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Opinião

Coluna do Alvaro

DELÍRIOS CARNAVALESCOS

Começou o Fórum Social Temático em Porto Alegre. Além de sua importância como fomentador de discussões sociais, ambientais e políticas, o Fórum representa um elevado aporte de visitantes à cidade que, em pleno mês de janeiro, representa um acréscimo significativo nos números do turismo. O que podemos perceber é um envolvimento de todos segmentos da sociedade, na organização e participação no evento.

Porto Alegre já respira o ar do Fórum e, com ele o ar do carnaval. A Passarela do Roxo, erguida há pouco tempo pela administração municipal, junto à avenida Beira Rio, será palco dos esperados ensaios técnicos das Escolas de Samba que levará um público estimado em mais de 40.000 pessoas por noite, para acompanhar os ensaios que serão realizados diariamente.

A Passarela do Roxo, por si só já representa um atrativo. Construída às margens do Lago Guaíba, com arquibancadas e camarotes amplos e confortáveis, impressiona pela beleza de seus traços arquitetônicos e por sua utilização como centro de eventos, com salas para cursos técnicos, centro de dança, área de alimentação e o recém-inaugurado Museu do Carnaval. De fácil acesso pelo Parque Marinha do Brasil, com possibilidade do uso de amplos estacionamentos existentes junto ao estádio Beira Rio, a escolha do local para a construção da Passarela do Roxo mobilizou a cidade em intensa discussão.

Surgiram até mesmo estranhas sugestões de colocar os desfiles do carnaval em áreas do extremo da cidade, como na Restinga ou no Porto Seco. Porém, as reações foram grandes, já que a maioria da população entende ser o carnaval uma herança de longa data na cidade, tendo SEMPRE ocupado seus espaços mais nobres e significativos na vida de sua população, como a Borges, a João Pessoa, a Cidade Baixa, a Perimetral, a Santana e a Augusto de Carvalho.

No final venceu o bom senso. Afinal, a Capital do Mercosul, um dos mais importantes destinos de eventos técnicos do Brasil, porta de entrada de argentinos e uruguaios, capital dos gaúchos e uma cidade moderna e inovadora, teria que privilegiar seus cidadãos e visitantes com um palco para grandes eventos de rua, banhado pelas águas do Guaíba, iluminado por um dos mais belos espetáculos proporcionado pelo pôr-do-sol, e, muito mais que isso, demonstrando o amor que a cidade possui por sua cultura, pois além do carnaval, pela Passarela do Roxo, também desfilam os tradicionalistas no mês de setembro, quando passa a ser chamada de Passarela Farroupilha. Passeatas, manifestações, grandes shows musicais, concentrações, festas de largo, passeios em família junto à sua praça de alimentação, tudo é possível.

Não bastasse isso, o Circo do Samba, administrado pelas Escolas de Samba e montado no Parque da Harmonia, poderá render um bom lucro para as entidades nesse período próximo ao carnaval. As Tendas da folia, vendendo comida, bebidas, camisetas, bonés, lembranças e fantasias das Escolas, tem tido uma grande procura, junto à Usina do Gasômetro.

De hoje até domingo, poderemos ver uma grande festa na cidade, com duas Escolas de Samba por noite, realizando seus ensaios técnicos e terminando em pura confraternização, com todos os sons e ritmos no anfiteatro. Essa é a nossa Porto Alegre. Uma cidade plural que sabe valorizar seu povo, que sabe o papel do poder público em oferecer espaço adequado para suas manifestações legítimas.

Sejam bem-vindos turistas, conheçam nossos museus, visitem nossos estádios, passeiem por nossos parques, circulem pelo linha turismo, visitem a orla do Guaíba e aproveitem a ginga e a alegria do carnaval, desfilando na bela passarela construída para os eventos mais importantes da cidade.

OBS: Desculpem, mas infelizmente, não passou de um delírio carnavalesco.

Ao som do samba - Antônio Carlos Côrtes

VOX POPULI, VOX DEI

"A mente que se abre para uma ideia, jamais retorna ao seu estado original" (Einstein)

O carnaval contemporâneo criticou a grande e talentosa carnavalesca carioca Rosa Magalhães aos tempos em que esteve à frente dos desfiles da Imperatriz Leopoldinense do RJ, onde alcançou cinco campeonatos em dezenove disputados, eis que argumentavam que realizava bonitos e bem acabados desfiles, porém sem emoção, ainda que fosse ao encontro das regras do jogo, cumprindo o que pediam os quesitos.

Realizava carnaval para o corpo de avaliadores e não para o público, razão maior da suprema arte do espetáculo. Era espécie de treinador de futebol visto como grande estrategista do esporte bretão que busca apenas o resultado. No futebol de hoje o clube de ponta no planeta é o Barcelona em face de sua progressiva posse de bola que chega atingir mais de 70%%. Da referida posse duas situações vertem: A um: Enquanto a conservam o adversário não tem como fazer golo. A dois: Se o escore
estiver zero x zero, quem tem chance de concretizar gol é quem detêm a Leonor, como diria o narrador Waldir Assumpção em declaração amorosa a senhorita bola.

Se o placar lhe for favorável, com mais razão eis que o adversário não terá como desfazer escore. Traduzindo: “Ta lá o
corpo estendido no chão” como diria o também criativo narrador Januário. Logo, passamos a autópsia. No carnaval há quesito oculto, imaterial que se chama disciplina, palavra que desdobrada alcança interpretação do Dez Pleno, que, aliás, todos devem buscar nesta curta passagem na vida terrena, eis que tem por escopo o planejamento que a citada Rosa Magalhães realiza com maestria, mas lhe falta à alegria que vem do povo, empatia.

Por aqui os saudosos carnavalescos Ariovaldo Paz, por vários anos na Sociedade Bambas da Orgia e Roberto Correa Barros (Betinho) nos Imperadores do Samba, fizeram o mesmo que Rosa Magalhães, porém passavam alegria ao povo que os reconhecia em talento colocando-os na galeria de ídolos imortais do samba. Embora no futebol à posse de bola não seja garantia de vitória, no carnaval quem responde aos quesitos com precisão cirúrgica se torna campeão.

O máximo que pode acontecer é alguma outra entidade lhe igualar conduzindo ao empate em todos os quesitos, situação presente em várias oportunidades, no carnaval do RJ, SP e Porto Alegre quando teremos então duas vencedoras.

Mas o povo tem que ser o alvo principal em ambas. Vox populi, Vox Dei (a voz do povo é voz de Deus).

Direto da Dispersão - Elias Costa

A DESCIDA DA BORGES

Na última sexta-feira, dia 20, ocorreu a Descida da Borges, evento que busca resgatar os antigos carnavais das décadas de 50 e 60. Foram programadas três noites, onde as escolas de samba se apresentam e interagem com o seu público.

A primeira noite não foi das melhores, não que as escolas de samba tivessem realizados apresentações ruins, pelo contrário.

Imperatriz Leopoldense,Realeza,Acadêmicos de Gravataí e Imperadores do Samba, fizeram um belo espetáculo respeitando cerca de 10 mil pessoas que estavam na Borges de Medeiros.

Mas a estrutura do evento deixou a desejar, sem a cerca de proteção, que foi montada após a apresentação da Realeza, o número de policiais era insuficientes para controlar uma multidão, entre outros fatores levaram o público a lamentar essa falta de organização.

Os mais antigos lembravam que o desfile antigamente na Esquina Democrática era assim mesmo. Apenas uma corda separava o público da escola de samba, onde as pessoas ficam sentadas nos seus banquinhos assistindo ao desfile, mas nos dias de hoje infelizmente não pode ser assim. Tanto que na apresentação dos Imperadores do Samba, o intérprete da escola Vínicius Machado parou a festa para pedir calma ao pessoal.

Esperamos que nos próximas Descidas, dia 27 de Janeiro e 03 de Fevereiro, possamos exaltar apenas as escolas de samba e a alegria do público que prestigia o Carnaval no centro da cidade.

E os responsáveis pela organização, prefeitura e AECPARS (Associação das Entidades Carnavalescas de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul) se conscientizem a importância da Descida da Borges para o Carnaval de Porto Alegre.

E parabéns as quatro escolas de samba que respeitaram o povo que prestigia o carnaval da cidade.

Toques do Vinicius

Estamos pobres! Melhor assim...

"O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais."
Bertold Brecht

O Carnaval de Porto Alegre em 2012 será inferior aos dos últimos anos. As escolas de samba estão com poucos recursos e, por isso, o ferro reina na maioria dos barracões lá do Porto Seco. Não há duvida que, visualmente, ninguém fará um espetáculo de encher os olhos. Pior. Até o TNT, que andava sumido, ameaça voltar com força na avenida. Um retrocesso.

Mas isso, acredite, pode ser muito bom. A pobreza de 2012 pode ser o eldorado do Carnaval de Porto Alegre. Isto porque, enfim, todos se deram conta que milagre não existe. Acabou a fartura das doações, dos shows com cachês estratosféricos e dos super-patrocínios de enredo. Alguns dirigentes estão de cabelo em pé. Não só pelo susto diário de saber que o relógio está correndo, mas também por causa do choque de realidade que sofreram.

E o choque veio por conta de algo que muita gente já sabia e o resto não queria enxergar. Ou fazia de conta, a bem da verdade. O choque revelou que os vultosos valores que vinham aportando nas nossas escolas não eram investimentos em cultura popular ou respeito pelo nosso espetáculo. Tampouco solidariedade e bondade. Muito menos reconhecimento. Era, como sempre, interesse. Os que chegaram, queriam algo em troca.

E assim, um círculo vicioso se formou. As escolas de samba queriam recursos. Os recursos vieram pelas mãos daqueles que queriam votos. E o Carnaval se transformou em indústria eleitoreira. As quadras viraram comitês. Os ensaios viraram comícios e alguns dirigentes confundiram suas convicções políticas com as de toda a entidade. Para isso, alçaram ao topo do Olimpo do samba personagens que há um par de anos nem se sabia da existência. Justificaram que a mobilização era em nome do segmento, mas protagonizam rituais dantescos de devoção aos neo-deuses.

Chegaram a profanar a bandeira. Sem constrangimento, bordaram nomes dos homenageados no pavilhão sagrado. Alguns vão dizer que é exagero do escriba tornar sacro um pedaço de tecido. Mas não para quem tem o samba como religião, que é o meu caso. Depois, eternizaram gritos de saudação para os forasteiros no CD de sambas-enredo. E veja só, as vozes ecoaram justamente de quem sempre disse ser amado exclusivamente por seu povo.

Isto não é tudo. Com a chegada do período eleitoral, perdeu-se totalmente a noção do bom senso. Teve baile de apresentação de protótipos com panfletos nas mesas. Adesivos sendo entregues na entrada de evento, placas de candidato afixadas, à margem da lei, nas fachadas de quadras e até convocação para passeata foi divulgada em site oficial de escola de samba. Uma excrescência que desrespeita quem não comunga da mesma preferência e que afasta da vida da própria escola, acossado e constrangido, o que não veste as mesmas cores políticas. Tudo isso pelo recurso vindo de empresas que, depois dos mandatos confirmados, teriam seus favores recompensados. E o Carnaval outra vez estava sendo usado. E aceitou, por um punhado de trocados...

Passada a eleição, nem todos os candidatos apoiados pelos dirigentes conseguiram o seu objetivo e hoje, outra vez, o Carnaval está a ver navios, sem tudo aquilo que foi prometido. A presença dos tais deuses no nosso meio está à míngua e os seus parceiros não colocaram mais nenhum centavo nas escolas.

Eis que vai surgir a pergunta? E desde quando isso é bom, cara-pálida? É bom, pois, quem sabe agora, a gente aprenda que dinheiro limpo virá com projetos bem construídos para leis de incentivo à cultura. Virá com plano de marketing e planejamento estratégico. Virá com quadras que ofereçam ensaios no horário marcado, banheiro limpo, estacionamento, cerveja gelada e preço justo. Virá a partir do momento que a gente nos dê o respeito. E a hora pode ser agora.

Mendigar um dinheiro que vem sabe-se lá de onde é uma fórmula que nunca vai acabar bem. Vamos vibrar muito em fevereiro. O TNT de hoje pode ser mais bonito que o ouro que passou no ano passado. Basta olhar com os olhos de quem quer o bem do Carnaval.

Coluna do Vaz

Que Feio...

O lamentável fato envolvendo uma menina que concorreu a Rainha do Carnaval de Porto Alegre é constrangedor.

Uma ação impensada desta menina e o evento vai para a vala comum . E justo agora em que é possível ver alguns avanços do Carnaval da nossa terra . Tem muita coisa para melhorar, porém, há que se reconhecer que houve avanços.

As escolas estão sendo mais profissionais, a montagem da avenida muda para melhor a cada ano, a imprensa através dos jornais impressos, rádios , e principalmente pela televisão, impulsionam sobre maneira nosso evento. Por conta disto, já é possível ver um início de movimentação por parte dos empresários . Um bom exemplo é o Instituto Brasileiro do Vinho parceiro do Estado Maior da Restinga. Prefeituras estão parceiras das escolas para serem temas-enredos. Esta possibilidade em tempos passados era improvável.

Pois não é que uma menina sem nenhum preparo, para desgosto até dos seus mais próximos, apatifou a coroação da rainha. Imagens do fato bombaram nas redes sociais e invadiram o mundo através da internet , e não é exagero, o mundo inteiro pode ver as imagens desta menina no seu momento mais infeliz .

Gente, não será crucificando esta menina que se resolverá tudo . Mas disto fica para os dirigentes um alerta para que o empenho seja absoluto na escolha de sua representante. Quem tiver esta incumbência, obrigatoriamente carregará a responsabilidade de conduzir com elegância, educação e fineza esta delegação.

Como é bom lembrar os últimos três anos deste concurso em que até a premiação melhorou. Um bom exemplo nos deu a candidata da Protegidos da Princesa, Carina Daiana Rosa: professora, acadêmica em letras, uma cidadã que nos deu um exemplo de civilidade para o Carnaval e foi de um comportamento exemplar . A candidata da Estado Maior da Restinga, Semem Santos, Rainha do ano passado, hoje é um manequim profissional o que muito honra suas origens , o Carnaval .

Sabe como é, a gente cuida e faz tudo direitinho e não é valorizado, mas quando ocorre um deslize deste tamanho a casa cai . É da vida. Reparar um erro do passado é impossível, mas planejar um futuro está em nossas mãos . Uma pena . No próximo, ano tomara que isto não se repita.

O repórter do samba - Julinho Ferreira

Imperadores, 53 anos de samba

Quem foi à quadra dos Imperadores do Samba, na noite de ontem, sentiu na pele a emoção de fazer 53 anos de história.

A quadra lotada era sinônimo de entusiasmo e alegria. Tudo começou com a apresentação da escola convidada, Imperatriz Dona Leopoldina. A laranja e preto veio com força total para abrilhantar a festa da vermelho e branco. Destaque para o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Alexandre e Isabel. Um bailado mágico, eletrizante e envolvente foi o presente da dupla, que muito brilhou nas cores dos Imperadores na década de 90.

Depois foi a vez do amarelo, branco e prata fazer a festa, embalados pelo revigorado intérprete, Sandro Ferraz. O Império da Zona Norte, veio livre, leve e solto para o aniversário do padrinho Imperadores. Pela primeira vez, o Diretor de Bateria, Junior Aruanda apresentou-se a frente da bateria imperiana na casa que o criou. Junior mostrou uma bateria consistente, com um belo andamento e desenhos suaves e eficientes. Foi um lindo espetáculo da escola da Zona Norte.

Passando a meia noite, chegou o tão esperado momento.

Quando a Sinfônica tocou o toque peculiar da vermelho e branco, na batida “Eu sou, sou Imperador até morrer”, como diria Vinícius Machado! É de arrepiar! Com um discurso emocionado, o Presidente Luiz Carlos Amorim, também um dos fundadores da escola agradeceu o carinho de todos e desejou um belo carnaval. Então, é chegada à hora dos parabéns, seguido do show da escola aniversariante. O interprete, Vinícius Machado colocou todo mundo pra dançar. Foi um “Vuco, Vuco” danado! Um sobe e desce ladeira, com muitas palmas na mão.

A quadra transformou-se em um grande baile. Uma noite iluminada para os Imperadores festejarem seus 53 anos de muitas alegrias, conquistas, derrotas, perdas e vitórias. Uma vida, uma trajetória admirável de uma instituição que engrandece e enaltece o nosso Carnaval. Tenho certeza, que Betinho, Nery Caveira, Carlos Medina, João Aruanda, Irajá e outros tantos baluartes da nossa cultura popular que já não estão mais entre nós, estão lá no céu, abençoando e festejando esses 53 anos de história, que tanto nos faz feliz.

Ao som do samba - Antônio Carlos Côrtes

AO SOM DO SAMBA

No livro Ao som do samba a autora Walnice Nogueira, coloca no palco pesquisa cultural onde a bússola aponta para o norte do samba, este patrimônio imaterial brasileiro. Já imaginaram desfile de escola de samba sem trilha sonora? Este gênero de música desborda na obra.

Pelo que aplaudo com entusiasmo a iniciativa que proporcionou o retorno a letra do samba-enredo no encarte do CD do Carnaval 2012 de Porto Alegre. Por esta ferramenta de pesquisa, mergulho em todos os carnavais muito antes dos desfiles, para o plano da imaginação tendo por base a letra do samba-enredo. Faço viagem por principais trechos ali acreditado que calculo irá estar plasticamente presente na Passarela Carlos Alberto Roxo Barcellos ao longo dos desfiles.

Acomodem-se no Camarote ou na arquibancada e partam comigo da CONCENTRAÇÃO DE FICÇÃO, ao som do Terceiro toque da sirena:

ESTADO MAIOR DA RESTINGA: Muitas taças de vinho em forma alegórica na louvação aos divinos, ricos e lindos cachos de uvas, saudando Deus Baco, Rei do Vinho, tendo por reino a Serra Sul-rio-grandense em forma de Éden, cujos habitantes são imigrantes, viajando de trem na Maria Fumaça, onde o combustível é hibrido: alegria e amor, que por não conter glúten podem ser consumidos sem moderação.

IMPERADORES: O filho do seu Inácio e da Dona Itália, (falo isto por que conheci a genitora do homenageado) hoje senador Paulo Renato Paim, tem inspiração na Estrela Guia que ilumina sua brilhante trajetória que perpassa a luta do Leão sindical que se rende aos encantos do som da maviosa bateria conhecida popularmente como a Sinfônica vermelha e branca, trilha sonora da bonita viagem do ilustre homem público e grande líder.

UNIÃO DA VILA DO IAPI: O elemento água presente na natureza, proporciona banho por meio locomotiva da Vila em abundante alegria, eis que presente divino, benção de fé sob o manto de Iemanjá e Oxum, em ricas e volumosas cachoeiras coloridas influenciadas também pelas marés responsáveis nas indispensáveis plantações. Água é vida.

IMPERATRIZ: UNE - União Nacional dos Estudantes é sinônimo de coragem, na busca incessante da esperança. Legalidade. Liberdade. Manifestações pelas ruas, artérias que motivam os caras-pintadas, caminhando e cantando na trilha de Geraldo Vandré como hino à liberdade, Para não dizer que não falei de Flores. É proibido proibir, principalmente Guerreiros que lutem até morrer.

VILA ISABEL: Filho fiel de Viamão, a Velha Capital, terra abençoada que teve no seu início índios, mas chegou à miscigenação somando-se ao branco e ao negro. Todos com muita Fé, perpetuada solenemente na Igreja Matriz, que acolhe também os Tropeiros em forma de benção.

ACADÊMCOS DE GRAVATAÍ: Lágrimas que a lua derramou fizeram o nascimento da referência cultural da cidade de Passo Fundo.
Bandeirantes e suas riquezas dos Casarões aos Quilombos proporcionam orgulho do celeiro brasileiro.

EMBAIXADORES: O adágio popular O QUE OS OLHOS NÃO VÊEM O CORAÇÃO NÃO SENTE ganha cenário em cor, a natureza a sorrir, toda a beleza da flor, diz o refrão do belo samba que bebe na Taça do Fogo, centrado no peito ao ritmo do imenso Tambor.

BAMBAS DA ORGIA: Bagé. Índio Forte Ypagé/ Charrua. Cidade Rainha da Fronteira. Semear, cultivar os verdes campos de minha terra, emoldurada pela arquitetura onde desponta a Igreja São Sebastião, abençoando os clubes sociais, sem esquecer vulto como Presidente Emílio Garrastazu Médici e o personagem literário criado por Luiz Fernando Veríssimo ANALISTA DE BAGÉ, lembrando-se do amor ao mais aguerrido clássico da fronteira Bagé x Guarani. Todos observando o voo altaneiro da Águia Bambista.

PROTEGIDOS: Como diz o puxador, quem não está protegido agora vai ficar. Das Trevas, a luz ou em qualquer lugar resplandece nas trevas e as trevas não prevalecerão contra ela. O dualismo luz e escuridão, em busca de conhecimento e sabedoria. Chamando a atenção que a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória. A natureza esta a chorar seres divinais pedem proteção.

DISPERSÃO sob o som de todos os abençoados sambas-enredo que formam a trilha sonora deste carnaval 2012 que a memória cultural da cidade reconhece e agradece.

Coluna do Álvaro

O CARNAVALESCO

Ao pensarmos a Escola de Samba como uma grande empresa, é imprescindível entender que para seu perfeito funcionamento, além dos cargos diretivos, eleitos em processos envolvendo os sócios em geral, com pouca participação, a escolha de pessoas para ocuparem a coordenação de áreas fundamentais para o bom desempenho do Carnaval, representa o diferencial entre o desfile mediano e o desfile capaz de competir pelo título.
Um desses cargos de extrema importância, sem dúvida, é o de carnavalesco. E qual o papel do carnavalesco? Parece-me que é do carnavalesco a responsabilidade de pensar o desfile, de definir suas características, de imaginar o posicionamento dos componentes, das alas e alegorias, de visualizar o jogo de cores possível de ser montado, de planejar o ritmo, a dança, a apresentação. Parece muito, mas cabe a essa figura importante do Carnaval tal tarefa. Somente um desfile pensado em uníssono é capaz de apresentar os detalhes necessários, evitando erros, desencontros e falhas graves na apresentação do enredo escolhido.
E surge assim meu questionamento: a quem poderei outorgar o título de carnavalesco no Carnaval de Porto Alegre? Qual a importância que a comunidade carnavalesca dá ao profissional que, erroneamente, definimos como carnavalesco? Certamente, se fizermos uma enquete entre os componentes de qualquer Escola, saberão nos indicar o nome do intérprete do samba, do mestre-sala, do diretor de bateria e, até mesmo do diretor de carnaval. Mas e do carnavalesco? Quem se atreveria a dizer que a figura do carnavalesco é marcante em sua Escola? Basta pensarmos no que ocorre ao final de cada Carnaval. Mudanças, contratações, novidades. Mas o que gera ansiedade no público da Escola? Saber o nome do intérprete, quem irá comandar a bateria, quem será o mestre-sala. Acredito que mesmo o passista seja mais lembrado, na sua figura, que o carnavalesco.
Tal realidade gera equívocos, tanto quando ocorrem bons resultados, como quando ocorrem maus resultados. O que encontramos hoje e sempre no Carnaval de Porto Alegre são excelentes aderecistas, grandes enredistas, alegoristas e figurinistas. Mas e o carnavalesco? O profissional a quem compete coordenar todos esses setores, onde se encontra? Não me parece ser resultado da falta de profissionais no mercado, mas resultado da falta de entendimento da importância da figura do carnavalesco como o grande maestro, capaz de trazer em si todo desenrolar do enredo, ligando os pontos de forma ordenada e visível para o público e jurados. Se para a diretoria de uma Escola isso não parece importante, para o público também não será.
É essa falta de clareza quanto ao papel do carnavalesco, que gera possibilidades de interferências e mudanças que, geralmente, produzem péssimos resultados (sugiro a leitura da coluna do Vinicius Brito sobre o papel do presidente no barracão). Tal idéia não parte do entendimento de ser o carnavalesco o dono da verdade. Na verdade um bom carnavalesco deverá sempre ter a humildade de ouvir e assimilar as boas idéias, e abrir mão de propostas equivocadas. O que entendo e que cabe ao carnavalesco ser o elo capaz de dar sentido ao desfile, do primeiro passo da comissão de frente na avenida ao último componente. Tudo que passará pelos nossos olhos em um desfile, deve ter sentido e cabe ao carnavalesco exercer tal papel. Assim, quando algo der errado em um desfile, pensemos várias vezes antes de acusar o “carnavalesco”. Talvez a responsabilidade não seja exatamente dele.

Direto da Dispersão - Elias Costa

A SEMANA DOS INTÉRPRETES

O puxador de samba, termo discriminado pelo saudoso Jamelão, é um animador que comanda o “exército” que extravasa a sua alegria. Muitos desses intérpretes eternizam obras que ficam guardados nos corações carnavalescos.
Nessa semana que passou aconteceram duas homenagens, que com certeza emocionaram o público do carnaval.
A primeira emoção aconteceu na quadra do Estado Maior da Restinga, no último sábado, dia 07, onde na festa da bateria comandada pelo mestre Guto, ocorreu o encontro de quatro grandes intérpretes da tricolor da Zona Sul.
Estavam no mesmo palco, Neusa Maria, que desfilou na escola no primeiro título em 1982, com o tema “Cassino da Urca”, Paulão da Tinga, responsável por cantar o samba campeão de 1987, título inédito no grupo Especial com o tema, Fantástica Odisséia do samba no mundo fantástico do sistema solar, Cláudio Barulho, que eternizou em 1993, o samba “ Sete Pecados Capitais” e Paulinho Durão, que fez de tudo na escola e ainda segue na luta na Realeza.
Foi bonito de ver, as pessoas emocionadas ao assistir o quarteto cantando juntos relembrando grandes obras, mostrando que o Estado Maior da Restinga, não é simplesmente uma escola de samba, mas sim uma religião.Um belo encontro, uma homenagem que não sairá da memória dos presentes na quadra da Restinga.
A segunda emoção ocorreu na quadra do Império da Zona Norte, onde seu intérprete oficial, Sandro Ferraz, voltava a ativa, após sofrer um infarto no dia 03 de dezembro na Mostra de Samba Enredo.
Mais uma bela homenagem, com casais de mestres-sala e porta-bandeiras e destaques e o público que cercaram o cantor de carinho.
E Sandro Ferraz voltava a ecoar seu grito de guerra “Tutufum agora é sério” para alegria de todos nós carnavalescos.
Os tenores do carnaval merecem sempre a nossa reverência, pois eles eternizam o carnaval.

Toques do Vinicius

O sexo das escolas de samba daqui

Este texto é uma cópia descarada. Isso mesmo! A ideia não é nada original. Surgiu quando li uma coluna do jornalista Lula Branco Martins sobre o "sexo" das escolas de samba lá do Rio. O texto foi publicado no SRSZ Carnavalesco em 2008 e você pode ler aqui . Ele lembrou do tempo em que era editor do Jornal do Brasil e, antes dos repórteres partirem para a Sapucaí, fazia uma sabatina para que ninguém escrevesse coisa errada nas páginas do falecido JB.

Ele pautava a equipe de reportagem e enfatizava com energia que A Salgueiro não existe e, sim, O Salgueiro. Os repórteres não entendiam direito aquilo, mas ele fazia questão de lembrar que era para escrever A Portela, O Império Serrano, A Beija-Flor, A Mangueira... Pois esta neurose também me intriga aqui em Porto Alegre e então decidi escrever sobre este mesmo enredo.

Certa vez, ouvi o meu amigo Renatinho Dornelles falando na Gaúcha sobre o desfile que A Bambas fazia. Aquilo me doeu o ouvido e fui cobrar do Renatinho. Eu nunca tive dúvida que O Bamba é macho! E aí o Renatinho, logo ele, bambista de quatro costados, tasca um A Bambas. Ele argumentou que o artigo feminino se justifica pelo fato de ser uma escola, e escola é uma palavra feminina. Logo, todas as escolas tem que ser precedidas pelo famigerado A...

Pois cá estou para ser O porta-estandarte da luta contra esta pasteurização do gênero das nossas entidades carnavalescas. O que deve definir o jeito de chamar uma escola de samba não é a língua portuguesa e sim o jeito que o “meio” chama. E se é pra pensar gramaticalmente, “escola” é feminino, mas muitas agremiações tem nomes pra lá de masculinos, ou alguém se atreve a dizer que lá na Sertório está localizada A Império da Zona Norte. Não, né? É O Império, todo mundo sabe!

Até poderia ser A Império! Afinal, em São Leopoldo, está sediada A Império do Sol. Vão dizer que estou me afogando em contradição, mas é só visitar a quadra da escola, papear com o presidente Miro, o grande Joel Alves e com os componentes da Majestosa do Vale para saber que, lá, está A Império do Sol. É isso que vale!

Em São Léo, A Império, em Porto Alegre, O Império. Complicado? Sim! Mas é assim que deve ser! Quem decide é quem é do ramo, não os catedráticos que sequer sabem diferenciar surdo de tamborim...

Tem escolas que são, digamos, unissex. Veja o caso da tricolor da Zona Sul. Se é pra chamar só pelo nome, é A Restinga e não tem discussão. Porém, se a idéia é chamar pelo CPF, identidade e nome completo, como diria Sandro Ferraz, é O Estado Maior da Restinga. A Estado Maior? Nem pensar! O mesmo acontece com A União da Vila do Iapi, que muita gente ainda chama de O Iapi. Variação aceitável e aplaudida.

Muitos casos são bem mais simples. A Imperatriz, A Praiana, A Vila Isabel, A Protegidos... Mas tem também outros casos mais complexos, como as escolas que o nome é masculino e plural: OS Bambas, OS Acadêmicos, OS Embaixadores, OS Imperadores, que a linguagem das quadras logo transformou em O Bamba, O Acadêmico, O Embaixador, O Imperador. O carnavalesco que dissesse o nome de qualquer uma destas escolas com A na frente deveria ser punido com uma semana sem ouvir samba-enredo... Mas no caso dos Imperadores do Samba, tem até samba-enredo falando em A Imperadores, o que é um sacrilégio imperdoável. Se alguém questionar, lá vai a resposta definitiva:

“Povo meu, povo meu

Ainda resta um lugar na nossa escola

Desça da arquibancada e vem sambar NO Imperador

Pois onde existe alegria, existe amor”

Coluna do Vaz

Tribos carnavalescas

Um dos mais fascinantes momentos do nosso Carnaval foi feito pelas tribos de índios. Quem hoje presta atenção nos desfiles das duas únicas tribos que ainda existem, não conseguem ter a dimensão real do que foi este espetáculo. Penas, colares, cocares, capas em veludo e mocassins. Flechas, lanças, escudos e tacapes, todo este material cuidadosamente bem decorado. Era uma característica única a teatralização, uma passagem, uma aventura , do enfrentamento do bem contra o mal.

O bem vencia sempre nas simulações de lutas. Tudo isso comemorado com gritos de guerra e de alegria. Estas cenas contagiavam toda a tribo e levava a arquibancada ao delírio. Na parte musical sempre foi completamente diferente do que se ouve hoje. O canto da tribo era um hino (que contava uma historia com começo, meio e fim) sustentado por uma bateria firme com muito tambores de couro grosso. Isso dava um som bastante grave aos instrumentos.

Tinha desenhos formidáveis feitos por naipes poderosos de agês, uma Cabaça, coberto de um rendilhado de lágrimas-de-nossa-senhora, um instrumento musical muito usados nos candomblés: agê, agüê ou piano-de-cuia. Esse instrumento (agês) tinham boa sonoridade em função de seus tamanhos, pois, eram bastante grandes. Tamborins faziam parte da bateria, mas o ponto alto, eram os violões e cavacos.

As cordas na harmonia eram maravilhosas. E não eram poucos: muitos violões de sete cordas, cavaquinhos e banjos. Esse naipe era audível à distancia . Era fácil distinguir a figura do cacique da tribo. Com fantasia imponente muito vistosa era destaque nas apresentações. Algumas figuras apareciam sempre nos desfiles, como o feiticeiro da tribo, o pajé. Esse tinha muita visibilidade por sua dança e também também pela vestimenta, às vezes, era algo assustador.

A voz de comando sempre era em tupi, língua oficial das tribos. Tinha os estandartes quase sempre carregados por homens, depois de um tempos trocarão de mão, hoje é uma tarefa das mulheres. Uma figura parecida com o atual mestre-sala muito valorizado na época, eram os bandeiristas. Tarefa exclusiva dos homens .

Lembro de duas figuras que são verdadeiros gigantes do Carnaval indígena. Cabábá de nome José Carlos Corrêa e Coqueiro, dois bandeiristas referenciais daquele tempo. Do Cababá só hoje se resgata sua historia no Carnaval. Ele começou em 1939 e passa pelas principais tribos da cidade. Desfilou também também na Academia de Samba Praiana numa trajetória interessante do alto dos seus 2,05 metros de altura Cababá foi figura de destaque no nosso Carnaval.

As tribos carnavalescas foram o começo de muita gente famosa no Carnaval que tinham um outro nome indígena. Carlos Medina era Nuvem Cinzenta, Cláudio Custódio Barulho era Poty Guaçu, Jajá o Nuvem Negra, Álvaro Machado era Tibiriça, Delmar Barbosa era Pavão Ytaguaçu e muitos outros que ainda estão ai em nosso meio.

Para se ter uma idéia da importância das tribos carnavalescas os números expressam a grandeza. Tivemos 16 tribos, embora algumas pessoas falem da existência de 17: Os Caetés, Xavantes, Guaranis, Iracemas, Comanches, Guaianases , Tapuias, Bororós, Arachaneses, Aimorés, Navajos, Rojaba, Tupinambas, Tapajós, Tamoios, Os Potiguares e Carijós. Com o tempo as tribos foram perderam espaço para um novo Carnaval cujo modelo é Rio de Janeiro. Isto decreta a quase extinção, das tribos .

Por conta disto só temos hoje duas tribos: Comanches e Guaianazes que travam a grande batalha, a da sobrevivência, que se alternam como campeã do nosso Carnaval. Da nossa lembrança nunca sairão, serão sempre lanças cravadas na cultura popular, com dignidade e alegria. De minha parte agradeço a esses guerreiros a quem o Carnaval deve muito. Merecem aplausos pela belas batalhas que venceram trazendo com bravura até o nosso tempo um Carnaval que avança ainda nas planícies do Porto Seco.

O repórter do samba

Carnaval empresa

Eu acredito que algumas expressões não combinam mais com o universo carnavalesco. Afirmações como: “Em um mês conseguiremos colocar a escola na avenida”, “Vamos lá, comunidade”,”No final vai dar tudo certo!”, “Vai de qualquer jeito”, já não são mais aceitas.
O Carnaval como um todo, está em uma dimensão, que não suporta mais o amadorismo. A escola de samba virou produto. E o cliente está cada vez mais exigente. Hoje, é preciso rever algumas questões, que ainda atrapalham o desenvolvimento do Carnaval e, acima de tudo, a vida saudável das escolas de samba.
Muitas agremiações sobrevivem agonizantes, doentes, frágeis e financeiramente endividadas, tornando-se repetitivas e desacreditadas. Os problemas são visíveis. E a cada ano, é a mesma corrida atrás da máquina. Um lamento constante por falta de recursos e consequentemente, o inevitável atraso no preparo do Carnaval.
O primeiro passo a repensar são as formas de captação desses recursos financeiros. Não dá para ficar a "mercê" dos repasses dos órgãos governamentais ou contar com a sorte em projetos de Leis de Incentivo à Cultura. Muito menos, basear-se nos lucros de bilheterias e copas ou dos escassos ensaios que as escolas proporcionam.
Parcerias são bem-vindas, investimentos são imprescindíveis. Mas para isso, é fundamental uma renovação. Nada é de graça, não apenas recebemos, e sim, trocamos, permutamos interesses e fazemos negócios.
O caminho a seguir é qualificar o produto. Nesse caso, é preciso humanizar e modernizar as instalações das quadras de ensaios. Cumprir horários e honrar os compromissos. Aperfeiçoar as relações humanas e o atendimento ao público. Intensificar os trabalhos sociais, favorecendo as comunidades, qualificação profissional e inserção social. Desmistificar esse descrédito que as escolas assolam-se. Investir em departamento comercial. Trabalhar o marketing. Utilizar-se positivamente a marca da escola e acima de tudo: ter um planejamento estratégico.
É preciso administrar, modificar, ser inovador. Relacionar prioridades, estabelecer alternativas para um crescimento em busca da excelência do produto. É sabido que as dificuldades são imensas, mas não impossíveis de serem transformadas em resultados. Potencialidades existem. Profissionais habilitados para este crescimento, também. Somente é preciso coragem, determinação, arrojo e dinamismo. Enfim, é preciso gestão.

Coluna do Alvaro

O Carnaval

Por Alvaro Machado

Mais uma vez nos aproximamos daquela data mágica que somente os apaixonados pelo carnaval conseguem perceber. Estão renovadas as esperanças de um novo e grandioso desfile, que seja capaz de criar emoções que nos acompanharão pelo ano todo.

Surgem novas expectativas de crescimento, reconhecimento e afirmação da cultura popular em nossa cidade, revitalizando o sentimento de integração de seu povo. O mesmo povo que representa a parte mais envolvida na comemoração desse momento extraordinário e que se expressa pela ideia de pertencimento, que nesse momento, mais que nunca, se encontra latente à flor da pele.

Pertencimento a uma comunidade, a nossa comunidade, pertencimento a uma maneira específica de brincar e comemorar os festejos carnavalescos, a nossa maneira, pertencimento a um jeito único de produzir relações e partilhas de sentimentos que só o carnaval pode realizar. E é esse sentimento que alimenta, ano após ano, a certeza de um novo começo. Sentimento que gera a expectativa de sucesso na avenida, independente do que possa ter ocorrido em anos anteriores ou na preparação do próximo desfile, desejo de uma apresentação memorável, de uma nova vibração capaz de fazer pulsar o coração ao som da sirene, de um novo episódio realizado na busca anual do envolvimento do povo com seus festejos e, em particular, com seus símbolos e ritos presentes na sua Escola de Samba.
Recomeçar as discussões sobre os enredos, analisar os sambas que conduzirão os desfiles, vibrar com o grupo show das Escolas, acompanhar os festejos pré-carnavalescos e visitar os barracões, imaginando a arte transformada em desfile, é um papel renovado a cada ano, que nos proporciona sair, por alguns momentos da realidade dura e corrida do cotidiano para ingressar num mundo extraordinário, onde os sentimentos e as imagens adquirem um novo conceito, o conceito renovador que nos lembra que a vida é também feita de brilho e de alegria, de cores e danças que, conduzidas pela avenida dos desfiles, nos transmitem a certeza que o carnaval sempre se renova, sempre se supera e constantemente nos resgata de uma vida individualizada para uma experiência coletiva e significante.

Viva o carnaval!


Coluna do Côrtes

Arte da Escola de Samba

Por Antônio Carlos Côrtes

Vejo acima de tudo, a escola de samba como arte moderna, como uma das mais autênticas expressões da contemporaneidade ( Luiz Pilla Vares)

Serpenteando escorço histórico recordamos que em 1922 ocorreu a Semana da Arte Moderna

em São Paulo (Mário e Oswald de Andrade e outros) pelo volitivo do espírito libertário da cultura brasileira. Assim, decorridos 90 anos daquele importante evento, reflito que são escassos os estudos sobre o nosso Carnaval e suas ligações no terreno da sociologia, antropologia e literatura eis que ainda que gongóricos intelectuais contestem é arte pura ou moderna como ensinou Pilla Vares.

Aduzo que há no país do Caburaí* ao Chuí durante o Carnaval a geração do combustível da alegria que embala o povo brasileiro a tudo enfrentar e saber se superar. Sem preconceito aos outros quesitos importantes defendo que nenhuma escola de samba faz bom desfile com ar de campeã, se não apresentar bom samba-enredo.

No Carnaval brasileiro, Mano Décio da Viola, Penteado e Estanislau no ano de 1949 em Exaltação a Tiradentes foram os primeiros pelo Império Serrano-RJ, a celebrar o casamento perfeito da musica do samba com o enredo. Afirmo que neste carnaval de 2012, decorridos 90 anos daquela memorável Semana da Arte Moderna , o samba-enredo da Portela-RJ, “... E o povo na rua cantando. É feito uma reza, um ritual...” (Wanderley Monteiro, Luiz Carlos Máximo, Toninho Nascimento e Naldo) o qual é interpretado pelo excelente Gilsinho, cuja potente voz lembra o grande Rixxa (Pavarotti do samba) é o melhor e provoca novamente o espírito libertário da então camisa-de-força que vestiram nos samba-enredos de hoje.

Há verso lapidar que diz tudo “Eu venho estender o nosso manto/aos meus santos do samba/que são orixás”. O samba ainda registra que o Senhor do Bonfim alumia os caminhos da Portela, que eu guardo no meu patuá, eu vim com a proteção dos meus guias. Logo, a Portela inovou e lembra os velhos bons tempos. Qualquer semelhança com aquela Semana da ArteModerna, não é mero acaso.

(*) É o ponto mais setentrional do Brasil em Roraima, que dista 84,5 quilômetros acima da referência Oficial, o Cabo Orange, o qual fica pelo menos a 4 graus de latitude norte, junto à foz do Rio Oiapoque, no Amapá.

Vinicius Brito

Perigo! Presidente no barracão

Por Vinicius Brito

Imagine esta cena. A escola linda na avenida. Arquibancadas delirando, componentes cantando o samba com vigor e alegorias e fantasias caprichadas credenciando o esforço de um ano inteiro à briga pelo título do Carnaval.

No meio do desfile, o casal de mestre-sala e porta-bandeira baila com a leveza que lhe é peculiar. Param em frente ao primeiro módulo de julgamento e, de repente, o presidente da escola irrompe o bailado, dispensa o mestre-sala, tira um leque do bolso e começa a girar freneticamente em torno da porta-bandeira, improvisando alguns meneios pra lá de desajeitados.

Enquanto isso, o diretor de Carnaval abandona a evolução da escola, se aproxima do carro de som e toma o microfone do intérprete. Se esforça, mas desafina e descaracteriza todo o samba, prejudicando o canto dos milhares de componentes. E o sonho do título cai por terra, pelas mãos daqueles que comandam a escola...

A cena é surreal? Sim, sem dúvida. Mas sem sentido? Nem tanto. Em desfile, ninguém tem notícia que algum dirigente tenha cometido a insanidade descrita neste meu delírio de Carnaval. Porém, antes do grande dia, tem dirigente que acha que é carnavalesco. E como tem...

Em Porto Alegre, Rio, São Paulo ou Uruguaiana sempre tem um cartola metido a mexer nas cores da fantasia das baianas, no tamanho das esculturas do abre-alas e no tecido usado na roupa da bateria... Muitas vezes, sem qualquer justificativa. Propõe a troca do verde pelo azul pelo simples fato de ser... mais bonito!

Enquanto isso, o carnavalesco não se mete no orçamento da escola, não escolhe o intérprete, não diz quanto tem que custar a cerveja na quadra e muitas vezes nem é consultado para a definição do enredo. E ainda assim tem que agüentar o patrão dando pitaco onde não foi chamado.

Claro que o dirigente tem o dever de cuidar de todos os setores da escola e não pode, por exemplo, permitir que o carnavalesco coloque um faraó em uma alegoria que represente libélulas flutuantes do mar espanhol. Porém, querer tomar o lugar do artista é, além de um desrespeito, um risco imenso de errar.

Nos barracões do Porto Seco, já houve carnavalesco que chegou para mais um expediente e viu amarelo no lugar do vermelho e galão onde estavam pedras. Ao questionar, foi informado que o presidente mandou mudar. Isto não pode acontecer. A não ser que o presidente da escola seja Paulo Barros, Max Lopes, Renato Lage ou Rosa Magalhães. Como não é o caso, que se confie e respeite a estrela que tem o dever de pensar o todo. Respeitem o carnavalesco.

Ok, presidentes?

Direto da Dispersão


Por Elias Costa

As obras do craque Escurinho

Quando menino, fui morador da rua Marcílio Dias no bairro Menino Deus.

Passei boa parte de minha infância transitando pelas ruas do bairro. Tenho na memória os ensaios dos Imperadores, na esquina da Érico Veríssimo, da animada Banda da Saldanha desfilando na avenida Getúlio Vargas e das muambas da Zero Hora.

Belas lembranças!

Com o tempo, por meio de pesquisas, descobri a importância do bairro para a cultura negra da cidade. Onde muitas personalidades ilustres fizeram parte desse reduto festivo.

Conto essa história porque lendo um livro de futebol, aprendi um pouco mais sobre o carnaval de Porto Alegre.
“ No último minuto. A história de Escurinho. Futebol, violão e fantasia” retrata , não somente os momentos de um jogador de futebol brilhante que fez carreira no Internacional, mas, sim, mostra o carnaval de Porto Alegre, desde o período dos blocos, cordões até a acirrada disputa das escolas de samba.

O livro que foi escrito pelo jornalista Jones Lopes da Silva, apresenta a paixão do craque colorado pelos seus Imperadores do Samba, na qual foi compositor de um samba de quadra em 1974, por pouco, como conta no livro ele não foi autor dos sambas da escola no ano seguinte, deixando para que Wilson Ney compusesse “Convite ao Povo” .

Para quem gosta de futebol, carnaval e uma boa história essa é a dica. O livro em homenagem ao craque, poeta Luis Carlos Machado, Escurinho, que nos deixou em Setembro de 2011.

Luis Carlos Machado, Escurinho, fez parte do grande time do Internacional da década de 70, conquistando o octa campeonato gaúcho (1969 á 1976), sendo bi campeão brasileiro em 1975 e 1976. Jogou também no Palmeiras,Coritiba,Vitória, Barcelona de Guayaquil no Equador entre outros clubes.

Escurinho gravou um compacto nos anos 70 com acompanhamento dos grupos Café Som e Leite.

Coluna do Vaz


As Favoritas

A pergunta sempre é quem ganha o carnaval de 2012. A leitura possível de ser feita hoje é: o Porto Seco verá uma disputa acirrada de três escolas pelo titulo. Será uma disputa envolvendo menos concorrentes ao titulo, diferente do ano passado quando tínhamos entre quatro e cinco concorrentes.
Este ano Tinga, Império da Zona Norte e Imperadores estão neste pelotão. Salvo algum desastre de uma delas ou uma grande surpresa por parte das outras não tão cotadas assim, a coisa se definirá entre estas três. Todas entram campeãs, mas só ao fim dos desfiles a que errar menos leva o titulo.
Esta afirmativa, não é tão correta assim. Algumas escolas encaminham sua queda para o grupo A e outras não ganham, mas não caem: Carnaval é assim! Até no Rio isto acontece...
A possibilidade de estas escolas brigarem pelo titulo fica por conta do que elas estão fazendo com seus projetos de carnaval. Estado Maior da Restinga, Imperadores e Império da zona Norte estão nesta situação porque mostram um trabalho vigoroso de quadra e barracão.
A dificuldade das outras passa por varias questões. A falta de recursos define bem a situação, os enredos patrocinados e outras fontes de arrecadação não lhes dão fôlego maior para fazer o seu Carnaval e todas sabem que para se fazer carnaval dinheiro é fundamental.
Logo, está claro e definido que algumas escolas farão um carnaval modesto. Já Império, Imperadores e Tinga tendem a fazer um carnaval de mesmo nível do carnaval passado. E não há como garantir nas outras escolas o mesmo comportamento. Embaixadores do Ritmo foge a regra, se aproxima deste pelotão porque tem um projeto e um trabalho que está acabado e definido o que deve garantir uma colocação melhor do a sua última, quando ficou em oitavo lugar.
O carnaval de Porto Alegre está mais caro. Há uma preocupação com os demais grupos e sua qualidade, e o Grupo de Acesso que desfilou ano passado lá em São Leopoldo, volta para Porto Alegre exigindo assim um aporte de dinheiro maior e estes valores sairão do mesmo lugar, o que aumenta a divisão do bolo.
Bom será um dia a mais de Carnaval. Mesmo assim acredito na criatividade de nossos carnavalescos que com certeza darão conta da tarefa. Faremos sim, um carnaval com a nossa marca do nosso jeito. Mas para responder quem ganha o Carnaval, há que se esperar todas passarem na avenida. Ganhará quem errar menos e isto vale inclusive para as favoritas.

Descida da Borges começa hoje

20 de janeiro de 20120

Por Juliano Vieira

A Descida da Borges está de volta!

Quatro escolas vão descer a avenida e relembrar os antigos carnavais a partir das 20h30.

Confira a ordem de apresentação desta sexta-feira:

20:30 - Imperatriz Leopoldense
21:10 - Realeza
21:50 - Acadêmicos de Gravataí
22:30 - Imperadores do Samba

O repórter do samba - Julinho Ferreira

20 de janeiro de 20122

Imperadores,  53 anos de Samba

Quem foi à quadra dos Imperadores do Samba, na noite de ontem, sentiu na pele a emoção de fazer 53 anos de história.

A quadra lotada era sinônimo de entusiasmo e alegria. Tudo começou com a apresentação da escola convidada, Imperatriz Dona Leopoldina. A laranja e preto veio com força total para abrilhantar a festa da vermelho e branco. Destaque para o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Alexandre e Isabel. Um bailado mágico, eletrizante e envolvente foi o presente da dupla, que muito brilhou nas cores dos Imperadores na década de 90.

Depois foi a vez do amarelo, branco e prata fazer a festa, embalados pelo revigorado intérprete, Sandro Ferraz. O Império da Zona Norte, veio livre, leve e solto para o aniversário do padrinho Imperadores. Pela primeira vez, o Diretor de Bateria, Junior Aruanda apresentou-se a frente da bateria imperiana na casa que o criou. Junior mostrou uma bateria consistente, com um belo andamento e desenhos suaves e eficientes. Foi um lindo espetáculo da escola da Zona Norte.

Passando a meia noite, chegou o tão esperado momento.

Quando a Sinfônica tocou o toque peculiar da vermelho e branco, na batida “Eu sou, sou Imperador até morrer”, como diria Vinícius Machado! É de arrepiar! Com um discurso emocionado, o Presidente Luiz Carlos Amorim, também um dos fundadores da escola agradeceu o carinho de todos e desejou um belo carnaval. Então, é chegada à hora dos parabéns, seguido do show da escola aniversariante. O interprete, Vinícius Machado colocou todo mundo pra dançar. Foi um “Vuco, Vuco” danado! Um sobe e desce ladeira, com muitas palmas na mão.

A quadra transformou-se em um grande baile. Uma noite iluminada para os Imperadores festejarem seus 53 anos de muitas alegrias, conquistas, derrotas, perdas e vitórias. Uma vida, uma trajetória admirável de uma instituição que engrandece e enaltece o nosso Carnaval. Tenho certeza, que Betinho, Nery Caveira, Carlos Medina, João Aruanda, Irajá e outros tantos baluartes da nossa cultura popular que já não estão mais entre nós, estão lá no céu, abençoando e festejando esses 53 anos de história, que tanto nos faz feliz.