Um debate de alto nível, participativo, com repercussão comunitária. Foi assim o Debates do Rio Grande na noite passada. O encontro deixou uma certeza para a sociedade: é preciso planejar o crescimento de Cachoeira do Sul. O coordenador do evento, o jornalista Lasier Martins, ilustrou ainda no início a necessidade do município voltar a ser a potência econômica do passado, "já foi uma das cinco grandes cidades do nosso Estado", destacou.

O diretor executivo da Agenda 2020, Ronald Krumenauer, deu a receita para que o município volte a ter os melhores índices de desenvolvimento econômico e social: o planejamento a longo prazo. Aliado a um trabalho de oferta de educação profissionalizante, atração de investimentos e de empreendedorismo, ele afirmou que a cidade poderá voltar a ser um dos grandes municípios gaúchos. A análise foi feita com base em uma série de dados que diagnosticaram como principais problemas a geração de emprego, a segurança, a educação, saúde e saneamento.
Um dos dados mais alarmantes está na geração de emprego. De 41 mil cidadãos economicamente ativos no município, somente 30% possui emprego formal. Quando a cidade é comparada a Santa Cruz, onde o percentual é de 61%, nota-se uma dificuldade, que precisa ser combatida aliada a um trabalho de formação profissional e capacitação. A necessidade de mais cursos técnicos e profissionalizantes foi um dos apontamentos do debate. "Cachoeira não tem emprego", frisou Lasier no encontro.
DIAGNÓSTICO
Os quatro convidados ao encontro traçaram um diagnóstico da realidade que enxergam em Cachoeira. O empresário Antônio Trevisan foi um dos primeiros, inclusive mencionando a questão da falta de planejamento e também de estrutura de logística na cidade, que ainda espera pelo plano de uso da hidrovia do Rio Jacuí e que sonha também com os trilhos para o escoamento de sua produção. No encontro, inclusive foi lembrado que a cidade teve, nos anos áureos, 52 indústrias de arroz e hoje são apenas quatro: "um tremendo tombo", conforme intervenção de Lasier.
O presidente da União Central dos Rizicultores, Ademar Pinto Kochenborger, trouxe à tona a questão da riqueza da cidade mal distribuída. Nesse ponto, os painelistas concordaram que falta empreendedorismo, já que muitos cidadãos mantêm suas economias em poupança, valor que seria equivalente ao orçamento do município (na casa dos R$ 150 milhões).
Capacidade produtiva precisa da industrialização
O presidente do Sindicato Rural, Paulo Schwab, foi mais otimista e mostrou números do potencial agropecuário de Cachoeira, que tem hoje a segunda maior lavoura de soja do Estado, chegando a 100 mil hectares. Para ele, está clara a necessidade que o município tem de agregar valor ao que é produzido, fazendo com que o processo de transformação industrial ocorra em Cachoeira, e não noutras cidades. Ele também lembrou das novas culturas que surgem com força na região, caso do bovino e ovinocultura e ainda a expectativa de crescimento no plantio de olivas e de noz pecan, onde hoje Cachoeira possui o maior pomar da América Latina.
Ainda na visão otimista, o promotor de Justiça João Ricardo Tavares salientou que a cidade está privilegiada geograficamente, por estar exatamente no centro do Estado e não ter problemas de abastecimento, já que possui o Rio Jacuí. Para o promotor, Cachoeira não deixa de fazer parte da Metade Sul, região que sofreu um processo de estagnação devido à mudança do perfil econômico do Rio Grande. "Foi por contágio que Cachoeira parou de crescer então?", questionou o apresentador Lasier Martins, para em seguida ouvir as razões do promotor, explicando que foi uma nova visão econômica de governo que acabou impactando negativamente o município.
Corsan vai levar saneamento para meia cidade
A Corsan frisou no encontro que irá levar saneamento para 50% de Cachoeira até o final do próximo ano, resultado das obras de aumento das redes coletoras e também da construção da nova estação de tratamento de esgoto no Bairro Cristo Rei. Os investimentos nessa área chegam a R$ 45 milhões, e ainda há os recursos do fundo de gestão compartilhada que todos os meses são direcionados para investimentos em conjunto entre Prefeitura e estatal.
Investimento em educação para mudar o futuro
A ex-secretária municipal de Educação, Marisa Timm Sari, participou do debate defendendo a necessidade de mais investimentos em formação continuada dos professores e também opinando sobre a falta de valorização da categoria, ainda mais com as graduações de muitos professores municipais. "É preciso incentivo à abertura de mais cursos técnicos e profissionalizantes e à carreira do magistério, que vem sofrendo uma redução na procura", destacou.
A próxima edição do Debates do Rio Grande será em Camaquã, no dia 11 de setembro.