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Opinião - Antônio Carlos Côrtes

11 de janeiro de 2012 0

ARTE DA ESCOLA DE SAMBA

Por Antônio Carlos Côrtes

Vejo acima de tudo, a escola de samba como arte moderna, como uma das mais autênticas expressões da contemporaneidade ( Luiz Pilla Vares)

Serpenteando escorço histórico recordamos que em 1922 ocorreu a Semana da Arte Moderna em São Paulo (Mário e Oswald de Andrade e outros) pelo volitivo do espírito libertário da cultura brasileira. Assim, decorridos 90 anos daquele importante evento, reflito que são escassos os estudos sobre o nosso Carnaval e suas ligações no terreno da
sociologia, antropologia e literatura eis que ainda que gongóricos intelectuais contestem é arte pura ou moderna como ensinou Pilla Vares.

Aduzo que há no país do Caburaí* ao Chuí durante o Carnaval a geração do combustível da alegria que embala o povo brasileiro a tudo enfrentar e saber se superar. Sem preconceito aos outros quesitos importantes defendo que nenhuma escola de samba faz bom desfile com ar de campeã, se não apresentar bom samba-enredo.

No Carnaval brasileiro, Mano Décio da Viola, Penteado e Estanislau no ano de 1949 em Exaltação a Tiradentes foram os primeiros pelo Império Serrano-RJ, a celebrar o casamento perfeito da musica do samba com o enredo. Afirmo que neste carnaval de 2012, decorridos 90 anos daquela memorável Semana da Arte Moderna , o samba-enredo da Portela-RJ, “… E o povo na rua cantando. É feito uma reza, um ritual…” (Wanderley Monteiro, Luiz Carlos Máximo, Toninho Nascimento e Naldo) o qual é interpretado pelo excelente Gilsinho, cuja potente voz lembra o grande Rixxa (Pavarotti do samba) é o melhor e provoca novamente o espírito libertário da então camisa-de-força que vestiram nos samba-enredos de hoje.

Há verso lapidar que diz tudo “Eu venho estender o nosso manto/aos meus santos do samba/que são orixás”. O samba ainda registra que o Senhor do Bonfim alumia os caminhos da Portela, que eu guardo no meu patuá, eu vim com a proteção dos meus guias. Logo, a Portela inovou e lembra os velhos bons tempos. Qualquer semelhança com aquela Semana da ArteModerna, não é mero acaso.

(*) É o ponto mais setentrional do Brasil em Roraima, que dista 84,5 quilômetros acima da referência Oficial, o Cabo Orange, o qual fica pelo menos a 4 graus de latitude norte, junto à foz do Rio Oiapoque, no Amapá.

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