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Intolerância à Lactose e Alergia à Proteína do Leite de Vaca são a mesma coisa?

16 de dezembro de 2015 0

Entenda a diferença entre os dois problemas.

Foto: Ronald Mendes / Agencia RBS

Foto: Ronald Mendes / Agencia RBS

Por Milena Schoeller

A reposta para a pergunta da manchete é Não! Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) e Intolerância à Lactose não são a mesma coisa. Aliás, são bem diferentes. Já contei aqui sobre a minha experiência com dois filhos alérgicos, e sobre a dieta de exclusão rigorosa que fiz. E realmente, no início, há muita confusão entre os dois problemas, e é até difícil para algumas pessoas entenderem a diferença.

No caso da APLV, a pessoa alérgica não pode entrar em contato com o leite, derivados, ou qualquer outro produto que contenha leite ou derivados. Não importa se ele contenha ou não lactose, não pode ser consumido. Não pode, sequer, passar um creme que contenha leite na composição, por exemplo. O corpo reage. Já no caso dos intolerantes, o corpo não produz em quantidade suficiente a enzima responsável pela digestão do açúcar do leite, a lactose. Mas se o produto for sem lactose, pode ser consumido normalmente, na maior parte das vezes.

O blog conversou com a gastroenterologista Cristina Targa Ferreira sobre o assunto. Acompanhe as principais orientações e explicações da médica presidente do Departamento de Gastropediatria da Sociedade Brasileira de Pediatria. Ela esclarece diversas questões, inclusive, sobre a utilização de leites nos primeiros anos de vida.

 

Alergia à proteína do leite é a mesma coisa que intolerância à lactose?

São duas coisas bem diferentes. O maior erro que se vê por aí é dizer que a criança tem “alergia à lactose” – isso não existe! A lactose é o açúcar do leite e não causa alergia. Tem muita lactose no leite materno e nenhuma criança se torna intolerante ao leite materno. A intolerância à lactose é um fenômeno de pessoas mais velhas, em geral, adultos. É a falta de uma enzima, chamada lactase, que ocorre nos adultos.

Já a alergia às proteínas do leite de vaca é um tipo de reação que ocorre quando a criança entra em contato com essas proteínas. É uma reação imunológica, reprodutível (ou seja, se repete cada vez que ocorre) , em que as nossas células reconhecem essas proteínas como estranhas e reagem contra elas.

São comuns casos de alergia à proteína do leite?

As alergias aumentaram muito no mundo atual. A asma, as rinites, a dermatite atópica e as alergias alimentares estão cada vez mais comuns.

Entre as alergias alimentares, a alergia à proteína do leite de vaca é a mais comum, pois a proteína do leite de vaca é uma das primeiras proteínas que o bebê entra em contato na vida. Além disso, as alergias alimentares ocorre m com maior frequência no primeiro ano de vida, pois o intestino do bebê, ainda imaturo, não se protege adequadamente contra a presença de proteínas “estranhas” (não humanas).

Existem dois tipos de alergia: a alergia imediata, que ocorre nas primeiras duas horas após o contato, e a alergia tardia, que dá mais sintomas intestinais, e que pode ocorrer até 72 horas após o contato com a proteína desencadeadora.

Qual é o tratamento para a alergia ao leite de vaca?

O tratamento da APLV é a exclusão do leite de vaca da dieta, até que o intestino da criança se recupere e amadureça, para poder se defender contra a entrada de proteínas estranhas. Então, a boa notícia é que, na maioria das vezes, a APLV é transitória, e o bebê vai poder voltar a tomar leite ou comer coisas com leite de vaca, depois de um tempo com dieta de exclusão.

Para as crianças alérgicas à proteína do leite de vaca e que mamam no seio materno, está indicado que a mãe faça a dieta sem leite de vaca e/ou derivados, e o bebê deve seguir mamando no peito. Não suspender a amamentação é muito importante.

Pode-se usar leite de vaca integral no primeiro ano de vida?

Não. O leite de vaca, integral, não deve ser usado no primeiro ano de vida, pois não é adequado para bebês, por ter excesso de algumas substâncias como, por exemplo, gordura e proteína. É um dos maiores fatores de risco para obesidade infantil. E também causa mais alergias, pois há sobrecarga de proteínas.

O leite de soja pode ser usado como leite substituto para os alérgicos?

As fórmulas de soja não são as mais indicadas nos primeiros seis meses de vida. Nesta idade, o bebê ingere grande quantidade de leite, como alimentação exclusiva, e a soja não tem nenhuma vantagem sobre as fórmulas de leite de vaca.

O mais indicado para as crianças que não mamam no seio é utilizar as fórmulas especiais para alergia, que se chamam fórmulas hidrolisadas ou fórmulas de aminoácidos.

Como identificar se o filho tem alergia à proteína do leite?

Os sintomas principais são sangue nas fezes, dor e choro importantes, cólicas, diarreia, constipação, outras alergias, tipo dermatite atópica e alergias de pele no bebê nos primeiros meses de vida.

Quais testes podem ser feitos pelo médico para ver se a criança tem esse problema?

Para essas alergias tardias, que dão sintomas gastrointestinais, não existem exames laboratoriais. O diagnóstico é clínico, ou seja, se retira a proteína do leite da dieta, e se observa se o bebê melhora. Depois de 2 a 4 semanas, coloca-se o leite na dieta (da mãe ou do bebê) e verifica-se se os sintomas retornam, ou não.

Como evitar o problema?

Na verdade, o maior fator de prevenção é o aleitamento materno. Parece que outro fator importante é não dar fórmulas de leite de vaca na maternidade. Deve-se dar, para aquelas crianças que são grupo de risco (que têm pais ou irmãos alérgicos) fórmulas hidrolisadas na maternidade, quando nasce o bebê.

Muitas crianças precisam receber um pouco de fórmula quando nascem, por que fazem hipoglicemia, ou por outros motivos. Nesses casos, deve-se dar fórmula hidrolisada, se essas crianças forem do grupo de risco (que têm pais ou irmãos alérgicos). Pode-se também dar fórmulas HA (hipoalergênicas).

Uma mãe que tem filho com alergia à proteína do leite tem maiores chances de ter outro com o mesmo problema, ou não há relação?

Sim. O maior “fator de risco”, como nós chamamos, é ter irmão, ou o pai, ou a mãe alérgicos. Se ambos forem alérgicos, a probabilidade é ainda maior. Esses bebês que têm familiares de primeiro grau alérgicos são os que vão ter maior risco de ter alergia também.

 

 

 

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