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30 out18:22

Crônica da Semana, por Alexandre Kury Port


Palavras da Alma

 

Certas noites os olhos pesam, a cabeça dói e as costas não aguentam mais o peso do dia que se passou, mas a necessidade de escrever é maior, envolto em inspiração e cansaço o escritor se senta e através de um pouco de tinta que uma caneta contém, coloca em um pedaço de papel um pedaço de sua alma, os olhos cansados, não conseguem acompanhar a mão que parece escrever mais rápido que um carro de corrida, na mesma velocidade que a tinta imprime as palavras no papel sua alma se preenche se tornando uma só colocando vida nos parágrafos que se constroem.

Escrever é mais que um dom, é um prazer sublime e absoluto, numa espécie de nirvana o escritor se entrega e acredita que suas palavras poderão ajudar as pessoas, se acredita que um livro tem três almas, a de quem escreve, a de quem lê, e sua própria alma, e acredite ou não certos livros têm a capacidade de mudar vidas, e modos de ver, o gosto da vaidade se torna tão pequeno que o escritor já nem acredita no que escreve e a única coisa que quer é seu nome impresso em uma capa que provavelmente durará mais que sua miserável vida.

Como em um jogo mágico de palavras e frases em uma espécie de transe nascem parágrafos, que minutos depois a memória não se recorda de ter escrito, palavras que podem trabalhar com dores da alma, escritas não só com amor, mas ditadas pela própria alma.

Paramos por uns momentos, sentimos o vento da noite, o brilho da lua acompanhado das estrelas, o distante barulho das ondas quebrando no mar, e nos voltamos a nosso coração buscando dentro deles a alma e fazendo silencio para escutá-la, trabalhamos, corremos, nos estressamos, distraímos, rimos, amamos, mas não paramos para escutar o que temos de mais puro que é nossa alma. O que quero falar é que quando escrevemos, mesmo que em um diário, traduzimos nossos sentimentos, nos imortalizando em caneta e papel.

As pessoas se preocupam tanto em ver as coisas na balança da razão e emoção, talvez seja o momento de começar a balançar as coisas em alma e corpo, ou continuar entre a razão e emoção, mas escutar atenciosamente a opinião de nossa ama nas decisões que tomamos, pessoas de alma geralmente são apaixonadas pela vida e pelo que as cerca, vivendo cada minuto como se fosse seu ultimo, e assim vivendo de maneira imortal.

Preste atenção em sua alma, talvez há anos ela queira falar com você e você ainda não parou para escutá-la, se não sabe como começar, sugiro um papel e uma caneta para que as primeiras palavras saiam mesmo que não digam muito, afinal, aprendemos a falar balbuciando as palavras, e da mesma maneira devemos aprender a escutar nossa alma, escutando suas poucas palavras muitas vezes sem nexo, mas que tem muito a nos dizer e ensinar.


Alexandre Kury Port, empresário, consultor, acadêmico em Psicologia (FACCAT), Sócio-estudante da Sociedade de Psicologia do Rio Grande do Sul (SPRGS), Membro da Associação Luso-Brasileira de Psicologia Transpessoal (ALUBRAT). Usa a escrita como maneira de traduzir sentimentos em palavras, acreditando que uma pequena caneta e um pouco de tinta, pode fazer uma grande diferença.



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