Por Fred Soares
As fantasias e alegorias da Nós os Ritmistas, a terceira escola a desfilar no carnaval de Alegrete, estiveram longe de ser um primor. Mas de uma coisa seus componentes podem ter absoluta certeza: tiveram uma coordenação de harmonia e evolução que beirou à perfeição. A organização foi um dos dois ápices da apresentação da vermelho-e-branco - que só não foi irretocável por conta de uma pequena aceleração na parte final da apresentação. O outro foi o seu samba-enredo, de melodia bem construída, letra afinada com o enredo, e que foi o grande combustível para a emocionante passagem pela Avenida. A emoção tomava conta dos componentes no momento do refrão em que era dito "África, seu Ritmo e fé / É festa, É arte, Axé!".

O enredo de temática africana não fugiu do lugar comum que se costuma ver em outros desfiles. A proposta original era de contar a influência da natural vocação do continente em produzir ritmos e esta influência na cultura brasileira. No entanto, o que se viu foi um desenvolvimento sem um fio condutor bem definido. Tínhamos alas e alegorias que, sem dúvida, faziam menção à África, mas longe da ideia inicial.
A Nós os Ritmistas foi outra agremiação a apostar em cariocas para reforçar o seu desfile. No microfone, o puxador Nêgo - que também é um dos autores do samba-enredo, deu o tom. No primeiro setor, com uma evolução marcada acima de tudo pela garra, brilhou o casal de mestre-sala e porta-bandeira Philipe Lemos e Rafaela Theodoro. Ele, principalmente, viveu uma grande noite, seus passos arrancavam sinceros aplausos das arquibancadas e dos camarotes.

O desfile da Nós os Ritmistas pode ser, então, resumido desta forma: faltou dinheiro para se investir mais em fantasias e alegorias. No entanto, sobrou garra, comprometimento e disposição dos componentes que, acima de tudo, demonstraram na pista de desfile o seu amor pela escola.