
Quando retornou à Fórmula-1, a Mercedes tinha um projeto ambicioso: projetava ser, em pouco tempo, protagonista na categoria. Pois quatro anos depois, a escuderia alemã chega ao seu melhor momento.
Nos treinos livres de Mônaco, disparou na frente. Comprova o rótulo de "leoa de treino". E, na pista sinuosa e de difícil ultrapassem do principado, credencia-se à primeira vitória na temporada.
A mescla da tradição da Mercedes na F-1 com a experiência de nomes tarimbados como o do heptacampeão Michael Schumacher e de Ross Brawn não vingou. Em três anos, uma vitória — e com Rosberg, o coadjuvante.
Bastou a chegada de Hamilton e, nesse ano, a escuderia está mais próxima das favoritas Red Bull, Ferrari e Lotus. Ganhou mais consistência e velocidade, mas sofre com um ponto básico: pneus.
Nas últimas três provas, a Mercedes largou na pole. Na Espanha, aliás, fez dobradinha no grid. Mas sem saber domar o desgaste dos pneus, sucumbiu. Hamilton, quem diria, chegou uma volta atrás do vencedor Alonso.
Em Mônaco, porém, a lógica muda. A pole é meio caminho andado, pois as ultrapassagens são difíceis e a própria média de velocidade da corrida é inferior devido às curvas sem fim.
Dizem no futebol que "treino é treino, jogo é jogo". Mas só joga quem treina bem. Logo, confirmando a fama de boa de grid, a Mercedes credencia-se a largar na frente e vencer pela primeira vez no ano.
É favorita, como bem citou Alonso após os treinos livres. Obviamente que cada corrida tem suas nuances e surpresas, mas a equipe alemã tem na mais tradicional prova da temporada sua grande oportunidade.
Por isso, aposto que Hamilton vai fazer Rosberg comer poeira no treino oficial e na corrida. Na "hora do pega", com todo respeito às duas poles consecutivas do alemão, a estrela e o talento do campeão mundial de 2008 vão falar mais alto.
A não ser que, na despedida dos "pneus gastadores" - no Canadá estrearão compostos mais duradouros -, a Mercedes vire mártir de novo. Pela última vez, quem sabe.

















