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Ao som do samba - Antônio Carlos Côrtes

04 de fevereiro de 2012 1

O SOL DA MEIA ANOITE

Quando o saudoso Roberto Correa Barros- Betinho, então Presidente dos Imperadores do Samba idealizou desfile pré-carnaval na Av. Borges de Medeiros, em Porto Alegre-RS, com certeza imaginava que esta saudade era o combustível da alegria. No futuro enxergou o cisne da Escola de Samba ESTADO MAIOR DA RESTINGA sobrevoando a avenida. E foi pensando nisso que passei a prestar mais atenção nesta conquista cuja dezena de milhares da multidão a cada sexta-feira, ocupa a avenida de forma comovente.

Emoção que divido com o leitor especialmente borgeano ao ver esta contagiante alegria da retomada da territorialidade. O sol de meia-noite aquecendo a alma em forma de calor humano. A lua segundo o compositor Túlio Piva É Pandeiro de Prata. O riso da criança é a pureza da festa. Tudo é simples. Há toque de amor no ar, sublinhado por surdos e tamborins.

Pela energia, podemos enxergar o aumento da aura de nosso irmão (ã), percebemos encantos no caminho do entendimento de que ele (a) é parte de mim e, portanto não há razão nem sentido para o ódio ou inveja, pois estaríamos simplesmente odiando ou invejando a nós mesmos. A palavra graça vem do grego CARIS que significa o ungido, o protegido. Também quer dizer alegria, considerando que aquele que recebe graça sente-se firme e seguro diante de qualquer perigo.

Quando passamos bom humor, alegria, a pessoa que está triste, praticamos caridade e naquele momento estamos orando! O bom músico se torna virtuoso das qualidades da alma se praticar diariamente. O bom humor facilita a empatia e constitui amortecedor na estrada cheia de buracos que é a vida. É força transformadora que nada necessita. Aprendemos a não ser tesoura que corta e divide e sim agulha que costura o que esta despedaçado. O ser humano tem capacidade de colocar-se no lugar do outro, mas boa parte ainda não descobriu isso.

Não faz para outro o que o não gostaria que fizessem para eles, porque para estes aqueles não existem. Obrigado velha Borges de Medeiros, que nos contempla nos arcos do seu Viaduto que neste ano comemora 90 anos nos quais o povo do carnaval integra o
bloco “Unidos pela Revitalização e Humanização”. Somos amigos e parceiros do Viaduto Otávio Rocha, o mais belo do planeta.

Comentários (1)

  • Paulo Rogério Vargas diz: 4 de fevereiro de 2012

    Parabéns pelo comentário, Côrtes!
    Estive ontem na Descida da Borges e realmente fiquei encantado por ver a alegria, a festa e o entusiasmo que são a essência do carnaval. Acompanhei pelos meios de comunicação o debate travado em torno do assunto. Embora respeite muito as opiniões de pessoas como o Vinícius Brito e o Urso, que manifestaram um certo temor com a realização do evento, quero dizer que fico ao lado do Vaz que prontamente reagiu e levantou a bandeira do “É Tudo Nosso”. De fato, acho que nós que amamos e fomos criados dentro desse segmento cultural, chamado carnaval, não podemos reproduzir aquilo que os preconceituosos e conservadores de plantão dizem a nosso respeito. Não podemos temer a nós mesmos, achando que a qualquer momento em meio à multidão vai estourar uma briga ou coisa do tipo. Pois saibam que não observei nenhum tipo de animosidade entre as pessoas que lá estavam. Vi brancos, negros, mendigos, bêbados, senhoras, moças bonitas, rapazes e crianças, todos desejando apenas bricar, divertirem-se e reverenciar o pavilhão de suas escolas. Confesso que me arrepiei. O povo de carnaval precisa democraticamente ocupar ou reocupar um lugar que lhe foi tomado. Chega de passividade diante do que fazem conosco. Nós também fazemos parte da comunidade porto-alegrense e somos muito representativos e numerosos. Acompanhei ao longo dos anos muitos eventos do nosso carnaval, não sou do tempo da Borges, mas cheguei a ver uma muamba na praça Garibaldi, o meu grande Acadêmico dos anos 70, vi o Fidalgo ganhar em 73, vi o Bamba do Ariovaldo, vi o Imperador do Betinho, vi a Praiana ganhar em 76 no primeiro carnaval da Perimetral, vi o Império do Jacão em 82, vi o surgimento da Restinga. Quero aqui externar a minha alegria de ver a Borges de Medeiros tomada por milhares de carnavalescos, mostrando que aqui sim, também existe carnaval. Se a Descida não é de grande valia técnica para as escolas, bem, isso é outro assunto. O que importa é a proximidade e a festa que as escolas fazem com o seu público, isso me basta. Fiquei de alma lavada.
    Viva o Carnaval!

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