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Gravidez não é doença: o que a gestante pode fazer?

18 de fevereiro de 2016 0

Foto: Lucas Correia / Agência RBS

Foto: Lucas Correia / Agência RBS

Por Marcela Panke

Uma das coisas que mais me chamou a atenção durante a gravidez foram os palpites e recomendações do que eu podia ou não podia fazer. Tive vários “momentos fralda cheia” durante a minha gestação!

Ouvi coisas como: “Deixa que eu faço isso. Fica aí sentada, tu está grávida”, ou “tu está caminhando demais”. Isso me deixava muito incomodada, pois sempre pensei que se estivesse tudo bem comigo e o Nícolas, não haveria problema em continuar tendo uma vida normal.

Os palpites são super normais, mas é importante conversar com o obstetra e buscar o conhecimento do que realmente tem fundamento. O chefe do Serviço de Obstetrícia do Hospital São Lucas, da PUC, Breno Acauan Filho, é obstetra há mais de 30 anos e está acostumado com essas situações. Mas ele destaca que gravidez não é doença:

“Existem muitas interferências externas sobre a gestação, pessoas dando palpite sem conhecer a fisiologia, o que acontece no organismo da grávida. Parece que todo mundo está querendo se meter”, comentou.

Atividade física na gestação

Durante toda a minha gestação, continuei fazendo as minhas caminhadas, o que me fez muito bem e contribuiu para que eu mantivesse a meta de ganho de peso permitida pela obstetra. Engordei 11kg e podia ganhar até 12kg.

O obstetra Breno Acauan Filho comenta que a gravidez por si só já é uma “pequena sobrecarga” sobre o organismo materno. A atividade física é outra sobrecarga sobre o corpo que já está sendo bastante exigido. No entanto, afirma que se a mulher já fazia exercícios, a prática durante a gravidez não representa nenhuma ameaça, “desde que a gestação ocorra normalmente”.

“Eu tive pacientes corredoras, que continuaram correndo até os seis, sete meses de gestação. Tive pacientes tenistas, ou que praticavam equitação. Elas só pararam a atividade física quando começaram a sentir o desconforto do terceiro trimestre da gestação, não que isso prejudicasse o bebê”, explicou.

Grávida pode fazer esforço?

Outra coisa que eu ouvi bastante durante a gestação é que a grávida não pode pegar peso. Isso também me incomodava! Bastou a barriga aparecer para que eu nunca mais carregasse as sacolas do supermercado!

Para o Dr. Breno, tudo é uma questão de bom senso: “pode pegar peso, só não pode exagerar. Também depende da capacidade física de cada um”.

Ele destaca, no entanto, que as mulheres devem poupar esforços, sim, no terceiro trimestre.

“A coluna lombar fica inclinada, muda o ponto de equilíbrio. No fim de gestacão tem que cuidar, não subir em cadeira, não subir uma escada correndo, pela questão do equilíbrio”, explicou.

O que a grávida não pode comer?

Uma gestante tem poucas restrições alimentares. O Dr. Breno Acauan Filho recomenda que suas pacientes evitem verduras cuja procedência seja desconhecida (cozidas e bem lavadas são liberadas) e carne crua, inclusive os embutidos, pelo risco de toxoplasmose.

A recomendação vale para as grávidas que nunca tiveram contato com a doença, causada por um parasita que tem como hospedeiro o gato. O problema são as fezes do gato depositadas na terra, que podem contaminar vegetais e animais como a vaca ou a galinha que se alimentam desses vegetais. A toxoplasmose pode causar aborto, hidrocefalia (excesso de líquido no cérebro), problemas de visão ou em outros órgãos do bebê.

Quando a gestante precisa de repouso?

O chefe do Serviço de Obstetrícia do Hospital São Lucas, da PUC defende que não existe “repouso absoluto”, porque seria impossível a gestante ficar em cima de uma cama sem se mexer.

“A grávida coagula muito e o repouso facilita o trombo embolismo. Nesse caso, o repouso facilita o trombo embólico”, afirma.

Breno Acauan Filho destaca que o repouso somente é recomendado quando há alguma patologia na gestação, com possibilidade de sangramento, por exemplo, ou quando há placenta baixa ou, ainda, pré-eclâmpsia. Mesmo assim, “depende da patologia e da gravidade”, destaca o obstetra.

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