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Meu filho foi picado por mosquitos: e agora? Que sintomas exigem atenção?

21 de novembro de 2016 0

Por Marcela Panke

Foto: Ivo Gonçalves / PMPA / Divulgação

Foto: Ivo Gonçalves / PMPA / Divulgação

O calor está chegando e, com ele, voltam os mosquitos e as doenças transmitidas pelo vilão dos últimos verões: o Aedes aegypti. Sabemos, e o blog tem reforçado, da importância das medidas de prevenção. No entanto, não é possível evitar 100% que nossos filhos sejam picados por mosquitos. O que fazer diante disso? Quando se preocupar? O Fralda Cheia foi buscar as respostas. Confira:

Que tipo de reações após uma picada de mosquito exigem atenção dos pais?

De acordo com o médico pediatra Benjamin Roitman, da Coordenação da Equipe de Doenças Transmissíveis da Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre, em geral a picada de mosquito causa apenas uma reação local. É importante pontuar que nem toda picada leva a alguma doença:

“Para se pensar em dengue, zika ou chikungunya, deve-se avaliar a criança que apresenta febre de início súbito, dores no corpo (irritabilidade em crianças pequenas), dores articulares, cefaleia, manchas no corpo. A presença de dengue, zika ou chikungunya em outras pessoas da casa ou vizinhança, assim como viagem recente para área endêmica (Nordeste, Rio de Janeiro, por exemplo), leva a pensar no diagnóstico. Geralmente, o mosquito pica e contamina outros familiares”.

O presidente do Comitê de Alergia e Imunologia da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul, Hélio Miguel Lopes Simão, explica que as reações após uma picada de mosquito são diversas:

“A criança pode ter somente uma lesão no local da picada, com leve vermelhidão e coceira, e neste caso aplica-se somente uma loção com substâncias (exemplo: cânfora, mentol, calamina) para alívio deste desconforto. Quando o paciente apresenta uma picada de mosquito com lesões no local e à distância em outras partes do corpo, caracteriza uma reação de sensibilidade alérgica. Nesta situação, necessita antialérgico por via oral e também essas loções que se aplica nas lesões de pele para alívio da coceira”.

Os sintomas de doenças transmitidas pelo Aedes aegypti são característicos. Confira a explicação do médico Hélio Miguel Lopes Simão:

“Caso o mosquito seja um transmissor de uma doença viral, ou seja, o mosquito tem em sua saliva o vírus da dengue, vírus da zika ou chikungunya, vai transmitir uma destas infecções. A atenção dos pais deve estar centrada nos sintomas que aparecem 3 a 15 dias após a picada. As diferenças na apresentação destas três infecções, chamadas arboviroses, é discreta. Os pacientes apresentam sinais e sintomas comuns nas três situações: febre, mal estar, dor nas articulações e manchas avermelhadas na pele, na dengue o que chama a atenção é a febre alta, o zika vírus tem como característica as manchas avermelhadas com coceira e na infecção por chikungunya é comum as dores articulares. Esses achados orientam o diagnóstico, mas necessitam de exames laboratoriais para comprovar, como também a situação epidemiológica através da vigilância, com notificações dos casos por distritos regionais auxilia no diagnóstico”.

Nem todo mosquito transmite doença!

O médico pediatra Benjamin Roitman destaca que nem toda picada de mosquito é motivo de preocupação:

“Nem toda a picada por Aedes transmitirá uma doença. Ao contrário, há muito Aedes, muitas picadas mas poucos são os mosquitos com o vírus. Principalmente neste momento em que Porto Alegre não tem apresentado casos da doença e a população de mosquitos ainda é baixa”.

O presidente do Comitê de Alergia e Imunologia da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul, Hélio Miguel Lopes Simão, explica que o mosquito Aedes Aegypti é um mosquito de cor café ou preto com listras brancas no corpo e pernas, hábitos diurnos (inicio da manhã ou final da tarde), procria em água parada, próxima ao domicílio. O ideal para o mosquito é clima quente e úmido. O tempo de vida do mosquito é de 30 dias e é a fêmea infectada que transmite o vírus pela saliva, quando pica a criança.

“Quando esse mosquito está infectado por um dos vírus, a criança vai desenvolver a doença. Caso a criança tenha sido picada por um mosquito Aedes Aegypti não infectado por vírus, a criança não terá essas infecções, poderá ter uma reação alérgica como comentamos anteriormente. É bom lembrar que não ocorre transmissão dessas infecções através do contato entre o doente e uma pessoa sadia”.

Caso mosquito que picou a criança esteja infectado por uma das viroses, quando os sintomas aparecem?

Quem responde é o presidente do Comitê de Alergia e Imunologia da Sociedade de Pediatria do Estado, Hélio Miguel Lopes Simão:

“O período entre a picada e o aparecimento da doença é de 3 a 15 dias, o chamado período de incubação, os sintomas dependem do tipo de vírus transmitido ao paciente, no caso da dengue, a chamada apresentação clássica, a febre é alta com início rápido, dor de cabeça, perda de apetite, dor nos olhos, manchas avermelhadas na pele, vômitos, cansaço e dores no corpo. Na dengue hemorrágica, os sintomas são parecidos, a diferença é que quando a febre desaparece, iniciam os sinais de alerta: manchas vermelhas na pele, podem ser puntiformes, sangramentos diversos, vômitos mais intensos e dores abdominais, sonolência e perda de consciência, dificuldade para respirar e pulso fraco, ou seja sintomas e sinais de maior gravidade. Nas infecções por chikungunya ocorre praticamente todo este quadro em maior ou menor intensidade mas o marcante é o comprometimento das articulações com fortes dores mais intensas que nas outras infecções, assim como na infecção por zika vírus o quadro mais chamativo são as manchas avermelhadas com intensa coceira”.

No caso do aparecimento de sintomas, quando os pais devem levar a criança ao médico?

O médico pediatra Benjamin Roitman, da Coordenação da Equipe de Doenças Transmissíveis da Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre, destaca que é importante procurar atendimento diante do aparecimento dos seguintes sintomas:

“A presença de febre com dor pelo corpo, cefaleia, dores articulares, manchas pelo corpo deve levar a criança a atendimento, que pode ser em unidade de saúde, consultório de seu pediatra ou pronto atendimento. Lembramos que a epidemiologia é importante: se não há história de viagem, outros casos em familiares ou vizinhos, em época de baixa endemicidade, o diagnóstico é pouco provável. Ao contrário, história de viagem recente para área endêmica, presença de outros casos na família ou no bairro tornam mais provável a doença”.

Tratamento

Quem explica o tratamento às doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti é o médico Hélio Miguel Lopes Simão, presidente do Comitê de Alergia e Imunologia da Sociedade de Pediatria do Estado:

“O tratamento para essas infecções é sintomático, por exemplo: baixar a febre, hidratar o paciente, corrigir sangramentos. Esse tratamento não se modifica com o resultado laboratorial positivo ou negativo. Nos casos das gestantes, a confirmação do teste é valiosa, pelo risco de associação do vírus zika e microcefalia ou outras alterações neurológicas. Lembrar de evitar o uso de anti inflamatórios como o acido acetil salicílico e derivados em pacientes com essas infecções, pelo risco de aumentar o sangramento”.

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