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Posts com a tag "Luiz Armando Vaz"

Coluna do Vaz - Profissionalismo

10 de janeiro de 2013 0

"Os desfiles  do Grupo Especial, a principal atração do Porto Seco neste carnaval 2013, somente aos menos otimistas corre o perigo de um atraso significativo. Sou de um tempo em que o carnaval começava rigorosamente após as festas de final de ano.  Isto mudou. Em tempo de Porto Seco vivemos uma outra realidade na preparação do carnaval.

Um fato histórico,  que ajudou em muito neste situação, e merece ser lembrado, foi a criação da banda Itinerante em 1997. Esta banda ao longo dos anos manteve reunido carnavalescos e sambistas durante um ano inteiro. Isto melhorava as relações, e era um espaço riquíssimo onde rolava muita discussão, espaço fantástico de discussão de um carnaval profissional.

Hoje faltando pouco mais de um mês para a festa existe o temor de um atraso. Sinceramente, não acho que tal atraso ocorra a ponto de colocar em risco os desfiles oficiais. Uma  escola ou outra poderá chegar com algum atropelo, mas ao fim tudo estará pronto em tempo hábil.  O porquê desta afirmação? Nos últimos cinco anos as escolas viveram um notável avanço no seu profissionalismo.

Uma referencia em gestão é a escola Império da Zona Norte, que na administração do presidente Ademir Urso Moraes já concluiu seu barracão com muita folga a ponte de colocar em férias os profissionais. Claro minha argumentação é por conta de um fato marcante e que não podemos esquecer e valorizar. Teve trabalho sim em todas as escolas ao longo do ano que passou . Pode até não ter sido na mesma velocidade de anos anteriores, mas teve muito trabalho.

Isto dá a certeza de que mesmo com a apreensão de alguns, não haverá prejuízo ao carnaval como um todo. Para que muitos saibam, a Academia de samba Praiana terá 17 profissionais em tempo integral no barracão. A Vila do IAPI conta com 26 profissionais entre eles 4 artistas de Parintins. Império da Zona Norte trabalha com 16 artistas todos de Parintins. Vila Isabel de Viamão trabalha com 15 profissionais e promete entregar os trabalhos dia 30 deste mês. Sem esquecer a Imperadores do Samba que esta com quase todo o seu carnaval concluído. As demais escolas tendo algum problema estão preparadas para enfrentar o desafio.

Portanto que venha a folia, nosso carnaval já não é mais amador."

Coluna do Vaz

16 de fevereiro de 2012 1

Melhorias no Porto Seco

Estou indo com mais frequencia ao Porto Seco nestes dias que antecedem o Carnaval. Ocupo boa parte da manhã em visitas à pista na sua montagem, e também, em visitas aos barracões das escolas de samba do Grupo Especial. Como otimista incorrigível fiquei entusiasmado com a estrutura que está sendo montada que já anda em fase de acabamento.

Sei que vocês irão lembrar das minhas reclamações pela não conclusão das arquibancadas fixas no Porto Seco.

É óbvio que disto não abriremos mão! Vamos lembrar sempre da urgência em terminar esta obra, que já vai para o seu oitavo carnaval, no mesmo monta e desmonta, desde lá da velha e antiga, Augusto de Carvalho.

Mas em um misto de otimismo e alegria quero falar sobre o que está pronto.

Pelo nosso grau de exigência passa algumas prioridades. Queremos sim o Porto Seco acabado, mas não abrimos mão de acomodações melhores, enquanto as arquibancadas definitivas não estão prontas.

Por justiça e obrigação há que se anunciar algumas obras da maior importância nesse Porto Seco de agora.

A iluminação melhorou sensivelmente, com isso acontece um ganho definidor para a televisão exatamente por propiciar uma iluminação muito mais potente do que a de anos interiores.  Isso contempla sobre maneira a fotografia, para a tranquilidade dos repórteres fotográficos que fazem a cobertura para jornais e revistas.

O som ainda terá alguns ajustes. Está confirmado tratar-se de equipamento de alta qualidade, o que com certeza trará benefícios para toda a pista já que o som esta em toda a sua extensão.

As arquibancadas sofreram as melhorias possíveis. Entrada controlada por computador, com tecnologia de ponta, próximo do que é e será usada no Rio de Janeiro.  As arquibancadas na questão da carga, o espaço que suportava 400 quilos, dobra esta capacidade o que se reflete diretamente na segurança.

Um detalhe marcante nas arquibancadas é o acabamento: aquilo que antes era um amontoado de ferro com pontas de parafusos à mostra, hoje dá lugar a estruturas de aço escovado que melhora sensivelmente o visual das arquibancadas.

Sem esquecer o incidente que ocorreu ano passado colocando em risco a integridade de seus ocupante. Já vai longe o tempo dos velhos tapumes de compensado caiados de branco.

Agora temos placas de formica e carpetes no piso. Bem antes dos desfiles poderemos ver como ficarão os banheiros que certamente seguirá o mesmo caminho das demais estruturas da montagem para o Carnaval do Porto Seco .

Logo boas acomodações são bem-vindas. Esperar é preciso,  sofrer não é preciso.

As arquibancadas definitivas ficarão na agenda de cobranças para o próximo Carnaval, mas beleza e algum conforto não farão mal a nenhum folião .

Coluna do Vaz - Esquenta

02 de fevereiro de 2012 0

Esquenta aí gente!

Tem coisas que me agradam muito, aumenta meu otimismo e eleva minha auto estima. Tudo por conta da valorização que passa o Carnaval como manifestação máxima de cultura popular. Está começando a maior festa popular do planeta!

O Carnaval do Rio é a fonte,  a grande referência que empolga o mundo inteiro. Eis que surge um parceiro como o maior divulgador desta manifestação: a Rede Globo de Televisão .

Com duas importantíssimas contribuições : uma delas é o programa Esquenta e a outra a vinheta abrilhantada por Arlindo Cruz.
Do Esquenta há que se fazer algumas considerações: é um programa de participação tão democrática que duvido haver outro com tanto valor assim.

O programa Esquenta coloca para o Brasil inteiro caras brasileiras as voltas com o samba e com o Carnaval. O programa trabalha com duas coisas que não se separam. É impossível imaginar Carnaval sem samba ou samba distante do Carnaval. Um programa onde nossa gente aparece ocupando um espaço nobre da televisão brasileira. Nosso povo aparece com altivez e dignidade. Nosso povo negro alegre, colorido, sambista e carnavalesco.

Até quem estiver acima do peso, mas que tenha samba no pé,  mostra seu talento. Vale tudo no embalo: funk, toadas,  sertanejo, samba, pé de serra e etc. Todos desfilam pela telinha, carnavalizado na medida certa. A beleza das mulheres não tem como pré-requisito a beleza eurocêntrica tão comum no mundo televisivo. Neste programa tem vez e espaço a mulher brasileira como realmente é.

A história em livros do Carnaval brasileiro e seus personagens é pouca, não é vasta , e sobre alguns personagens há menos ainda. No Esquenta se fala das velhas guardas, de pessoas, de escolas e de Carnaval . Para meu deleite vi outro dia uma lenda viva. O maior de todos os mestres-salas do planeta. Um senhor de noventa anos de nome Hégio Laurindo da Silva, mais conhecido por Delegado .

Em minhas andanças pela Marquês do Sapucaí já o tinha visto, estive perto dele vendo falar com as pessoas. Um momento de glória. Mas o maior presente foi ver no Esquenta o mestre-sala Delegado. Simpático e simples, mostrou a importância que tem e deixa ao mundo do Carnaval.

Depois de tudo isto, há uma vinheta, um filme que o melhor diretor poderia ter feito. Arlindo Cruz falando de tudo o que rola na televisão por esta linguagem sambada que só ele poderia fazer . Um enredo completo com começo meio e fim, falando de maneira simples de coisas que fazem parte de nossas vidas, de nosso jeito de viver. Uma pérola, o melhor de Arlindo Cruz. A valorização no tamanho exato da homenagem possível de ser feita ao samba, à nossa gente ao carnaval . Beleza, beleza, beleza!

Coluna do Vaz

28 de janeiro de 2012 3

Descida da Borges : O Debate.

Este debate tem seguramente duas frentes da maior importância . A primeira é a que cobrar a conclusão da Savana, o outro é assumir a Descida da Borges como um evento pré-carnaval da maior importância que nosso tempo confere a cultura popular. O presidente Urso, em fim de mandato, faz uma afirmação forte sobre a descida que reforça uma visão com distorções que merecem reparos urgentes.

Este pronunciamento do Presidente Urso sobre a Descida da Borges joga água fria na fervura. Sem o cuidado que sua posição exige, detona o empenho das autoridades e cria desconfiança entre os carnavalescos que fazem a defesa do Carnaval da Borges. A posição manifestada do presidente se estreita porque é legalista e tem uma visão que reprime a manifestação espontânea da cultura popular . Esta posição trabalha o terrorismo quando diz que a descida é uma bomba prestes a explodir. Um terrorismo que vai além quando diz que a Borges põe em risco o carnaval como um todo.

Minha discordância logo é manifesta, pois  a denúncia do que esta errado sem propor uma solução não edifica, e, nosso carnaval precisa, isto sim, de gestores que lhe deposite confiança, uma crença inabalável .

O que temos que fazer primeiro é atender o clamor público. Depois de forma competente (com gente competente) fazer e dar as condições para que a descida aconteça . Há que se adequar o horário , e isto serve para o publico e lógico para as escolas, mas serve também para o comércio e para o transporte . Tudo que a segurança precisa para fazer o seu serviço.

As dificuldades tão decantadas está no aparato técnico material. Iluminação, som, higiene, serviços, etc. E isto minha gente é outro assunto, pois custa dinheiro e isto cabe aos gestores acreditarem que o investimento traga retorno . Os tempos mudaram.  A cidade mudou, o mundo mudou, mas a festa de Ano-Novo acontece no centro de Nova Iorque e nem Bin Laden quando ainda vivo ameaçou esta festa. E olha que lá tem o FBI e a CIA, muito embora a lembrança triste de 11 de setembro . No Rio de Janeiro, Copacabana recebe 2,2milhoes de pessoas de todas as nacionalidades para a passagem do réveillon. Nem o poderio do tráfico, que em anos anteriores dominava o Rio, faz com que as autoridades abdiquem da festa . O réveillon é uma marca da cidade reconhecida mundialmente . Na Bahia atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu , e,chega a ser contabilizada pela polícia muito mais de um milhão de pessoas em movimento pela cidade .

Os dez mil que estiveram na Descida da Borges na última sexta feira, dia 20,  estão fazendo historia. A história do carnaval,  a história de nosso tempo e de nossa gente, que por sua disposição de luta vai à Borges sempre que houver Carnaval. Lá estão sem medo. Se tivéssemos carnavais em outras parte da cidade talvez esta briga não se sustentasse, mas como o carnaval esta fixado lá na Savana, é prudente pensar naqueles que são saudosistas sim, mas também naqueles que gostam de carnaval, e principalmente, naqueles que não irão ao Porto Seco, em função de tudo o que nos afasta daquele complexo.

O cuidado agora é não acabar com o sonho. Ouve um dia que tudo era proibido. Existiam leis lastreadas na segurança nacional. Isto tudo mudou. O mundo mudou, a cidade mudou e mesmo assim o carnaval é possível. Até mesmo na Borges de Medeiros .

Coluna do Vaz

14 de janeiro de 2012 0

Tribos carnavalescas

Um dos mais fascinantes momentos do nosso Carnaval foi feito pelas tribos de índios. Quem hoje presta atenção nos desfiles das duas únicas tribos que ainda existem, não conseguem ter a dimensão real do que foi este espetáculo. Penas, colares, cocares, capas em veludo e mocassins. Flechas, lanças, escudos e tacapes, todo este material cuidadosamente bem decorado. Era uma característica única a teatralização, uma passagem, uma aventura , do enfrentamento do bem contra o mal.

O bem vencia sempre nas simulações de lutas. Tudo isso comemorado com gritos de guerra e de alegria. Estas cenas contagiavam toda a tribo e levava a arquibancada ao delírio. Na parte musical sempre foi completamente diferente do que se ouve hoje. O canto da tribo era um hino (que contava uma historia com começo, meio e fim) sustentado por uma bateria firme com muito tambores de couro grosso. Isso dava um som bastante grave aos instrumentos.

Tinha desenhos formidáveis feitos por naipes poderosos de agês, uma Cabaça, coberto de um rendilhado de lágrimas-de-nossa-senhora, um instrumento musical muito usados nos candomblés: agê, agüê ou piano-de-cuia. Esse instrumento (agês) tinham boa sonoridade em função de seus tamanhos, pois, eram bastante grandes. Tamborins faziam parte da bateria, mas o ponto alto, eram os violões e cavacos.

As cordas na harmonia eram maravilhosas. E não eram poucos: muitos violões de sete cordas, cavaquinhos e banjos. Esse naipe era audível à distancia . Era fácil distinguir a figura do cacique da tribo. Com fantasia imponente muito vistosa era destaque nas apresentações. Algumas figuras apareciam sempre nos desfiles, como o feiticeiro da tribo, o pajé. Esse tinha muita visibilidade por sua dança e também também pela vestimenta, às vezes, era algo assustador.

A voz de comando sempre era em tupi, língua oficial das tribos. Tinha os estandartes quase sempre carregados por homens, depois de um tempos trocarão de mão, hoje é uma tarefa das mulheres. Uma figura parecida com o atual mestre-sala muito valorizado na época, eram os bandeiristas. Tarefa exclusiva dos homens .

Lembro de duas figuras que são verdadeiros gigantes do Carnaval indígena. Cabábá de nome José Carlos Corrêa e Coqueiro, dois bandeiristas referenciais daquele tempo. Do Cababá só hoje se resgata sua historia no Carnaval. Ele começou em 1939 e passa pelas principais tribos da cidade. Desfilou também também na Academia de Samba Praiana numa trajetória interessante do alto dos seus 2,05 metros de altura Cababá foi figura de destaque no nosso Carnaval.

As tribos carnavalescas foram o começo de muita gente famosa no Carnaval que tinham um outro nome indígena. Carlos Medina era Nuvem Cinzenta, Cláudio Custódio Barulho era Poty Guaçu, Jajá o Nuvem Negra, Álvaro Machado era Tibiriça, Delmar Barbosa era Pavão Ytaguaçu e muitos outros que ainda estão ai em nosso meio.

Para se ter uma idéia da importância das tribos carnavalescas os números expressam a grandeza. Tivemos 16 tribos, embora algumas pessoas falem da existência de 17: Os Caetés, Xavantes, Guaranis, Iracemas, Comanches, Guaianases , Tapuias, Bororós, Arachaneses, Aimorés, Navajos, Rojaba, Tupinambas, Tapajós, Tamoios, Os Potiguares e Carijós. Com o tempo as tribos foram perderam espaço para um novo Carnaval cujo modelo é Rio de Janeiro. Isto decreta a quase extinção, das tribos .

Por conta disto só temos hoje duas tribos: Comanches e Guaianazes que travam a grande batalha, a da sobrevivência, que se alternam como campeã do nosso Carnaval. Da nossa lembrança nunca sairão, serão sempre lanças cravadas na cultura popular, com dignidade e alegria. De minha parte agradeço a esses guerreiros a quem o Carnaval deve muito. Merecem aplausos pela belas batalhas que venceram trazendo com bravura até o nosso tempo um Carnaval que avança ainda nas planícies do Porto Seco.

As Favoritas - Luiz Armando Vaz

07 de janeiro de 2012 1

As Favoritas
A pergunta sempre é quem ganha o carnaval de 2012. A leitura possível de ser feita hoje é: o Porto Seco verá uma disputa acirrada de três escolas pelo titulo. Será uma disputa envolvendo menos concorrentes ao titulo, diferente do ano passado quando tínhamos entre quatro e cinco concorrentes.
Este ano Tinga, Império da Zona Norte e Imperadores estão neste pelotão. Salvo algum desastre de uma delas ou uma grande surpresa por parte das outras não tão cotadas assim, a coisa se definirá entre estas três. Todas entram campeãs, mas só ao fim dos desfiles a que errar menos leva o titulo.
Esta afirmativa, não é tão correta assim. Algumas escolas encaminham sua queda para o grupo A e outras não ganham, mas não caem: Carnaval é assim! Até no Rio isto acontece...
A possibilidade de estas escolas brigarem pelo titulo fica por conta do que elas estão fazendo com seus projetos de carnaval. Estado Maior da Restinga, Imperadores e Império da zona Norte estão nesta situação porque mostram um trabalho vigoroso de quadra e barracão.
A dificuldade das outras passa por varias questões. A falta de recursos define bem a situação, os enredos patrocinados e outras fontes de arrecadação não lhes dão fôlego maior para fazer o seu Carnaval e todas sabem que para se fazer carnaval dinheiro é fundamental.
Logo, está claro e definido que algumas escolas farão um carnaval modesto. Já Império, Imperadores e Tinga tendem a fazer um carnaval de mesmo nível do carnaval passado. E não há como garantir nas outras escolas o mesmo comportamento. Embaixadores do Ritmo foge a regra, se aproxima deste pelotão porque tem um projeto e um trabalho que está acabado e definido o que deve garantir uma colocação melhor do a sua última, quando ficou em oitavo lugar.
O carnaval de Porto Alegre está mais caro. Há uma preocupação com os demais grupos e sua qualidade, e o Grupo de Acesso que desfilou ano passado lá em São Leopoldo, volta para Porto Alegre exigindo assim um aporte de dinheiro maior e estes valores sairão do mesmo lugar, o que aumenta a divisão do bolo.
Bom será um dia a mais de Carnaval. Mesmo assim acredito na criatividade de nossos carnavalescos que com certeza darão conta da tarefa. Faremos sim, um carnaval com a nossa marca do nosso jeito. Mas para responder quem ganha o Carnaval, há que se esperar todas passarem na avenida. Ganhará quem errar menos e isto vale inclusive para as favoritas.