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Pesquisa da UFRGS aponta consequências do consumo de cafeína durante a gestação

10 de janeiro de 2017 0

Por Milena Schoeller

Foto: Thomas Troian / Destemperados

Toda mulher grávida sabe que não pode exagerar no consumo de cafeína ao longo da gestação. Mas sempre surge aquela dúvida: será que um pouquinho pode? E qual a quantidade?

Em busca de respostas a nutricionista Thamíris Santos de Medeiros acompanhou, durante 4 anos, 272 duplas de mães e filhos. Foi a pesquisa de mestrado dela na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, onde avaliou os efeitos da cafeína consumida pelas mães no desenvolvimento dos bebês até os 6 meses de idade. A nutricionista afirma que níveis elevados de cafeína prejudicam o recebimento da quantidade necessária de nutrientes pelo feto: “A cafeína pode diminuir a perfusão sanguínea, fazendo que o feto receba menos sangue, menos nutrientes e consequentemente se desenvolva menos”, afirma.

Estudos demonstram que, a cada acréscimo de 100 mg de cafeína (uma xícara de café) no consumo diário, é associado um aumento de 3% no risco de baixo peso do filho ao nascer, principalmente quando associado ao tabagismo. Segundo a especialista, o uso de cigarros de tabaco faz com que a cafeína seja metabolizada mais rapidamente do que em um organismo de uma gestante não fumante, o que priva o feto de receber os nutrientes necessários, dificultando o desenvolvimento do bebê.

A partir do resultado da pesquisa, a nutricionista orienta:

- Primeiro Trimestre de Gestação: não consumir cafeína, de nenhuma fonte.

- Segundo e Terceiro trimestre: consumo diário deve ser moderado, no máximo 1 xícara de chá ou 4 quadradinhos de chocolate ou 1 cuia de chimarrão. Não consumir café preto.

A pesquisa fez parte do projeto Impacto das Variações do Ambiente Perinatal Sobre a Saúde do Recém-Nascido nos Primeiros Seis Meses de Vida (IVAPSA). Mães com diferentes históricos atendidas no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), Hospital Nossa Senhora da Conceição, e Hospital Fêmina, foram convidadas a participar. Foram excluídas mulheres HIV positivas, com menos de 37 semanas de gravidez, além das mães de recém-nascidos com doenças congênitas ou que necessitassem de internação hospitalar. Foram coletadas informações logo após o nascimento, no período entre 24 a 48 horas após o parto, sobre o pré-natal das gestantes, altura e peso ao final dos três trimestres da gestação. Sete dias depois, a equipe entrevistou as mães em suas casas para obter dados sobre a alimentação durante a gravidez, principalmente sobre o consumo de cafeína no período. No terceiro mês de idade dos filhos, foi feito um novo contato para a medição de peso, comprimento e dobras cutâneas da criança. Aos seis meses, as mesmas medições foram realizadas novamente.

Números de mães participantes conforme as características:

  1. Diabéticas – 41
  2. Hipertensas – 26
  3. Fumantes – 68
  4. Mães de crianças nascidas pequenas para idade gestacional sem uma causa específica – 25
  5. Controle (mulheres que não apresentaram as características citadas anteriormente e seus filhos) – 112

O estudo mostra que no grupo controle foi comprovada interferência nas medidas do bebê a partir do consumo materno de cafeína. A pesquisadora observa que, do nascimento ao terceiro mês de vida, a velocidade de crescimento é superior à que ocorre entre o terceiro e o sexto mês, o que pode refletir nos resultados de acúmulo de gordura pela criança, visível apenas nos primeiros meses de idade. Ela destaca que os resultados desse trabalho fornecem subsídios para a investigação da hipótese do desenvolvimento do excesso de peso na infância em virtude do alto consumo de cafeína.

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