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Nós viramos reféns do medo!

27 de novembro de 2015 1
Em abril, comunidade de Porto Alegre protestou contra os roubos.  Foto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS

Em abril, comunidade de Porto Alegre protestou contra os roubos.
Foto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS

Por Milena Schoeller

Hoje uso este espaço para um desabafo.

Nós viramos reféns do medo!!

Os números de roubo de carro em Porto Alegre e no Rio Grande do Sul estão crescendo. Os dados estatísticos da segurança pública, divulgados pelo governo estadual nesta quinta-feira (26), mostram isso. E nós, que temos filhos, vivemos cada vez mais a mercê destes criminosos.

Especialistas em segurança dão orientações para evitar roubos. E uma das primeiras dicas é: não perder tempo entrando e saindo do veículo, pois é neste momento que criminosos atacam. Mas como colocar o filho na cadeirinha de forma rápida? Como tirá-lo rapidamente? Como fazer isso sem dar tempo dos bandidos atacarem? E se são duas crianças? Por isso, não tenho dúvidas em dizer, nós, pais, somos iscas fáceis, infelizmente.

Eu já fui assaltada duas vezes. Em uma delas, estava grávida de 6 meses e fui abordada quando saía de uma vaga com meu carro, na rua, no Parque da Redenção. A segunda vez, foi chegando na escolinha para largar meu filho. Ele tinha 1 ano. Pedi ao bandido para retirá-lo, e o criminosos só arrancou com o meu carro depois que peguei o pequeno. E desde que isso aconteceu:

- Não estaciono mais na rua.

- Não frequento mais locais onde não há estacionamento próprio, ou pelo menos ao lado.

- Vou de táxi ou ônibus quando sei que terei que deixar o carro na rua.

Eu dirijo tensa, achando que a qualquer momento posso ser abordada. Uma colega do blog foi abordada em uma sinaleira, e teve o carro roubado, 16h!

Pergunto, existe saída?? Será que algum dia vamos voltar a sair livremente, sem medo? Como as autoridades, que foram escolhidas por nós, em quem depositamos nossa esperança, deixaram chegar a este ponto???

Infelizmente, nós somos reféns do medo. Eu virei refém do medo.  Muitas vezes, sou criticada por ter deixado o medo tomar conta. Mas eu prefiro assim. Se levarem o carro, será apenas danos materiais. Mas quem garante que o criminoso não me dará um tiro de graça? Ou levará meu filho junto? Prefiro ceder ao medo, e isso é triste. :(

A violência foi o tema desta manhã do Fralda Cheia no Gaúcha Hoje. Acompanhe.

Comentários (1)

  • Éderson Lumertz diz: 27 de novembro de 2015

    Isso é porque aqui, segundo um prefeito medíocre, não é terra de ninguém. Sugeri a ele pelo twitter que trocasse o nome para José Fortunati Ninguém. Acabei de ler uma frase que me remeteu a tudo isso: “a pior morte é aquela em que, ainda vivos, temos que enterrar as coisas que morreram em nós.” ontem foi um dia muio tenso. Grandes desgraças acontecendo, uma atrás da outra. Ontem, ainda vivos, enterramos mais coisas nossas.

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