crônica

30 out18:22

Crônica da Semana, por Alexandre Kury Port


Palavras da Alma

 

Certas noites os olhos pesam, a cabeça dói e as costas não aguentam mais o peso do dia que se passou, mas a necessidade de escrever é maior, envolto em inspiração e cansaço o escritor se senta e através de um pouco de tinta que uma caneta contém, coloca em um pedaço de papel um pedaço de sua alma, os olhos cansados, não conseguem acompanhar a mão que parece escrever mais rápido que um carro de corrida, na mesma velocidade que a tinta imprime as palavras no papel sua alma se preenche se tornando uma só colocando vida nos parágrafos que se constroem.

Escrever é mais que um dom, é um prazer sublime e absoluto, numa espécie de nirvana o escritor se entrega e acredita que suas palavras poderão ajudar as pessoas, se acredita que um livro tem três almas, a de quem escreve, a de quem lê, e sua própria alma, e acredite ou não certos livros têm a capacidade de mudar vidas, e modos de ver, o gosto da vaidade se torna tão pequeno que o escritor já nem acredita no que escreve e a única coisa que quer é seu nome impresso em uma capa que provavelmente durará mais que sua miserável vida.

Como em um jogo mágico de palavras e frases em uma espécie de transe nascem parágrafos, que minutos depois a memória não se recorda de ter escrito, palavras que podem trabalhar com dores da alma, escritas não só com amor, mas ditadas pela própria alma.

Paramos por uns momentos, sentimos o vento da noite, o brilho da lua acompanhado das estrelas, o distante barulho das ondas quebrando no mar, e nos voltamos a nosso coração buscando dentro deles a alma e fazendo silencio para escutá-la, trabalhamos, corremos, nos estressamos, distraímos, rimos, amamos, mas não paramos para escutar o que temos de mais puro que é nossa alma. O que quero falar é que quando escrevemos, mesmo que em um diário, traduzimos nossos sentimentos, nos imortalizando em caneta e papel.

As pessoas se preocupam tanto em ver as coisas na balança da razão e emoção, talvez seja o momento de começar a balançar as coisas em alma e corpo, ou continuar entre a razão e emoção, mas escutar atenciosamente a opinião de nossa ama nas decisões que tomamos, pessoas de alma geralmente são apaixonadas pela vida e pelo que as cerca, vivendo cada minuto como se fosse seu ultimo, e assim vivendo de maneira imortal.

Preste atenção em sua alma, talvez há anos ela queira falar com você e você ainda não parou para escutá-la, se não sabe como começar, sugiro um papel e uma caneta para que as primeiras palavras saiam mesmo que não digam muito, afinal, aprendemos a falar balbuciando as palavras, e da mesma maneira devemos aprender a escutar nossa alma, escutando suas poucas palavras muitas vezes sem nexo, mas que tem muito a nos dizer e ensinar.


Alexandre Kury Port, empresário, consultor, acadêmico em Psicologia (FACCAT), Sócio-estudante da Sociedade de Psicologia do Rio Grande do Sul (SPRGS), Membro da Associação Luso-Brasileira de Psicologia Transpessoal (ALUBRAT). Usa a escrita como maneira de traduzir sentimentos em palavras, acreditando que uma pequena caneta e um pouco de tinta, pode fazer uma grande diferença.



Comente aqui
22 out16:26

Crônica da Semana, por Alexandre Kury Port


Dias de Luta e Dias de Glória

 

Quando você trabalha com mestres, você cresce diariamente, cada palavra é uma aula, cada lição é uma aprendizagem que lhe acompanhara para o resto de sua vida, dizem que o aluno sempre supera o mestre, não posso afirmar isso no papel de aluno, mas posso afirmar que meus mestres superaram os seus.

Quando se trabalha com “feras”, você sempre se torna melhor, pois é uma competição saudável de surpreender, e assim o conjunto se transformar em algo melhor. Seu dia-a-dia se transforma em um jogo de palavras, um desafio, uma arte, e trabalhar já não é mais algo cansativo, e sim uma das razões para se levantar pela manhã.

Essa crônica se criou no momento em que comecei a me lembrar de tudo que aprendi esse ano ao lado de pessoas que me permitem errar para aprender, mas jamais me permitem que eu erre por errar; os dias são verdadeiras aulas, e um conhecimento que nenhum banco de faculdade poderá lhe fornecer, um conhecimento chamado experiência, que muitos oferecem e poucos sabem aproveitar.

Os dias são de luta, o desamparo no olhar e o cansaço no corpo demonstram isso sem a necessidade de palavras, enquanto o sorriso e as brincadeiras demonstram os incontáveis dias de glórias, o que não se pode esquecer é que para haver glória há de haver luta.

Temos que manter a cabeça erguida e a fé em Deus, nada acontece por acaso, nossas decisões, atitudes, por mais que atribuamos a erros nossos não são, fizemos aquilo por alguma razão, temos de saber aprender quando caímos, pois levantando teremos mais força e mais conhecimento, temos de olhar pro lado e ver quem realmente esta conosco, para de mãos dadas e no tempo certo, nos tornarmos gigantes. Só podemos dizer que algo não nos pertence quando já não houver nenhuma gota de transpiração para dar, pois na vida somos o que quisermos desde que coloquemos em nossos planos 1% de inspiração e 99% de transpiração. Só podemos subir uma escada se colocarmos o pé no primeiro degrau, e se na metade dela olharmos pra trás e vermos que deixamos algo cair, devemos voltar para juntar, mas nunca desistir de subir mais.

Somos seres humanos, estamos nessa vida para aprender, e muitos temos que aprender a aprender, aprender a escutar, aprender a viver, pelo amor ou pela dor, mas sempre nos lembrando que temos um objetivo maior, nossas lutas podem parecer pesadas, árduas batalhas invencíveis, mas só chegaremos à glória se tivermos fé, força, honra e cabeça erguida, olhando para dentro de nós e buscando todos os recursos que precisamos para ai sim, fazer da glória, nosso estado de paz, e nunca nos esquecendo daqueles que ali estiveram doando sua experiência e acreditando que seríamos o que quiséssemos ser.


Alexandre Kury Port, empresário, consultor, acadêmico em Psicologia (FACCAT), Sócio-estudante da Sociedade de Psicologia do Rio Grande do Sul (SPRGS), Membro da Associação Luso-Brasileira de Psicologia Transpessoal (ALUBRAT). Usa a escrita como maneira de traduzir sentimentos em palavras, acreditando que uma pequena caneta e um pouco de tinta, pode fazer uma grande diferença.




Comente aqui
10 out17:55

Crônica da Semana, por Alexandre Kury Port

Sexo Pela Paz


A célebre frase “faça amor, não faça guerra”, um dito sociopolítico que marcou uma época na qual sexo era um tabu, ultimamente tem ganhado vida, e tem feito mais sentido do que habitualmente faria. Não que sexo tenha deixado de ser tabu, mas programas de entretenimento e folhetins televisivos tem feito com que o tema seja mais bem aceito pela família brasileira.

O fato é que, tabu ou não, o sexo pode mudar completamente uma realidade. Como?! Simples, uma greve de sexo na Libéria foi capaz de trazer paz à região. O sexo usado como poder não é geralmente aceitável, visto que na maioria das vezes este ato de greve ou privação não é utilizado com inteligência ou por uma causa nobre.

A Libéria estava tomada por uma guerra que durava anos e uma mulher realizou um movimento de união para com as outras na qual o propósito era aparentemente simples: provar a seus maridos de seu amor, ou melhor, do ato sexual. E a única maneira que estes homens teriam de volta o amor de suas mulheres seria optando por abrir mão do combate. Fazer amor e não fazer guerra.

O sexo nunca foi tão bem usado como forma de poder, visto que o objetivo era a preservação não só de uma nação ou região, mas sim da integralidade do ser. Mulheres guerreiras, corajosas, iluminadas, e espertas, cansadas de verem suas crianças e maridos arriscando-se durante anos. Usaram de um ato simples para uma grande realização: a Paz.

Sexo utilizado como poder é irracional, porém, aliar o poder do sexo com um objetivo nobre, único e exclusivo, é de uma inteligência racional e emocional irretocável. O sexo tem deixado de ser um tabu e tem passado a ser um assunto do dia-a-dia. Sexo tem de ser aceito como a consumação plena do amor, que é tão próximo da paz. E o que evidencia esta nova visão global sobre o sexo?!

Leymah Gbowee a líder do movimento pela greve de sexo na Libéria em 2002, a qual alcançou seu objetivo, a união de sua região e seus iguais, acaba de receber o Prêmio Nobel da Paz 2011. Um tabu cada vez menor, mas com grandes lições.

Alexandre Kury Port, empresário, consultor, acadêmico em Psicologia (FACCAT), Sócio-estudante da Sociedade de Psicologia do Rio Grande do Sul (SPRGS), Membro da Associação Luso-Brasileira de Psicologia Transpessoal (ALUBRAT). Usa a escrita como maneira de traduzir sentimentos em palavras, acreditando que uma pequena caneta e um pouco de tinta, pode fazer uma grande diferença.

Comente aqui
07 set15:34

Crônica da Semana, por Alexandre Kury Port

 

O Farol


Certos contos, a um primeiro olhar, nos parecem sem sentindo, sem nexo, sem um porque; porém, dentro de nós tendem a provocar verdadeiros terremotos,  abalando alicerces e estruturas profundas de nosso consciente e inconsciente.

Esse conto versa sobre um vilarejo, muito distante, sem contato com o mundo globalizado, sem celulares ou laptops, um vilarejo localizado a beira de uma praia, composto por poucas e simples casas, rodeado de uma água cristalina no mar, vegetações dos mais variados tons de verde, areias mais claras que a neve e pedras rústicas, onde as ondas quando vinham de encontro ao vilarejo batiam fazendo um verdadeiro espetáculo da natureza. Próximo ao vilarejo existia uma ilha, e nesta ilha se levantava um imponente e belo farol, que apesar de abandonado e apagado pelo tempo, ainda mantinha suas cores branca e azul.

Este vilarejo tinha o nome de Celtic Moon, nome este dado pela civilização que povoara aquela região séculos atrás, e que havia deixado um costume: em noite de lua cheia, a população se reunia e homenageava a lua, em um ritual, uma festa, com frutas, fogueira e dança… algo místico que jamais fora questionado, pois o vilarejo de Celtic Moon estava longe da civilização e longe de seu julgamento, seus rituais e sua existência eram uma lenda, jamais alguém havia ido até lá ver o farol e suas pessoas e seus rituais.

Certo dia um jovem desbravador chamado Júlian ouviu a lenda de Celtic Moon de seu avô, que dissera não ter tido tempo em vida para ir atrás do vilarejo, e lhe entregou um mapa, antigo, gasto pelo tempo, um mapa incapaz de ser lido por olhos desatentos, e então Júlian prometeu ao avô que iria em busca de Celtic Moon e de seu mito, que manteria segredo e daria uma maneira de o avô tomar conhecimento que de fato havia localizado o vilarejo.
Semanas se passaram, Júlian ia de acordo com seu coração, sendo guiado por uma força que não podia explicar, mas que tinha certeza que o levaria até Celtic Moon, dias de chuva, tempestade, calor, e Júlian não parava, ia adiante, viajou de carona, de cavalo, e a pé, percebeu que no caminho perderá sua indumentária moderna como celular, GPS, e qualquer outro material que tinha consigo que o manteria ligado com o mundo, mas sabia que não estava perdido.         Numa noite quente de lua cheia, Júlian subia uma montanha e via fumaça do outro lado, pensava que era uma casas e teria onde passar a noite, percebia que as paisagens já eram como o avô descrevia, com águas que brilhavam durante a noite, e o verde mais vivo que já havia visto em sua vida. Quando estava no cume da montanha e Júlian olhou para baixo, lá estava uma fogueira, e as casas de Celtic Moon. Ele havia encontrado a Lenda.

Chegou durante uma cerimônia, mas não se atreveu a interrompê-la, aproximou-se e observava, via as pessoas dançando, via o fogo brilhando e via a silhueta do farol se levantar em meio ao mar. Logo perceberam sua chegada e o receberam dando as boas vindas, e  fazendo ele se aproximar da fogueira. Trouxeram frutas e água, e ao final da cerimônia, foi indagado sobre como havia tomado conhecimento do vilarejo, e como ali havia chegado, o ancião não tinha mais dúvidas de que a chegada de Júlian era necessária mesmo sem ainda saber ao certo o porque.

Naquela mesma noite Júlian conhecerá Clara, algo nela o atraia era uma jovem de olhos claros, e estava sentada sobre as pedras contemplando o reflexo da lua quando Júlian se aproximou. Clara lhe abriu um sorriso e brincou o chamando de forasteiro, Júlian afoito queria saber sobre as cerimônias e sobre o vilarejo, e Clara apenas o olhava com serenidade, escutando todas as dúvidas do rapaz, sem responder. Ao perceber que não teria suas repostas tão rápido e em tão pouco tempo, Júlian, que estava sentado ao lado de Clara, a questionou sobre o farol. Clara lhe olhou o fundo dos olhos como se pudesse ler sua alma, e lhe contou que o farol era abandonado e que estranhamente suas luzes se acendiam e apagavam, quando alguém da aldeia viesse a falecer ou nascer, uma semana antes do fato. Porém há uma semana o farol havia acendido e nada tinha ocorrido, exceto Júlian ter chegado.

À noite, quando todos foram dormir, Júlian não conseguiu, pensava que tinha chegado, e sua cabeça ficava confusa, pensava em Clara, e o quanto ela era de uma certa maneira mágica e o encantava. Pensava por que o farol havia de ter se acendido e uma semana antes dele chegar; e sem perceber a noite se foi e o sol veio. Pela manhã, conversou com os moradores que escutavam o rapaz e lhe ajudavam a se ambientar em Celtic Moon, porem não conseguia parar de olhar para Clara, quem havia descoberto que era filha do ancião, e julgava que por isso a considerava tão mágica. No final do dia, a convite de Clara, Júlian foi com ela até a ilha do farol, e ao chegar lá, se deparou com pedras que faziam desenhos que só havia visto em filmes que retratavam povos antigos e esquecidos: conchas gigantes, madre pérolas indescritíveis e cavalos selvagens que ninguém sabia como ali tinham chegado correndo pela areia da praia, brancos e pretos. Júlian não percebia, mas clara também estava encantada por ele, e por isso ajudava o rapaz a tirar suas dúvidas, e foi ali rodeado por aquele lugar mágico que Clara e Júlian se beijaram pela primeira vez. Júlian não se atreveu a se aproximar do farol e voltaram para Celtic Moon.

À noite o ancião explicara a Júlian sobre as cerimônias, os festivais, os ancestrais, falava com paciência para que o jovem entendesse como cada lua tinha seu signo do zodíaco, e como isso interferia na ordem natural do ser humano. Explicou sobre as estações, e Júlian o escutava, contemplando a noite agradável e o barulho das ondas nas pedras ali perto. As semanas passaram Júlian já fazia parte da ilha e parte do coração de Clara.

Júlian então decidiu entrar no farol e foi até lá uma noite, sozinho, apenas com uma lanterna, entrou e se deparou com escadarias imensas, quadros, e baús, não sabia por que estava abandonado, e foi explorar. Júlian pacientemente explorou todo o farol, estava encantado. Quando estava saindo, num canto reparou um retrato e um baú, ao se aproximar viu uma foto de seu avô, mais novo em frente ao Farol. Júlian entendeu por que seu avô acreditava na lenda, e porque tinha o mapa. Júlian sabia que já era tarde de mais, que como seu avô fazia parte de Celtic Moon, ele ali teria que ficar. Passaram anos e o farol piscou muitas vezes inclusive antes do nascimento de David, filho de Júlian e Clara, e então pode-se saber que o farol significava a  roda da vida, a morte, o nascimento, o novo, o velho, o recomeço.

Até hoje não se sabe se Celtic Moon existe, não se sabe se as cerimônias ocorrem, ou se isso esta só na boca do povo. Não se sabe do farol, e se ele existia, a quanto tempo existia. Porém afirmo que cada um de nós tem um farol e um vilarejo de Celtic Moon dentro de si, mas temos que perceber as novas luas, e a luzes do farol, e assim o som do mar, nos mostrarão sempre o caminho certo a tomar.



Alexandre Kury Port, empresário, consultor, acadêmico em Psicologia (FACCAT), Sócio-estudante da Sociedade de Psicologia do Rio Grande do Sul (SPRGS), Membro da Associação Luso-Brasileira de Psicologia Transpessoal (ALUBRAT). Usa a escrita como maneira de traduzir sentimentos em palavras, acreditando que uma pequena caneta e um pouco de tinta, pode fazer uma grande diferença.

 

Comente aqui
28 ago11:55

Crônica da semana, por Alexandre Kury Port

Dança Comigo


Me peguei perguntando hoje o real poder que a dança tem, não a dança sozinha alucinada das festas raves de hoje em dia, que você precisa de uma multidão a sua volta, quando na verdade esta mais sozinho que no útero de sua mãe, mas a dança a dois, a qual tem um sentido e uma história, não a dança por diversão que liberta a alma, mas a dança que busca um significado, e me perguntei, que significado seria este.

Dançar com um amigo pode ser fantástico, pode ser algo que você nunca vá esquecer da habilidade e das boas risadas ao pisar no pé, é natural e sem rodeios, mas e a dança com uma pessoa que importa um tanto em sua vida, como fica?! Tomado por borboletas em seu estomago se pensa em tudo, até na possibilidade da pessoa não se afinar com seus passos e tropeçar em decepção, mas afirmo, impossível. Se está pessoa é importante pra você, significa que você pode ter sido comum aos olhos desatentos, mas agora, é a pessoa mais perfeita que existe no mundo dessa pessoa.

Você dança, respira, se emociona e cria convicção que sim, aquela é sua metade e ralmente, encaixa em você, como ninguém nunca encaixou antes, e esse encaixe se da no balanço de uma dança suave, movida a batimentos de dois corações que estão compassados em um mesmo ritmo e com uma mesma missão, a eternidade. A dança então passa de ser uma coisa simples a ser um ritual, porem um ritual natural sem rodeios, de companheirismo e amor, um símbolo, uma chave, ou se você preferir pode chamar de aliança, mas passa a ser uma das coisas mais puras que irá encaixar sua metade em você.

Poucos movimentos, uma musica suave, seja no Central Park, ou no meio da rua embaixo da chuva, o importante é que naqueles instantes, naqueles minutos, o que importa são só duas pessoas, os olhos se encontram, e então, com um brilho nunca visto, não a necessidade de palavras para descrever o que se sente, nem o que se quer dizer, surpreendente, mágico, eterno, assim se torna uma simples dança, que para acontecer, não existe a necessidade de pedir, dança comigo?! Mas sim a necessidade de ser espontâneo, único, e imprevisível, torando duas pessoas uma só, entregues, em um som, que só pode ser traduzido por um sentimento, o amor.


Alexandre Kury Port, empresário, consultor, acadêmico em Psicologia (FACCAT), Sócio-estudante da Sociedade de Psicologia do Rio Grande do Sul (SPRGS), Membro da Associação Luso-Brasileira de Psicologia Transpessoal (ALUBRAT). Usa a escrita como maneira de traduzir sentimentos em palavras, acreditando que uma pequena caneta e um pouco de tinta, pode fazer uma grande diferença.

 


Comente aqui
20 ago11:42

Crônica da semana, por Alexandre Kury Port


A arte de conversar

 

Como um suspiro, assim se inicia uma conversa. Olhos e ouvidos atentos enquanto bocas constroem teorias e soluções com simples palavras, muitos dizem que a escuta é terapêutica, mas no que isso consiste?! Em simplesmente escutar ou em algo maior?! Conversar é um desafio, passamos o dia em contato com pessoas, comentamos o jogo do brasileirão, a novela da globo, mas não nos damos conta que conversar é uma arte. Comprovadamente a fala é de pequena significância na comunicação de duas pessoas, dizem que o corpo fala muito mais, porém, nos damos conta de todo processo que ocorre conosco durante uma conversa.

Todos nós somos como um alfabeto, somos uma letra, com um universo de possibilidades de palavras a serem escritas, palavras estas que compõem uma conversa.
Ao conversar com um amigo meu ontem, ele me falou que ficava impressionado com a pobreza do ser humano, pois até nosso pensamento se dava em função de palavras, e o que é o pensar se não uma conversa nossa com nós mesmos? Não concordo com o fato do ser humano ser pobre, mas sim a parte de pensarmos até em forma de palavras.

Atribuímos palavras a objetos e a sentimentos que não significam necessariamente o que nossa boca profere. Atribuímos palavras a sentimentos como “eu te amo”, “estou com saudade”, como conseguimos expressar através de uma simples palavras aquilo que nosso corpo, nosso coração e nossa alma querem dizer, muitas vezes atribuímos mais valor a coisas escritas do que ditas, porque ocorre isso conosco, se conseguimos ler muito mais com a alma de frente para alguém do que com os olhos em um pedaço de papel?! Porém podemos partir do princípio que nem todos percebemos o quanto nossa alma é capaz de ler.

Somos providos de ferramentas em nosso inconsciente as quais muitas vezes não atribuímos valor e não acionamos durante uma conversa, e essas ferramentas nos tornariam muito melhores ouvintes, e a partir dessa qualidade de percepção poderíamos falar melhor, fazendo com que a pessoa realmente entenda não o que nosso cérebro que falar, mas sim nosso coração.

Você com certeza já ouviu que os olhos são a janela da alma, porem será que quando olhamos no espelho olhamos para dentro da nossa janela?! Estamos prontos para aprender dentro de nós mesmos?!  Somos Deuses nossos, obviamente temos uma força maior que rege o universo, mas isso não invalida a teoria de que todos somos Deuses e capazes de tudo, somos capazes de nos auto-analisar, e aprender com nossas falhas e acertos, nos tornando pessoas melhores. Porém temos o péssimo habito de olhar o lado ruim das coisas e não tirar proveito dos nossos erros.
Tudo em nossa vida acontece por alguma razão, destino?! Com certeza não, mas sim nossas próprias escolhas inconscientes, conscientes e de nossa alma, muitos anos antes de estarmos nessa passagem pela vida, e quando esses mecanismos escolhem o “peso de nossa cruz”, pois são estas as lições que temos que ter durante nossa existência, e só depende de nós o quanto aprenderemos com nossa vivência.

Dito isso concluo que essa é a parte da nossa auto conversa, e se temos situações a desenvolver e aprender com nosso interior imagine o que não temos a aprender como o outro e muitas vezes por não dominarmos a arte de conversar deixamos grandes lições passarem, e essa reforma, esse aprender a aprender começa em nosso coração que não é a janela, mas sim a porta para nossa alma.




Alexandre Kury Port, empresário, consultor, acadêmico em Psicologia (FACCAT), Sócio-estudante da Sociedade de Psicologia do Rio Grande do Sul (SPRGS), Membro da Associação Luso-Brasileira de Psicologia Transpessoal (ALUBRAT). Usa a escrita como maneira de traduzir sentimentos em palavras, acreditando que uma pequena caneta e um pouco de tinta, pode fazer uma grande diferença.

 


Comente aqui
13 ago11:03

Crônica da Semana, por Alexandre Kury Port


Prece aos arquitetos


Costumo falar que ser arquiteto não é uma profissão, é um dom. Mas minha prece não se limita aos profissionais que exercem a prática profissional de arquitetura, mas aos arquitetos da música, os arquitetos da alma, os arquitetos da arte, e tantos outros que vamos falar. Ser arquiteto é dar cor ao dia, é ter um olhar novo sobre o cartão postal mais conhecido do mundo.

Se Deus me permite, que aqui fique dito, que ser arquiteto é ser portador de uma luz possível de modificar uma vida, criar um sorriso, construir o amor. É ter um papel e uma caneta na mão e saber que se pode mudar o mundo, criar, reinventar, construir, e decorar. Decora musicas, almas, casas. Poetas, escritores, artistas e arteiros, arquitetos.

Se podemos enxergar o horizonte, o arquiteto olha além dele, vive ele, e ali reconstrói, reinventa, inventa! Ser arquiteto é ter o conhecimento para construir um futuro, e mudar um mundo, é preparar o hoje, fazer o hoje, acontecendo no amanhã. Quem fica sem telhado, ganha o céu e as estrelas, um arquiteto vai te ensinar a ver as estrelas de 15 maneiras diferentes, porque se ele lhe contar as mil maneiras que ele conhece você o chamará de doido.

E tenha certeza, rezo nessa prece, todo arquiteto é doido, maluco, pois o mundo pertence a eles, pois só com essa loucura toda se mostra o coração puro de artista, arteiro. Ser arquiteto é ser senhor do seu tempo, construindo um novo ponto de vista a cada olhar, e a cada olhar um novo ponto de vista. É o hoje, o amanhã e o ontem no presente, construindo um mundo mais puro, com mais amor.


Alexandre Kury Port, jovem gaúcho residente da cidade de Canela, começou a escrever aos 15 anos, quando começou a ler as crônicas escritas por seu avô. Atualmente empresário e acadêmico de psicologia, faz da escrita sua forma de traduzir sentimentos em palavras. Ele escreve semanalmente para o clicRBS Gramado. alexandrekuryport@gmail.com

Comente aqui
07 ago09:16

Crônica da semana, por Alexandre Kury Port


Uma amizade para recordar


Um amigo é como um botão de flor que desabrocha, precisa da chuva, dos dias de sol, da garoa, dos entardeceres repletos de cores em um céu que espera a decoração de inúmeras estrelas.  São necessárias as estações certas para o amadurecimento e o desabrochar dessa flor. Uma amizade é construída na chuva, no sol e nos entardeceres de compreensão e conversa, com a certeza de por mais que seja longa a noite, o sol virá em algumas horas.

Algumas amizades enfrentam longas secas e ficam muito tempo separadas, congeladas como numa pintura refinada com seus traços bem desenhados.  Fica ali, congelado, e depois de anos vem a chuva, então as flores deste quadro ficam com o mesmo vigor de anos atrás, antes da seca. Amizades que, apesar da distância, basta uma ligação para que toda sintonia volte a ser exatamente como era.

Ser amigo é ter um sorriso bobo no rosto, a palavra certa na hora necessária e saber que quando o mundo pede um pulo não basta querer voar, tem que saber se jogar. Em uma amizade existe uma conexão maior, uma conexão de alma, energia de ser irmão, ter uma asa só para que junto se consiga voar.

Que passem as estações, os dias de chuva, as garoas e os dias de sol, o frio do inverno… E que suporte as geadas mais intensas, tendo a certeza que a primavera e o sol vão retornar.

Ser amigo é estar pronto para atender ao telefone na madrugada, sair correndo e estar com os braços sempre abertos para uma pessoa,  que por mais tempo que demore, você sempre verá sinceridade e amor nos olhos. Ser amigo é ter alma, é amar.


Alexandre Kury Port, jovem gaúcho residente da cidade de Canela, começou a escrever aos 15 anos, quando começou a ler as crônicas escritas por seu avô. Atualmente empresário e acadêmico de psicologia, faz da escrita sua forma de traduzir sentimentos em palavras. Ele escreve semanalmente para o clicRBS Gramado. alexandrekuryport@gmail.com

Comente aqui
30 jul16:59

Crônica da Semana, por Alexandre Kury Port


O poder do perdão


Você nem percebeu, mas seu peito está apertado, seus olhos cansados, seus ombros pesados, você come demais ou de menos e não consegue dormir bem. O que aconteceu você não sabe falar, mas algo lhe incomoda, algo que provavelmente esteja entalado na garganta; quando seus pensamentos começam a procurar respostas você não consegue vê-las, pois chegar perto das reais razões de estar assim te machucam mais do que essas defesas que já se mostram em seu corpo.

Pessoas erram conosco todos os dias, algumas destas pessoas cometem erros irreparáveis que nos causaram sofrimento por longos anos, outras cometem erros de pouco impacto, mas que da mesma maneira causara um sofrimento irreparável em nossa alma. Cada um de nós tem uma maneira de aceitar e aprender com o erro que os outros cometem conosco e também com nossos próprios erros não só para com os outros, mas também para com nós mesmos. Pois não erramos só com outras pessoas, todos nós sabemos que cometemos erros pessoais que nos causam talvez muito mais sofrimento que qualquer outro tipo de erro, e que muitas vezes esse sentimento de erro pode virar culpa.

É natural de nossas defesas nos culparmos, culpar os outros. Porém não percebemos o quanto isso nos causa um sofrimento psíquico considerável, nossa alma sofre dentro de nós pedindo que pensemos nessa culpa, que não é necessária se aprendermos o poder do perdão. O perdão: uma palavra simples, mas capaz de iluminar nossa alma em poucos segundos, libertando o aperto do peito, abrindo nossos olhos, tirando um peso de nossos ombros e nos dando uma capacidade de nos sentirmos leves, livres. Temos de tirar o aprendizado mais positivo de nossos erros e dos erros que os outros cometem conosco. Pergunte a si mesmo o que pode tirar de bom do que aconteceu e siga a diante.

Perdoar é mais que uma simples palavra, o poder do perdão vem de dentro, vem de nosso coração quando ele já não suporta mais um sentimento invasor desnecessário. Mais que perdoar o outro, temos que primeiro estar prontos para nos perdoarmos, pois essa reforma é necessária para que possamos realmente nos sentir iluminados e livres. O perdão parte de nós, devemos nos perdoar para aprender a perdoar o outro, e assim, saberemos o verdadeiro sentido e o poder de perdoar.


Alexandre Kury Port, jovem gaúcho residente da cidade de Canela, começou a escrever aos 15 anos, quando começou a ler as crônicas escritas por seu avô. Atualmente empresário e acadêmico de psicologia, faz da escrita sua forma de traduzir sentimentos em palavras. Ele escreve semanalmente para o clicRBS Gramado. alexandrekuryport@gmail.com

Comente aqui
23 jul17:43

Crônica da Semana, por Alexandre Kury Port


O Código Secreto dos Anjos


Quando olhei o sol entrando pela janela daquela manhã lembrei-me da ironia do tempo, como podia um sol tão quente num dia de inverno tão rigoroso? O frio entrava pela janela entreaberta congelando não só os ambientes, mas os olhares; entrei em meu consultório, ao verificar a agenda, havia pacientes em todos os horários, seria mais um dia de pura psicologia. Minha formação havia feito de mim uma pessoa de poucas palavras e relacionamentos, simplesmente minha vida era meu trabalho, minha casa e um bichano no qual eu havia dado o nome de Benjamim, que me acompanhava nas noites de solidão.

Seria só mais um dia de trabalho, não fosse a paciente que entrara em minha sala às 20h20min e que, por alguma razão, fizera meu coração acelerar, jamais um olhar e expressão haviam me causado tal reação, não era paixão nem química, mas um arrepio que se consolidava em meu corpo e, apesar dos anos de profissão, foi impossível não gaguejar nas primeiras palavras: a frieza no olhar e ao mesmo tempo a docilidade que transmitia, haviam me dominado. Seu nome era Carolina, com olhos azuis, cabelos loiros, agiu de uma maneira como se conhecesse minha vida, falou de minhas experiências de religião e sem delongas, chamando-me pelo nome, disse:

- Dr. Henrique, não temos mais tempo, precisamos de você. Nós sabemos o que você conhece e precisamos de sua voz.
Nos instantes que se seguiram ela simplesmente se levantou e se retirou do meu consultório, me deixando com inúmeros questionamentos, quem precisaria de mim?! Por que precisaria de mim?! E principalmente por que tive tais reações, por que Carolina havia agido como se me conhecesse.

Após aquele choque com o coração acelerado e borboletas em meu estômago, fechei meu consultório e segui para casa, onde Benjamim me esperava ansiosamente para me amar por tempo indefinido até o próximo prato de comida. Ao tomar banho e sentar em frente a minha lareira, para aquecer-me, fechei os olhos e os questionamentos começaram a vir, naquele momento eu precisava de ajuda e sabia a quem recorrer.

Luci era uma das meninas mais doces que eu havia conhecido na minha vida, tinha os cabelos morenos, lindos, compridos, os olhos castanhos que quando o sol batia pareciam pedras preciosas, seu sorriso iluminava o mais escuro dos dias, mas o que me fez  aproximar dela era seu jeito desastrado, distraído e engraçado de ser; sempre ficava olhando pela janela nas aulas de psicologia e às vezes via ela falando sozinha. Quando me aproximei de Luci descobri um lado assustador, o qual eu não acreditava, Luci era espiritualista desde pequena e quando completara dezoito anos fora iniciada em uma Ordem de Ciganos, conhecera mistérios de nossa existência e via coisas as quais nós com nossos véus não víamos; se todos conhecessem Luci como eu conhecia, chamariam ela de louca. Luci sempre me falara dos mistérios e eu não dava ouvidos, debochava e às vezes fingia não ouvir, e naquele momento a única pessoa que me ouviria e me daria conselhos seria ela.

Liguei pra Luci e a chamei em minha casa ainda naquela noite, que assim fez. Ainda me lembro que o céu se iluminava de estrelas e eu sentei-me com Luci em frente à lareira onde Benjamim dormia, e por aquela madrugada contei o que havia acontecido, Luci me escutara e tentara encontrar explicações junto comigo.

Eu e Luci decidimos então irmos, na manhã seguinte, à Biblioteca Pública e investigar o nome de Carolina, ao chegarmos a escadaria os leões de mármore se erguiam a nossa frente. Entramos e percorremos aqueles corredores imensos até chegarmos aos arquivos, e então quando chegamos às velhas máquinas e começamos a investigar, lá estava a imagem de Carolina, exatamente como estivera em meu consultório, algo normal, não fosse um jornal datado de 54 anos atrás. Eu fiquei sem reação e Luci desesperadamente tentava me acalmar, como poderia alguém ter congelado com o tempo e mantido a mesma fisionomia; a matéria dizia que aquela jovem comprara a casa da Torre, uma famosa casa afastada na cidade, e lá instituiria uma escola.

Ao procurarmos mais, encontramos matérias mais remotas que contavam que a escola havia pegado fogo ao completar 10 anos, pois certas pessoas julgavam que ali se praticava bruxaria e desde então Carolina não fora mais vista na cidade. Luci não me deixou pensar e logo me pegou pela mão e fomos direto à casa da torre.

A casa da torre ficava em uma grande floresta em meio à cidade, abandonada devido as lendas que se criaram após o incêndio. Luci insistiu e pulamos a cerca, aquele lugar me provocava arrepios, seguimos o caminho de pedras tomado pelo limo, a medida que caminhávamos eu tinha a impressão que alguém nos seguia em meio a vegetação, caminhamos alguns minutos e de repente lá estava aquela estrutura em pedra abandonada com sinais do incêndio. Luci não teve dúvida, foi entrando na casa, a impressão que se tinha era que o fogo havia sido apagado, porta-retratos caídos nas paredes, mesas viradas, algo assombroso, enquanto explorávamos ouvimos um estrondo vindo do piso superior, nos olhamos e Luci me fez sinal para subirmos. Pé por pé subimos onde segundo o jornal ficavam as salas de aula; carteiras abandonas, quadros castigados do fogo, e símbolos religiosos nas paredes. Eu não queria falar, mas aquilo me parecia mesmo uma escola de bruxaria, restava saber o que tinha eu a ver com isso…

Novamente um segundo estrondo veio da escada que dava na torre, e ao subirmos lá estava um baú intacto, como se fora colocado ali instantes antes, no momento que o abri, achei fotos, roupas e um mapa, que mostrava um local secreto dentro da catedral de nossa cidade, e junto a esse bilhete uma foto de Carolina, com um senhor, era meu pai, ao lado deles havia uma criança, que eu realmente temia que fosse eu. Luci sem pestanejar no caminho para a catedral ligava para Baltazar, Cigano líder de sua seita e contara toda história, Baltazar nos encontraria na catedral e dizia ter o que falar sobre a casa da torre.

Ao estacionarmos meu carro em frente a igreja lá estava ele, de bandana na cabeça e camisa de seda, sem conhecê-lo sabia que era Baltazar. Entramos rápido na igreja, pois havia recebido uma ligação de minha secretária, Carolina marcara horário no final daquele dia, o relógio marcava 11h37min, e eu tinha até as 18h15min, para saber o que me esperava em meu consultório. Baltazar me tratara como filho e falara que a ordem dos ciganos sempre respeitara Carolina, porém ninguém sabia ao certo quem era ou o que fazia. Baltazar, no entanto, descartava a teoria de Bruxaria.
– Jovem Henrique, bruxos todos somos, felizes os que sabem disso.

Aquele homem poderoso me dera segurança e então eu e Luci decidimos acessar os locais da igreja a qual aquele mapa mostrava, Baltazar se despediu e nós seguimos para um local que apontava o confessionário, lá estava o alçapão que dava acesso a uma escadaria ao sub-solo da catedral. Era escuro e úmido, ao seguirmos pelo corredor apertado de rochas encontramos uma sala cheia de pergaminhos e um livro cadeado antigo e grande em cima de um pedestal, e em sua grossa capa as iniciais de meu sobrenome SP, de maneira alguma consegui abrir o livro, então resolvemos levá-lo junto ao meu consultório, onde eu me prepararia para atender Carolina.

Luci julgara que dali para frente eu deveria ficar sozinho, e que depois que tudo terminasse deveria ir ao seu encontro, entrei no consultório e corri para minha sala com aquele livro, já não tinha mais tempo,  e quando vi, Carolina adentrava a porta.

- Encontrou o livro então Dr.?!
– O quê e quem você é?! Onde estão as chaves deste cadeado?!
– Estão dentro de você Henrique.
– Como assim?!
– Coloque sua mão sobre o cadeado e feche os olhos.

Naquele momento não sei o que aconteceu, adormeci como se tivesse desmaiado e ao acordar me deparei com o livro aberto e o seguinte título: “Código Secreto dos Anjos”. Não vi sinais de Carolina; ao perguntar para minha secretária por ela, dissera que nos últimos dois dias não havia tido nenhuma paciente com esse nome. Luci ao ouvir isso se arrepiou mas não questionou e pediu que eu não questionasse também.  Estudei o conteúdo do livro e constatei que eram ensinamentos sobre o universo e seus mistérios, achei um bilhete dentro, meu pai fora professor da escola na casa da torre, e escrevera aquele livro junto com Carolina, e eu quando criança estava junto, a foto retratava um dia antes do incêndio e o dia que o livro fora terminado. Eu entendi que minha missão era de forma sutil levar aquela mensagem, de que não estamos sozinhos, e que existem mais coisas do que podemos compreender; certas palavras não são ditas para se compreender em algumas horas ou dias, mais sim durante uma vida inteira.

Hoje conto essa história, como uma das minhas últimas missões, tenho 60 anos, casei com Luci, a menina maluca, que sempre estava lá com os braços abertos, temos filhos lindos e desde que recebi o livro tenho propagado sua mensagem.

Todo ser humano tem dentro de si um pequeno mundo, somos tomados pela rotina e muitas vezes deixamos de olhar para o nosso mundo, a questão é que temos que observar que para termos esse pequeno mundo dentro de nós, temos um grande universo, somos uma pequena parte importante em um equilíbrio, se até uma simples xícara de café tem o equilíbrio certo entre água e café quem dirá o equilíbrio da nossa existência. Hoje posso dizer que acredito em anjos, depois de Carolina ter aparecido na minha vida, não estamos sozinhos em nenhum momento. Devemos desvendar os mistérios, subir nossa torre, achar o baú e então finalmente encontrar nosso próprio livro, valorizando quem sempre e para sempre estará lá de braços abertos para nós.


Alexandre Kury Port, jovem gaúcho residente da cidade de Canela, começou a escrever aos 15 anos, quando começou a ler as crônicas escritas por seu avô. Atualmente empresário e acadêmico de psicologia, faz da escrita sua forma de traduzir sentimentos em palavras. Ele escreve semanalmente para o clicRBS Gramado. alexandrekuryport@gmail.com



Comente aqui