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15 ago13:57

Os desafios dos 40 anos

ZERO HORA

DANIEL FEIX - daniel.feix@zerohora.com.br


 

Sebastian Hiriart recebeu três estatuetas por “A Tiro de Piedra”.

 

39º Festival de Gramado terminou sem maiores novidades – a mostra latino-americana continuou sendo no geral superior à brasileira e o cinema permaneceu com público muito pequeno em algumas noites, apesar do agito do lado de fora do Palácio dos Festivais. É por isso, e porque a próxima edição marca uma data redonda e se anuncia como festiva e de muita celebração do passado, que o evento precisa, mais do que nunca, se ver no espelho.

Para além das já batidas discussões sobre cinema autoral versus investimento no turismo e no glamour, Gramado precisa esquentar. Trazer o público que enche as ruas da cidade para dentro do Palácio dos Festivais e envolvê-lo não só com os astros e as estrelas, mas com o seu trabalho propriamente dito. Os filmes precisam de vaias, ou aplausos, qualquer coisa que não as recepções frias que vêm recebendo ano após ano, como se não fizessem parte do interesse da maioria das pessoas que estão na Serra – a maior parte da plateia parece, cada vez mais, ser formada apenas por jornalistas e produtores de cinema.

Não faz sentido que um evento que recebe mais de R$ 3 milhões de patrocínio, grande parte deste montante via leis de renúncia fiscal, cobre até R$ 130 por um ingresso. Também é contraditório exibir num dia o documentário de temática indígena As Hiper Mulheres e, no dia seguinte, uma comédia popular como O Carteiro. Ou se faz um festival que aposta no cinema autoral, ou se investe no grande público. Enquanto tentar as duas coisas, Gramado permanecerá dando a sensação de desencontro entre o que se passa dentro e o que se passa fora da sala de cinema.

É bom ressaltar que, apesar de os filmes nacionais continuarem muito irregulares, a seleção de 2011 não pode ser considerada inferior à de 2010. Em suas diferenças, bons filmes como Riscado e As Hiper Mulheres, e os ótimos hors-concours O Palhaço e Sudoeste, deram estofo ao festival. Do mesmo modo, a boa seleção latino-americana invariavelmente garantiu ao menos uma boa sessão por noite. Se foi atencioso na seleção dos filmes de fora do Brasil, no entanto, a organização se atrapalhou e permitiu que quatro dos sete concorrentes fossem exibidos em constrangedoras cópias de serviço em DVD, com resolução baixa e marcas d’água sobre as imagens.

Ou Gramado dá o devido valor aos latinos, que tantas vezes salvaram o festival, ou os exclui da programação de vez. O problema é que tirá-los da competição reduziria inevitável e drasticamente a qualidade geral do evento. Este dilema, ao menos, parece fácil de resolver: antecipa-se o prazo de divulgação dos selecionados, dando mais tempo para o envio das cópias e, pronto, respeitam-se tanto os autores dos filmes quanto o público que for vê-los no Palácio dos Festivais. Além de manter a identidade internacional que Gramado construiu, o que assegura o seu diferencial no cada vez maior e mais diversificado universo dos festivais de cinema realizados no Brasil.


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Um Comentário »

  • Gabriel Olviedo disse:

    A única boa novidade, neste festival de cinema moribundo e desprestigiado, foi a sua cobertuta – lúcida, inteligente, imparcial. O festival de cinema de Gramado, nos seus 39 anos de vida, foi perdendo lugar, ficando apagado, chato, repetitivo e pretenciosamente caro, como se fosse um Festival de Cannes…Resultado: tornou-se um festival de cinema , com menos de 10 títulos nacionais selecionados, com uma presença latino-americana pífia, tímida, modesta,desprezível. Enqto isto, a imprensa gaúcha o titulava o festival de cinema mais importante
    da América Latina. Sinto muito, mas isto é de uma cretinice palpável! Agora, q os responsáveis divulguem o balanço econômico do festival. Seus lucros imensuráveis. Sua verdadeira importância para a cultura e o turismo do RS. Gramado é uma cidade manchada por escândalos em seus eventos de longa data. Os patrocinadores de peso ñ mais participam, com medo de serem atingidos pelos respingos de lama. O pobre público da serra gaúcha, tão miserável em cultura e modernidade, atuam, neste festival de cinema quarentão e já senil, como meros “macacos de auditório” para atores de tv da Globo e coadjuvantes da fama, como Lucianos Szafires da vida e ex-bbbs ordinários. O RS, como sempre, esconde suas verdades com mentiras ridículas e pensa q está abafando…Enqto isto, novos festivais de cinema brasileiros brilham, bombam, faturam e encantam seus frequentadores e participantes! Quão patético será o quadragésimo festival de Gramado e seus kikitos enferrujados?

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