Com os indicadores acima da média em relação aos demais municípios gaúchos e um grande potencial a ser explorado, a cidade de Montenegro, no Vale do Caí, sofre com a falta de uma governança que una as lideranças locais em torno de objetivos comuns. A constatação permeou os “Debates do Rio Grande”, evento realizado na cidade, nesta terça-feira, 26/6, numa promoção da Rádio Gaúcha e apoio técnico da Agenda 2020.
Em Montenegro falta às pessoas darem-se as mãos – ressaltou Fredi Cauduro, ex-presidente da Associação Industrial e de Serviços de Montenegro. O empresário foi um dos painelistas do evento que contou ainda, com a participação do presidente da ACI, Karl Heinz Kindel, de Juliana Cabreira, diretora da Escola Estadual São João Batista e Rejane Baptista, secretária municipal de Indústria, Comércio e Serviços. Apesar disso, a cidade tem apresentado um desenvolvimento econômico diferenciado nos últimos dez anos.
- Montenegro possui uma base para desenvolvimento muito melhor se comparado aos demais municípios gaúchos – afirmou o diretor executivo da Agenda 2020, Ronald Krummenauer, ao apresentar os indicadores e os desafios estudados pelo movimento: educação, saúde, inovação, segurança e saneamento. A cidade está entre os principais pólos exportadores do Estado (7ª posição), com diversificação de produtos, logística favorável e uma formação técnica acima da média. A infraestrutura, no entanto, ainda é falha, prejudicando o escoamento da produção, por exemplo.
- As indústrias próximas à Tabaí-Canoas estão atendidas a contento, mas as mais próximas a Porto Alegre enfrentam a proibição à circulação de caminhões bi-trem – exemplificou Kindel, da ACI. No tratamento de esgotamento sanitário, que inexiste no município (atualmente se dá apenas através de fossa séptica), a esperança é o contrato assinado em abril deste ano pela prefeitura com a Corsan que prevê uma parceria por 30 anos.
- Serão investidos R$ 140 milhões no período para os serviços de abastecimento de água e tratamento de esgoto – disse o superintendente regional da Corsan, Alexsander Passico. A Secretária da Indústria e Comércio e Serviços também ressaltou o potencial econômico do município. Informou o início das obras, no Distrito Industrial, da Procable Energia e Telecomunicações, com sede em São Paulo, que possui uma joint venture com o grupo japonês Fujikura, para a fabricação de fibra óptica. - O investimento inicial será de R$ 40 milhões e o início da produção será em março de 2013 com 350 empregos técnicos diretos – informou Rejane Baptista.
A unidade gaúcha será usada pela Fujikura – que fatura US$ 7 bilhões anuais – para abastecer a América Latina.
O mediador do evento foi o jornalista Lasier Martins A próxima edição do Debates do Rio Grande será no dia 10 de julho em Novo Hamburgo.


