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Ao som do samba - Antônio Carlos Côrtes

03 de março de 2012 1

IMPERATRIZ: “75 anos de Cara Pintada de Brasil- UNE somos nós, nosso samba, nossa voz”. O carnavalesco Chico Passos soube tirar proveito de sua bela harmonia decorrente de samba melodioso e comunicativo, bem como carnavalizar o difícil enredo cujas fantasias precisavam encadernar a alma do enredo e isto foi alcançado. Mais uma vez o desfile compacto permitiu evolução tranqüila. Confesso que pensei fosse influenciar no desfile os trágicos acontecimentos extra-carnaval, que mais uma vez atingiu a família da Laranja Mecânica. Mas até em homenagem aos atingidos a Imperatriz fez desfile que beirou a perfeição. A Liberdade, o direito mais importante depois da vida, estava contado nas alegorias. Guerreiros. Foi um pedaço da história do Brasil em forma de teatro na avenida, contando a trajetória do povo brasileiro com ênfase na realidade sob olhar da UNE.

VILA ISABEL: “Ibia Mon- Minha história, minha raiz”. Acendendo o Farol a Vila Isabel passou como filha fiel de Viamão, a Velha Capital, que antecedeu Porto Alegre como sede do governo do Estado. Cantou a terra abençoada que teve no seu início índios, Ibia Mon quer dizer terras de ibias-pássaros, mas chegou à miscigenação somando-se ao branco e ao negro. O enredo foi inicialmente desenvolvido pelo Sandro Rauly e depois pelo artista plástico e carnavalesco Jonessy, este último já identificado com a escola em outros carnavais. Até o Padre verdadeiro compareceu ao desfiles devidamente licenciado pelo Bispo, para abençoar a festa que ao contrário do que muitos afirmam não é profana, pois respeita o sagrado. Se a meta da Vila Isabel era permanecer entre as grandes do nosso carnaval isto foi alcançado, mas já demonstrou em anos anteriores que pode aspirar mais.

UNIÃO DA VILA DO IAPI: Água, berço da existência. Foi a grande sensação dos desfiles da Sexta-Feira, dia 17.02.2012. Bem escolhido e desenvolvido pelo carnavalesco Sergio Guerra e Comissão, o enredo mergulhou no fantástico mundo da natureza, eis que o elemento água é dos Quatro elementos essenciais da natureza os outros três são terra, fogo e ar. A bem ajustada bateria sob o comando do Diretor Boneco foi acompanhamento adequado para o fantástico casal de Porta Bandeira- Suelene e Mestre Sala Tiriri, que cumpriram com perfeição o que o quesito pede, inclusive Suelene como manda a regra não se curvou a ninguém, ainda que autoridade, porque em carnaval o patamar maior é a BANDEIRA que ela conduz. Penso que o enredo não foi bem entendido por avaliador que conferiu nota 8.5, até porque a temática água é bem que vem da natureza e logo é Santa por isto devemos beber, orar, rezar e amar eis que presente Divino do Pai Maior. A Vila, a nosso ver, soube sim carnavalizar o enredo. Água é vida. Correto e bem estruturado enredo.

BAMBAS DA ORGIA: “Dos cerros do solo gaúcho nasce a Rainha da Fronteira-Bagé, um salto para o futuro.” O carnavalesco Diguilin apostou e bem na vistosa e bem ensaiada Comissão de Frente. O Carro Abre-alas também veio bem. Foi pensando em tudo isso que desafiei os arautos do caos que Bambas da Orgia não seria rebaixada de véspera, eis que sempre acreditei em sua superação. Nenhuma entidade chega aos quase 72 anos de existência se não tiver história cultural. A harmonia foi bem. O Sandrinho Gesse e equipe souberam segurar o mesmo entusiasmo da concentração à dispersão. A bateria do Mestre Estevão, fez o show que o público esperava, especialmente, a nação azul e branca vibrou com a coreografia bem ensaiada. É verdade que o desfile das Escolas de samba é competição, mas não se pode descurar que o principal objetivo e dar espetáculo para o público e isto os Bambas realizaram, mesmo que os recursos tenham aportado em última hora. Bagé. Índio Forte Ypagé/ Charrua. A Cidade Rainha da Fronteira foi fotografada no enredo. O personagem literário criado por Luiz Fernando Veríssimo ANALISTA DE BAGÉ foi bem caracterizado. O vôo altaneiro da Águia sublinhou a homenagem.

ACADÊMICOS DE GRAVATAÍ: “A onça negra samba e canta Passo Fundo.” A Comissão de Carnaval desenvolveu o enredo a epígrafe. Passo Fundo é das maiores se não for à maior cidade do interior do Estado. Conhecida por “Capital do Planalto Médio”, ‘Capital Nacional da
Literatura”, “ Capital do Norte”. Um dos pontos altos da onça negra foi seu puxador Lu Astral. Seguro. Afinado. Vibrante. Dicção perfeita
e excelente entrosamento com a harmonia da escola, especialmente a Bateria do Diretor Márcio. Muitos colegas de imprensa em face da
empolgação do desfile chegaram apontar em determinadas passagens que era candidata ao título. Não cheguei a tanto, porque carnavalizar tema que envolve homenagem sempre é difícil, especialmente quando se trata de cidade. A manutenção entre as grandes do nosso carnaval, não deixa de ser um prêmio ao esforço da presidente Rita e equipe.

EMBAIXADORES: “O que os olhos não vêem o coração não sente.” O enredo era inteligente e vinha embalado por bom samba. Esperava ver um desfile leve, solto, descontraído ao ressaltar novamente o santo guerreiro São Jorge. Mas o risco assumido apesar de se reconhecer coragem do carnavalesco, teve resposta em notas obtidas no quesito enredo: 7.5- 8.5 e 8.5,  isto é, o enredo não alcançou o resultado esperado pelo carnavalesco . A harmonia não correspondeu apesar de Paulinho da Mocidade. A permanência na Categoria Especial foi alívio. O melhor refrão deste carnaval está no seu samba-enredo “cenário em cor, a natureza a sorrir, toda a beleza da flor.” Belo samba. Repetição de fantasias de outros carnavais não causaram boa impressão visual ao espectador ainda que pudesse significar passagens do enredo.

PROTEGIDOS: “Das trevas à luz-Seguimos protegidos rumo ao paraíso.” A simpática Escola de Samba de Novo Hamburgo não conseguiu vencer a treva do rebaixamento. Este tema é perigoso. Vejam no RJ Tijuca veio falando de Luiz Gonzaga, Rei do Baião. Rei do Sertão, muito som alegre decorrentes deste ídolo brasileiro que tinha luz no próprio nome. Já o grande Salgueirão também do RJ veio falando de outro nome famoso do Norte-Nordeste brasileiro Lampião Rei do Cangaço. Salgueiro falou de amor ao inicio, mas admite que o enredo descrevesse o Justiceiro (Justiça (?) pelas próprias mãos). Portanto enaltecia o mal, o perseguido pela lei . O resultado todos sabem.Resumindo: Tijuca falou do bem e se deu bem. Salgueiro falou do mal e se deu mal. Anteriormente já referi que pela física quântica sabemos que as forças da energia influenciam a vida da humanidade. São muitos os equívocos do homem e por isso experimenta a dor. As trevas tomam conta. Fim. Apocalipse. Perdimento. É preciso muito amor, como ensinam os poetas para ser feliz. Das Trevas, a luz resplandece e as trevas não prevalecerão contra ela. O dualismo luz e escuridão, em busca de conhecimento e sabedoria. Chamando a atenção que a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória. A natureza esta a chorar seres divinais pede proteção. A maior nota obtida pelos Protegidos foi 9.9 em samba-enredo e a menor foi 7 no enredo por um dos avaliadores e, isto reflete o drama experimentado pela escola que precisa reunir todas as forças para voltar ao convívio das grandes, pois sua comunidade já mostrou que merece.

Ao som do samba - Antônio Carlos Côrtes

28 de fevereiro de 2012 0

Aristóteles quando perguntado o que era cultura: o Mestre depois de muito pensar sentenciou: “Tudo que não é natural, é cultural”. Definitivamente o tempo provou que nosso carnaval sempre foi além do natural. Para os alemães kultur (cultura) já designava os aspectos espirituais de uma comunidade. Somos todos comuns-na-idade. Com estes pensamentos inicio análise do desempenho das Escolas de Samba da Categoria Especial na visão de radialista que procurou ver o carnaval, eis que a obrigação de enxergar é dos avaliadores-julgadores.

ESTADO MAIOR DA RESTINGA
A Bi-campeã do carnaval confirmou o favoritismo esperado. O enredo “Da mitologia à realidade, a Tinga de taça na mão – Vinhos do Brasil, sinônimo de qualidade, saúde, prazer e prosperidade”. O desfile foi bem ornamentado em forma alegórica na louvação aos divinos, ricos e bonitos cachos de uvas, saudando Deus Baco, Rei do Vinho. A Serra Sul-rio-grandense, imigrantes, trem da Maria Fumaça, alegria consumida sem moderação. Até porque segundo o saudoso escritor carioca João do Rio:  “O carnaval é uma embriaguês de alegria”. O carnavalesco Paulo Jorge Medeiros soube temperar desfile técnico, sem deixar cair na mesmice do engessamento das alas, as quais cantaram como nunca o belo samba que tem no puxador Wander Pires co-autoria. Quatorze notas 10 conquistadas, falam por si e indicam o porquê TAÇA NA MÃO, que segundo o poeta do samba Jorge Aragão, “ o vinho acabou, mas a taça continua inteira”, pelo que poderá continuar a ser erguida para alegria do povão restinguense e amantes do bom carnaval espetáculo. A continuar o bom planejamento vai empilhar títulos.

IMPERADORES
Paulo Paim – Um leão na luta, que só faz o bem sem olhar a quem. O bom enredo sob a batuta do carnavalesco Silvio Oliveira fez o mar da
vermelha e branca envolver em seu manto Paulo Renato Paim. A luta do Leão sindical, ladeado por os dois leões dos Imperadores. O líder
metalúrgico. A luta pela igualdade. Enredo extremamente difícil de ser desenvolvido, mas o produto que tinham nas mãos era bom, fazendo o bem sem olhar a quem. O recorde das dezenove notas 10 obtidas, explica o porquê a diferença de um décimo ensina que pouco ou quase nada precisa ser revisada na entidade da Avenida Padre Cacique no próximo ano ainda que enfrente eleições internas. Avanço e imagino que em havendo o quesito conjunto o resultado final do carnaval contribuiria para melhor colocação dos Leões que sambaram com gosto ao som da suave doma proferida por bela e eficiente Harmonia Nota 10 sinfonicamente. Lembrou sim a Imperadores dos velhos bons tempos. Não é verdade a expressão que em time de ganha não se mexe. Deve se mexer sim para melhorar ainda, pois nada é tão bom que não mereça ser aprimorado e a direção da escola sabe disso.
IMPÉRIO DA ZONA NORTE
Com carnavalesco Renato Lage assinando no canto da tela o enredo “O IMPÉRIO CONTRA-ATACA” desenvolvido pelo Alexandre França obteve notas 10 em Evolução e Samba-Enredo. O ponto nuclear do desfile foi à nota 8.5 no quesito enredo a nosso ver equivocado, pois nos demais quesitos a variação foi de 9.7 à 9.9. Sigam-me: Em alegorias obteve duas notas 10 e um 9.9. Em fantasia duas notas 10 e uma 9.7. Logo, o enredo por sua natureza ganha leitura plástico-visual nos antes referidos quesitos. Se isto não bastasse recebeu duas notas 10 quesito enredo. Logo, respeitando opiniões contrárias, ainda que não tenha me causado boa impressão às fixações de exemplares de CD’s em carro alegórico eis destoavam do todo mais luxuoso, penso que sofreu excesso de rigorismo na pontuação obtida. É claro que respeito à livre convicção do avaliador-julgador, mas o critério adotado pelo que observo à distância, deitando olhar em observação atenta, justifica a crítica.

Ao som do samba - Antônio Carlos Côrtes

24 de fevereiro de 2012 0

QUANDO O RÁDIO SUPERA A TELEVISÃO

“Ficam vocês encarregados de fazer esse País dar certo! Façam, mas sem copiar ninguém. Usem as potencialidades do nosso povo, que são imensas! Somos uma civilização tropical, mestiça, mas sobretudo humana” (Darcy Ribeiro)

Em recente jogo da Seleção Brasileira de Futebol no Norte do Brasil, ao que lembro no Pará, durante a execução do nosso Hino Nacional por ajustes ao horário de televisão a Banda tocou de forma compacta o símbolo maior da pátria depois da Bandeira. Isto é lá pelas tantas
parou de súbito a execução na metade da música. Foi o bastante para aquele público de mais de 40 mil pessoas continuasse a cantar a pleno pulmões à capela na íntegra nosso bonito e melodioso hino.

Confesso que fico arrepiado até no momento em que escrevo este texto e imagino que o mesmo aconteça a você que me lê. Não preciso dizer que chorei e, a emoção, recomendou ingerir rapidamente o medicamento para regular a pressão. Que exemplo de amor a pátria. Mandaram as favas os patrocínios e compromissos de protocolos oficiais. Ousaram e aplaudo com orgulho este procedimento.
Tudo isto para dizer que fiquei novamente arrepiado e fui às lágrimas ao ouvir pelas ondas da nossa Rádio Gaúcha 72 mil pessoas na Passarela Darcy Ribeiro, (no último dia 17 do corrente mês completaram 15 anos que este grande brasileiro nos deixou), cantando o Samba-Enredo da Estação Primeira de Mangueira, mais uma vez à capela, isto é sem nenhum acompanhamento ou sonorização. Que espetáculo maravilhoso. Que coragem do Ivo Meirelles.

A Gaúcha percebendo aquele momento raro deixou seus microfones abertos para captar o som do coral do povo. Lindo. Ninguém piou.
Faceiro, no outro dia fui assistir pela televisão o compacto dos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro, esperando novamente
ver aquele fato mais importante deste carnaval. Saí frustrado, pois o casal de apresentadores da Rede Globo e quem os dirigiam não tiveram a sensibilidade da Gaúcha, e passaram o tempo todo, falando, falando, falando e, procurando explicar o porquê o som e a bateria parou.

Em situações como esta fica comprovada porque o Rádio jamais será superado pela televisão. Viva o bom e velho Rádio.

Ao som do samba - Antônio Carlos Côrtes

14 de fevereiro de 2012 0

A POLITIZAÇÃO DO CARNAVAL

“A vida é uma festa e a festa é nossa” (Rubens Confete)

A União da Vila do IAPI, no carnaval 2007, falou da América. Inevitável a comparação com o enredo vencedor da Vila Isabel do RJ em
2006. A história faz bem a todos em termos de nos embeberar cultura. O soldado Simón Bolívar, nasceu em 1783 e morreu em 1830. Foi líder nas guerras de independência dos países hispânicos sul-americanos, jurando libertar a América, integrou movimento das repúblicas
sul-americanas.

Garantiu a independência da Colômbia em luta com os espanhóis, bem como da Venezuela. Com o exército se dirigiu ao Equador e de lá expulsou os espanhóis em Quito. No mesmo sentido agiu no Peru. Uma vez assegurada à independência da América de língua espanhola, foi Presidente da Confederação da Grande Colômbia, integrada por Venezuela, Colômbia, Equador e Panamá.

Este um pequeno resumo da vida deste libertador da América, homenageado no enredo da Unidos de Vila Isabel no carnaval do Rio de Janeiro em 2006. Não há forma mais didática de ensinar a história aos povos que um bem estruturado Enredo de carnaval.

A Vila Isabel, carnavalizou por meio do “Soy Loco por ti América” um belo enredo. Quando o Mercosul fica apenas na retórica de discursos ocos a Vila feliz da Vida pregou a integração pela unidade. Foi além, ensinou quem foi Simón Bolívar e a cultura dos povos da América.

No domingo de carnaval assisti ao vivo, lá na Sapucaí o que a televisão não consegue mostrar: A emoção do público, cantando,
sambando e aplaudindo em pé ao gritar entusiasticamente no final é campeã!. É campeã!. É campeã.

Mas o carnavalesco da Vila o Alexandre Louzada, queria mais emoção e adrenalina pura: quando o carro alegórico em que estava o gigante do Simón Bolívar, foi passar sob o braço de concreto que se projeta sobre a Sapucaí, parecia que iria colidir eis que aquele era mais alto cerca de meio metro, porém o Simon Bolívar inclina a cabeça à frente olhando o próprio peito, e é leve e, suavemente rebaixado no tronco, assim passa pelo obstáculo que ameaçava degolá-lo.

Altivo faz um meneio de cabeça e segue a desfilar, para aquilo que fora conquistado. Arrancou um oh! do público do setor 3 e adjacências da praça da apoteose, que em seguida rompeu em frenético aplauso. Enfim, a Vila ensinou história e difundiu a ousadia da politização
pelo carnaval, provocando o ressurgimento da identidade latina que ainda busca o seu verdadeiro caminho. Ah! Joãozinho 30 assinou no
canto da tela, hoje saudosa memória.

Ao som do samba - Antônio Carlos Côrtes

11 de fevereiro de 2012 0

EVOLUÇÃO

Da reunião de escravos, sempre surgia batida cadenciada das mãos, que significa chamar para dançar. LUNDU, primeira forma de batuque negro, que possui coreografia e ritmo bem marcado. Movimentavam o quadril em requebros, principalmente em véspera de dias de santos.

REI CONGO

A festa acontecia no mês de maio, presente dia de N. Sª do Rosário dos Homens Pretos. Padroeira.O viajante Koster registra que antes da festa os negros escolhiam um Rei, uma Rainha e o Ministro de Estado. Dirigiam-se a uma autoridade, pároco de Itamaracá. Depois de coroados o rei, rainha, os negros saiam aos gritos de alegria, a festejar. Nossas Congadas de Osório-RS, até hoje mantém a tradição.

PROCISSÕES.

O cerimonial inspirou a criação do ENREDO. A rainha seria a porta-bandeira de hoje, o Rei o Mestre-Sala. Até pode se discutir o
assunto, mas não se têm argumentos para negá-los com veemência.

RANCHO
Vem do reisado. Grupo de pessoas que se dirigiam a Belém-PA, para visitar o Menino Jesus (NATAL), no percurso parava nas casas, cantavam, comiam e seguiam. O terno era sério. O rancho era alegre.

QUESITO EVOLUÇÃO

Tem tudo a ver com o antes dito- coreografia e ritmo bem marcado. Movimentavam o quadril em requebros. O resumo, conceito, próximo da definição diz: O avaliador examina se os desfilantes mantêm a empolgação e agilidade durante a passagem da escola pela avenida, sem tumulto entre as alas. São avaliadas a vibração e a coesão no deslocamento ordenado de todos os componentes da escola. Não podem existir correrias e retorno, para a escola não ser punida. Buracos então nem pensar. Singularidade no samba. Alegria. Passista é livre para criar. A PALAVRA EVOLUÇÃO TEM A VER COM EVOLIR+AÇÃO. PARA FRENTE.

Ao som do samba - Antônio Carlos Côrtes

04 de fevereiro de 2012 1

O SOL DA MEIA ANOITE

Quando o saudoso Roberto Correa Barros- Betinho, então Presidente dos Imperadores do Samba idealizou desfile pré-carnaval na Av. Borges de Medeiros, em Porto Alegre-RS, com certeza imaginava que esta saudade era o combustível da alegria. No futuro enxergou o cisne da Escola de Samba ESTADO MAIOR DA RESTINGA sobrevoando a avenida. E foi pensando nisso que passei a prestar mais atenção nesta conquista cuja dezena de milhares da multidão a cada sexta-feira, ocupa a avenida de forma comovente.

Emoção que divido com o leitor especialmente borgeano ao ver esta contagiante alegria da retomada da territorialidade. O sol de meia-noite aquecendo a alma em forma de calor humano. A lua segundo o compositor Túlio Piva É Pandeiro de Prata. O riso da criança é a pureza da festa. Tudo é simples. Há toque de amor no ar, sublinhado por surdos e tamborins.

Pela energia, podemos enxergar o aumento da aura de nosso irmão (ã), percebemos encantos no caminho do entendimento de que ele (a) é parte de mim e, portanto não há razão nem sentido para o ódio ou inveja, pois estaríamos simplesmente odiando ou invejando a nós mesmos. A palavra graça vem do grego CARIS que significa o ungido, o protegido. Também quer dizer alegria, considerando que aquele que recebe graça sente-se firme e seguro diante de qualquer perigo.

Quando passamos bom humor, alegria, a pessoa que está triste, praticamos caridade e naquele momento estamos orando! O bom músico se torna virtuoso das qualidades da alma se praticar diariamente. O bom humor facilita a empatia e constitui amortecedor na estrada cheia de buracos que é a vida. É força transformadora que nada necessita. Aprendemos a não ser tesoura que corta e divide e sim agulha que costura o que esta despedaçado. O ser humano tem capacidade de colocar-se no lugar do outro, mas boa parte ainda não descobriu isso.

Não faz para outro o que o não gostaria que fizessem para eles, porque para estes aqueles não existem. Obrigado velha Borges de Medeiros, que nos contempla nos arcos do seu Viaduto que neste ano comemora 90 anos nos quais o povo do carnaval integra o
bloco “Unidos pela Revitalização e Humanização”. Somos amigos e parceiros do Viaduto Otávio Rocha, o mais belo do planeta.

Ao som do samba - Antônio Carlos Côrtes

30 de janeiro de 2012 0

O MAIOR ESPETÁCULO DA TELA

Ao final do ano carnavalesco registro na memória definitiva o que me marcou independentemente de resultado. Foi assim em 1988 com a Vila Isabel-RJ “KIZOMBA FESTA DE UMA RAÇA”, Bambas da Orgia em “FESTA DE BATUQUE”, sob a batuta do grande carnavalesco Álvaro Machado.

Pois 2011 registram em meu disco rígido a assunção ao palco eterno do meu conhecido, pois não sei se posso dizer amigo, sem abusar de quem, hoje, não pode mais se defender, parafraseando o que ensina Antonio Hohfeldt, falo de CARLOS MEDINA e, em sua homenagem pela bela trajetória em todas as escolas que brilhou, trago a colação, com certeza, não com o brilho do Vinicius Brito, pois imelhorável sua oração, mas fico na cor-vermelha-e-branca-sua-paixão maior, buscando o ritmo à altura do seu enorme talento em viagem pelos Acadêmicos do Salgueiro, em forma de agradecimento por ter existido entre nós.

Recordo que o desfile que a Academia efetuou no sábado das campeãs, foi lindo. Os transtornos que a conduziram ao 5º lugar, por ter estourado o tempo de apresentação em 10 minutos no desfile oficial não interessam. Lá estavam os carros do King-Kong e do Oscar. Madame Satã deu show levantando e colhendo entusiasmados aplausos da platéia.

A Furiosa Bateria fez bip-pop. O enredo não patrocinado O RIO NO CINEMA do Renato Lage, cujo conjunto da obra se eleva ao patamar de grande carnavalesco, contemporâneo, eis que ao longo de 33 disputas, foicampeão em seis, sendo um no acesso (2009), foi fantástico. Basta ouvir com atenção o samba enredo para ser conduzido ao mundo do sonho e da fantasia- é lugar comum? É. Mas não encontro algo melhor para descrever o que vi e senti. Vou adiante reproduzir a letra e sugerir que o leitor feche os olhos e ouça o belo samba dos inspirados compositores Dudu Botelho/Miudinho/Anderson Benson e Luiz Pião: “Salgueiro/Apresenta o Rio no cinema/Já não há mais lugar pra nos ver na passarela/Cada um é um astro que entra em cena/ No maior espetáculo da tela/A Cinelândia reencontrar/ A luz se apaga, acende a vida/Projeta sonhos na avenida/A terra em transe mostrou visão singular/ E o tesouro de Atlântida/ Foi abraçado pelo mar/Onde está? Diz aí/Carlota Joaquina veio descobrir/Na busca o bonde da Lapa, Madame Satã/ Pequena Notável requebra até de manhã/Em um simples instante/ Orfeu vence as dores em som dissonante/ E as cordas do seu violão/Silenciam para o amanhecer/Brilha o sol de ma dia de verão/Salta aos olhos outra dimensão/Revoada risca o céu e faz/Amigos alados canto de paz/ Maneiro, deu a louca em Copacabana/ Vi beijo do homem na Mulher-aranha/ E o King-Kong no relógio da Central/Meu Salgueiro o “Oscar” sempre é da Academia/ Toca o “ bip-bop”, Furiosa Bateria/ aqui tudo acaba em carnaval/ O cenário é perfeito/De braços abertos sobre a Guanabara/ O filme mostrou maravilhosa chanchada/Sob a direção do Redentor.”

Uma nuvem branca e avermelhada pelo sol espiritual do Guaíba desenha no espelho d’água o sorriso do Mestre Carlos Medina.

Ao som do samba - Antônio Carlos Côrtes

25 de janeiro de 2012 1

VOX POPULI, VOX DEI

“A mente que se abre para uma ideia, jamais retorna ao seu estado original” (Einstein)

O carnaval contemporâneo criticou a grande e talentosa carnavalesca carioca Rosa Magalhães aos tempos em que esteve à frente dos desfiles da Imperatriz Leopoldinense do RJ, onde alcançou cinco campeonatos em dezenove disputados, eis que argumentavam que realizava bonitos e bem acabados desfiles, porém sem emoção, ainda que fosse ao encontro das regras do jogo, cumprindo o que pediam os quesitos.

Realizava carnaval para o corpo de avaliadores e não para o público, razão maior da suprema arte do espetáculo. Era espécie de treinador de futebol visto como grande estrategista do esporte bretão que busca apenas o resultado. No futebol de hoje o clube de ponta no planeta é o Barcelona em face de sua progressiva posse de bola que chega atingir mais de 70%%. Da referida posse duas situações vertem: A um: Enquanto a conservam o adversário não tem como fazer golo. A dois: Se o escore
estiver zero x zero, quem tem chance de concretizar gol é quem detêm a Leonor, como diria o narrador Waldir Assumpção em declaração amorosa a senhorita bola.

Se o placar lhe for favorável, com mais razão eis que o adversário não terá como desfazer escore. Traduzindo: “Ta lá o
corpo estendido no chão” como diria o também criativo narrador Januário. Logo, passamos a autópsia. No carnaval há quesito oculto, imaterial que se chama disciplina, palavra que desdobrada alcança interpretação do Dez Pleno, que, aliás, todos devem buscar nesta curta passagem na vida terrena, eis que tem por escopo o planejamento que a citada Rosa Magalhães realiza com maestria, mas lhe falta à alegria que vem do povo, empatia.

Por aqui os saudosos carnavalescos Ariovaldo Paz, por vários anos na Sociedade Bambas da Orgia e Roberto Correa Barros (Betinho) nos Imperadores do Samba, fizeram o mesmo que Rosa Magalhães, porém passavam alegria ao povo que os reconhecia em talento colocando-os na galeria de ídolos imortais do samba. Embora no futebol à posse de bola não seja garantia de vitória, no carnaval quem responde aos quesitos com precisão cirúrgica se torna campeão.

O máximo que pode acontecer é alguma outra entidade lhe igualar conduzindo ao empate em todos os quesitos, situação presente em várias oportunidades, no carnaval do RJ, SP e Porto Alegre quando teremos então duas vencedoras.

Mas o povo tem que ser o alvo principal em ambas. Vox populi, Vox Dei (a voz do povo é voz de Deus).

Ao som do samba - Antônio Carlos Côrtes

17 de janeiro de 2012 0

AO SOM DO SAMBA

No livro Ao som do samba a autora Walnice Nogueira, coloca no palco pesquisa cultural onde a bússola aponta para o norte do samba, este patrimônio imaterial brasileiro. Já imaginaram desfile de escola de samba sem trilha sonora? Este gênero de música desborda na obra.

Pelo que aplaudo com entusiasmo a iniciativa que proporcionou o retorno a letra do samba-enredo no encarte do CD do Carnaval 2012 de Porto Alegre. Por esta ferramenta de pesquisa, mergulho em todos os carnavais muito antes dos desfiles, para o plano da imaginação tendo por base a letra do samba-enredo. Faço viagem por principais trechos ali acreditado que calculo irá estar plasticamente presente na Passarela Carlos Alberto Roxo Barcellos ao longo dos desfiles.

Acomodem-se no Camarote ou na arquibancada e partam comigo da CONCENTRAÇÃO DE FICÇÃO, ao som do Terceiro toque da sirena:

ESTADO MAIOR DA RESTINGA: Muitas taças de vinho em forma alegórica na louvação aos divinos, ricos e lindos cachos de uvas, saudando Deus Baco, Rei do Vinho, tendo por reino a Serra Sul-rio-grandense em forma de Éden, cujos habitantes são imigrantes, viajando de trem na Maria Fumaça, onde o combustível é hibrido: alegria e amor, que por não conter glúten podem ser consumidos sem moderação.

IMPERADORES: O filho do seu Inácio e da Dona Itália, (falo isto por que conheci a genitora do homenageado) hoje senador Paulo Renato Paim, tem inspiração na Estrela Guia que ilumina sua brilhante trajetória que perpassa a luta do Leão sindical que se rende aos encantos do som da maviosa bateria conhecida popularmente como a Sinfônica vermelha e branca, trilha sonora da bonita viagem do ilustre homem público e grande líder.

UNIÃO DA VILA DO IAPI: O elemento água presente na natureza, proporciona banho por meio locomotiva da Vila em abundante alegria, eis que presente divino, benção de fé sob o manto de Iemanjá e Oxum, em ricas e volumosas cachoeiras coloridas influenciadas também pelas marés responsáveis nas indispensáveis plantações. Água é vida.

IMPERATRIZ: UNE – União Nacional dos Estudantes é sinônimo de coragem, na busca incessante da esperança. Legalidade. Liberdade. Manifestações pelas ruas, artérias que motivam os caras-pintadas, caminhando e cantando na trilha de Geraldo Vandré como hino à liberdade, Para não dizer que não falei de Flores. É proibido proibir, principalmente Guerreiros que lutem até morrer.

VILA ISABEL: Filho fiel de Viamão, a Velha Capital, terra abençoada que teve no seu início índios, mas chegou à miscigenação somando-se ao branco e ao negro. Todos com muita Fé, perpetuada solenemente na Igreja Matriz, que acolhe também os Tropeiros em forma de benção.
ACADÊMCOS DE GRAVATAÍ: Lágrimas que a lua derramou fizeram o nascimento da referência cultural da cidade de Passo Fundo.
Bandeirantes e suas riquezas dos Casarões aos Quilombos proporcionam orgulho do celeiro brasileiro.

EMBAIXADORES: O adágio popular O QUE OS OLHOS NÃO VÊEM O CORAÇÃO NÃO SENTE ganha cenário em cor, a natureza a sorrir, toda a beleza da flor, diz o refrão do belo samba que bebe na Taça do Fogo, centrado no peito ao ritmo do imenso Tambor.

BAMBAS DA ORGIA: Bagé. Índio Forte Ypagé/ Charrua. Cidade Rainha da Fronteira. Semear, cultivar os verdes campos de minha terra, emoldurada pela arquitetura onde desponta a Igreja São Sebastião, abençoando os clubes sociais, sem esquecer vulto como Presidente Emílio Garrastazu Médici e o personagem literário criado por Luiz Fernando Veríssimo ANALISTA DE BAGÉ, lembrando-se do amor ao mais aguerrido clássico da fronteira Bagé x Guarani. Todos observando o voo altaneiro da Águia Bambista.

PROTEGIDOS: Como diz o puxador, quem não está protegido agora vai ficar. Das Trevas, a luz ou em qualquer lugar resplandece nas trevas e as trevas não prevalecerão contra ela. O dualismo luz e escuridão, em busca de conhecimento e sabedoria. Chamando a atenção que a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória. A natureza esta a chorar seres divinais pedem proteção.

DISPERSÃO sob o som de todos os abençoados sambas-enredo que formam a trilha sonora deste carnaval 2012 que a memória cultural da cidade reconhece e agradece.

Opinião - Antônio Carlos Côrtes

11 de janeiro de 2012 0

ARTE DA ESCOLA DE SAMBA

Por Antônio Carlos Côrtes

Vejo acima de tudo, a escola de samba como arte moderna, como uma das mais autênticas expressões da contemporaneidade ( Luiz Pilla Vares)

Serpenteando escorço histórico recordamos que em 1922 ocorreu a Semana da Arte Moderna em São Paulo (Mário e Oswald de Andrade e outros) pelo volitivo do espírito libertário da cultura brasileira. Assim, decorridos 90 anos daquele importante evento, reflito que são escassos os estudos sobre o nosso Carnaval e suas ligações no terreno da
sociologia, antropologia e literatura eis que ainda que gongóricos intelectuais contestem é arte pura ou moderna como ensinou Pilla Vares.

Aduzo que há no país do Caburaí* ao Chuí durante o Carnaval a geração do combustível da alegria que embala o povo brasileiro a tudo enfrentar e saber se superar. Sem preconceito aos outros quesitos importantes defendo que nenhuma escola de samba faz bom desfile com ar de campeã, se não apresentar bom samba-enredo.

No Carnaval brasileiro, Mano Décio da Viola, Penteado e Estanislau no ano de 1949 em Exaltação a Tiradentes foram os primeiros pelo Império Serrano-RJ, a celebrar o casamento perfeito da musica do samba com o enredo. Afirmo que neste carnaval de 2012, decorridos 90 anos daquela memorável Semana da Arte Moderna , o samba-enredo da Portela-RJ, “… E o povo na rua cantando. É feito uma reza, um ritual…” (Wanderley Monteiro, Luiz Carlos Máximo, Toninho Nascimento e Naldo) o qual é interpretado pelo excelente Gilsinho, cuja potente voz lembra o grande Rixxa (Pavarotti do samba) é o melhor e provoca novamente o espírito libertário da então camisa-de-força que vestiram nos samba-enredos de hoje.

Há verso lapidar que diz tudo “Eu venho estender o nosso manto/aos meus santos do samba/que são orixás”. O samba ainda registra que o Senhor do Bonfim alumia os caminhos da Portela, que eu guardo no meu patuá, eu vim com a proteção dos meus guias. Logo, a Portela inovou e lembra os velhos bons tempos. Qualquer semelhança com aquela Semana da ArteModerna, não é mero acaso.

(*) É o ponto mais setentrional do Brasil em Roraima, que dista 84,5 quilômetros acima da referência Oficial, o Cabo Orange, o qual fica pelo menos a 4 graus de latitude norte, junto à foz do Rio Oiapoque, no Amapá.