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Pesquisa relaciona suicídio a abuso emocional na infância

09 de agosto de 2016 0

Por Marcela Panke

Foto: Salmo Duarte / Agencia RBS

Foto: Salmo Duarte / Agencia RBS

Uma pesquisa realizada pelo professor Rafael Moreno, da Univates, no Vale do Taquari, relacionou o suicídio ao abuso emocional na infância. O coordenador da área de saúde mental do curso de Medicina da universidade publicou o resultado da sua dissertação de mestrado na European Psychiatry, que é a principal publicação na área de psiquiatria na Europa. O professor fez o mestrado na PUCRS.

Em conversa com o blog Fralda Cheia, o professor Rafael Moreno contou que a pesquisa revelou que, das pessoas que relataram não ter sofrido abuso emocional quando crianças, cerca de 0,8% tentaram suicídio. Já entre as que disseram ter sido xingadas ou ouvido palavras negativas dos pais, 22% tentou “seriamente” se matar. A taxa é considerada muito elevada, sendo que a média da população brasileira que tenta o suicídio é de 3% a 5%.

Outro dado importante é que o abuso emocional é muito comum na infância: um terço dos participantes da pesquisa passou por isso.

“O interessante é que a análise que a gente fez foi inovadora, porque o abuso físico e o emocional em geral ocorrem juntos, a mãe ou o pai bate na criança e xinga ao mesmo tempo. Os trabalhos antigos não faziam essa separação, diziam que o que fazia mal era o físico. Na verdade, o que faz mal mesmo é o abuso emocional. Na nossa amostra, tem muitos que só sofreram abuso emocional. Dessas pessoas, várias tentaram se matar”, destaca o professor.

Alerta aos pais

O professor Rafael Moreno, que também é coordenador da Comissão de Prevenção ao Suicídio da Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul, afirma que o resultado desse levantamento serve de alerta aos pais sobre o que falam para os seus filhos, e até sobre a maneira com que falam.

“Queremos alertar os pais e até professores, que às vezes dizem coisas que ficam, que marcam. Por isso temos que pensar na importância de realmente cuidar o que se fala. Outra coisa que estamos vendo também é a importância de outros tipos de estímulo, auditivos e visuais, a importância da conversa, do tom da voz, de não gritar”.

A pesquisa

O levantamento do professor Rafael Moreno foi feito entre 2011 e 2014 e levou em conta as respostas de 71.429 pessoas em todo o Brasil a questionários do projeto Temperamento, que faz uma avaliação psicológica online e gratuita. Foram considerados adultos entre 18 e 50 anos, que relataram ter sofrido abuso emocional quando crianças.

Os questionários avaliaram o nível de abuso emocional sofrido na infância, além dos abusos físico e sexual, da negligência emocional e da negligência física. O trabalho relacionou essas respostas aos questionários que revelaram comportamento suicida. Entre as opções apresentadas aos participantes do levantamento, estavam “nunca pensou em se matar”, “pensou ligeiramente”, “teve um plano” ou “tentou seriamente o suicídio”.

Para os pais e mães terem ideia do que foi levado em consideração para caracterizar o abuso emocional, seguem as questões apontadas por aqueles que sofreram na infância:

- as pessoas da minha família me chamavam de coisas como “estúpido, preguiçoso ou feio”;
- as pessoas da minha família disseram coisas que me machucaram ou ofenderam;
- eu achei que meus pais preferiam que eu nunca tivesse nascido;
- eu senti que alguém da minha família me odiava;
- eu acredito que fui maltratado emocionalmente.

Fica a dica: vamos refletir sobre aquilo que dizemos aos nossos filhos, desde bebês. Eles entendem e internalizam mais do que imaginamos. Queremos que eles sejam adultos saudáveis e felizes, não é mesmo?!

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