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Mãe megera não dá doces para os filhos. Ou seria o contrário?

22 de setembro de 2015 5

Por Elisandra Borba

Foto: arquivo pessoal

Foto: arquivo pessoal. Sara comendo uma das três fatias de melão que comeu naquela refeição.

Os desafios de ter um filho são maiores que podem supor os que ainda pensam em imergir neste mundo maravilhoso, porém desafiador. Não há um pai ou mãe neste mundo que se satisfaça em ser mediano. Todos querem ser os melhores. E cada um é o melhor que consegue ser. O problema é que nem sempre o seu melhor é o melhor que os outros esperam de ti. E nessa hora o desafio é ser firme nas convicções.

Decidi que quero que minha filha tenha uma alimentação saudável até a hora que ela decidir sozinha se quer ou não continuar assim. Com isso, acredito que vou ajudá-la a não desenvolver doenças no futuro e vou permitir que ela tenha um paladar que aceite determinados alimentos que comumente crianças não aceitam. Minha meta é ensina-la a comer bem e não proibi-la de comer o que desejar. Hoje ela tem um ano. Completou no último dia 17. Ou seja, nunca me pediu um doce e nunca ofereci a ela. Come legumes, carne, verduras, carboidratos, frutas e é amamentada no peito. Até que a ciência descubra algo contrariando isso, tudo que precisa para viver bem. O problema é que já perdi a conta de quantas vezes ouvi que minha filha é uma coitadinha por nunca ter comido doces.

Minha atitude tem me dado apelidos carinhosos como megera, exagerada e cruel. Confesso que não é fácil lutar contra a sociedade do refrigerante e da bolacha recheada. Eu mesma não tenho uma alimentação regrada, mas quero justamente que minha filha tenha mais oportunidades que eu. Espero que ela não precise fazer reeducação alimentar no futuro, como eu fiz e que não lute contra a balança como o pai dela luta. E quero menos ainda que ela seja hipertensa como o avô e o pai ou diabética como boa parte da minha família. Claro que minha decisão não é algo que partiu pura e simplesmente da minha cabeça. É embasada em orientações médicas e em pesquisas que faço sobre o assunto, além de conversas com amigas que tem um modo semelhante de pensar.

A médica pediatra Rosângela Silveira D’Ávila conversou sobre o assunto com o Blog Fralda Cheia. A profissional, que atua no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, explica que a nutrição nos primeiros mil dias de vida de uma criança são fundamentais para uma vida saudável: “Os pais precisam moderar o consumo de açúcar, principalmente para as crianças que estão em fase de crescimento nos primeiros dois anos. Os doces, chamados de calorias vazias, não oferecem benefícios nutricionais, pelo contrário, podem estimular uma paladar seletivo, dando preferencia para cada vez mais alimentos doces. A alta ingestão de açúcar pode provocar cáries dentárias, obesidade e complicações como diabetes e deficiências de micronutrientes, principalmente ferro”, salienta a pediatra.

Sei claramente que eu tenho razão, mas não peço que ninguém copie minha maneira de criar minha filha, apenas respeite.

Comentários (5)

  • Márcia Quadros Xavier diz: 23 de setembro de 2015

    Concordo plenamente com a Elisandra e faço o mesmo com meu filho que tem 1 ano e 8 meses. Infelizmente tenho dificuldades para fazê-lo comer legumes e saladas, imagina se ele comesse doces ou tomasse suco com açúcar?
    É uma atitude que exige persistência não dar doces aos filhos, pois realmente não é nada agradável ver os olhares condenadores quando eu digo que não dou doces para o meu filho.
    Para as mães que seguem minha filosofia dou uma dica: meu filho adora passa de uva, é saudável, docinha e não tem açúcar. Colocar mel nas frutas picadinhas também é uma forma de fazer os pequenos felizes.

  • Dircelei Schimitz diz: 23 de setembro de 2015

    Passei exatamente por esta situação há 16 anos atrás… Fui taxada de cruel pois ‘inibia a criatividade’ do meio filho ao não permitir que comesse doces e refrigerantes..É dura esta falta de respeito… Mas persista pois vale a pena… As mesmas pessoas que me criticaram, mais tarde me elogiaram pelas escolhas corretas que ele fez quando já podia escolher o que queria.. o DEVER dos pais é ensinar o que é correto…

  • Ana diz: 23 de setembro de 2015

    Tenho uma filha de 2 anos e 3 meses. Que nunca tomou refrigerante (pra não dizer que nunca, uma vez ela sapecou um gole de um copo em uma festa… cuspiu tudo fora… adorei). Restrinjo ao máximo o consumo de doces dela. Ela come de tudo. Adora um bom prato de arroz e feijão, ou roiz e favão como ela diz. Em casa, somos taxados de loucos, cruéis e malvados por quem acha isso tudo um absurdo! Absurdo, pra mim, é presenciar uma criança que nem sabe falar direito ainda preferir big mac a comida… ou nuggets a carne. Nós, como pais, temos a obrigação de cuidar de nossos filhos. E proporcionarmos uma alimentação saudável e caseira é uma das mais belas formas de amor. Pelo menos eu penso assim! E a Sofia agradece!!

  • Vinícius Kümpel diz: 5 de novembro de 2015

    Jamais te chamaria de megera. Tenho outra palavra pra vc: heroína!!!! Como seria bom se todos os pais e mães seguissem seu exemplo.

  • Gisele diz: 29 de agosto de 2016

    Parabéns! Ainda não tenho filhos, mas penso exatamente como você. Em pleno ano 2016 é incrível como ainda predomina a ignorância nesse assunto. Agradeço à minha mãe que me amamentou até meus 4 anos de idade, só me deu leite materno pra ingerir até os 6 meses e não me deu açúcar até os 2 anos. Sou muito saudável e pretendo criar meus futuros filhos da mesma forma, apesar de todas as críticas que sei que receberei (principalmente de parentes…).

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