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Afinal, apesar dos boatos, a Peppa e outros desenhos deseducam as crianças?

12 de setembro de 2016 5

Por Elisandra Borba

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

E a vítima da vez é a Peppa Pig. Sensação entre as crianças, a porquinha ácida e por vezes mal-educada foi “vítima” de um boato que circulou pela internet na semana passada. O post, milhares de vezes compartilhado, dizia que um cientista de Havard estudou os efeitos do desenho em crianças e que ele seria responsável por problemas psicológicos graves. Um site, que desvenda boatos, foi atrás da informação e descobriu que é mais uma das brincadeiras da internet. O pesquisador citado nem mesmo existe.

A publicação gerou discussões ávidas em grupos de mães no Facebook. Desde as que tem um verdadeiro horror ao desenho e não permitem que s filhos assistam, até mães que defenderam que os desenhos de infâncias passadas eram ainda mais agressivos que os atuais.

Pra quem não conhece, a Peppa é uma porquinha que vive com os pais e um irmão em uma casa no alto de um morro. A principal diversão dela é pular em poças de lama. O pai da Peppa é o típico homem que acha que está tomando as melhores decisões, mas acaba se estrepando no final. Já vi um episódio em que a Peppa chama o pai dela de bobinho, o que causou o pavor de alguns pais. O irmão dela, George, odeia qualquer tipo de legume e salada e adora bolo de chocolate. A mãe da Peppa trabalha em casa, no computador – mesmo que pareça que ela está apenas jogando um game que caça ovos de galinha. A melhor amiga de Peppa é a Suzy, uma ovelha que gosta que tudo seja feito do jeito dela, ficando chateada quando isto não acontece. Os outros personagens podem ser qualquer coisa. A professora da escola pode virar a atendente de alguma loja ou o médico pode ser o motorista de um ônibus. Dependendo da vontade do autor do episódio.

De uns anos para cá, as discussões em torno do que é politicamente correto ganharam força. Desenhos que assistíamos nos anos 80/90, como Tom & Jerry ou Pica Pau, foram para a lista negra do que é indicado para crianças. Para comprovar a preocupação com essas questões, destaco aqui um trecho de uma das músicas infantis mais antigas que conheço que é a “Atirei o pau no gato”. Numa versão mais recente, foi acrescentada a versão “não atire o pau no gato, porque isso não se faz…”

Para a psicóloga Débora Fava, especialista em comportamento infantil, os desenhos animados podem servir como modelos para comportamentos sociais. O tempo de exposição, no entanto, é determinante, segundo a especialista: “A polêmica sobre a Peppa Pig levanta questões a respeito principalmente da característica da porquinha de tentar sempre ter a razão ou de ser contrária a diversas situações (teimosia). Em contrapartida, ensina palavras mágicas e otimismo por exemplo. À medida que o adulto perceber algo não assertivo na Pepa, pode aproveitar o momento para conversar de forma lúdica sobre o “certo” e o “errado” com os seus filhos ainda pequenos e assim ensinar estratégias de solucionar determinada situação mais assertivamente. Desenhos como os de super-heróis e diversos encontrados em canais infantis fechados, podem ser ainda mais instigantes de maus comportamentos e padrões de personalidade não saudáveis”, explica Débora. A psicóloga completa alertando que os pais devem reduzir ao máximo o tempo da criança à TV, além de serem modelos adequados para os filhos, “exercendo um excelente papel como educadores sociais”.

Acho importante que se discuta o que é certo e o que é errado, mas concordo com a especialista e gosto da ideia de explicar para a criança o que ela pode ou não fazer. Uma vez ouvi um pai dizer que não se importa quando o filho vê coisas erradas na televisão, pois ele tem ali a chance de explicar para o filho que ele não pode repetir determinadas atitudes. Penso que na minha família vai funcionar desta forma. Sem tabus, mas com muito diálogo. No entanto, respeito muito quem optou pela outra forma de educação, guardando o acesso a determinadas situações para trabalhar mais tarde, com mais maturidade por parte da criança. Ambas as decisões me parecem válidas. O que não é concebível é que os pais não pensem na educação dos filhos. A forma escolhida será a melhor para cada caso.

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Comentários (5)

  • Rafael Guedes Chaves diz: 12 de setembro de 2016

    ou seja foi criado por mães que não educam os filhos … e devem achar que a responsabilidade é da escola … e que desenhos tb não cooperam com o mesmo … nada de novo.

  • Jonas diz: 12 de setembro de 2016

    ….o problema são os pais que ligam a TV e literalmente abandonam seus filhos em frente a elas. Depois criticam todos conteúdo que os filhos saem repetindo por ai.

    Sou pai de um menino de 2 anos e meio e assisto junto a ele os desenhos na TV (Peppa inclusive, um dos melhores em termos de conteúdo e enredo). Quando percebo que algo não vai de encontro com minha “linha de criação”, prontamente sinalizo com alguma interrupção (“Olha só que feio isso que ela fez, né filho?!”) para que ele perceba que o desenho não é o modelo ideal a ser seguido.

  • mateus diz: 12 de setembro de 2016

    Jonas, me enxerguei no seu comentário.

    É muito mais fácil corrigir a fala “papai bobinho” do que corrigir erros dos desenhos antigos que todo mundo (inclusive eu) idolatra, tipo pica pau, onde passam o tempo inteiro trapaceando, dando tiros, jogando gente dentro de fogões, pra baixo da árvore etc … Popeye passam o tempo inteiro brigando pela Olivia

  • Ronaldo diz: 12 de setembro de 2016

    Gosto muito da Peppa, pois, avalio as histórias de cada desenho sob a ótica de um cidadão idoso, com vários cursos superiores no currículo e que viveu uma vida profícua até os dias atuais, logo, teve chance de desenvolver o senso crítico que nos possibilita avaliar sem se deixar influenciar. Entretanto um ser em formação, caso de crianças em tenra idade, poderia sim ser influenciado pela atitude crítica e intempestiva da protagonista do desenho, o que possivelmente a levaria a ter dificuldade com hierarquia e tal valor é indispensável para vida em sociedade, pois, nesta temos que conviver com pais e futuramente com chefes.

  • RODRIGO diz: 12 de setembro de 2016

    … BOM MESMO É O QUE É ENSINADO NAS NOVELAS… ISSO SIM É LINDO! AS NOVELAS DE 2000 PRA CÁ, FICARAM UMA ESCOLADE QUE O SER HUMANO NAO DEVE FAZER. QUEM É ADULTO ENTENDE, MAS UMA CRIANÇA ACHA TUDO BONITO, ASSIM COMO MEU FILHO COM 6 ANOS QUERIA VOAR COMO O SUPER HOMEM. AGORA COM A LIBERAÇÃO PARA AS NOVELAS EXIBIREM O CONTEUDO QUE ELAS QUEREM(SEXO E DESONESTIDADE EM TODOS OS SENTIDOS SEGUIDO DE MALDADE), ATE O PICA PAU PASSA A SER SANTO. A TV ABERTA VIROU UM CANCER. A MALHAÇÃO É UMA GRANDE INFLUENCIA PRA JUVENTUDE… HEHE MAS AL VEM AS NOVELAS, TELEJORNAIS (ENSINAM TUDO SOBRE MARGINALIDADE E O MUNDO DAS DROGAS). MUITO POUCA COISA SE APROVEITA NS TV MESMO. PARABENS AOS PROGRAMADORES.

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