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Posts com a tag "Antônio Carlos Côrtes"

A vitória bambista

16 de fevereiro de 2013 0

“Não é o grito da águia que leva a nação azul
e branca a segui-la é o seu vôo”.(anônimo)

Ao analisar preteritamente o enredo dos Bambas da Orgia, afirmei que poderia ser resumido no título:MAJESTOSA, ALTANEIRA, MINHA ÁGUIA MINHA PAIXÃO eis que partiam da afirmação, qualificaram a trajetória e alcançaram o objetivo pela emoção. Este último refere explicitamente o chão da escola que ignorou a chuva, pista escorregadia e fez carnaval como nos velhos tempos.

Lembro que ao final da análise escrevi: “O carnavalesco Guaracy Feijó e o pesquisador Sergio Peixoto, são experientes e sabem superar eventuais dificuldades não inventando e sim sendo simples, mas objetivos ao encontro do que pedem os quesitos. Em 1991 os Bambas apresentaram o enredo “Tributo a águia num cenário azul e branco” obtendo 3º lugar. Comparando os dois enredos concluo não se tratar de reedição.”. Aduzo ainda a equipe da Direção de carnaval e segura coordenação de Alas.

Ora, a Escola no desfile da sexta-feira cumpriu com o seu dever de dar o seu melhor e pontear a liderança do dia, jogando a responsabilidade aos avaliadores. Quem pensou o carnaval do Bambas o fez com inteligência. O presidente Cleomar ao dizer que o objetivo era voltar no sábado das campeãs, jamais descartou a busca do título, até porque nenhuma entidade imagina não vencer eis que protagonistas em competição.Foi o Ronaldinho bebendo água junto ao Rogério Ceni para em seguida sair desmarcado e dar passe para o gol.Afirmando depois que foi mero acaso.

Digo que desfilou com o Regulamento e Manual dos Avaliadores sob o braço, sob inspiração espiritual de Ariovaldo Paz. Se os os avaliadores assim não o fizeram , a leitura atenta da justificativa é que que vai dizer o porque. Não vou cometer o equívoco de criticá-los antecipadamente sem acesso aquelas.PONTO.

Quando o samba entoa o minuano divinal a me levar estava a dizer que da Europa a Águia iria sobrevoar o Sul curando no sentido de proteção aos que estão sob suas asas, dizendo-lhes que o caminho deve ser reto e justo para ser perfeito. A bela harmonia musical com o jovem Ananias puxando e bem, o melodioso samba de forte refrão, tinha na cadenciada e temperada bateria do Biskuim instrumentos leves a frente e graves ao fundo, sem contar o bom gosto no vestir homenageando a Velha Guarda da Portela, guardando o sábio ensinamento que pesadas fantasias retiram a mobilidade dos movimentos dos ritmistas, que além de tocar precisam cantar.

Logo, a roupagem se mostrou correta ao tema e registrando desnecessidade de exageradas coreografias para cumprir a função de Coração da Escola que é a Bateria, tão importante quanto aquele órgão o é para o ser humano. Destaco por fim a valorização dos talentos locais que exemplifico no puxador e diretor de bateria, especialmente, bem como o retorno da Porta-Estandarte Shaiene, que somados exibem a presença do chão da escola referido ao início. Ademais, a trajetória da Águia dos Bambas, lembrou lição do Fernando Pamplona:Vamos tirar da cabeça o que não temos no bolso.

Pergunto : Qual a parte mais expressiva da Águia ?

Análise de Enredo - Bambas da Orgia

06 de fevereiro de 2013 0

MAJESTOSA, ALTANEIRA, MINHA ÁGUIA MINHA PAIXÃO

“Eu me detinha horas e horas a contemplar
o belo céu brasileiro e a admirar
a facilidade com que as
aves, com suas longas asas
abertas, atingiam grande altura. Assim meditando sobre
a exploração do grande oceano celeste, por minha
vez eu criava aeronaves e inventava
máquinas. “Tais devaneios eu os guardava comigo”
(Alberto Santos Dumont)

“A análise do enredo da Sociedade, como diria o antigo e eficiente divulgador Silvio Santos, dos Bambas da Orgia poderia ser resumida no título, eis que partem da afirmação, qualificam a trajetória e alcançam o objetivo pela emoção. Ponto. Mas ao longo dos anos quem acompanha os Bambas poderia recolher o pensamento parafraseado :“Não é o grito da águia que leva a nação azul e branca a segui-la é o seu vôo”.

Águia é a designação concernente a tipo de ave com origem européia. Por ser a que voa a 10.000 metros de altura se diz possuir espírito superior. Anda bem o carnavalesco ao dizer no sopro aos compositores do samba o minuano divinal a me levar. Para o leitor não acostumado a expressão ou de fora do estado minuano é o vento frio e seco, que sopra no Sul acompanhado de queda de temperatura e da umidade relativa no ar.

A nosso olhar o enredo ensina que da Europa a Águia sobrevoa o Sul curando no sentido de proteção aos que estão sob suas asas, dizendo-lhes que o caminho deve ser reto, justo para ser perfeito, elevando-se aos patamares da espiritualidade. Pai Xamã atenderá pedido do Criador. A pena é instrumento da escrita curadora. A Majestosa Águia está na Bandeira dos Bambas, Pavilhão maior na simbologia da Nação Azul e Branca. A grandeza está no relevo do enredo eis que presente também no brasão dos Estados Unidos do Norte, alcançando inclusive moeda poderosa como Dólar norte-americano, que tem sua emissão datada de 1789, por responsabilidade do Banco Federal de Atlanta, como unidade monetária dos Estados Unidos da América em 1793.

Chama a atenção que a nota de Um Dólar surgiu em 1935, quando Franklin D. Roosevelt era Presidente. Olhando-a no detalhe percebem-se símbolos da ordem maior, penso que por aí sobrevoa o espírito da luz dito no samba-enredo. No anverso da cédula: no centro, George Washington, o primeiro presidente do país e franco-maçom. Ornamentando o quadro encontramos ramo de acácia, que significa a imortalidade. Renascerá a altaneira renascerá.

Observamos no verso da cédula, a pirâmide com de tem inserção números romanos datando 1776, ano da independência dos Estados Unidos da América. No alto da mesma como sendo uma coroa o delta grego. À direita a Águia que os Bambas transformaram no enredo. Logo, abaixo frase em latim Novus ordo seclorum (nova ordem dos séculos). Imbuído desta majestosa Águia Padre Antonio Vieira a definiu como a Rainha das Aves. O escudo no peito dos campos da bola, refere os clubes de Portugal dos quais é Mascote Sport Lisboa e Benfica a ponto deste último contratar profissionais que cuidam exclusivamente das Águias Vivas de cor Branca, ensinadas as quais em dia de jogos, sobrevoam o Estádio da Luz antes do espetáculo e aterram sobre o escudo do clube, no centro do gramado sem a Águia, que completa-o em forma viva com sua presença majestosa .

Minha imaginação voa no sentido de ver no desfile algo que pudesse lembrar este momento ímpar no mundo. Mas a Águia acolhe sob suas brancas asas Portela e União da Ilha do Governador, aproveitando para trazer a lembrança no sonho que Era Negro o Céu de Palmares, pois os deuses eram da África(1979), assim como a singular Festa de Batuque(1995) , passando ainda pelo O Barão das Catas Altas Senhor Das Minas Gerais (1998), dentre outros carnavais inesquecíveis.

O ninho da Águia torna-se pequeno para tantas conquistas. Ao cruzar o mar lembrará caravelas ao som da conhecida e cadenciada bateria, sob trilha sonora de bom samba que a Nação cantará firme e forte levando emoção ao coração da enorme família azul e branca. O carnavalesco Guaracy Feijó e o pesquisador Sergio Peixoto, são experientes e sabem superar eventuais dificuldades não inventando e sim sendo simples, mas objetivos ao encontro do que pedem os quesitos.

Em 1991 os Bambas apresentaram o enredo Tributo a águia num cenário azul e branco obtendo 3º lugar. Comparando os dois enredos concluo não se tratar de reedição.”

Análise de Enredos - Acadêmicos de Gravataí

04 de fevereiro de 2013 0

De Aldeia dos Anjos a Gravataí: Um Poema de Amor no Coração da Onça Negra

“Boa temática que cronologicamente descrita, imagino haverá perfeito casamento das tradições regionalistas com o samba. Tempero que se soubessem os sambistas, tradicionalistas e poder público a força que tem , tornaria nossa cultura ponto de atração nacional e internacional como o é Parintins por exemplo.

Quando Acadêmicos de Gravataí refere Aldeia dos Anjos, recordam a origem das crianças indígenas, especialmente meninas que passaram a freqüentar ainda como Aldeia, instituição religiosa. Daí a expressão Anjos, que na realidade seriam querubins alados. A aproximação do aspecto regionalista por meio do CTG ALDEIA DOS ANJOS DE GRAVATAÍ, que neste último 22 de janeiro, completou 57 anos de existência com efetivo destaque em festivais e rodeios é o gancho perfeito de bela história carnavalizada. A salientar ainda suas invernadas de danças: mirim, juvenil, adulta e Chico, além de escolinha para iniciantes.

Chama a atenção o efeito que pode causar no desfile carnavalesco dos Acadêmicos, esta feliz parceria conjugada para contar os 250 anos de amor a Gravataí, pois a invernada adulta conquistou por dez vezes o título de campeã do estado em danças tradicionais gaúchas, títulos no Fegart em Farroupilha, e mais recentemente no Enart realizado na cidade de Santa Cruz do Sul, já que o maior festival do gênero da América Latina.

O CTG citado já representou o município, o estado e o país em vários festivais internacionais promovidos pelo CIOF (Conselho Internacional dos Festivais de Folclore), conquistou inúmeros rodeios nacionais e internacionais. Foi o primeiro CTG a participar do Festival da Ilha Terceira dos Açores,  onde esteve por duas vezes, em 1990 e 1998. Participou também dos festivais da Ilha das Flores, Ilha do Corvo no arquipélago e em Portugal continente nos Festivais de Pé da Serra, Castel de Vide, Estoril, Sintra e na Expo 98.

Na Espanha em Valencia de Alcantra, Barcelona, Badajos, Raen, Cadiz, entre outras cidades. Participaram ainda do Festival de Folclore de Santa Fé, na Argentina, Assunción no Paraguai, Drummondville e Montreal no Canadá, em Nova York e no Festival Weinesville e outras cidades da Carolina do Norte, França e China.

Afinal não é por nada que em 1° de junho de 2006 foi tombado como patrimônio histórico cultural do Estado do Rio Grande do Sul, conforme lei n° 12.518, possibilitando também importante reforço na identidade cultural que a população de Gravataí e de todo o Estado mantém com este CTG que é exemplo de pesquisa e divulgação das tradições gaúchas por meio das suas atividades artísticas e culturais. Esta descrição é obrigatória, pois importante na análise da compreensão do tema-enredo.

Se toda esta trajetória conseguir ser carreada para carnavalização adequada pode se constituir em desfile que marcará época , eis que o jeito de olhar pode chegar ao brilho e esplendor.

Até porque igualmente será contado o desenvolvimento econômico para do município até a primeira metade do século XX. Alemães também presentes. Na mala de garupa, para ficar na forma de análise do enredo, os germânicos traziam em sua bagagem habilidades como ferreiros, carpinteiros, marceneiros, hoje tão necessários em nossas oficinas de arte, que a nosso ver pejorativamente são rotuladas de barracões, como se fosse cultura menor. Razão de nossa indignação.

Voltando ao Tema-enredo naquele período a história registra que Gravataí era ponto de passagem de mercadores em direção a diversos pontos do interior do estado e por isso a tradição do transporte de carretas é reverenciada até hoje. De grande valia para a população, durante muito tempo a Fonte do Forno a única fonte de abastecimento de água da cidade. A vertente provia água não só aos habitantes de Gravataí, como também os moradores de vilarejos vizinhos. Segundo a crença, quem bebesse daquela nascente jamais se afastaria da vila, ou se isso ocorresse logo voltaria. A Aldeia dos Anjos se orgulha dos seus ideais de liberdade e porque viu a libertação dos escravos dez anos antes da Abolição da Escravatura. E por isso tem existência de dois territórios renascentes negros na cidade o Quilombo Manuel Barbosa e do Paredão, que guardam descendentes dos irmãos negros até hoje.

Ainda permanecem na cidade os grandes casarões com as senzalas onde se diz o escutar e arrastar das correntes nos porões como lamento, assombrando os que vivem por perto. Por ser caminho a Osório, as tropas Farroupilha saídas de Viamão, utilizava as frondosas figueiras da terra para o descanso dos bravos guerreiros. Vai chegando a anoitecer, e a lua trás a inspiração e assim vem o lanterneiro acender os lampiões pela cidade.

Novo marco na História municipal viria nas décadas de 60 e 70, com a instalação das primeiras indústrias e a criação do Distrito Industrial e construção da FREE-WAY, com acesso à Gravataí. Entre a década de 70 e 80,o crescimento habitacional é algo significativo com o surgimentos das Cohab A, B e C, do Bairro Bonsucesso e Morada do Vale o que muda a paisagem urbana.Mesmo com evolução a religiosidade aflora neste povo que ainda hoje tem a prática aos seus santos padroeiros. Nossa Senhora dos Anjos, padroeira da terra.

Todo ano, o levantamento do mastro é o que marca o início da Festa do Divino Espírito Santo, que derrama em Gravataí os seus sete dons da santíssima trindade trazendo muita felicidade. A cultura segue por toda acidade, Gravataí é o próprio palco de arte, tem poetas, atores, cantores, escultores e pintores. Confesso que estou curioso para assistir seu desfile sob a voz maviosa do excelente puxador Lu Astral.”

Análise de Enredos - Imperatriz Dona Leopoldina

02 de fevereiro de 2013 0

OPARÁ- O Velho Chico! Crenças, Mitos e Lendas

“O Rio São Francisco é orgulho nacional e merece ser eternamente cantado em prosa e verso com o fez a Estação Primeira de Mangueira em 1987, com No Reino das Palavras- Carlos Drummond de Andrade,cujo samba em certo trecho assim soava, referindo o velho Chico:

Olha as carrancas
Do rio são francisco
Rema rema remador
Primavera vem chegando
Inspirando o amor
O rio toma conta do sambista
Como o artista imaginou

Na ilusão dos meus sonhos, achei
O elefante que eu imaginei

Por isto faz bem a laranja ao dizer que em face do orgulho ergue sua bandeira. Filio-me a corrente que diz não existir temas esgotados e sim diversas formas de olhar. Até porque não basta ver, tem que enxergar como a Imperatriz pretende mostrar neste carnaval este rico tema que trata do Rio que é Santo. A lenda ensinou que Iati ao chorar fez verter de suas lágrimas o nascimento de OPARÁ e, no leito deste rio de lágrimas brotam mitos, tradições, costumes e riquezas sob a trilha sonora do bonito samba da Imperatriz. Como anteriormente já manifestei costumo explorar o samba para análise do enredo, não só porque ele é a síntese do enredo, mas especialmente, por ser a primeira presença viva do desfile projetado. Espécie de visão antecipada. Mas voltando a leitura do enredo encontramos a lua como testemunha do amor da índia, mãe do rio mar. Água doce diz com Mãe Oxum. Salgada com Yemanja. Ambas gostam de flores e perfumes. Foi Américo Vespúcio que escolheu o nome do Rio São Francisco, com intuito de abençoar as muitas formas de vidas ao longo de seu percurso, pois o Santo batizaria por suas águas. Colonização observada pela miscigenação, compreendida no sangue negro, índio e português . O Lampião é fruto das etnias citadas, mas também esteve em busca de riqueza e ambição. A Imperatriz geralmente com desfile compacto possui surpresas desde o Carro Abre-Alas, Comissão de Frente e Alegorias bem acabadas pode fazer o desfile do Grande Rio São Francisco em águas alaranjadas em ritmo de festa sobre barcos, que não temem assombrações e lendas do velho Rio-Mar.O tema exige boa plástica visual, por meio de fantasias e alegorias. Ala de Convidados e Velha Guarda podem sublinhar e abençoar a poesia do enredo com criativas vestimentas bem integradas ao tema.”

Análise de Enredo - Unidos de Vila Isabel

31 de janeiro de 2013 0

O SENTIMENTO NÃO TERMINA

“A simpática escola de Viamão-RS contará a história dos estádios que foram sedes acolhedoras do glorioso Grêmio Futebol Porto-alegrense desde a Baixada, passando pelo Olímpico Monumental e chegada à Arena. Nesta ordem, ou não como diria Caetano, eis que não me surpreenderia em caso de inversão da ordem, pois mais uma página virou.

O tema-enredo pede alegorias que reproduzam aqueles três estádios e respectivos campos e futebol. Gostando-se ou não de temáticas concernentes ao futebol o fato é que a Vila por apresentar os melhores ensaios pela presença de excelente público é indicio que os 1.600 desfilantes contidos nas alas podem provar o contrário e fazer bom carnaval.

Estão previstas alegorias com 18m de comprimento, pelo projeto se referem aos três momentos das sedes. A vida do Grêmio é rica, bonita e o SENTIMENTO NÃO TERMINA, razão da imortalidade, como, por exemplo ainda que não conste materialmente do enredo personalidades como Saturnino Vanzelotti considerado por muitos como maior presidente da história do clube. Não por ter construído o Olímpico, ora Carro Alegórico, mas por ter lutado para erradicar o ranço de preconceitos raciais vigentes a época.

Quando morreu o concorrido sepultamento revestiu-se de emoção, pois jogadores negros pediram aos familiares do pranteado, para só eles conduzirem o esquife. Foram atendidos e o silêncio sublinhou o simbólico comovente. Ainda hoje para alguns dos presentes, aquele momento foi significativamente maior que a conquista do título de Campeão Mundial de Clubes em Tóquio em 1983.

Fatos como o relembrado fazem a grandeza de Homens como Vanzelotti que tiveram a visão de dizer não ao ódio racial, rancor, raiva e todos os tipos de preconceito cujos vícios não têm lugar em Estado de duas grandes torcidas, onde a pujança está ligada na proporção ao outro. O templo Olímpico, cujo nome diz bem com a origem relativa ao Monte que na Grécia antiga era habitação das divindades. Majestoso. Nobres como Milton o Formiguinha, que jogou na Baixada, Olímpico e testemunhou a inauguração da Arena que nasceu no coração da família tricolor sob manto das cores azul, preta e branca e abarca o Estádio Olímpico Monumental e a antiga Baixada.O tema-enredo não comporta narrar toda a história do Grêmio nem é esta a proposta, mas não nos impede de viajar no tempo.

O diretor de arte da Vila Isabel Marcelo Augusto afirma que faz carros para engolir a avenida, pelo que espero alegorias gigantes. Não ficarei surpreso que o carnavalesco Sandro Rauly, projete seu desfile em Manto Azul Preto e Branco, que enlaça a imortalidade, lupiciniando a pé na força e garra da Avalanche. Tudo sob a trilha sonora de bom samba-enredo, sustentado pelo excelente Alexandre Belos e a bateria-orquestra do ousado Mestre Chiquinho.

O chão da escola, seus ensaios lotados, bela performance no pré-carnaval da Av.Borges de Medeiros, onde ouvi na voz de uma criança Minha Vila na Avenida, me entusiasmam a largar o microfone e desfilar com a Unidos da Vila Isabel,(ainda que colorado) como o fiz aos tempos da Rádio Farroupilha quando a Copacabana (do outro Chiquinho)homenageou o Roxo. A Vila pode sim dar o primeiro título de 2013 ao Grêmio”

Análise de Enredos - Embaixadores do Ritmo

23 de janeiro de 2013 0

NÃO ME PERGUNTE ONDE FICA O ALEGRETE

“BOMBO LEGUERO é tambor, membranofone, com forte presença na antiga Argentina. A denominação, leguero, decorre que pode ser ouvido à léguas , daí a expressão leguero. Confecção artesanal que precisa de tronco de árvore oco (mais usada é a corticeira), vestido com peles trabalhadas de animais, geralmente bode, bois ou ovelhas. Tem inspiração nos antigos tambores militares então em voga na europa, abraça-o anéis em couro que servem para a afinação e ao mesmo tempo a fixação da pele .

Integram ritmos folclóricos argentinos (zamba e chacarera,). Dentre músicos que mais utilizaram o intrumento esta La Negra Mercedes Sosa. A qual assisti no Gigantinho show, em pleno anos de chumbo em que direita da época jogou no palco gás lacrimal. Ela e seus músicos, dentre os quais o que tocava o Bumbo Leguero, se retiram do palco. Pensei que não retornariam. Mas docorridos alguns minutos voltaram e antes de mais nada Mercedez mandou acender as luzes, pois queria ver los lobos na cara !

O grande pampa compreende a cultura da Argentina e Uruguai, onde bombo leguero é usado, especialmente na música nativista.


É creditada a percussão como a primeira experiência musical do homem, isto é, pré-história nesta temática dos Embaixadores.

O tempero que os Embaixadores buscam é o entrelaçamento da música e costumes nativistas com o samba. A coluna vertebral fica no Alegrete do Mário Quintana , sob inspiração do Canto Alegretense dos Fagundes, verdadeiro segundo Hino RioGrandense. O campo, a coxilha , o cavalo a gineteada, penso que estarão presentes na avenida , bem como as peleias tão a gosto dos históricos gaúchos. Tudo transformado em riquezas que guarnecem os lares sulriograndenses. Imagino, Ala de Baianas, estilizadas em prendas. Guris. Gurias e diversas Alas com motivos gauchescos.

Penso que desde que o carnaval virou produto do espetáculo, tudo pode ser tematizado e enredado. Em face dos elevados custos do carnaval, não podemos ser reacionários a dinâmica da mutação. Que venha o novo, principalmente criativo.

É o caso deste enredo, mas lembro Imperadores com tema gauchescos que não deu certo, bem como a Vila Isabel e Caprichosos de Pilares ambas do RJ.

Embaixadores tem demonstrado ao longo de sua história gostar de desafios, pelo que vamos torcer para que faça excelente carnaval e busque como em vezes anteriores, retornar no sábados das campeãs.”

Análise de Enredos - Praiana

20 de janeiro de 2013 0

A verde e rosa está de volta no Especial cantando um tema social. O comentarista da Gaúcha, Antônio Carlos Côrtes analisa a proposta:

“OS ESCUDEIROS DA LUZ E A BUSCA PELAS ALEGRIAS DA VIDA”

“Ah, no palco da ilusão
pintei meu coração
entreguei amor e sonho
sem saber que o palhaço
pinta o rosto pra viver”

(Antonio Marcos)

Ouvi certa oportunidade do festejado carnavalesco Paulo Barros, que fora campeão na Unidos da Tijuca em 2010 por meio de idéia do menino de 15 anos em Rede Social. Ele, Paulo apenas desenvolveu e carnavalizou em forma de enredo. Já afirmei neste espaço os critérios que balizam nosso posicionamento na análise. Respeitamos a criação artística, capacidade do temista-enredista em facilitar a compreensão por meio da sinopse e organograma, criatividade, ineditismo, possibilidades do aproveitamento na argumentação e por última perspectiva de adequação.

Carnaval é festa, alegria e o enredo proposto pela Praiana abordando as drogas e as superações do vício de plano desprezam o luxo marcado pela trajetória da nossa verde e rosa e podem dramatizar o tema dos entorpecentes. Mas a Beija-Flor no RJ já ganhou carnavais fazendo teatro na Avenida, pode ser o caso da Praiana.Espero criatividade como o Abre-alas iluminado projetando as vitórias do passado glorioso.


A proposta transição do bem vencendo mal é de difícil desenvolvimento, considerando pelo olhar do dialogo bíblico que o mal não existe e sim a ausência do bem.

O carrossel girando repleto de crianças inocentes pode se constituir no melhor momento. Pois as mesmas são alegria, descontração e autenticidade. A beleza do sorriso, da gargalhada solta no ar, brincando com soldado de chumbo é impagável.

Com a permissão do leitor abro parêntese em face do enredo da Praiana falar do Palhaço. Os enredos carnavalescos cumprem seu papel de contribuir com a cultura ao povo, quando trazem a colação personagens da história ou gente que merece ser lembrada em face de sua trajetória, mas pouco conhecida do grande público. Foi o caso da Escola de Samba Unidos do Peruche- de São Paulo que em 1986 apresentou o enredo O Palhaço Negro, bem como São Clemente do Rio de Janeiro que em 2009 no Acesso A com O beijo moleque do São Clemente que levou para a Passarela Darcy Ribeiro, na Marques de Sapucaí a história do primeiro palhaço negro do Brasil. Benjamin de Oliveira foi palhaço lá no início século XX, sendo também compositor, cantor, músico, escritor e ator. Fechado parêntese.

Espero que a plástica do desfile por meio de fantasias, alegorias e adereços, possa bem ilustrar que a dependência as drogas realmente atormentam e causam assombrações.

O enredo refere o caminho da dor. Pois só existem duas formas de aprendizado, pela dor ou pelo amor. As drogas só conhecem o primeiro caminho que é geralmente sem volta.

Imaginemos que as estrelas no céu são pedacinhos do grande espelho que estava na terra composto por nós e se quebrou em face dos vícios. Após o dia do nosso desencarne, todos vamos nos ver no espelho em que nossas virtudes e vícios aparecerão. O quarto carro alegórico da Praiana é previsto no sentido do Grande Espelho aonde o público vai não só se ver, como se enxergar.

Ao ascender a Categoria Especial, das grandes do nosso Carnaval, a Academia de Samba Praiana é a própria superação que o enredo propõe. Que permaneça, pois ali é sua morada como diz o samba.

Análise de Enredos: Restinga

08 de janeiro de 2013 2

O comentarista da Gaúcha, Antônio Carlos Côrtes, comenta hoje sobre o enredo do Estado Maior da Restinga, que tenta o tricampeonato no Carnaval 2013. Confira:

“No carnaval 2011, a Escola de Samba Vai-Vai, de São Paulo, prestou homenagem à vida do pianista e maestro João Carlos Martins. O enredo da Vai-Vai conduziu o clássico ao encontro do povo. À época, com 71 anos, João Carlos Martins já se constituía em grande promotor da obra musical de Johann Sebastian Bach. João Carlos deixou de tocar piano por problemas nos nervos das mãos, perdendo, por isso, parte dos movimentos, mas não se deixou vencer e passou a dedicar-se à regência e a projetos sociais.

Quem sabe em busca de trilogia, no carnaval 2013, a Estado Maior da Restinga apresenta enredo que expressa a própria trajetória no carnaval de Porto Alegre, por ter uma história de superações. Comunidade pobre, mas rica no potencial de seu povo, entoa em com voz alta “adversidades não vão nos deter”. Como guerreiros afirmam que jamais desistirão do sonho de sempre querer vencer.
“Acorde dissonante”, na letra do enredo, não tem como fugir do que ensina a música, eis que consiste em acréscimo de notas básicas para sutilmente alterar a tonalidade, embelezando a melodia.
Ao trazer à baila que “o piano com saudades da sua mão/linda melodia que compõe um lutador/e a batuta do maestro rege a superação”, está traduzindo em versos o pianista e maestro referido no início desta partitura, ou melhor, do início do texto.
Ainda que a palavra saudade, originária do latim, solitas, solitatis não comporte plural, isso não prejudica o bom conjunto da obra. O enredo tem tudo para emocionar e tremer a Passarela Carlos Roxo Barcellos. E, isso me basta. A forma definitiva do tema enredo ganha luzes ao final: “Tinga teu povo te ama, te aclama/ Essa é a tua história, tens a chama da vitória/a força de uma escola, que nunca irá se curvar/Que não se rende e vai lutar.” Anda bem a Estado Maior ao carnavalizar rico tema.”

Comissão de Frente Quesito

28 de março de 2012 0

Antônio Carlos Côrtes

Em nosso carnaval a fantasia é o espelho da alma alegre do povo que canta e brinca  mundo de sonho.
Sua origem tem inspiração nos ranchos e grandes sociedades. Logo, nada diz ao samba propriamente dito. A tradição ao longo dos anos tem respeitado e mantido sua manutenção.

Em 1932 a Escola de Samba carioca Vizinha Faladeira desfilou Comissão de Frente montada a cavalo. Desnecessário dizer que foi desclassificada. No ano de 1960 os integrantes vinham de terno (paletó, colete e calça), sem nenhuma conotação ao enredo.  Em 1965, o Salgueiro de Arlindo Rodrigues e Fernando Pamplona exibiu Comissão de Frente com 20 homens vestidos de burrinhas no enredo História do Carnaval Carioca.

A partir daquele momento os gestores do carnaval carioca decidiram que sua presença tinha que ter respeitabilidade. O tempo tatuador da alma carnavalesca tratou de torná-las dentro do enredo proposto, portanto fantasiadas pelo que passaram a ser avaliadas com subquesitos de adequação, elegância, sincronismo de coreografia e conexão ao todo da escola.

O importante também é a criatividade apresentada pelo conjunto que a integram. Assim, como defendo alteração de regulamento que desobrigue apresentação de Porta-Bandeira e Mestre-Sala aos avaliadores e sim estes observarem como se apresentam ao público, o mesmo raciocínio aplico as Comissões de Frente. O principal argumento que alinho e no sentido de que o Regulamento não pode gessar os elementos desfilantes. Entretanto penso ser desnecessária a presença ao lado ou à frente, do coreografo (a) responsável por ela.

Hoje no Rio de Janeiro a Comissão de Frente da Tijuca, faz apresentações solos por todo o país e exterior.  Ganhando em dólar e euro. Isto é profissionalização. Por todo o exposto reconsiderando posicionamento anterior, hoje sou favorável que passe a ser quesito em benefício da beleza do espetáculo.

O casal de mestre-sala e porta-bandeira - Antônio Carlos Côrtes

16 de março de 2012 0

O casal de mestre-sala e porta-bandeira

“Não corra atrás das borboletas plante flores para atraí-las “(Mário Quintana)

Bandeira: As irmandades religiosas têm seus estandartes assim como os santos padroeiros. No primeiro dia da festa votiva há a cerimônia do levantamento da bandeira içá-la à extremidade de mastro enfeitado, entre música e salvas de foguetões. Depois da festa ocorre o arreamento da bandeira. Com solenidade idêntica, nas festas populares de São Gonçalo, em Recife, a bandeira do santo saía pelas ruas, acompanhada de séqüito, que dançava animadamente. Na folia do Divino, o alferes conduz a bandeira do Divino. Acompanhando o petitório das esmolas para a festa. Ter a bandeira era a oficialização da associação profissional. Dizia-se então ofício embandeirado, reconhecido pelo rei. Não há como confundir bandeira com estandarte.

A bandeira é fixada no mastro pela extremidade; o estandarte pelo centro e, na maioria das vezes, por meio de um cordel. O povo é que não distingue bandeira de estandarte, provindos da bandaria, banda, bando, grupo sob o mesmo símbolo, e estender e ostentar, expor, o brasão do reino ou o senhor feudal. A tradição imemorial da bandeira mantém-se nos grupamentos contemporâneos de profissionais a carnavalescos.

São Pedro, o detentor da chave do céu, tem a ver com bandeira, na aculturação afro-brasileira correspondente aos orixás que tem assento exterior, Leba, legbá. Bandeira furtada. Era uma tradição popular em certas localidades de o norte brasileiro furtar bandeiras hasteadas à porta de casas residenciais, e comunicar depois a futura devolução. Havia cortejo solene. Discurso de entrega e de recebimento. A bandeira era festejada, bailes, músicas e danças. O hábito de ter a bandeira à porta era privativo da época de Sto Antonio, 13 de junho a São Pedro, 29. Esta sempre era a data escolhida para a devolução. A entrega era feita por moças caprichosamente vestidas, (inspiraram nossas atuais Porta-bandeiras )cantando hino acompanhadas de banda. A frente uma comissão. Depois os músicos e no fim os populares.

Porta-bandeira: Em nosso carnaval surgiu primeiro a Porta Bandeira, a qual como está claro, conduz o Pavilhão da Escola. Antigamente tinha o hábito de fazer desaparecer a Bandeira da Escola concorrente durante os desfiles, razão porque se criou por segundo a figura do Protetor da Porta Bandeira. Nascia então o Mestre-Sala. Buscam ao dançar, boa nota no quesito ao par. Aliás, no carnaval de Porto Alegre, tenho a ver com divórcio, não do Par, mas da Comissão de Frente, eis que durante certo tempo, existia o Quesito: Comissão de Frente-Mestre Sala e Porta Bandeira.

Como repórter e metido a estudioso, recebi a Queixa dos Pares, no sentido de que muitas vezes realizavam trabalho perfeito, mas o deslize involuntário de integrante da Comissão de frente, impedia aquele reconhecimento e a sua aspirada a Nota 10 que ia para o espaço injustamente. Pensei que fazia sentido à reivindicação e levei o assunto para o Conselho de Presidentes da época (chamo o testemunho do Claudio Vieira, Mutti, seu Hélio Dias), argumentei por mais de hora, mas consegui convencê-los do divórcio.

Surgiu assim entre nós B& MS como Quesito isolado. Definição da função da Porta Bandeira: É aquela que tem a subida honra de conduzir o pavilhão da Escola, o símbolo maior, com elegância e possuir ainda nobreza nos gestos, aliada a graça e a beleza do conjunto da obra.

Mestre-sala: Definição da função de Mestre-Sala –  É o protetor da Porta-Bandeira e de quem a conduz. Ele também precisa ser elegante e saber comunicar aos assistentes em geral no sentido que aprecie representar a Bandeira o símbolo maior da Escola.

A expressão Mestre-Sala vem da Monarquia. Era o servidor da Casa Real que dirigia o cerimonial nos atos solenes. Vejam que há hierarquia. Primeiro o Pavilhão (Bandeira), Segundo a Porta-Bandeira e Terceiro o Mestre-Sala. O casal precisa trajar fantasias que guardem certo sincronismo visual entre si e que exiba cuidado na confecção, sem esquecer o bom gosto e acabamento perfeito. Ambas as fantasias não precisam ser luxuosas, mas bem acabadas. Até porque o ponto alto e a dança.
Existem alguns termos que o tempo desfigurou como dizer que a Porta Bandeira é a Flor e o Mestre Sala o Beija Flor. É bonito como verso romântico. Mas não traduz a realidade eis que se a condutora é frágil como a flor, não pode conduzir o Pavilhão símbolo maior e se o MS é Beija Flor que flutua no ar, não possui a base para bem proteger quem porta a Bandeira.

Concluo dizendo que no Quesito P&MS, há em seu bojo outro QUESITO IMATERIAL por vezes não detectado pelo avaliador, público e imprensa. Refiro ao brilho próximo ao esplendor que salta aos olhos e faz vibrar forte o Timo na dança do Par, que a este modesto e humilde marquês é o que há de mais bonito no desfile de carnaval. Defendo por fim que regulamento que manda se apresentarem para os
avaliadores estão equivocados, pois estes não estão acima do povo. Logo, os avaliadores deveriam analisar como o casal se apresenta para o público.

(*) Fonte-Dicionário do Folclore Brasileiro- Câmara Cascudo e observação pessoal