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Obstetra tem registro cassado após reincidência de morte em parto humanizado

23 de novembro de 2016 6

Por Elisandra Borba

Foto: Arquivo pessoal

Foto: Arquivo pessoal

O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul cassou nesta terça-feira (22), o registro profissional do médico ginecologista e obstetra Ricardo Herbert Jones por imperícia, imprudência e negligência. Ele é reincidente em casos de complicação em parto domiciliar, que levou a morte dos envolvidos. O caso que gerou a cassação está sob sigilo. O médico já havia tido o registro suspenso em 2003, devido a morte de Vânia Araujo Machado, de 35 anos na época, o do bebê dela, Cauê. O parto de Vânia foi no ano de 2000.

No parto de Vânia, de acordo com o processo, o médico “forçou a situação para que o parto fosse realizado de forma “natural“, a fim de experienciar com a vida de dois seres humanos sua teoria humanista perfeita”. Ainda segundo os autos, ele não atentou para as condições fetais, além de retardar a indicação de cesariana e não utilizou os equipamentos necessários e disponíveis para monitorar o feto. Não providenciou também anestesista em tempo considerado adequado.

Para o Cremers, no caso mais recente, o médico cometeu delito ético e médico por atender parto em local e condições inadequadas, colocando em risco a saúde e a vida da parturiente e do concepto, por ação ou omissão. As faltas cometidas, segundo o Conselho, contribuíram significativamente para o óbito, retirando a chance da salvação de mais uma vida. O médico, ainda, não elaborou prontuário para a gestante e concepto, não anotou a evolução do parto e as anormalidades ocorridas durante mais de 24 horas.

Outro lado

Na página pessoal do médico no Facebook há uma corrente de apoiadores do profissional, manifestando apoio a Ricardo Herbert Jones. Em uma publicação, ele informa que vai recorrer da decisão que destacou como  “autoritária, equivocada, violenta e que se choca contra os fatos relacionados com este evento”.

Para Jones, este julgamento não se resume a um caso médico: “existe uma batalha POLÍTICA envolvendo a disputa entre dois modelos conflitantes. De um lado o paradigma médico que não reconhece as necessidades físicas, psíquicas, emocionais, psicológicas e espirituais das gestantes, considerando o parto um ato que se pareia a qualquer outra intervenção médica, onde o paciente é passivo e o médico o ator principal. De outro lado está o novo modelo, baseado nos direitos humanos reprodutivos e sexuais e que AGREGA ao atendimento seguro a atenção centrada na mulher, reconhecendo seus direitos e seus desejos em relação ao nascimento de seus filhos. Desta forma, pretendo demonstrar que este ato inquisitorial se insere em uma longa linha de violências cometidas sobre os profissionais da saúde que se posicionam contrários à violência institucional e que lutam contra o absurdo das cesarianas sem justificativa, as quais são um dos principais problemas de saúde pública no campo do nascimento humano”.

Leia a íntegra da declaração do obstetra.

 

Comentários (6)

  • Ana Lucia Galbarino Amaral diz: 24 de novembro de 2016

    Achei de última a forma como foi noticiado… como se parto humanizado fosse inseguro.. o que é inseguro é a deturpar a notícia. A atitude individual de um profissional NÃO representa o que é a grandeza da política de humanização. Parto seguro é no Hospital!! Mas nem por isso se deve atribuir esse show de horrores a uma política que protege as mulheres! Quem conhece a política da Rede Cegonha sabe que a segurança da gestante e bebê é fundamental. Sugiro que revejam a forma tendenciosa e apelativa do enunciado dessa matéria! Parto humanizado é seguro, desde que atendido em ambiente hospitalar e por profissionais sérios!

  • Simone Möllerke diz: 24 de novembro de 2016

    Nossa, mas que título mais tendencioso, como se o parto humanizado fosse o vilão. Aliás, a reportagem toda soa meio tendenciosa. Isso virou parâmetro do veículo? Achei que o objetivo fosse informar, mas pelo jeito é uma campanha!

    Sabe, lamento que uma mulher tenha tanto medo de dar à luz que não tenha coragem de enfrentar o nascimento de seu próprio filho como ele tem que ser e precise se esconder atrás de seringas, médicos e anestesias. Lamento que a cultura atual pregue que uma mulher tenha que ser fraca para sucumbir a esse ponto. E lamento que mulheres produzam reportagens que ajudem a incutir esse medo em outras mulheres, em um momento que é mágico… Principalmente por saber que isso só advém para ajudar na agenda e no bolso de muitos médicos, estes sim, de ética duvidosa!

  • Tatiana diz: 24 de novembro de 2016

    Que coisa linda as feminazi querendo se empoderar sem pensar na segurança do filho que está para nascer. Desde quando doula/enfermeira obstétrica ou acompanhante de parto trabalha de forma gratuita?? O parto domiciliar sai tão ou mais caro quanto o hospitalar, hipocrisia vir falar que é para encher bolso dos médicos…Mais hipocrisia ainda é achar que precisar de ajuda para ter o filho é uma fraqueza. Sinceramente, sejamos menos empoderadas e mais conscientes de que ao gestar somos responsáveis por uma vida além da nossa, e que o hospital é o lugar certo para evitar complicações desnecessárias ao bebê que está por vir.

  • Lucas diz: 25 de novembro de 2016

    Questionar o modelo “Cesária para todas, a não ser que…” é complicado. Veja o Dr. Ricardo Jones participando do filme que apresentou esse quadro de forma abrangente no Brasil.

  • Educardo diz: 25 de novembro de 2016
  • maria emilia zucchelli de souza diz: 4 de dezembro de 2016

    Parabéns TJRS e CREMRS !!,bem como todos envolvidos nessa decisão tão importante para as futuras crianças do nosso país .Tive o desprezer de ter ter um neto assistido por esse Ricardo Jones e a tal Zeza , e a conduta foi a mesma totalmente inadequada , sem o pré natal usual, minha nora e meu filho totalmente envolvidos na ilusão de ter um filho melhor. Resumo,nasceu com várias anomalias, passou por várias cirurgias e após dois meses e meio faleceu, esse “médico ” se é que e possível ser médico , deixou um rastro de profunda desgraça e tristeza na minha família por ter uma conduta inadequada .
    Obrigada Deus por ter atendido minhas preces

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