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Bendita diabete gestacional

12 de janeiro de 2016 0
Foto: Daniel Marenco / Agencia RBS.

Foto: Daniel Marenco / Agencia RBS.

 

Por Giane Guerra

Dia desses, recebi uma mensagem de uma fonte muito querida da área econômica:

“Giane, o que estás fazendo? Mudou a alimentação? Dançando? Correndo? Estás linda!”

Respondi:

“Gael veio patrolando para o bem!”

Gael é meu segundo filho e está com seis meses. Não foi planejado, mas veio na hora certa. No primeiro exame da curva glicêmica, descobrimos que eu estava com diabete gestacional.

Foi um susto. Sou uma pessoa exigente no geral. Em relação à saúde dos meus filhos, então… Meu lema é: tem que ser feito, será feito. Sem choro.

Minha primeira ação foi parar de comer. Não sabia o que podia fazer mal ao bebê. Sou de uma família de diabéticas, mas em uma leitura básica na internet já cai por terra a ideia de que só doces provocam a diabetes. Lembrava da frase que ouvi certa vez de um médico: “É como se estivesse alimentando teu bebê com bolacha recheada.”

A nutricionista Rita Lamas me acalmou. Em uma consulta no dia seguinte, já passou uma dieta de início imediato. A obstetra Denise Schlatter deu alguns dias para ver se a dieta funcionava sem remédios. Comecei a fazer várias medições de glicose ao dia. E acelerei os exercícios físicos que já vinha fazendo.

Basicamente, a dieta restringia a quantidade de carboidratos e frutas. Cortava doces. Verduras e carnes, no entanto, estavam liberadas. Eliminei todos os refinados. Passei a consumir apenas integrais. A fibra ajuda no processo de absorção adequada do açúcar.

Em uma semana, normalizei meus índices de glicose. Em dez dias, as medidas do Gael, ainda dentro da minha barriga, voltaram a ser de um bebê saudavelmente magro.

Alívio por não estar mais sobrecarregando órgãos como fígado e pâncreas do meu bebê. Junto com isso, também ajudar a evitar a obesidade e suas consequências até mesmo na fase adulta do Gael.

Emagreci com saúde nos meses seguintes. Fechei a gestação com ganho de peso de apenas cinco quilos. Consegui esperar o trabalho de parto, como era minha vontade e tive o receio de a diabetes atrapalhar este processo.

Mas e depois?

Já sou curiosa e, quando envolve a saúde dos pequenos, sou maluca por informações. Pesquisei muito. Não comia nada diferente sem antes pesquisar a carga glicêmica. Fui entender porque, depois que terminava minha caminhada na esteira, eu tinha índices glicêmicos inferiores ao jejum.

Esse conhecimento não se perdeu. Assim como, eu ter me sentido tão bem durante a gestação deixou sua marca. Mantive a boa alimentação (com escapadas, é claro) e muitos outros hábitos. Meu marido me acompanhou e também gostou do resultado. Até mesmo porque temos uma menina de dois anos, que também estava nos estimulando a ser mais saudáveis.

Nossa médica da família acompanhou todo o processo. A clínica geral Lisangela Preissler respondeu algumas perguntas sobre diabetes:

Blog Fralda Cheia: Percebe que a diabete (gestacional, inclusive) é encarada como deveria pelos pacientes?

Lisangela Preissler: Cada paciente é um universo muito particular, e diabetes é um tema muito amplo. São tipos diferentes, em diferentes idades e classes sociais. Mas eu diria que a informação ao alcance de todos, atualmente, facilita muito o entendimento da doença e a adesão ao tratamento, sim.

Blog: Há muitos casos que poderiam ser controlados com alimentação e exercício?

Lisangela: Sim. Especialmente, os diagnósticos iniciais do diabete adquirido com a idade (o tipo II) e do diabete gestacional. São as medidas que chamamos de não farmacológicas. E que se mostram efetivas quando testadas em estudos.

Blog: E qual o benefício para a pessoa de optar por isso em vez de remédios?

Lisangela: Não é bem uma questão de escolha, mas de indicação. Há casos em que só essas medidas não serão suficientes, mas é inegável que quando implantadas modificam a história natural da doença, digo, impedem que a doença se estabeleça de fato, ou que avance e apresente suas complicações

Blogueira Giane Guerra: Como minha médica há anos, como avalia o impacto que a doença teve em mim?

Lisangela: Eu diria que teve um impacto modificador de estilo de vida. E isso não afastou somente o diabete, mas muitas outras doenças. Eu costumo dizer que de todos os fatores de risco para doença cardiovascular, o único que a gente não modifica é história familiar: ninguém vai nascer de novo, em outra família, com outro perfil de doenças incidentes. Mas todo mundo pode e deve modificar todo o resto, e impedir que se agregue a história familiar a obesidade, o sedentarismo, os problemas com o colesterol e com o cigarro. E foi isso que eu diria que aconteceu contigo: um alerta precoce num momento ímpar da vida da gente, que te permitiu olhar pro futuro e pensar em coisas que não se pensava antes. Investir em controle de peso, alimentação saudável e atividade física te garantiu alguns anos a mais junto aos teus filhos. Disso eu tenho convicção.

A frase das frases: Investir em controle de peso, alimentação saudável e atividade física te garantiu alguns anos a mais junto aos teus filhos.

 

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