
Ao antecipar as mudanças nos pneus _ do GP da Inglaterra para o do Canadá, em 9 de junho _, a Pirelli beneficia a Red Bull e prejudica a Ferrari no duelo pelo campeonato. A equipe italiana parece ser a que melhor se adaptou aos pneus atuais _ com maior aderência e mais consumo. Quando ficou longe da luta pela vitória, Alonso teve problemas mecânicos ou acidente.
É claro que a ação não é um complô entre a fornecedora de pneus e a escuderia austríaca, mas resultado da pressão nos bastidores. Não sejamos ingênuos: não é só na pista que um mundial de F-1 é decidido.A chamada "cartolagem" faz diferença, e a Red Bull tem. Mais ainda diante do grande equilíbrio da atual temporada.
A Red Bull perdeu desempenho pelo maior consumo de pneus. Terminou 2012 em ampla vantagem pelo "conjunto da obra". E começou a patinar pelo gasto excessivo dos compostos. Na Espanha, fez quatro pit stops, assim como a Ferrari, mas não conseguiu manter o ritmo alucinante de Alonso, por exemplo, mesmo sendo a melhor em aerodinâmica.
Depois da prova, a direção da equipe reclamou dos pneus. Por ter que poupá-los, alegou a Red Bull, Vettel foi mais cauteloso na pista. O presidente da escuderia chegou a afirmar que, no cenário atual, vence não o mais rápido, mas o melhor poupador de pneus.
Em partes, tem razão, mas reclamar é sempre mais fácil do que criar soluções. Críticas à parte, curiosamente a Mercedes não foi tão forte nas críticas. E olha que a equipe fez dobradinha no grid da Espanha e, depois, se arrastou até o fim da prova. Hamilton foi só o 12º, levando, inclusive, uma volta do vencedor Fernando Alonso.
Com a mudança, a expectativa é de que haja, no máximo, três paradas de boxe por corrida. Em Mônaco, no dia 26, os polêmicos pneus que gastam muito serão usados pela última vez. Vale ressaltar que a mudança nos pneus já estava prevista, mas por que antecipar?
Não pretendo, aqui, fazer uma "teoria da conspiração" a favor de Vettel. Pelo contrário, o tricampeão é um piloto incrível, lidera o campeonato e ruma favorito para o tetra.
O que pretendo destacar é que vale muito o que diz um famoso ditado: "quem não chora, não mama". No caso da F-1, quem não chora também perde campeonato.
Com licença, Leandro, entro para te contrapor e botar mais pimenta na jogada. Desde que o Jean Todt (chefe de Michael Schumacher nos anos dourados da Ferrari) assumiu a presidência da FIA, a entidade passou a ser uma espécie de defensora da equipe italiana. Portanto, para mim, tem mais coisa atrás desta decisão de apressar a troca dos pneus em detrimento da Ferrari. Só a grana da Red Bull não explica os reais motivos. A equipe austríaca é nova no circo, e ainda não tem força política para mudar o jogo.
Abraços.
Daniel Dias