostrando em um contraluz noturno alguns imigrantes africanos com telefones estendidos para o céu na esperança de captar um último sinal de rede, só foi possível de ser realizada pelo avanço das tecnologias empregadas às câmeras fotográficas, mais sensíveis à captação de imagens em ambientes pouco iluminados. John Stanmeyer usou uma câmera profissional da Canon, modelo EOS 5D Mark III, com um sensor de 22,3 megapixels e sensibilidade de ISO que vai de 100 até ISO 102.400.

Na hora do clique, Stanmeyer estava utilizando a sensibilidade de ISO em 10.000, o suficiente para, junto de uma lente 35mm aberta em f/1.4 e tempo de exposição de 1/41, capturar com uma excelente nitidez para um ambiente com pouquíssima iluminação tanto a lua e seu reflexo no mar, quanto o visor de cada um dos aparelhos celulares que aparecem no recorte – com destaque para aquele que aparece bem ao fundo e ainda consegue dar contorno ao rosto do imigrante.

E aqui vale destacar uma curiosidade: no campeonato das marcas, a Canon tornou-se bicampeã consecutiva com a mesma câmera 5D Mark III.

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Comentários (1)

  • Thamires diz: 14 de February de 2014

    Reunir num foto algo tão impactante, surpreendente, novo, vivo não é para todos! Esse com certeza é um grande concurso! Mas não gostei tanto dessa imagem como a do ano passado e de 2011! Tudo bem, chega de retratos de guerra… Ótimo artigo!

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