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Pesquisa revela que a chegada dos filhos aumenta brigas entre casais

21 de abril de 2016 0

Por Elisandra Borba

Foto: divulgação

Foto: divulgação

Quando o casal decide ter filhos, sabe que alguns aspectos mudarão após a chegada deles. O tempo que era apenas dos dois, será dividido agora com um ser que precisa, nos primeiros anos, de atenção total. Essa percepção dos casais, agora foi confirmada por uma pesquisa inédita realizada no Rio Grande do Sul. Cinco universidades gaúchas (UFCSPA, UFRGS, Unisinos, Faccat e UFSM) aplicaram questionário a 750 casais e 180 filhos, entre sete e dezesseis anos.

De acordo com a pesquisadora Mariana Boeckel, isto acontece porque aumenta a necessidade de negociações e afloram as diferenças trazidas pela criação de cada um.

A pesquisa também revela os filhos percebem que os pais brigam, mesmo que eles não se deem conta. Eles relataram que se sentem no meio da briga, demonstrando culpa e em um dilema de lealdade, tendo que escolher apenas um lado da briga.

Para a professora, isto é uma carga muito grande para os filhos: “aprimorar as estrategias de resolução de conflitos é um dos principais caminhos para melhorar a vida conjugal e os impactos nos filhos”, explica Mariana.

Esta estratégia será o assunto das oficinas que a pesquisa está realizando em Porto Alegre: o programa Viver a Dois: Compartilhando este Desafio. O espaço é para casais interessados em investir no relacionamento. Quem quiser participar, pode se inscrever nas oficinas. É necessário que o casal participe e não apenas um dos dois. Serão seis oficinas semanais, realizadas em grupos. As inscrições podem ser feitas pelo email: programaviveradois@gmail.com ou pelo telefone 51.92302927. No dia 25/04, às 18h, será realizada uma reunião informativa para a comunidade, detalhando o funcionamento. Será no Auditório do Prédio III da UFCSPA (Rua Sarmento Leite, 245).

Veja outros dados interessantes da pesquisa:

· Metade dos participantes (50%) referiram ter níveis de qualidade conjugal entre bom e muito bom. Cerca de 17% avaliaram o seu relacionamento como estando “na média”, e 32% indicaram a presença de problemas ou dificuldades no relacionamento, o que indica baixa qualidade conjugal. Fica evidente em nossa amostra a predominância de bons e médios níveis de qualidade na relação conjugal vivenciada pelos sujeitos pesquisados. Porém, não podemos desconsiderar que um terço dos participantes (32%) indicou a presença de problemas ou dificuldades no relacionamento.
· Aqueles participantes com maior tempo de união e com mais idade tenderam a reportar melhores níveis de qualidade conjugal em seu relacionamento. Identificamos também que as pessoas que referem se sentir mais satisfeitas, percebendo maior qualidade conjugal, são aquelas que apresentam maior escolaridade e trabalham fora de casa.
· A variável “filhos”, isso é, ter filhos apareceu associada à percepção de mais problemas no relacionamento, isto é, a baixos níveis de qualidade conjugal. No que diz respeito ao conflito conjugal, encontramos que a falta de tempo para a realização de atividades de lazer compartilhadas entre os cônjuges foi o principal motivo de desentendimentos conjugais, conforme apontado por homens e mulheres. Esse motivo superou, inclusive, aquelas temáticas tradicionalmente consideradas motivadoras de conflito entre os casais, como as tarefas domésticas, a criação dos filhos, o uso do dinheiro e o exercício da sexualidade.
· Nossos resultados indicam que, quanto mais os casais discutiam, independentemente do tema do conflito, menor era a qualidade do relacionamento. Isso aconteceu tanto para homens quanto para mulheres. De forma similar, o uso de estratégias positivas de resolução de conflito se associou com maiores níveis de qualidade conjugal, enquanto o uso de estratégias destrutivas de resolução de conflitos se associou com níveis mais baixos de qualidade conjugal.
· Constatou-se que, do total de participantes da pesquisa, 83,5% já agrediram psicologicamente seus companheiros(as), sendo o insulto a agressão psicológica mais praticada por 64% dos respondentes.

Resultado da pesquisa pela perspectiva dos filhos
· Mais de 90% dos filhos que responderam ao questionário avaliou que seus pais se relacionam bem. No entanto, metade dos participantes revelou que percebem que seus pais brigam (49%), sendo que uma parcela de menos de 10% da amostra informou que vê o casal discutir intensamente ou gritar um com o outro.
· Os filhos identificaram reciprocidade quanto ao início das brigas – metade deles (50,6%) referiu que tanto o pai quanto a mãe começam as brigas.
· A maioria dos filhos relatou que os pais, geralmente, não gritam (44%) ou utilizam violência física (90,6%) ou verbal (69,4%) durante as discussões, mas 77,6% indicaram que os pais ficam muito bravos quando brigam. Embora 90% da amostra tenha dito que os pais nunca se empurraram durante um conflito, é preciso atentar para os 10% restantes que reportaram alta intensidade de conflito nas brigas entre seus pais.
· Encontramos ainda que os filhos não se sentem diretamente chamados a participar do conflito de seus pais (97%), mas um número expressivo de crianças e adolescentes (52,5%) referiu a sensação de estar no meio do casal durante as discussões ou de ter que escolher apoiar um dos membros do casal na ocasião do conflito (25,2%). Essa inclusão do filho como um terceiro na relação do casal, embora muito comum no cotidiano conjugal, deve ser evitada pelo par parental, pois ocasiona fortes conflitos de lealdade nas crianças e adolescentes, que se sentem muito culpados frente a uma escolha impossível de ser equacionada. Prova disso foi a constatação de culpa (23,5%) e ameaça (56%) reportada pelas crianças e adolescentes entrevistadas frente aos conflitos de seus pais.

Ouça a entrevista com uma das pesquisadoras:

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