
Martine Franck, fotógrafa belga da prestigiada agência Magnum e viúva do fotógrafo Henri Cartier- Bresson, morreu nesta sexta-feira (17/08) aos 74 anos. Segundo um amigo da família, ela sofria de câncer. Ela será enterrada em Luberon, cidade no sudeste da França, onde estão os restos de seu marido, morto em 2004.

A ministra de Cultura da França, Aurélie Filippetti, destacou em comunicado que Martine encantou o mundo “com um belo e lúcido olhar, o olhar de uma testemunha que também era uma artista”. Martine era presidente da Fundação Henri Cartier- Bresson, criada em 2002 para administrar a obra do famoso fotógrafo, com quem foi casada de 1970 até a morte.

Nascida no município belga de Antuérpia, Martine fugiu com os pais da II Guerra Mundial e cresceu entre os EUA e a Inglaterra, antes de estudar História da Arte em Madri e continuar sua formação acadêmica na Escola do Louvre.

– Depois de penar para escrever minha tese na Escola du Louvre (escrevi sobre “A influência do Cubismo na Escultura”), percebi que não tinha talento para a escrita em particular, embora a pesquisa tenha me ensinado a ser metódica – contou em entrevista ao jornal The New York Times, em 2010.

Martine começou a fotografar em 1963, passou por veículos como The New York Times, Vogue e Life e foi fotógrafa oficial da companhia Théâtre du Soleil e de entidades humanitárias. Ajudou a fundar a agência de fotos Viva, em 1972, e só entrou para a agência Magnum (cofundada por Cartier- Bresson) em 1983.

Uma de suas especialidades eram os retratos de artistas, incluindo o espanhol Miquel Barceló, o bielo-russo Marc Chagall e o colombiano Fernando Botero, entre outros. Em 2007, Martine veio à Capital a convite do 1º Festival de Fotografia de Porto Alegre. Na ocasião, falou ao jornalista de ZH Eduardo Veras sobre sua abordagem à fotografia:

– Meu método é deixar a pessoa à vontade, conversar com ela. Mas é sempre importante saber o que a pessoa faz. Sobretudo, é preciso ser muito discreto. É preciso respeitar as pessoas.