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Como problemas na audição atrapalham o desenvolvimento das crianças

22 de março de 2017 0

Por Elisandra Borna

Foto: Rogerio da Silva

Foto: Rogerio da Silva

Demorei muito para descobrir que minha filha tinha problemas de audição. Pra mim, ela tinha muita coisa, menos problema de audição. Já com mais de um ano a Sara não falava nada, nem mesmo mamãe e não atendia quando a chamava pelo nome, mas quando os desenhos tocavam na TV as músicas preferidas, ela corria para assistir. O diagnóstico do Dr. Google não acreditava se tratar de problemas de audição, falava em doenças que envolvem a cognição. Procuramos especialistas, bati pé com a pediatra que precisávamos tratar, procuramos terapias e aceitamos a sugestão para ir em um otorrino. Já com dois anos sem pronunciar uma palavra, fizemos uma audiometria e uma imitanciometria e descobrimos que tinha um líquido atrás no tímpano. Este líquido não tinha como ser diagnosticado em consultório com exame de rotina. Precisava deste aparelho que mede a presença de líquido no interior do ouvido média. O diagnóstico veio em outubro, devido a problemas de agenda conseguimos fazer o procedimento de colocação de dreno só em dezembro e hoje, três meses depois, ela já fala todas as cores, sabe contar até dez se vira bem pra pedir o que deseja. Não tem um vasto vocabulário ainda, mas está se desenvolvendo.

O líquido não deixa a criança surda, mas prejudica a forma de ouvir. Ela ouve de forma alterada, como se estivesse falando de dentro de uma caixa abafada. Isto causa irritação e desconforto. A minha filha era uma criança chata, não gostava de quase nada, não comia direito, não gostava de se relacionar com outras pessoas. A situação melhorou muito nestes três meses.

O médico e Presidente da Associação Gaúcha de Otorrinolaringologia Eduardo Otavio Hausen de Souza explica que problemas de audição prejudicam vários aspectos do desenvolvimento da criança: “A criança que não tem o sentido desenvolvido, perde capacidade de desenvolver a linguagem e desenvolver cognição de forma eficaz. Quando mais nova a criança, mais vai atrapalhar o desenvolvimento dela”, salienta o especialista.

Sinais de alerta
-A criança que tem entre um e dois anos e tem dificuldade de compreender comando, não tenta imitar vozes, usa mais gestos que palavras.
-Após os dois anos a criança não produz palavras ou frases espontâneas, não repete o que ouve, não tem bom sentido pra comunicação, tem tom de voz anormal ou anasalado.

Este é o momento para, segundo Souza, realizar uma audiometria infantil condicionada (observação das respostas comportamentais a estímulos acústicos em situação controlada). Se o resultado não for satisfatório, é preciso fazer o exame chamado Bera (avalia a integridade funcional das vias auditivas nervosas desde a orelha interna até o córtex cerebral).

O problema pode vir desde o nascimento e não ter sido identificado pelo teste da orelhinha, pode aparecer por resfriados mal curados ou até por leite que migra para a tuba auditiva, que liga o nariz ao ouvido. O tratamento é definido pelo médico, que pode optar pela utilização de medicamentos ou colocação de drenos.

Pré-disposição e cuidados

Crianças alérgicas e/ou com refluxo podem ter mais propensão a desenvolver o problema. Evitar causadores de alergia é importante – fumar próximo da criança, contato com animais de estimação, tapetes, cortinas, bichos de pelúcia… Tudo deve ser evitado, pois contribui para a formação de muco.
Outra dica importante do médico é amamentar a criança não totalmente deitada para evitar que o leite migre para onde não deve e provoque o acúmulo de líquido.

A parte boa, segundo o dr. Eduardo é que quanto maior a criança, menores as chances de desenvolver otite.

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