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Inverno: saiba quais doenças são mais comuns e como proteger os bebês

03 de maio de 2016 0

Por Marcela Panke

Foto: Lauro Alves

Foto: Lauro Alves

O frio começa e, com ele, vêm as doenças chatinhas da estação. Em geral, as mães odeiam o inverno por causa delas. Eu conversei com o primeiro vice-presidente da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul, Marcelo Pavese Porto, para saber quais são as principais doenças de inverno e como proteger os bebês.

O pediatra Marcelo Pavese Porto destacou as doenças respiratórias como as mais frequentes nesse período.

“São comuns a bronquiolite, que é uma doença que algumas vezes pode ser bastante grave, o resfriado, a gripe, a pneumonia e a otite, associadas a alergias respiratórias, como rinite e asma, que acabam exacerbando nessa época”.

Não diga que “é só uma bronquiolite”

O Dr. Marcelo Porto alerta que a bronquiolite, doença causada pelo vírus sincicial respiratório (VSR), não deve ser negligenciada, especialmente no caso de bebês novinhos.

“Depende do grau de agressividade do vírus, mas quanto menor for o bebê, maior o risco. A bronquiolite pode levar à internação, com potencial de risco maior, de necessitar de suporte respiratório, até ventilação mecânica”.

Bronquiolite x bronquite

A bronquiolite e a bronquite têm sintomas semelhantes, são caracterizadas principalmente pelo estreitamento das vias aéreas. No entanto, enquanto a bronquiolite é causada por um vírus, a bronquite é “multifatorial”, inclusive com uma carga genética como motivação.

“Os sintomas são semelhantes, a abordagem é diferente. O ideal é identificar cedo e manejar cedo”.

Quando procurar uma emergência pediátrica?

O vice-presidente da Sociedade de Pediatria do Estado, Marcelo Porto, orienta que os pais só devem levar os bebês a uma emergência pediátrica em casos graves, em que o bebê sofre uma convulsão, vomita sem parar, tem febre e continua prostrada mesmo após ela ceder com o uso de antitérmico ou quando há dificuldade respiratória.

“Quando o bebê está ofegante, por exemplo, se na respiração ele parece cansado, se a barriguinha está afundando embaixo das costelas, aí necessariamente deve-se procurar a emergência pediátrica”.

No entanto, o Dr. Marcelo Porto alerta que os pais costumam fazer “mau uso” das emergências e que, fora esses casos, em geral é possível esperar pela consulta com o pediatra da criança, que já conhece o bebê e tem o seu histórico.

“As pessoas usam a emergência como comodidade, por terem o atendimento após o horário de trabalho, por exemplo. Mas aí os pais ficam na emergência por horas com o filho, que talvez não tenha nada e acaba saindo de lá com algum problema”.

Se possível, evite a creche!

O pediatra Marcelo Porto também orienta que, se for possível, os pais retardem a ida do bebê para a creche.

“A criança pequena, de um ano ou dois, está com o sistema imunológico em franco desenvolvimento e muito imaturo. Na creche, vai pegar muitas doenças. Não adianta dizer que o pediatra é ruim porque a tosse não passa, é um intercâmbio de vírus que só vai cortar se o bebê não for para a creche. Agora, se não tem com quem deixar o filho, não tem o que fazer”

O médico explica que a criança não tem necessidade de socializar com outras crianças com um ano de idade, que essa demanda só vai surgir entre dois anos e meio e três anos de idade.

Gripe A

A principal orientação para proteger as crianças da gripe A é a vacinação.

“Qualquer criança acima de seis meses de idade tem que ser vacinada contra a gripe. No caso de bebês com menos de seis meses, a vacina deve ser aplicada nos cuidadores, nos pais, irmãos, na empregada ou babá”.

O pediatra Marcelo Porto destaca que o bebê que é amamentado recebe a proteção da mãe vacinada. O especialista ainda reforça as orientações que servem de prevenção à gripe A e também a outras doenças de inverno, como:

- lavar as mãos com frequência;
- arejar ambientes;
- evitar locais com aglomeração de pessoas.

“Quando tossir, o adulto deve proteger a mão, não espirrar em cima da criança, e depois tem que lavar a mão. Outro cuidado: quando a gente chega em casa, traz muitas coisas da rua. Então, a primeira coisa a fazer é tirar o casaco, lavar a mão e só depois pegar o filho”.

Atenção, vovós! O Dr. Marcelo Porto alerta que é importante agasalhar o bebê de maneira “compatível com a temperatura”, lembrando que os bebês também sentem calor!

Polêmica das vacinas

O pediatra Marcelo Porto comentou também a polêmica que circula nas redes sociais sobre a vacinação das crianças.

“Não existe nenhuma evidência científica que fale contra o uso das vacinas. Nenhuma vacina causa autismo, como falam nas redes sociais. O homem que fez os trabalhos que mostravam isso acabou de ter a licença de médico cassada nos Estados Unidos porque falsificou os dados”.

O especialista destaca que as vacinas podem, sim ter efeitos colaterais. No entanto, defende que esses efeitos são conhecidos dos médicos e que, na maior parte dos casos, são leves.

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