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Banho no chuveiro com as crianças: pode ou não pode?

16 de dezembro de 2016 7

Por Marcela Panke

Foto: Reprodução / Instagram

Foto: Reprodução / Instagram

Um ato tão natural quanto tomar banho pode ser bem controverso. Eu sempre achei que não houvesse problema algum em tomar banho com os filhos no chuveiro, até que vi a avaliação de uma psicóloga a partir da foto postada em setembro pela apresentadora Bela Gil no Instagram, mostrando o banho dela com o filho Nino, então com 4 meses.

A especialista, no caso, indicava a prática somente até os 4 anos de idade, a partir de quando a criança pode maliciar e fantasiar a situação. Confesso que fiquei em choque! Procurei a opinião de outros especialistas sobre o ato de tomar banho com bebês e crianças maiores. Confira:

“Erotização desnecessária”

A presidente da Sociedade de Psicologia do Rio Grande do Sul, Sonia Martins Sebenelo, concordou com a avaliação e destacou que o banho com adultos a partir dos 4 anos pode representar um estímulo além do natural.

“Mesmo que de modo leigo, todos sabem que a sexualidade é inerente ao desenvolvimento humano, desde que a criança nasce. A recomendação da psicóloga tem fundamento, no conhecimento do processo do desenvolvimento infantil que se desdobra em etapas. Ao redor de 4 anos, a criança está em plena fase genital, isto é, instintivamente os estímulos sexuais estão presentes no desenvolvimento. Sendo assim, tomar banho com adultos pode estimular de modo exacerbado essa genitalidade que faz parte deste momento, erotizando a criança desnecessariamente, pois seu processo deve seguir seu próprio ritmo. Todo o processo da sexualidade infantil vem da natureza biológica e psíquica, universo onde se constituem as fantasias da criança, e o mais saudável é que siga seu curso natural, sem estímulos de fora, desnecessários ou até prejudiciais”.

“Bom senso”

Pedimos também a opinião do médico Flavio Melo, do blog Pediatra do Futuro, que disse que os pais podem tomar banho no chuveiro com o bebê, desde que tenham cuidados para prevenir acidentes e quedas. Destacou a importância de utilizar um tapete emborrachado no chão e contar com uma pessoa para auxiliar na saída do banho. Para ele, é interessante esperar o bebê segurar a cabeça para tentar, ao redor dos 4 meses.

E com relação às crianças mais velhas?

“Alguns psicólogos acham que caso a criança comece a demonstrar algum interesse nos genitais, é melhor evitar. Eu recomendo bom senso. Depende de cada criança e de cada família. Provavelmente, em torno dos 5/6 anos, na chamada fase fálica, a criança pode começar esse interesse e aí talvez seja melhor que o pai e a mãe auxiliem no banho dela, mas não mais tomem banho juntos”.

“Ambiente pode ficar erotizado e criança não está pronta”

O pediatra Renato Santos Coelho, que é integrante do Comitê de Desenvolvimento e Comportamento da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul, destaca inicialmente o risco de acidente durante o banho no chuveiro com um bebê pequeno, que pode escorregar do colo. O pediatra afirma que os pesquisadores da pediatria e da psicologia recomendam de uma maneira geral que os pais não iniciem e nem mantenham essa prática.

“No consultório, primeiro tento entender o porque dos pais tomarem essa iniciativa, depois alerto para o risco de acidentes e por final tento explicar o contexto cultural e do desenvolvimento emocional de uma criança. No contexto cultural, é importante nos localizarmos culturalmente, não estamos vivendo numa tribo de índios numa região remota, onde essa prática é secular ou mais. No contexto psicológico, a criança se encontra numa fase ainda imatura, e em um ambiente de intimidade como esse os efeitos podem ser algo que nem os pais nem os profissionais querem, mas podem estar negligenciando. Mesmo que conscientemente não se quer, o ambiente pode ficar erotizado e a criança não está pronta para lidar com isto. Com relação a idade mencionada, de 4 anos, creio ser porque nesta idade a fase do desenvolvimento emocional é do ponto de vista teórico, mais sensível e potencialmente crítica. Recomendo não se fixar numa idade e sim numa postura como um todo”.

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Comentários (7)

  • Mariana diz: 16 de dezembro de 2016

    Sério mesmo, tem tanta coisa no mundo externo da família que pode sexualizar essa criança que tomar banho com os pais é o menos pior. Sempre achei normal e vou continuar achando. Tomei banho com meus pais até adulta, se tiver que tomar banho com a minha mãe vou tomar, se tiver que ficar pelada em frente ao meu pai e ele na minha frente nunca tivemos esse pudor. E acho natural manter isso, meu filho me vê pelada e qual o problema de ele conhecer o corpo de uma mulher normal. Entramos no banho e ele mesmo se lava, já tem idade para isso (4 anos), hoje não vejo tanta necessidade de entrar no chuveiro com ele mas se tiver que tomar banho com ele, eu vou e nem por isso vou achar que estou erotizando meu filho. E prefiro me espelhar nos índios do que nesses conceitos bestas de gente que deve ter dado os filhos para a babá alimentar, dar banho, vestir e levar na escola. Prefiro esse contato de amor do que essa distância por pessoas que têm a mente suja, tudo hoje é erotização, então melhor não amamentar, pois o seio da mãe é uma área sexual, meu deus coitada da criança desde cedo com esse contato, com essa promiscuidade! Que mundo chatooo, onde todo mundo mete o bedelho na criação dos filhos dos outros ao invés de cuidar dos seus!

  • Sincero diz: 16 de dezembro de 2016

    Muito nhe nhe nhe.
    Agora querem dar pitaco em como dar banho.
    Criem com amor, respeito. Se der banho junto, se não der, não importa. Pai é pai, mãe é mae e filho é filho. Esses modernismos de “pai é amigo, mamãe quer se vestir igual a filha” que dá M.
    Filho neném se dá banho no colo, junto, pertinho com atenção e carinho.
    Essa de filho escorregar e cair só se o pai tá bêbado ou não tá prestando atenção.
    Sigam esses modernismos e seguiremos criando uma legião de criança atirada.
    Porque não aconselham a não deixar a criança enfiada num IPAD e sim no colo, papeando, fazendo algo melhor?
    Ahhh, no colo é erotização…SÓ O QUE FALTA. Tem que ser muito doente pra enxergar as coisas desse jeito.

  • Rafa diz: 16 de dezembro de 2016

    se quiser pode se não quiser não faça.. pronto..

  • denis diz: 16 de dezembro de 2016

    Pois eu acho muito correta a opinião dos médicos e psicólogos. O banheiro é um dos lugares onde mais se acontece acidentes domésticos…não precisamos resvalar para o grosseiro “só se o pai está bêbado”…isso é primário e não deve ser levado em conta…é claro que uma pessoa embriagada deve se abster de dar esse tipo de cuidado. Embora o ambiente todo dessa vida moderna insana e idiota apela para o erotismo desde cedo, em programas infantis, publicações, mídia..a lista é longa, vale a pena atentar para o que disse o médico “””No contexto cultural, é importante nos localizarmos culturalmente, não estamos vivendo numa tribo de índios numa região remota, onde essa prática é secular ou mais “””…se querem se espelhar nos índios, podem também abandonar seus velhos doentes e filhos com necessidades especiais abandonados a própria sorte em algum matagal…há pouco tivemos essa onda de beijo na boca das crianças, mania copiada dos americanos…nada a ver, como disse o médico com nosso contexto cultural. Também acho que existe muito nhenhenhém mas também muito descuidado com as crianças..

  • joaquim brum diz: 16 de dezembro de 2016

    Nossa que besteirol!!!
    Nos criamos tomando banho coletivos, família grande, e nunca tivemos esse tipo de problema.
    Será que essa regra vale para as famílias indígenas também?
    E olhar novelas com produções altamente eróticas pode?

  • Ana diz: 16 de dezembro de 2016

    Acho extremamente válida essa observação. Vivemos um momento de total desrespeito com o próprio corpo e com o próximo. É preciso sim educar, mostrar que não está certo banalizar o corpo e expor sem limites. Vivemos na era digital, câmeras, celulares, internet, coisas que não tínhamos acesso na nossa infância e precisamos evoluir junto, porém sem abrir mão do princípio básico que é o respeito.

  • pedagoga diz: 16 de dezembro de 2016

    Nossa gente! vao estudar, hoje em dia tudo pode! pobres pais que nao tem noçao nenhuma sobre o que determinadas açoes acarretam na vida das crianças. A maioria dos adultos pensam que a criança é um ser que não entende nada, muito pelo contrario., açoes na infancia pode prejudicar na vida adulta sim. Por que os pais nao compram livros e fazem atividades saudaveis de acordo com a idade de seus filhos….mais adiante tenho certeza que nao iram gastar com psicopedagogas ou psicologas, pode parecer bobagem mas n é.

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