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Posts com a tag "com a palavra"

Com a palavra, Dulce Helfer

15 de fevereiro de 2010 2

Toda semana, um fotógrafo de ZH é convidado pelo Informe a escolher sua foto mais marcante. Hoje é a vez de Dulce Helfer: "Escolhi esta foto porque remete a um momento único na história policial de Porto Alegre. Naquele dia, em julho de 1994, toda a cidade se mobilizou, já que detentos do Presídio Central se amotinaram, comandados por dois presidiários. A perseguição aos fugitivos acabou resultando na invasão ao hotel Plaza São Rafael. Um deles, durante a invasão, atirou em minha direção e do câmera da RBS TV. Por essa cobertura, ganhei o prêmio SIP." Veja outras imagens marcantes da carreira da fotógrafa:

Com a palavra, o fotógrafo Tadeu Vilani

30 de janeiro de 2010 6

A cada domingo, um fotógrafo de ZH é convidado a escolher sua foto mais marcante. Hoje é a vez de Tadeu Vilani: "Voltávamos de uma pauta em São Luiz Gonzaga, eu e o repórter Carlos Etchichury. Era final de uma tarde de sexta-feira, outono de 1999, quando avistamos para os lados das Ruínas da Redução de São Miguel Arcanjo, uma tempestade de raios. Tive a felicidade de captar o raio na horizontal sobre a catedral. Sou natural de Santo Ângelo, onde comecei a fotografar em 1996 para a Zero Hora. A foto, que foi contracapa do jornal, representa a região onde nasci. "

Com a palavra, o fotógrafo: Nauro Júnior

02 de janeiro de 2010 4

“Desde bem pequeno fui apaixonado por raios e tempestades. Quando criança, morava em uma fazenda perto de São Leopoldo. Quando caiam temporais, minha mãe recolhia os filhos para dentro de casa. Porém, eu sempre encontrava uma janela com uma vidraça para ficar, encantado espiando os raios que cortavam os céus. Hora na vertical, hora na horizontal, eles enchiam minha alma de luz.

Lembro que perguntava para a minha mãe o que era aquilo? E ela me respondia que eram as luzes de Deus. Já meus irmãos mais velhos, diziam que eram os anjos batendo fotos.

Cresci, virei fotógrafo, e iniciei uma perseguição aos raios. Quando iniciavam os temporais todos se recolhiam, e lá ia eu em direção aquelas luzes que tanto me fascinava e me amedrontavam desde a infância.
As máquinas eram analógicas, e nunca se sabia o resultado do que se estava fazendo na hora. Gastei rolos e rolos de filmes, molhei muitas máquinas, mas nunca retratava as imagens que meus olhos viam na infância.

Em 1996, o destino mandou eu vir morar em Pelotas. Cheguei nesta cidade do sul do mundo tentando provar que eu era bom fotógrafo. Trabalhava dia e noite pela Zero Hora. Andava a esmo pelas noites desta Satolep, pois eu era um forasteiro por aqui.

Na primeira noite de temporal que vi por estas bandas, tive a certeza que estava no paraíso das “Luzes de Deus” e comecei a minha busca pelo raio perfeito. Esta região é muito plana e as tempestades por aqui são iluminadas por relâmpagos de todos os tipos.

Fotografei vários raios, mas nunca me animava a mostrar para ninguém, pois não era o que eu buscava.

No dia 29 de dezembro de 1997, eu estava jantando em um restaurante quando faltou luz. Paguei a conta e fui para casa. No caminho vi que os raios iluminavam o céu da cidade, que estava no escuro por causa do blecaute. Pensei comigo: tem que ser hoje. Até então era impossível fotografar um raio na cidade, pois eu necessitava de baixa velocidade e a luzes urbanas impediam isto. Mas naquela noite, tinha um blecaute, e a cidade estava no escuro, eu poderia escolher meu primeiro plano e rezar para que o raio caísse bem ali.

E qual é o melhor lugar que existe para rezar?

Uma catedral.

E, em Pelotas, existe a Catedral São Francisco de Paula, que é imponente e bela.

Peguei meu tripé e minha Nikon F3 com filme Fuji ISO 400, uma lente 85mm 2.8. Apontei-a para as três torres da igreja. Só que os raios caiam atrás de mim. Pensei: Se não for nas torres da igreja não quero. Em alguns minutos o temporal foi virando, e em torno de uma da manhã um, estrondo ensurdecedor e uma luz gigante iluminou o templo com suas três torres e toda sua imponência. Eu olhava para a catedral e para a Nikon F3 sem saber se tinha conseguido captar aquele momento.

Fui para casa, mas não consegui dormir naquela noite com três rolos de filme de 36 poses na mão. Pela manhã levantei cedo e fui revelar meus negativos, as atendentes estranharam de me ver ali esperando a loja abrir.

Mandei meus filmes para a reveladora e fiquei ansioso esperando. A moça trouxe o primeiro que estava em branco, não tinha gravado nada. Trouxe o segundo e tinha uma ou duas fotos ruins. Quando ela apareceu no fundo da loja com o terceiro, vi um fotograma em um filme de 36 poses completamente em branco. Tinha errado 107 fotos naquela noite, mas tinha feito a foto que eu vinha perseguindo há anos.

Saí da loja correndo e fui até um telefone, liguei para a Zero Hora em Porto Alegre e falei com o Carlinhos Rodrigues (sub-editor de fotografia da ZH na época), disse que eu estava com a capa da Zero Hora do outro dia nas minhas mão. Ele tentando me acalmar me disse:

- Olha, amanhã é a edição conjunta de final de ano (1997-1998) e já temos uma foto produzida para capa, baseado nos afrescos da capela Sistina. Me manda a tua foto, que a gente tenta uma contra-capa.

Liguei minha telefoto L-fax e consegui mandar a foto em um tempo recorde de 21 minutos. A foto foi para a reunião da manhã, e virou capa da edição conjunta, só que teríamos que arrumar matéria pra ela!

Nunca ganhei um prêmio com esta foto, depois dela poucas vezes tentei fotografar raios de novo, continuo encantado espiando tempestades pelas janelas com vidraças. Acho que com as digitais está mais fácil fotografar raios.

Mas penso que esta foto me marcou muito, pois ela me fez pela primeira vez eu me sentir um fotógrafo de verdade. E foi a primeira vez que liguei para a redação e disse.

- Estou mandando para ai a foto da capa do jornal de amanhã.”