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NO ÔNIBUS, COM JOÃO GILBERTO

10 de junho de 2015 2

JOÃO GILBERTO ÁGUAS

5 de junho de 1983. Incrível, faz 32 anos, mas me lembro como se fosse hoje.

Já passava das sete da manhã e eu estava numa fazenda do interior de São Paulo, molhado chuva fina até os ossos, faminto e com o tênis “ADIDAS SUPERSTAR” (aquele igual da capa do primeiro disco do LÔ BORGES) praticamente destruído pelo barro.

Mesmo assim, nada era capaz de conter o êxtase de ter assistido junto com outras 70 mil pessoas à mais inusitada apresentação da carreira de JOÃO GILBERTO, no FESTIVAL DE ÁGUAS CLARAS, nas proximidades da cidade de IACANGA, a 50 KM de BAURU, onde estudava e trabalhava na 94 FM, que fazia a cobertura dos shows.

O gênio da BOSSA NOVA acabara de fazer um show memorável. Entrou no final de madrugada e tocou até o dia clarear. O silêncio que se estabeleceu na fazenda antes de JOÃO entrar no palco foi arrepiante, como se uma divindade fosse aterrissar naquele pasto cheio de lama e inebriado de boa música.

Até hoje, considero este como o show mais importante da minha vida, e olha que, sem modéstia, já vi muita coisa.

JOAOAGUAS

Terminado o festival, o objetivo era voltar pra casa, tomar um banho e editar algumas entrevistas que tinha feito nos 4 dias de música. Havia depoimentos de gente como RAUL SEIXAS, MORAES MOREIRA, PAULINHO DA VIOLA e outros tantos.

Atrás do palco, me aproximei do ônibus que levava os artistas para BAURU, que era o local onde ficavam hospedados até chegarem à FAZENDA SANTA VIRGINIA, pela rodovia SP-321.

Com uma bolsa de couro que carregava um gravador PHILIPS, um pequeno microfone e um caderno de anotações, me aproximei do motorista e mostrei meu crachá de jornalista, em estado deplorável, com as identificações escritas a caneta já desbotadas pelos pingos da chuva e pedi uma carona. Ele fez apenas um sinal de positivo.

Ao entrar no ônibus, lá estava ele, JOÃO GILBERTO, na segunda-fileira, com terno preto e cachecol vinho, esperando o motor ser ligado.

No ônibus ainda estavam integrantes da produção do festival, alguns jornalistas e outros músicos, entre eles JARDS MACALÉ, alucinado, falando sem parar, enfim, “chapadaço”.

Era para ser uma viagem de menos de meia hora tranquila e sem atropelos, mas o autor de “VAPOR BARATO” e “MOVIMENTO DOS BARCOS” estava impossível e conseguir irritar JOÃO, que de vez em quando olhava para a traseira do ônibus balançava a cabeça como forma de reprovação ao comportamento do músico carioca, que tinha feito um show muito estranho no Festival, sempre reclamando da chuva e do violão molhado.

A tensão entre os dois aumentou na estrada e explodiu até chegar ao HOTEL VITÓRIA RÉGIA, em BAURU, onde MACALÉ ameaçou tirar a roupa no saguão, enquanto apontava o dedo para todos à sua volta.

Foi quando JOÃO GILBERTO disparou a frase definitiva daquele passeio absolutamente imprevisível para mim..

- MACALÉ, VOCÊ ACABA COM A NOSSA RAÇA

Me lembrei desta história porque HOJE, 10 de junho, JOÃO GILBERTO PRADO PEREIRA DE OLIVEIRA, baiano de JUAZEIRO, completa OITENTA E QUATRO ANOS.

Salve SÃO JOÃO.

Confira o show completo daquela manhã inesquecível.

Comentários (2)

  • NO ÔNIBUS, COM JOÃO GILBERTO | Futebol no País da Música | O LADO ESCURO DA LUA diz: 10 de junho de 2015

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  • NO ÔNIBUS, COM JOÃO GILBERTO | Futebol no País da Música | psiu… diz: 11 de junho de 2015

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