
Foto: Jarbas Abreu
Uma região do Rio Grande do Sul com 530 mil habitantes. A maior área territorial gaúcha, 35 mil Km². No entanto, com apenas 5% da população do Estado. Um Produto Interno Bruto de R$ 7,9 bilhões. Mas, apenas 3,5% do PIB gaúcho. R$ 120 milhões em exportações por ano e menos de 1% de tudo que o Rio Grande do Sul vende para o exterior. Essa é a Fronteira Oeste. Uma região que precisa melhorar a logística e a educação e agregar valor à produção de arroz e carne. Esses são os principais desafios da região apontados pelas quatro lideranças que participaram da décima etapa deste ano do Gaúcha Debates do Rio Grande, realizada nesta quarta-feira, 30 de novembro. O presidente da Cooperativa Agroindustrial de Alegrete, José Alberto Ramos, revelou uma boa notícia. 70% do arroz produzido no município é beneficiado pelas três indústrias instaladas. Por outro lado, relata que a falta de mão-de-obra qualificada no setor primário vem dando dor de cabeça aos produtores. Além disso, espera providências dos governantes para acabar com a competitividade desigual com os países do MERCOSUL. Ele lembrou ainda que a logística também precisa de um forte impulso.
O Perfeito de Alegrete, Eramos Guterrez Silva, tem o mesmo entendimento em relação à necessidade de redução da carga tributária. Para ele, somente com melhor distribuição dos impostos a política pública dará resultados satisfatórios. Ele destaca ainda a importância de voltar a atrair investimentos.
A pró-reitora da Universidade Regional da Campanha, Ely Silveira Gonçalves, conta que a entidade tem investido bastante em novas tecnologias. Cita o exemplo do que ela chama de embrião de um Pólo Tecnológico que a Urcamp vem desenvolvendo. Para Ely, a união das forças regionais poderá tornar isso realidade.
Representando o Governo do Estado, o secretário do Gabinete dos Prefeitos, o alegretense Afonso Motta, espera que o município volte e ser protagonista na região. Avalia que com aprimoramento da representação política será possível ter melhor articulação federativa, dialogando com o Estado e com a União.
O diretor-técnico da Agenda 2020, o economista Paulo de Tarso Pinheiro Machado, apresentou um diagnóstico da região. De acordo com o estudo, é preciso apostar na multifuncionalidade dos produtos em abundância na Fronteira Oeste, que são o arroz e a carne. O economista ressalta ainda que outra forma de promover o desenvolvimento regional é investir na indústria da sustentabilidade.
A instalação de um hospital regional, para evitar que pacientes cheguem a viajar 500 quilômetros até Porto Alegre para atendimento, e o asfaltamento de ERS-566, rodovia que liga Alegrete a Maçambará, também foram bastante abordados durante esta etapa do Gaúcha Debates do Rio Grande.
O programa será exibido pela TVCom neste domingo, às 23h.
A próxima parada da equipe da Rádio Gaúcha será no dia 13 de dezembro, em Santa Maria. Na pauta, as carências da Região Central do Estado e as possíveis soluções para elas.
Reportagem de Eduardo Matos