Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Análise de Enredos - Acadêmicos do Grande Rio

01 de fevereiro de 2013 0

Alvaro Machado expõe seu ponto de vista sobre um dos enredos mais discutidos do ano. Confira:

“A escola de Duque de Caxias escolheu para seu enredo a discussão, já um tanto superada, da retenção dos royalties do petróleo para o Estado do Rio de Janeiro. Não sei se gosto menos do enredo da Grande Rio ou da discussão sobre a repartição justa dos bens naturais que o Brasil possui. Portanto, não posso não começar essa análise sem perguntar a quem interessa tal discussão. Mais do que isso, perguntar até que ponto, no momento atual do carnaval, cabe um enredo com conotação tão exclusivista e política.

Pois vejamos o que a escola nos propõe. O enredo começa dizendo que a Grande Rio ama o Rio. E o que isso quer dizer? As outras escolas não amam? O povo brasileiro não ama o Rio? O mundo não ama o Rio? E mais que isso. O carnaval carioca é do Rio? Ou é do Brasil? Não está aqui a fonte de inspiração suprema dos desfiles de escolas de samba? Não é para a Sapucaí que os olhos do mundo se voltam no período de carnaval?

Então, qual razão de transformar um desfile em um ato de protesto contra o entendimento de que as riquezas do Brasil pertencem ao Brasil e a seu povo. É um direito do povo carioca exigir tal realidade, mas seria um direito transformar o desfile em um ato de protesto por algo tão polêmico e contestatório?

Claro que tudo terá início na extração do petróleo, nas plataformas marítimas, nas refinarias. Logo a seguir, há, no meu entender um grande erro. O petróleo é considerado pela escola como o sangue que alimenta o mundo, como se fosse um ser vivo que não pode prescindir de tal alimento. Em tempos de novas alternativas energéticas, me parece ao menos, fora de proporção tal afirmação.

Há, ainda, uma pincelada na questão ambiental, mas de forma incorreta, apresentando a falta dos royalties como a responsável por um desastre ecológico. Enfim, o enredo me parece equivocado, fora de propósito e mal pensado.

Amar o Rio, valorizar suas histórias, suas ruas, suas belezas e riquezas é perfeitamente elogiável. Mas transformar o desfile da escola em algo tão fechado como a proposta aqui apresentada, me parece um erro. Talvez, aos olhos dos jurados cariocas, esse sentimento tenha um eco maior do que nos chega aqui e em outras partes do Brasil, o mesmo Brasil onde o Rio brilha.

Porém, o que me parece mais preocupante na escolha da temática é a transformação do manifesto de apoio ao Rio em um desfilar de policiais que garantirão segurança, de imóveis populares gerados pelos dividendos arrecadados, nos anjos da saúde que são pagos pelo petróleo, no esporte e no lazer que a cidade pode oferecer. Ou seja. Se não há petróleo na cidade, ela acaba em caos. Será?

E nesse mar de ouro negro e protestos, a Grande Rio apresenta fantasias que trarão para a avenida trabalhadores do petróleo, policiais, enfermeiros, professores, artistas e tantas outras ocupações como a dizer que apenas com o petróleo é possível esse desenvolvimento no estado. O certo é que tudo será grandioso, como sempre são os desfiles da Grande Rio.Imensas alegorias, fantasias bem elaboradas, movimentos, luzes, enfim um show de tecnologia.

Com toda energia que a escola pode trazer, o desenvolvimento do enredo me parece o grande perigo. Acredito que a Grande Rio, que há anos busca seu título, deveria ir à luta por uma causa mais adequada e mais agradável aos olhos do Brasil e do mundo. O petróleo pode virar samba. A exclusão da brasilidade não. Somos todos brasileiros e vamos à luta, com certeza.”

Envie seu Comentário