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Depressão Pós-Parto: o que é e como ajudar!

19 de fevereiro de 2016 0

Por Milena Schoeller

Arte: Zambi/Agência RBS

Arte: Zambi/Agência RBS

Toda a maternidade é pintada com muito glamour. Como se fossem só alegrias, e nenhuma dificuldade. Mas quem é mãe e pai sabe que isso não é 100% verdadeiro. Após ler alguns relatos nas redes socais de casos verídicos, com consequências horríveis, resolvi falar deste assunto aqui no Blog Fralda Cheia: a depressão pós-parto.

Estima-se que a depressão durante a gestação ocorra em 13% das mulheres e, no pós-parto, entre 10% e 15%. Estes números são estatísticas internacionais. Mas em 2013, um estudo da Universidade de São Paulo (USP) com 257 mulheres, que deram à luz em um hospital público, mostrou que 28% delas sofreram de depressão pós parto.

O período logo após o parto é um dos mais delicados na vida de uma mulher. Além de ser tudo novo, há uma montanha-russa de sentimentos, que se contradizem muitas vezes. Conforme a psiquiatra Ana Cristina Tietzmann, “é um momento de risco para o desenvolvimento de transtornos psiquiátricos”. Quando saí do hospital após ganhar meu segundo filho, o Pedro, há 1 ano e 9 meses, saí chorando muito. Fui até em casa assim. Eu sentia um misto de felicidade com tristeza e medo. Não cheguei a sofrer de depressão pós parto. Logo aquele sentimento ruim foi embora, e ficou apenas o bom. Mas passei pelo chamado Blues Puerpural, a fase mais leve da depressão pós-parto. Tão leve que os médicos classificam como uma “reação depressiva”, e não uma depressão propriamente dita. (mais informações abaixo)

Nos Estados Unidos, em janeiro, a U.S. Preventive Services Task Force recomendou que mulheres devem ser avaliadas psicologicamente durante a gravidez, e depois de dar à luz. Segundo os especialistas da comissão americana, as doenças mentais na maternidade estão mais comuns do que se imaginava, e que muitos casos de depressão pós-parto começam ainda durante a gestação, precisando de tratamento para que não haja prejuízos para o bem-estar das crianças.

Confira abaixo a entrevista completa com a psiquiatra Ana Cristina Tietzmann, que também é da direção da Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul. Ela dá dicas importantíssimas para familiares, e explica como reconhecer a depressão pós-parto:

O que é a depressão pós-parto?

É um tipo de estado emocional que se instala no pós-parto. Existem formas mais leves e formas mais graves. O período pós-parto é o período mais vulnerável na vida da mulher. É um período de desafios.

Por quê?

Porque neste período ocorrem alterações hormonais, psicológicas, e sociais no papel da mulher na família. Tem muitas mudanças acontecendo, e estas alterações hormonais biológicas, elas podem predispor a mulher a ter períodos de depressão ou alterações de humor. Estas alterações podem ser leves, moderadas, ou graves. E é importante poder diferenciar estes tipos.

E como o familiar pode identificar?

O quadro mais leve é a disforia puerperal, é uma alteração leve no humor que ocorre na maioria das mulheres. É um quadro transitório, que demora até duas semanas para passar. Esta depressão mais leve, ou também chamada blues puerpural, tem sintomas como choro fácil, sensibilidade maior, irritabilidade. É uma reação depressiva que ocorre de 50 a 85% das mulheres. A diferença é que em duas semanas se resolve, e não precisa tratamento. Já a depressão pós-parto, aí sim é um estado que precisa ser procurada ajuda.

Então, se após duas semanas do parto, a mulher seguir apresentando sintomas como tristeza, choro fácil, mudança de humor, deve procurar ajuda?

Se a partir de 15 dias, os sintomas continuarem, deve se observar também outras alterações: humor deprimido, perda de prazer e de interesse pelas atividades, perda de apetite, alteração de peso, de sono, sentimentos de culpa exagerados, e dificuldade de concentração. Isso são sintomas da depressão. Se isso estiver acontecendo, e persistindo, é possível que seja um quadro depressivo, aí a mulher deve procurar um médico para avaliação.

Os familiares, identificando estes sintomas, o que devem fazer?

É importante procurar um médico, porque o quadro pode piorar, e trazer consequências tanto para a mulher como para a criança. Uma mãe deprimida vai ter uma interação diferente com o bebe. Ela estará menos motivada, altera a qualidade da relação com a criança. E isso traz consequências a longo prazo, se não for tratado. A família e as pessoas que estão por perto devem ajudar. É super importante, durante este período do pós-parto, que a mulher se sinta amparada, e não se sinta sozinha. A questão do suporte social faz muita diferença neste quadro.

Como os familiares devem se portar? Devem conversar diretamente sobre o assunto com a mãe?

Sim, pois às vezes a mulher está sentindo tudo isso, e tem vergonha de falar. Vergonha de assumir que não está feliz, que não está bem, pois à princípio, é pra ser um momento de felicidade. Mas é um momento de risco para a mulher, devido a alterações hormonais, e aos fatores de risco. A questão do sono, por exemplo, é muito importante. Nos primeiros dias, o bebê acorda muito a mãe. E isto pode desencadear um quadro depressivo. Então a família pode ajudar para que a mãe possa ter horas de sono tranquilo. Outra ajuda, se tiver outras crianças na casa, que os adultos se ocupem das demais crianças.

Quais os fatores de risco?

Mulheres que já tenham histórico de depressão têm risco maior. Situações de complicações obstétricas, ou situações estressantes vividas ao longo da gestação. Problemas de saúde com o bebê. Pouco suporte social, mulheres que se sentem sozinhas, que são abandonadas pelo companheiro. Problemas financeiros ou de conflito familiar. E o fator genético, de histórico na família.

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