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Declínio em números: na Ferrari, Massa foi melhor contra Schumacher do que versus Alonso

17 de outubro de 2013 10

Muitos condenam minhas críticas ao declínio de resultados de Felipe Massa. Bradam em alto e bom som que o brasileiro é injustiçado. Pois aos mais céticos, hoje trago números. Não tenho propósito de convencer ninguém, mas fazer refletir. Até porque o  retrospecto fala por si.

Antes, uma ressalva: torço pelo sucesso de Massa, mas lamento sua inquestionável queda de desempenho. E isso é fato, não uma perseguição. Veja a seguir as estatísticas e a análise, por companheiro, em cada ano de Felipe na Ferrari:

2006

MASSA x SCHUMACHER (17 GPs disputados juntos)

Divulgação Divulgação 

Vitórias: 2 a 7 (22,2%)
Poles: 3 a 4 (42,9%)
Resultado em treinos: 5 a 13 (27,8%)
Resultado em corridas: 5 a 12* (29,4%)
*Na Austrália, ambos abandonaram

Análise: em sua estreia na Ferrari, Felipe venceu duas. Em poles, quase empatou com o heptacampeão. Um debut promissor, considerando a preferência dos italianos por Schumacher e o fato de o brasileiro ser um novato na equipe. Alguns dirão que o carro de 2006 da Ferrari era melhor do que os de 2010-2013. Mas em 2010 e 2012, Alonso perdeu o título no detalhe, como o alemão em 2006.

2007-2009

MASSA x RAIKKONEN (45 GPs disputados juntos)

Divulgação Divulgação

Vitórias: 9 a 8 (53%)    
Poles: 12 a 5 (70,6%)
Resultado em treinos: 25 a 20 (55,5%)
Resultado em corridas: 23 a 22  (51,1%)

Análise: Kimi foi campeão em 2007 (com ajuda de Massa), mas no geral não foi superior ao brasileiro nos dois anos e meio em que competiram juntos (até o acidente na Hungria). Nessa época, a Ferrari não tinha um piloto número um oficializado. Em 2008, quando o então atual campeão Raikkonen seria o “1″ natural, Massa deu um banho no finlandês.

2010-2013

MASSA x ALONSO (72 GPs disputados juntos)

Divulgação Divulgação

Vitórias: zero a 11 (0%)
Poles: zero a 4 (0%)
Resultado em treinos: 16 a 56 (22,2%)
Resultado em corridas: 11 a 61 (15,3%)

Análise: Na volta após o acidente, já com Alonso, Massa declinou. Em quatro temporadas, não venceu nem fez poles. Tomou um vareio em treinos e corridas. O espanhol é preferido? Claro que sim. E por razões lógicas, basta ver os números. Mas comparando com a época de Schumacher, a diferença é grande. Alguns dirão que o alemão, em 2006, estava no  fim de carreira. Pois lembrem que, naquele ano, ele fez uma de suas melhores temporadas. Só perdeu o título porque o motor estourou em Suzuka, quando embolaria o campeonato, e porque foi punido em Interlagos, na corrida decisiva. E aí?

2009-2013 (só um exemplo, para comparar)

WEBBER x VETTEL (89  GPs disputados juntos)

Divulgação  Divulgação

Vitórias: 9 a 34 (20,9%)
Poles: 11 a 40 (21,6%)
Resultado em treinos: 22 a 67 (32,8%)
Resultado em corridas: 27 a 61* (30,3%)
*Em 2010, ambos abandonaram na Coreia

Análise: Observando os números de  Webber e Vettel (tricampeão consecutivo e rumo ao tetra), percebe-se uma grande diferença, sim. Mas não tanta distância como Massa-Alonso, mesmo com o alemãozinho sendo arrasador e quebrando recordes a la Schumacher. Se Webber ainda tem (dizem) um carro inferior ao do companheiro (como Massa), como consegue ir tão melhor do que Felipe? Os números do australiano lembram os do brasileiro em 2006, quando corria contra Schumacher.

Portanto, cinco conclusões:

1) Massa declinou na carreira. Ele é ruim? Claro que não. Tem talento? Claro que sim. Mas vem regredindo. Está há cinco anos sem vencer nem fazer poles. Logo, essa decadência do brasileiro não é “pegação no pé”. É triste, mas é fato.

2) Felipe é sabotado e tem carro mais lento que o de Alonso? Como pode, então, Webber conseguir ir tão melhor? O australiano, que neste ano corre em ritmo de aposentadoria, compete contra o virtual tetracampeão consecutivo (melhor do que Alonso, venceu 30 corridas contra 11 do espanhol, entre 2010-2013, em 72 disputadas). É muito mais qualificado, apontam os números.

3) Se os dois segundos pilotos (Massa e Webber) são sabotados, por que tanta diferença? Ah, mas a Red Bull é melhor do que a Ferrari. Sim, claro que é. Mas os números mostram que o australiano, mesmo enfrentando o maior fenômeno da F-1 desde Schumacher, é melhor do que o brasileiro, que enfrenta um ótimo piloto, mas não tão dominante na categoria como Vettel.

4) Não estou dizendo que Webber é melhor do que Massa. Até porque não acho. Creio que Felipe tem muito mais talento e velocidade do que o australiano. Mas os números mostram que o brasileiro vive uma sequência negativa. Desde a Malásia, Webber vem sofrendo quebras e pilotando muito abaixo do normal. Mas foi só neste ano. Já Massa vem acumulando resultados ruins há quatro temporadas.

5) Massa nunca mais vai ganhar? Opa, peraí! Não é isso! Assim como no futebol, quando times ficam anos sem vencer e embalam fases gloriosas, o brasileiro pode dar a volta por cima. Tem tempo. Pouco, mas tem. Só que precisa atitude. Necessita, urgentemente, redescobrir o Felipe vice-campeão de 2008. Caso contrário, ruma para uma aposentadoria melancólica. Uma pena para quem foi tão promissor na carreira a ponto de duelar por vitórias e títulos como nenhum brasileiro desde Ayrton Senna.

E aí, qual a opinião de vocês?

Será que, diferentemente do que diz o ditado, os números mentem?

Comentários (10)

  • Ernesto Longhi diz: 17 de outubro de 2013

    Hungria, 2009. Infelizmente, o acidente sofrido por Massa foi muito grave. Por mais que ele diga que não, que tenha feito acompanhamento médico e psicológico (desses dois eu sei), neurobiologicamente não podemos negar que houve algum dano. Nosso cérebro passa a vida toda nos pregando peças e/ou tentando nos ajudar a entender o mundo. Um cérebro normal engana uma pessoa o tempo todo, imagine um com um mínima alteração que seja. Piquet, depois que bateu na Tamburello em 1987, assumiu que, como piloto, não foi mais o mesmo. Antes de bater, segundo ele, nunca olhou placa pra frear. Depois do acidente, sim e assumiu ser 0,5s mais lento. Depois que o Barrichello bateu em Imola em 1994, o mesmo Piquet alertou que haveria problemas. Não deu outra. Porque com o Massa seria diferente? Basta observar em que ano seu handicap decaiu – após 2009, ano do acidente na Hungria. Não estou querendo justificar seu mau desempenho, não sou advogado dele. São apenas fatos.

  • Tiago diz: 17 de outubro de 2013

    O ponto da virada (negativa) de Massa é o seu acidente. Estava em alta na equipe mais uma vez em 2009, muito embora com carro pouco competitivo: 22 pontos contra 10 de Raikkonen. O acidente acabou com sua carreira. Nelson Piquet diz que nunca se recuperou do dele em Imola em 1987 apesar de ter ganho naquele ano na pura estratégia: “nunca tinha olhado pra placa (da distância da curva), comecei a olhar pra placa…”. É realmente uma pena o desperdício de um talento desses dessa maneira. Tenho certeza de que continuaria a brigar por títulos até hoje.

  • Julio Cunha diz: 17 de outubro de 2013

    Tem varias especulçaçoes sobre quem vai ocupa a vaga na lótus do Haikonen, mais ninguém falou do Kobayashi o japones voador que e um bom piloto barato e sem cockpit, e ai QUE ACHAM, SERIA UMA BOA PRA LOTUS TRAZER O KOBA???

  • adriano mezari duarte diz: 18 de outubro de 2013

    Piquet decaiu depois do acidente, tinha ganho 2 tiutlos e após o acidente só ganhou mais 1 titulo.

  • Luis diz: 3 de novembro de 2013

    Acredito que a Ferrari de 2000-2008 tinha disparado o melhor carro, porque tinha forte influência de Rory Byrne (apesar de ter saído em 2006), é verdade que em 2005 o Alonso com o seu Renault com amortecedores de massa foi a exceção…mas quando a FIA proibiu o amortecedor de massa na metade do campeonato de 2006, os Renault decaíram muito nas corridas restantes e o Schumacher quase ganhou o campeonato de 2006. As Ferrari em 2007/2008 continuavam poderosas…mesmo com 2 pilotos médios (Kimi e Massa), mas em 2009 muda o regulamento na área de aerodinâmica…com isto as Ferrari de 2009 decaíram muito…tinham sérios problemas aerodinâmicos…Tanto Kimi, quanto Massa e Fisichela foram muito mal em praticamente todas as corridas, vou até mais adiante fiasco total…até a metade do campeonato…no meio do campeonato de 2009 melhorou com algumas novidades aerodinâmicas…deu para andar bem na Bélgica onde venceu e deu pra tirar um terceiro na Itália, mas continuou mal….em pista de baixa e média velocidade…a Ferrari F60 de 2009 é considerado o pior Ferrari feito nos últimos 20 anos. Nota 9,5 para as análises do Daniel Dias…quase perfeitas…

  • Paulo diz: 19 de novembro de 2013

    Eu discordo do Sr Ernesto Longhi, o Piquet em 1987 fez a sua melhor temporada F1 de todos os tempos…foi brilhante, foram 7 segundos lugares e 3 vitórias, um terceiro e quarto lugar, se ele tivesse feito isto em 1986 teria sido facilmente campeão, no final do ano estava andando tanto ou mais que o Mansell, se ele sempre fosse assim em 85, 84, 83, 82, 81 e 80 seria também campeão, as atuações anteriores de Piquet foram modesta com exceção de 1986 e 1983, em 81 foi campeão indo só 7 vezes ao pódium. Na realidade Piquet era em média um pouco mais lento que Mansell, mesmo antes da batida por isto que começou a dizer que não era mais o mesmo depois da batida…Não estou dizendo que o Mansell é superior ao Piquet, o Mansell apesar de rápido não é inteligente e astuto como o nosso Piquet. Mas eu pergunto uma coisa é o Piquet enfrentar antes da Batida o Patrese, o Teo Fabi, o Conrrado Fabi, o Hesnault, o Rebaque, o Surer, o Lunger, Zunino, onde o Nélson era n°1 absoluto na Brabham. Outra coisa é enfrentar o Nigel Mansell…e com carros iguais, Piquet tinha uma pequena vantagem de ter o carro reserva, é óbvio que o Piquet vai tentar justificar a sua queda de rendimento pela batida…aliás isto também vale para o Massa ele decaiu? depois da Hungria…mas porque nas 9 corridas anteriores de 2009 ele só 1 vez subiu ao Pódium com um terceiro lugar? porque os seus companheiros de Ferrari também foram mal…em 2009?

  • Marcos diz: 18 de dezembro de 2013

    Verdade a culpa do Massa nada tem haver com a batida e sim com a queda do carro…Pô os 4 pilotos que andaram de Ferrari em 2009 foram mal…Massa, Raikkonen, Badoer e Fisichella.

  • Leandro diz: 13 de janeiro de 2014

    Botar a culpa da queda do Massa e do Piquet ao acidente e tentar tirar o mérito dos seus companheiro s de equipe no caso Alonso e Mansell… Massa sempre teve como companheiros de equipe, pilotos fortes e campeões e levou vantagem sobre Villeneuve, também teve uma certa vantagem sobre Raikkonen, mas perdeu para o Schumacher e principalmente para o Alonso…a mesma coisa ocorreu com o Piquet ele sempre correu na Brabham contra companheiros fracos e era o n°1 absoluto…já na Williams ele teve que enfrentar um piloto mais forte com uma equipe mais forte onde o piloto n°2 (no caso Mansell) tinha um equipamento quase tão bom quanto o n°1 Piquet, para mim tudo isto é choradeira…assim como o Piquet acusa o acidente de lhe prejudicar, o Mansell acusa Piquet de ser o n°1 é de ter um carro melhor que o dele em 86/87, além de ter carro reserva coisa que o Mansell não tinha, dá uma olhadinha na entrevista do Piquet/Mansell em janeiro de 2013, onde o Mansell disse que ele era o n°2 da equipe, Piquet não contestou nada. Prost que dominou completamente Mansell na Ferrari em 1990 diz que Mansell não trabalhava por isto que perdia para ele, já Mansell dizia que perdia para Prost porque este era o n°1… Os pilotos de F1 são todos uns chorões.

  • Pedro diz: 16 de novembro de 2014

    Leandro Becker é assim que se faz uma análise correta da F1, comparando os pilotos com carros iguais, parabéns jornalistas de F1 precisam fazer este tipo de análise. Hoje estamos vendo que o Vettel está sendo dominado pelo menino Ricciard e aí vem um monte de desculpa, “o Vettel não se adaptou ao downforce de 2014″ o que ocorreu é que o mago da F1 Adrian Newey desequilibrou de 2010-2013 e Weber não era páreo para o alemão, mesmo com um motor com 30 cavalos a menos sobre os Mercedes Vettel foi campeão, mas agora o motor alemão está com 90 cavalos a mais e o Vettel está sendo amassado pelas Mercedes. Este tal de Newey fez vários pilotos médios serem campeões Mansell, Hill, Villeneuve e agora o Vettel. O único que era bom era o Prost e o Hakkinen

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