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Ao som do samba - Antônio Carlos Côrtes

03 de março de 2012 1

IMPERATRIZ: “75 anos de Cara Pintada de Brasil- UNE somos nós, nosso samba, nossa voz”. O carnavalesco Chico Passos soube tirar proveito de sua bela harmonia decorrente de samba melodioso e comunicativo, bem como carnavalizar o difícil enredo cujas fantasias precisavam encadernar a alma do enredo e isto foi alcançado. Mais uma vez o desfile compacto permitiu evolução tranqüila. Confesso que pensei fosse influenciar no desfile os trágicos acontecimentos extra-carnaval, que mais uma vez atingiu a família da Laranja Mecânica. Mas até em homenagem aos atingidos a Imperatriz fez desfile que beirou a perfeição. A Liberdade, o direito mais importante depois da vida, estava contado nas alegorias. Guerreiros. Foi um pedaço da história do Brasil em forma de teatro na avenida, contando a trajetória do povo brasileiro com ênfase na realidade sob olhar da UNE.

VILA ISABEL: “Ibia Mon- Minha história, minha raiz”. Acendendo o Farol a Vila Isabel passou como filha fiel de Viamão, a Velha Capital, que antecedeu Porto Alegre como sede do governo do Estado. Cantou a terra abençoada que teve no seu início índios, Ibia Mon quer dizer terras de ibias-pássaros, mas chegou à miscigenação somando-se ao branco e ao negro. O enredo foi inicialmente desenvolvido pelo Sandro Rauly e depois pelo artista plástico e carnavalesco Jonessy, este último já identificado com a escola em outros carnavais. Até o Padre verdadeiro compareceu ao desfiles devidamente licenciado pelo Bispo, para abençoar a festa que ao contrário do que muitos afirmam não é profana, pois respeita o sagrado. Se a meta da Vila Isabel era permanecer entre as grandes do nosso carnaval isto foi alcançado, mas já demonstrou em anos anteriores que pode aspirar mais.

UNIÃO DA VILA DO IAPI: Água, berço da existência. Foi a grande sensação dos desfiles da Sexta-Feira, dia 17.02.2012. Bem escolhido e desenvolvido pelo carnavalesco Sergio Guerra e Comissão, o enredo mergulhou no fantástico mundo da natureza, eis que o elemento água é dos Quatro elementos essenciais da natureza os outros três são terra, fogo e ar. A bem ajustada bateria sob o comando do Diretor Boneco foi acompanhamento adequado para o fantástico casal de Porta Bandeira- Suelene e Mestre Sala Tiriri, que cumpriram com perfeição o que o quesito pede, inclusive Suelene como manda a regra não se curvou a ninguém, ainda que autoridade, porque em carnaval o patamar maior é a BANDEIRA que ela conduz. Penso que o enredo não foi bem entendido por avaliador que conferiu nota 8.5, até porque a temática água é bem que vem da natureza e logo é Santa por isto devemos beber, orar, rezar e amar eis que presente Divino do Pai Maior. A Vila, a nosso ver, soube sim carnavalizar o enredo. Água é vida. Correto e bem estruturado enredo.

BAMBAS DA ORGIA: “Dos cerros do solo gaúcho nasce a Rainha da Fronteira-Bagé, um salto para o futuro.” O carnavalesco Diguilin apostou e bem na vistosa e bem ensaiada Comissão de Frente. O Carro Abre-alas também veio bem. Foi pensando em tudo isso que desafiei os arautos do caos que Bambas da Orgia não seria rebaixada de véspera, eis que sempre acreditei em sua superação. Nenhuma entidade chega aos quase 72 anos de existência se não tiver história cultural. A harmonia foi bem. O Sandrinho Gesse e equipe souberam segurar o mesmo entusiasmo da concentração à dispersão. A bateria do Mestre Estevão, fez o show que o público esperava, especialmente, a nação azul e branca vibrou com a coreografia bem ensaiada. É verdade que o desfile das Escolas de samba é competição, mas não se pode descurar que o principal objetivo e dar espetáculo para o público e isto os Bambas realizaram, mesmo que os recursos tenham aportado em última hora. Bagé. Índio Forte Ypagé/ Charrua. A Cidade Rainha da Fronteira foi fotografada no enredo. O personagem literário criado por Luiz Fernando Veríssimo ANALISTA DE BAGÉ foi bem caracterizado. O vôo altaneiro da Águia sublinhou a homenagem.

ACADÊMICOS DE GRAVATAÍ: “A onça negra samba e canta Passo Fundo.” A Comissão de Carnaval desenvolveu o enredo a epígrafe. Passo Fundo é das maiores se não for à maior cidade do interior do Estado. Conhecida por “Capital do Planalto Médio”, ‘Capital Nacional da
Literatura”, “ Capital do Norte”. Um dos pontos altos da onça negra foi seu puxador Lu Astral. Seguro. Afinado. Vibrante. Dicção perfeita
e excelente entrosamento com a harmonia da escola, especialmente a Bateria do Diretor Márcio. Muitos colegas de imprensa em face da
empolgação do desfile chegaram apontar em determinadas passagens que era candidata ao título. Não cheguei a tanto, porque carnavalizar tema que envolve homenagem sempre é difícil, especialmente quando se trata de cidade. A manutenção entre as grandes do nosso carnaval, não deixa de ser um prêmio ao esforço da presidente Rita e equipe.

EMBAIXADORES: “O que os olhos não vêem o coração não sente.” O enredo era inteligente e vinha embalado por bom samba. Esperava ver um desfile leve, solto, descontraído ao ressaltar novamente o santo guerreiro São Jorge. Mas o risco assumido apesar de se reconhecer coragem do carnavalesco, teve resposta em notas obtidas no quesito enredo: 7.5- 8.5 e 8.5,  isto é, o enredo não alcançou o resultado esperado pelo carnavalesco . A harmonia não correspondeu apesar de Paulinho da Mocidade. A permanência na Categoria Especial foi alívio. O melhor refrão deste carnaval está no seu samba-enredo “cenário em cor, a natureza a sorrir, toda a beleza da flor.” Belo samba. Repetição de fantasias de outros carnavais não causaram boa impressão visual ao espectador ainda que pudesse significar passagens do enredo.

PROTEGIDOS: “Das trevas à luz-Seguimos protegidos rumo ao paraíso.” A simpática Escola de Samba de Novo Hamburgo não conseguiu vencer a treva do rebaixamento. Este tema é perigoso. Vejam no RJ Tijuca veio falando de Luiz Gonzaga, Rei do Baião. Rei do Sertão, muito som alegre decorrentes deste ídolo brasileiro que tinha luz no próprio nome. Já o grande Salgueirão também do RJ veio falando de outro nome famoso do Norte-Nordeste brasileiro Lampião Rei do Cangaço. Salgueiro falou de amor ao inicio, mas admite que o enredo descrevesse o Justiceiro (Justiça (?) pelas próprias mãos). Portanto enaltecia o mal, o perseguido pela lei . O resultado todos sabem.Resumindo: Tijuca falou do bem e se deu bem. Salgueiro falou do mal e se deu mal. Anteriormente já referi que pela física quântica sabemos que as forças da energia influenciam a vida da humanidade. São muitos os equívocos do homem e por isso experimenta a dor. As trevas tomam conta. Fim. Apocalipse. Perdimento. É preciso muito amor, como ensinam os poetas para ser feliz. Das Trevas, a luz resplandece e as trevas não prevalecerão contra ela. O dualismo luz e escuridão, em busca de conhecimento e sabedoria. Chamando a atenção que a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória. A natureza esta a chorar seres divinais pede proteção. A maior nota obtida pelos Protegidos foi 9.9 em samba-enredo e a menor foi 7 no enredo por um dos avaliadores e, isto reflete o drama experimentado pela escola que precisa reunir todas as forças para voltar ao convívio das grandes, pois sua comunidade já mostrou que merece.

Comentários (1)

  • Luis Fernando Lima diz: 4 de março de 2012

    Só posso dizer isso: OBRIGADO!!

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