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Culpa materna, como lidar?

12 de agosto de 2015 2

Por Karolina Nogueira

Reprodução

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Ontem foi um dia de muita reflexão sobre o papel de ser mãe para mim. Compartilhei com as minhas amigas do Fralda Cheia o dilema que eu estou vivendo em casa e acabei usando a expressão que o meu filho estava me sufocando e naquele momento senti como se tivesse levado uma facada no coração.

Pergunto a todas vocês, mamães, como lidar com a culpa materna?

Culpa por não estar 100% ao lado do filho, culpa por não conseguir dar a atenção devida, culpa por deixar a louça suja e optar por ele, culpa, culpa e mais culpa.

Tenho uma rotina exaustiva, trabalho o dia todo fora enquanto o Pietro vai para a escola. Toda a rotina anterior e após o horário comercial tem ficado comigo, e não que meu marido não queira ajudar, muitas vezes ele tenta, mas ultimamente não tem conseguido. O meu filho tem me sufocado, e admitir isso faz eu me sentir a pior mãe do mundo! Amo meu filho mais do que a mim mesma, mas preciso aprender a lidar melhor com tudo isso.

Ontem enquanto desabafava, ele simplesmente me escalava, buscava o meu olhar, as minhas mãos, não queria que eu fizesse mais nada a não ser olhar para ele. Isso tem se repetido o dia todo, ele só toma banho comigo, só quer comer com a minha presença, quando chegamos em casa só procura o meu colo, só dorme de mão comigo, e muitas vezes a noite vai e volta da cama dele gritando: Mamãe!

Pela manhã não é diferente, se ele acorda e não me vê, ele berra! Na hora do mama se não fico do lado dele, ele berra! Fazer xixi e comer é luxo para mim. Muitas vezes quero adiantar os afazeres de casa e ele não me permite, fica me pedindo colo, se gruda nas minhas pernas e não me permite andar, pega suas mãozinhas e segura me rosto e começa a me beijar chamando: Mamãe! Cabelo, hidratante, unhas? Não ouvi mais falar!

E a culpa de se sentir assim? Cansada e ao mesmo tempo pensar que esse momento pode me deixar triste, afinal é o meu filho, é a criança que sempre sonhei, é lindo, é carinhoso, ele é tudo pra mim! Por isso conversei com a Psicóloga e Coach, Mariana Chang Baldino, sobre esse momento e pedi para ela me descrever o que passa pela cabeça das mamães como eu e como lidar com toda a situação:

“A maternidade é considerada como uma das etapas mais bonitas e felizes da vida da mulher, porém, que este representa apenas um dos lados da experiência. Do outro lado há o choro alto, o cansaço das noites em claro, os medos e preocupações, a falta de tempo e de espaço. Em meio a tantas transformações no estilo de vida da família, é natural que os sentimentos virarem um turbilhão e, ao mesmo tempo em que a mãe sente um amor imenso pelo seu filho, isso se mistura aos sentimentos de angústia, impaciência, raiva e culpa.

O comportamento de apego dos filhos em relação à mãe é bastante comum. Imagina que no cérebro do pequeno roda um programa no qual ela é a referência de proteção; aquela que nutre e acolhe. Entretanto o bebê não é o único responsável pelas dificuldades de separação, já que na interação mãe e filho, a atitude de um interfere no outro. Ele deseja a sua presença, a sua atenção, o seu olhar…   Mas acredite: ele pode esperar. A separação deve ocorrer de forma gradual e com o apoio do pai, familiares e cuidadores. Investir na qualidade de tempo que vai passar com o filho através do olho no olho, da brincadeira, do toque, das palavras de afeto e orientação é suficiente para o desenvolvimento saudável da criança.

A Mariana ainda comenta que o sentimento de culpa das mães muitas vezes é uma armadilha criada por elas mesmas e reflete a fantasia onipotente de que deveriam fazer tudo no mais alto nível de perfeição. Acontece que as mães não são seres ideais, mas reais. A raiva ou até mesmo a culpa fazem parte do corpo emocional de todo o ser humano. É importante permitir identificá-las, senti-las ao invés de negá-las e julgá-las. Fugir dos idealismos e das auto-exigências absurdas. Aprender a ser menos severa consigo mesma e assumir uma atitude mais natural frente às situações de conflito. Ao permitir-se ser uma “pessoal real” e que sente sentimentos contrastantes estará sendo mais espontânea e, portanto, colaborando para a educação da criança. Lembrar que no vasto campo das emoções não existe sentir certo ou sentir errado, mas apenas o sentir.

E dá o último recado: Conecte-se, abrace a sua totalidade e siga o seu instinto.”

Cheguei à conclusão que não existe a “receita de bolo”, penso que deve ser fase, preciso realinhar a minha rotina e separar os tempos, fazer valer a pena os nossos momentos juntos e ter um tempinho para cuidar de mim.

Comentários (2)

  • Thaís diz: 14 de agosto de 2015

    Oii Karolina, tenho uma nenê de 9 meses e todos as noites acontece a mesma coisa que acontece com você, ela só quer ficar comigo, não pode me perder de vista que começa a chorar, nem banho consigo tomar direito! E o pai tenta brincar com ela, mas não adianta, ela só quer ficar comigo, o tempo inteiro! É bom saber que esse sentimento não acontece só comigo e como podemos fazer para lidar melhor com essas ‘fases’ dos nossos pequenos! Estou adorando o blog!!

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