Desconfio muito, e penso que talvez isso, desconfiar, seja o máximo possível, de declarações acaloradas a cada vez que se anuncia convocação para a Seleção Brasileira.
Desconfio porque tenho o sentimento de que, ao mesmo que os cartolas bradam contra a ausência do atletas convocado em jogos importantes (e todos o são), também pegam a calculadora para projetar a porcentagem do aumento que o chamado para defender a Seleção Brasileira (a mais poderosa camisa do futebol) terá em uma futura venda.
Desconfio, infelizmente, que os dirigentes se valem da paixão do torcedor para aparecer com cara de brabo para esse apaixonado, como se o esperneio resolvesse o problema.
Desconfio e vou continuar assim até que veja um presidente de clube dizer que não vai liberar o jogador e ponto final.
Cartas
Joga D'Alessandro e joga Damião. São duas cartas que impressionam e, conforme a mão do adversário, sozinhas podem ser suficientes para garantir o jogo e bater.
Quem joga, contudo, tem obrigação de saber que, às vezes, dependendo da combinação à disposição, mesmo as mais altas cartas podem sucumbir a, digamos, uma trinca de seis.
O Figueirense terá três desfalques e não vence há quatro jogos. Virá babando. O Colorado, claro, é mais time, mas terá de botar as cartas na mesa pra voltar com as fichas.
Cariocas
Outro carioca no caminho, depois da sova em São Januário. Agora é o surpreendente (porque ausente de grandes nomes, embora bem organizado por Caio Junior) Botafogo que se impõe à frente do Grêmio, amanhã, no Olímpico.
Obrigado a montar o setor defensivo com o sempre inseguro (apesar de fazer as vezes de zagueiro-goleador) Rafael Marques e a eterna aposta Bruno Collaço, o dono da casa precisará de muita atenção.
O Glorioso joga muito em função de Loco Abreu, na área, mas é muito mais do que isso. Renato, Maicossuel e Elkeson formam o tripé de um meio-campo que está entre os melhores do Brasil. Não convém brincar com fogo.
No Brasil
A gente sabe como funciona. Todo mundo gosta de cobrar – e principalmente de apontar com o fura-bolo quando algo dá errado. Ninguém (tá, ninguém é muito forte... a absoluta maioria) quer participar.
Por isso, é muito válida a leitura da entrevista (em www.globoesporte.globo.com/basquete) com o ala Marcelinho Machado, 36 anos e 14 a serviço da Seleção Brasileira. Um dos heróis da classificação à Olimpíada de Londres, ele avisa:
– Uma crítica que sempre fiz ao esporte brasileiro é que a gente espera ter o resultado para depois fazer o investimento. Devia ser o contrário.
Mais uma cesta de três pontos de Marcelinho.

