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Rush reconta eletrizante duelo entre Lauda e Hunt e mostra uma F-1 que não existe mais

15 de setembro de 2013 2

Divulgação

Quando ali, sentando na poltrona do cinema, vi perfilado diante de mim o grid do GP de Nürburgring de 1976, os olhos brilharam. Bastou o primeiro ronco de motor para ficar arrepiado. Do início ao fim, Rush – No Limite da Emoção faz jus ao título.

Dirigida por Ron Howard (que fez Apollo 13 e Uma Mente Brilhante), a produção é digna de Oscar. O realismo é impressionante, com a fiel reprodução dos cenários da F-1. São pouco mais de duas horas de filme, mas parece um mergulho de décadas na Eau Rouge de Spa-Francorchamps – sem tempo algum para respirar.

É incrível a forma como o duelo entre James Hunt (McLaren) e Niki Lauda (Ferrari) é contado. O filme mostra que a rixa tem origem muito antes de ambos chegarem à F-1. De um lado, um playboy festeiro, inconsequente e talentosíssimo (Hunt). Do outro, um meticuloso, inteligente e genial campeão (Lauda). Sem dúvida, um dos maiores — senão o maior duelos que a F-1 já viu.

O vaivém de cenas mostrando bastidores da vida de cada piloto é um dos trunfos do filme. Até que as histórias se enlaçam naquela alucinante temporada de 1976. Enquanto Lauda é o atual campeão pela Ferrari, o beberrão Hunt ganha uma chance de ouro na McLaren com a saída de Emerson Fittipaldi para fundar a Copersucar.

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As cenas de corrida são alucinantes. As câmeras passeiam por todos os cantos dos carros. Mostram as visões do piloto, do bico, da zebra, do público, dos boxes. Espetacular. E retrata com brutal e dramática fidelidade o drama de Lauda ao sofrer o fatídico acidente em Nürburgring enquanto perseguia Hunt.

No hospital, a história da recuperação do austríaco é contada em detalhes – desde os primeiros socorros, passando à extrema-unção dada pelo padre até o pós-operatório (teve até uma espectadora que passou mal vendo as cenas, de tão fortes). A volta de Lauda à Ferrari, no GP de Monza (casa da Ferrari) é emocionante. Nunca um quarto lugar foi tão comemorado.

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Com uma narração empolgante, Rush tira o rótulo de documentário. Faz a linha típica de Hollywood, que vai da aventura ao drama pessoal antes de impulsionar ao êxtase do desfecho. E o mais incrível é que a gente já sabe como vai terminar a história, mas parece que, até o último minuto, tudo pode mudar.

Para quem gosta de F-1, Rush é imperdível. Além de conhecer a história de dois geniais pilotos, é uma volta no tempo em que a categoria era uma verdadeira aventura. Uma época em que 20% dos pilotos morriam por temporada. Onde o talento valia mais do que tudo. Só menos do que a coragem.

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Alguns destaques do filme

- O suíço Clay Regazzoni é retratado no filme de forma perfeita. Companheiro de Lauda na BRM e na Ferrari, ele aparece em dois momentos importantes na carreira do austríaco:  o ingresso na equipe italiana e a decisão do título contra Hunt.

- A paixão dos italianos pela Ferrari é retratada em uma cena emblemática. Não vou contar para não estragar a surpresa, mas foi ao mesmo tempo simples e sutil. Para os tiffosi, a Ferrari é suprema. E quem a pilota vira um ídolo inesquecível.

- Os relacionamentos amorosos de Hunt e Lauda são mostrados como decisivos no comportamento dos pilotos na pista. Uma forma sutil de humanizar dois maníacos por velocidade e obcecados por vitória.

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- Emerson Fittipaldi é criticado no filme por dirigentes da McLaren. Eles usam duas vezes a palavra f* na hora de falar o sobrenome do brasileiro e o nome da Copersucar. É óbvio que a decisão de Emerson surpreendeu, mas será que irritou tanto assim? É, sem dúvida, um bastidor curioso!

- Não conheci Hunt (tenho 26 anos), mas se ele era como o filme mostra trata-se de um figurão da F-1, de fato. Vivia cada dia como se fosse o último. Bebia, não se cuidava, era o oposto de um atleta ideal. Ao ganhar, acendia um cigarro e abria uma cerveja. Mas pilotava demais. A interpretação de Chris Hemsworth é espetacular. Aliás, por várias vezes Hunt me lembrou Raikkonen. Canastrão, avesso a regras, mas brilhante.

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- O ator Daniel Bruhl captou a essência de Lauda. O próprio austríaco o elogiou bastante. É uma arrogância que perde o status de negativa por Niki parecer sempre ter razão no que diz. Sensacional. Sintetiza aquele estigma de petulância associado à habilidade em acertar carros, conhecer os circuitos e cuidar da parte física.

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- Mais do que tudo, o filme retrata uma paixão irrefreável por correr. Era o que movia os dois. Para eles, como disse Steve Jobs certa vez, “a viagem é a recompensa”, não o desfecho. E isso fica evidente na hora em que eles cruzam o limite simplesmente para, ao saírem do carro, verem o rival cabisbaixo.

- Uma das partes mais legais são as entrevistas coletivas. Um show de declarações, provocações e excesso de confiança em frente ao microfone. Hoje, os pilotos são mais comportadinhos, no estilo bom moço. Evitam provocações temendo o rótulo de arrogantes. Naquele tempo, a catimba era do jogo. Pena que acabou!

- No fim do filme (não vou contar, fiquem tranquilos!), a gente sai com a sensação de que a rivalidade entre os dois motivou um ao outro e superarem crises pessoais para, diante do respeito mútuo, fazerem história.

Lauda e Hunt na vida real

Niki Lauda e James Hunt na vida real, em 1976

- Tá esperando o quê? Corre para o cinema! Antes, veja os quatro trailers do filme.

Comentários (2)

  • Jackson Ribeiro diz: 16 de setembro de 2013

    O comentário de Daniel e Leandro sobre o filme é totalmente verdadeiro e algo a mais.
    Eles relataram a mesma emoção que eu e minha linda esposa sentimos.
    No Sábado dia 14/09/2013, nós assistimos um filme que relata um história real (SEM DOR,SEM GANHO) com excelente atores mas foi um desperdício de ingresso…
    No Domingo dia 15/09/2013, nós fomos assistir a rivalidade de Niki Lauda e James Hunt (Rush – No Limite da Emoção), minha esposa já entrou no cinema dizendo.,” Há meu Deus, vc me trouce para assistir outra bomba. Só os imbecis gostam de carros e velocidade”. Mas ao sair do cinema ela saio dizendo que o filme foi muito melhor do que o do dia anterior e as cenas foram bem reais. No dia seguente 16/09/2013 nós estávamos indo para o trabalho e eu deliberadamente coloquei no volante e percebi que além dela está dirigindo mais rápida e comentou; “Aquele filme de ontem foi muito bom”. Então eu conclui que existe homens e alguma mulheres imbecis.
    O dois comentarista do filme foram muito humilde e economizaram elogios. O filme é excelente vale apena assistir mais de uma vez e com certeza vai receber o ” OSCAR “.

    Jackson Ribeiro.

  • Leonardo diz: 18 de setembro de 2013

    Amigos, o filme realmente é fantástico, muito bacana mesmo.

    Peço licença apenas para registrar alguns comentários acerca de detalhes.

    Abordarei fatos da carreira de Lauda e Hunt, sem mencio nar cenas específicas do filme, de modo que somente quem o assistiu compreenda a finalidade dos comentários. De qualquer forma, registro:

    POSSÍVEL SPOILER

    POSSÍVEL SPOILER

    POSSÍVEL SPOILER

    Entendo não ser correto afirmar que o filme “mostra” que a rivalidade começou antes da Formula 1.

    Na verdade, o filme é uma ficção baseada em fatos reais, e não um documentário. Dessa forma, a produção permite-se criar e alterar alguns fatos para dar entonação ao filme.

    O primeiro fato a que me refiro é a rixa anterior à Formula 1. Antes da F-1, James Hunt de fato correu em Crystal Palace pela Formula 3 inglesa, envolvendo-se, na edição dessa corrida em 1970, em um incidente controverso (por excesso de “ousadia” dos pilotos). O outro piloto envolvido era o também inglês Dave Morgan.

    Já Lauda, antes da Formula 1, correu pela Mini e pela Formula Vee (mais comum aos pilotos da Europa Central) antes de competir pela Formula 2 em 1971.

    Lauda chegou à Ferrari em 1974, vencendo em 1975, ambos anos em que Hunt ainda competia pela equipe de Alexander Hesketh.

    A Hesketh entrou na Formula 1 em 1973, permanecendo até 1975. Hunt estreou juntamente com a equipe Hesketh na Formula 1, quando Lauda já se encaminhava para seu segundo ano, então pela BRM.

    Abraços!

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