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Posts de março 2014

É questão de honra repensar o Grêmio

31 de março de 2014 70
Marcelo Grohe: se sobrou técnica, faltou voz de comando. (Crédito da foto: Diego Vara)

Marcelo Grohe: se sobrou técnica, faltou voz de comando. (Crédito da foto: Diego Vara)

Por Caue Fonseca 

Lembram do que escrevi há alguns dias, sobre o quão próximo estão o céu do inferno quando se  trata de futebol? Pois então.

Desde que Leandro Vuaden apitou o final de jogo, muito já se falou dos porquês de o Grêmio ter perdido. Concordo com o Guilherme Mazui e faço alguns pequenos adendos.

De fato o Grêmio não voltou do intervalo. Pior do que isso. Desde que abriu o placar, em vez de procurar o gol que mataria o jogo, recuou de forma inaceitável. Deixou de tomar a virada antes ou tomaria ela depois, mas via de regra, time que se contenta com o placar vigente o deixa escapar. 

Mas faltaram outras duas coisas.

A primeira foi liderança.

Na hora que o Inter voltou do intervalo elétrico, era o momento de Grohe, Rhodolfo, Edinho, algum dos jogadores experientes da defesa colocar ordem na casa no grito. Também não custava umas faltas, alguns atendimentos médicos, o que valesse para esfriar o jogo e enervar o adversário. Danrlei, ontem, no lugar do atônito e calado Marcelo Grohe, aos 10 minutos daquele segundo tempo já estaria sem voz e teria arrumado umas três brigas.

Faltou experiência para não entrar na roda.

A segunda falha foi de Enderson Moreira. O grande mérito do técnico nesta temporada foi ter dado ao Grêmio um padrão de jogo. Mas isso acarreta um problema. Eu, aqui, atrás do meu notebook, sei exatamente como o Grêmio joga. Eu e todo o Rio Grande do Sul sabemos quais jogadores que, se bem amarrados, o Grêmio entra em colapso.

Abel também sabe. Amarrou Wendell na lateral, controlou as investidas de Luan e Dudu e o time foi a pique.

O Grêmio foi óbvio, ontem. Faltou um mínimo de surpresa tática. Um mínimo de jogadas ensaiadas. Faltaram coelhos na cartola do nosso treinador.

Segundo o próprio Enderson, faltou também um pouco de perna. Acredito nele, e é aí que entra o segundo jogo.

Tentando fazer do limão uma limonada, é hora de nos garantirmos na segunda fase da Libertadores de uma vez, na Colômbia, para aproveitar essa semana e meia até o jogo da volta da final.

Agora, é questão de honra planejar a melhor forma de colocar água no chope colorado.

Enquanto o time recupera o fôlego dessas últimas semanas, Enderson que reinvente o Grêmio. Não para a temporada toda, mas especialmente para o jogo diferenciado que é o clássico. Do outro lado serão duas semanas de corneta e oba-oba (até porque não há campeonato algum para jogar). Pois do lado de cá, que seja de treino e treino.

Que Enderson treine nossa bala parada, uma nulidade completa nesta temporada. Que pense alternativas e as coloque em campo imediatamente caso o jogo não flua. Que aprenda a amorcegar um jogo, usando seus jogadores mais experientes, caso a coisa se complique.

O que me consola é que ainda somos um time superior ao Inter. Reverter este 2 a 1 não é nem perto de impossível. Não temos nada a perder e qualidade o suficiente para garantir que esta taça seja entregue ao melhor time do Estado.

Todo jogo tem dois tempos

30 de março de 2014 62
Dava tudo certo, até o time parar. FOTO: Diego Vara

Dava tudo certo, até o time parar. FOTO: Diego Vara

Por Guilherme Mazui

Um jogo de futebol tem dois tempos. Fato óbvio, mas que o Grêmio esqueceu. Jogou bem meia hora, fez 1 a 0 e quase ampliou, amorcegou mais 15 minutos e foi para o intervalo satisfeito. De tão satisfeito, fez figuração no restante do clássico, tomou a virada e complicou demais a conquista do Gauchão.

O Grêmio teve piedade, gostou do 1 a 0, não martelou com a força exigida para matar o jogo. Futebol não é esporte de piedoso. Quer piedade, reze um terço. Não dispute um campeonato.

O Grêmio do segundo tempo foi o oposto do primeiro. A equipe bem postada e envolvente deu lugar a um amontoado sem força na frente e desarrumado atrás. Deixamos o Inter voltar ao clássico, deixamos a taça na mão do rival. Será preciso uma façanha para reverter o quadro.

Espero que a derrota no Gre-Nal, em plena Arena, deixe lições. Enderson Moreira precisa mexer antes no time. Esperou o empate para tentar, sem sucesso, acordar o time. A bola parada segue triste. E, alguém, pelo o amor dos céus, acorde o Wendell. Desde que foi vendido seu futebol sumiu.

O Grêmio é um time em formação, que foi contagiado pelo suposto favoritismo. Uma equipe vencedora não comete erro tão banal. E jamais esquece que todo jogo tem dois tempos. Vale para o próximo clássico e para as peleias que estão por vir na Libertadores. A nós, gremistas, fica a ordem de sempre acreditar.

 

Gre-Nal para lotar a Arena

29 de março de 2014 29
Pra cima deles, Luan! FOTO: Ricardo Duarte

Pra cima deles, Luan! FOTO: Ricardo Duarte

Por Guilherme Mazui

O Gre-Nal 400 é o primeiro passo para reconquistar a hegemonia regional. Quero 50 mil vozes na Arena, um mar tricolor a empurrar um Grêmio destemido, sem misericórdia do rival. Podemos encaminhar o título em casa. E mandar os vermelhos de cabeça inchada para reinaugurar a reforma da beira do Guaíba.

A fase engana-bobo da temporada terminou na quarta-feira. O domingo inaugura a temporada de verdadeiros testes para um Grêmio que se propõe a iniciar uma era vitoriosa, agora, na Arena. Períodos de glória se constroem com taças, mesmo as estaduais. Temos a oportunidade de conquistar a primeira.

O clássico pinta sem favoritos, apesar da insistência alheia em colocar o Grêmio na frente do Inter. Confio plenamente no elenco, na nova mentalidade instaurada por Enderson Moreira. E aposto em Luan.

O garoto-prodígio foi lançado como titular justamente no clássico da primeira fase, o 1 a 1 do dia 9 de fevereiro. Quase dois meses depois, o guri é inquestionável. Desde Carlos Eduardo não saía um jogador tão promissor da base. Veloz, marca gols e dá passes. Em vez de cair, como seu antecessor, avança em direção à meta adversária.

Pois chegou a hora de Luan dar o passo adiante no caminho de ídolo gremista: gol, grande atuação, vitória em Gre-Nal. Um passo que pode colar em outra etapa da criação de um ídolo, a conquista de um título. Um troféu que vai reforçar a confiança para buscar outra taça que tanto cobiçamos, a Taça Libertadores.

Avante, Grêmio! Queremos todas as copas!

O Grêmio e o Gauchão

28 de março de 2014 10
Gauchão: um bônus, um "cafezinho" é um sinal de que as coisas estão no rumo certo

Gauchão: um bônus, um “cafezinho”, um sinal de que as coisas estão no rumo certo…

 

Por Caue Fonseca

O tricolor tem uma relação engraçada com o Campeonato Gaúcho desde que comecei a acompanhar futebol, há uns duas décadas. Em geral, o Grêmio se torna campeão do estadual de duas formas.

A primeira, é quando encasqueta de complicar a vida do arquirrival. Quando faz questão de demonstrar quem manda no pago mesmo quando a gangorra pende para o outro lado. Foi dessa forma, por exemplo, que vencemos os campeonatos de 2006 e 2010.

Pode ser coincidência, mas nessas duas vezes em que superamos os vermelhos, a nossa conquista acarretou uma correção de rumos lá pros lados do Guaíba e nossos rivais acabaram vencendo a Libertadores. Involuntariamente, permitimos que eles melhorassem graças ao tombo que nós mesmos propiciamos. Coisas da vida.

O mesmo não ocorre conosco. Não somos como os vermelhos.

Eis a segunda forma como costumamos vencer o Gauchão. Para nós, quando estamos rumo a uma grande conquista, o Gauchão vem como parte natural do processo. Costumamos ver a taça do nosso rincão como um bônus. Ou, como disse Fábio Koff em parcas eras, como um cafezinho.

Por isso, tenho imensa raiva toda vez que vejo um técnico tricolor (Celso Roth e Luxemburgo são os exemplos recentes mais gritantes) pregar que se coloque o regional em segundo plano em nome uma Copa maior. Não é assim que as coisas funcionam quando se veste as três listras. E quem pensa assim, não merece treinar o Grêmio.

O Gauchão é menor, sim, mas vencê-lo é um sinal de que as coisas estão no rumo certo. Se não colocamos essa faixa no peito, é um mal mau presságio*. 

Felizmente achamos um técnico e um grupo de jogadores que parecem ter aderido a essa filosofia. Não sei se vamos vencer ou perder o Gauchão nesses dois Gre-Nais que se avizinham, são coisas dos deuses do futebol, mas fico tranquilo de que jogaremos com o claro objetivo de batizar a Arena com um título.

E jogaremos para a Arena ir se acostumando. Porque, se vencermos o Gauchão, é sinal de que não demora para a tacinha ganhar companheiras mais vistosas.
*A correção acima foi observada pelo leitor Vitor Hugo, um colorado que é melhor no português do que no gosto futebolístico. Obrigado, Vitor!

Dispenso o favoritismo

27 de março de 2014 29
Luan é arma para final. FOTO: Jefferson Bottega

Luan é arma para final. FOTO: Jefferson Bottega

Por Guilherme Mazui

E o Gauchão será decidido em Gre-Nal. Dois, na verdade. Dois clássicos em que pintam o Grêmio como favorito. Discordo e dispenso tal rótulo. Deixem o Grêmio quieto e trabalhando. É assim que levantamos taças.

Somos o time mais testado do Brasil até o momento, sempre com boa resposta. Por isso, alguns comentaristas indicam nosso favoritismo. No entanto, o Inter tem a melhor campanha do Estadual com méritos – venceu 13 dos seus 16 jogos. Ainda tem um bom técnico e um bom elenco. Merece nosso respeito, jamais nosso temor.

Portanto, sou incisivo: não quero saber de favorito nos Gre-Nais. Quero o Grêmio com a faca nos dentes.

O primeiro clássico tem endereço definido: Arena do Grêmio. Que precisa estar lotada. O melhor público do estádio é de 43 mil pessoas, logo, sobraram 12 mil lugares. Domingo é dia de 50 mil vozes a empurrar nosso Grêmio. Ele merece.

Já a partida derradeira, duas semanas depois em virtude de uma pausa estúpida para inaugurar o reformado Beira-Rio, não tem palco definido. Pode ser à beira do Guaíba ou em Caxias do Sul. Independente do terreno, temos time para vencer.

A grandeza do clássico valendo título gaúcho cai melhor para o primeiro jogo oficial do novo Beira-Rio. Fará com que o rival se esforce mais. Por outro lado, oferta ao Grêmio oportunidade ímpar de estrear a casa alheia dando volta olímpica. Seria perfeito. Espero que assim seja.

***

Já na Libertadores, o Nacional do Uruguai tentou, mas deu a lógica – vitória do Newell’s. Nossa tranquilidade passa pela Colômbia. Um empate diante do Atlético Nacional nos deixa virtualmente classificados. Para cair, teríamos de ser goleados em casa na rodada final contra os uruguaios, já eliminados. Prefiro resolver antes. Uma vitória na semana que vem garante a vaga.

Assim, no Gauchão e na Libertadores, a fase do engana-bobo passou. Em quatro jogos veremos se o Grêmio confirma todas as virtudes que tem apresentado. Confio que vai confirmar. Avante! Queremos a copa!

Mais concentração, menos oba-oba

26 de março de 2014 21

Por Caue Fonseca

Não é um nem dois comentaristas esportivos que apontam o Grêmio como o time brasileiro de melhor futebol até aqui, em 2014. Na crônica gaúcha, nem se fala.

Outro dia um amigo colorado que se bandeou do RS ironizou os elogios rasgados dos comentaristas à esquadra de Enderson. Respondi:

“Pra tu veres como eles não são gremistas. Se fossem, estariam ressabiados como todo bom gremista.”

Imaginem, por exemplo, que o Grêmio estivesse jogando com a mesma desenvoltura, mas que aquele cabeceio de Rhodolfo tivesse lambido a trave e saído. Onde estaríamos agora? Em terceiro na Libertadores, temendo uma derrota em Medellin e um jogo de compadres entre argentinos e colombianos na última rodada. Disputando o Gauchão atucanados com a Liberta.

Buscamos o empate em Rosário, e fizemos por merecer o resultado. Porém é bom fazer o exercício para se dar conta de quão próximo estão o céu e o inferno. E manter-se por cima passa hoje por uma vitória sobre o Brasil de Pelotas. Em manter-se vivo pras finais do Gauchão.

Na Arena, temos de ser capazes de vencer qualquer adversário do Gauchão, mas isso não diminui a qualidade do Brasil. Batê-lo é algo que apenas dois adversários já fizeram no campeonato em 16 jogos. Outro dado impressiona: nenhum adversário fez mais de um gol nos xavantes, mesmo longe do Bento Freitas. Significa que é um time que vende caro a derrota.

Portanto, concentração hoje à noite. Se estamos voando, ainda é cedo para acreditar que atingimos velocidade de cruzeiro.

No caminho para ser o melhor

25 de março de 2014 27
Grêmio em grande fase. FOTO: Ricardo Duarte

Grêmio em grande fase. FOTO: Ricardo Duarte

Por Guilherme Mazui

Nossas últimas apresentações fizeram a crítica se derramar em elogios.  Mampituba abaixo e acima comentaristas apontam o Grêmio como o melhor time brasileiro do momento. Vivemos uma bela fase, voltou a dar gosto ver o time jogar, mas tenho cá minhas dúvidas.  Ainda é cedo. Digo que o Grêmio está no caminho para ser o melhor.

As boas campanhas na Libertadores e no Gauchão garantem os elogios.  Somos a equipe mais testada do Brasil, sem questionamentos. Ninguém encarou tantos adversários tarimbados com sucesso. Fizemos um bom clássico, lideramos o Grupo da Morte da Libertadores, encaremos de igual para igual o melhor time argentino da atualidade, passamos com folga pelo melhor colombiano. Sempre com boas apresentações, sem depender da sorte.

Enderson Moreira encontrou uma formação que mescla pegada com apetite por gol e vitória, que segue as padrões dos times vencedores dos últimos anos: defesa forte somada a homens rápidos na frente. Está difícil marcar o Grêmio. Luan, Wendell e Dudu disparam. Barcos fica mais na área, é mais acionado, logo, faz mais gols.

Ainda temos o que melhorar – em especial a bola parada -, mas os indicativos turbinam a confiança. Ao mesmo tempo em que anima, o bom presságio pode ser traiçoeiro.  No caminho para ser o melhor time brasileiro aparecem os jogos decisivos. É nesta hora que o vencedor se afirma, coloca a faixa no peito.

Quarta-feira temos uma semifinal traiçoeira de Gauchão contra o Brasil – vale a mesma seriedade da vitória sobre o Juventude. Ao que tudo indica, domingo surge o primeiro Gre-Nal das finais, seguido de uma fumaceira na Colômbia na quarta seguinte. Uma semana depois, a partida derradeira da primeira fase Libertadores, diante do Nacional. Mais três dias e a peleia final do Estadual.

São cinco jogos quentes, cinco jogos decisivos. O Grêmio terá sua condição técnica, física e mental testada. Se sobreviver com louvor, com classificação na Libertadores e taça no armário, teremos a certeza de que somos o melhor time do Brasil no momento. Eu acredito que assim será. Vamos torcer!

Bom começo da nova maratona

23 de março de 2014 33
Testada do Pirata: com os 3 de ontem, Barcos está com 12 gols. Dois a menos do que todo ano de 2013. (Crédito da foto: Ricardo Duarte)

Testada do Pirata: com os 3 de ontem, Barcos está com 12 gols. Dois a menos do que todo ano de 2013. (Crédito da foto: Ricardo Duarte)

Por Caue Fonseca

Graças ao cruzamento certeiro de Pará na cabeça de Barcos (e comemoremos, pois sabe-se lá quando veremos a cena de novo) logo no início do jogo, o Grêmio bateu o Juventude com a naturalidade que esperávamos. 3 a 0, fora o baile.

Tomara que, com a semifinal na Arena, uma vitória tranquila se repita na semifinal contra o Brasil de Pelotas na quarta-feira, pois o enfrentamento contra o Juventude foi o começo de uma (nova) maratona no Gauchão.

A corrida de obstáculos é a seguinte: na quarta-feira, o Brasil. Logo saberemos de quanto isso vale, mas foi sem dúvida o time mais eficiente do Interior neste Gauchão.

Projetar que venceremos pode parecer salto alto, mas vamos trabalhar com a hipótese a título de exercício. E vamos projetar também que o Inter também vença, só para você ver que tabelinha sem-vergonha teremos pela frente caso a final seja em Gre-Nais.

No próximo domingo (30/3), teríamos o clássico que seria a primeira final de campeonato da Arena, dias antes de viajar 4.800 km a Medellin para o jogo que pode decidir a classificação na Libertadores, na quarta-feira (2/4).

Aí ganhamos uma folga até a quinta-feira seguinte (10/4) quando fechamos a primeira fase contra o Nacional de Montevideo na Arena. Menos de 72 horas depois, no domingo (13), haveria o Gre-Nal decisivo no Beira-Rio.

Esses dois apertos com uma folga desproporcionalmente longa no meio para quê? Para que o coirmão possa tirar um fim de semana para festejar tranquilo a reinauguração do seu estádio. Enquanto isso, o time que disputa a América que se aperte.

Como neste blog temos por princípio evitar a choradeira, tentemos ver pelo lado bom.

Se vencermos o Inter na Arena, na primeira partida da final do Gauchão, imagina o clima de cabeça inchada na festa do Beira-Rio. Melhor que isso só o domingo seguinte, quando o primeiro jogo oficial do Beira-Rio reinaugurado receber uma volta olímpica tricolor.

Por ora, foco no Brasil de Pelotas. Mas vamos sonhando.

 

Jogo de respeito na Arena

22 de março de 2014 8
Grêmio de Barcos pega o Ju na Arena. FOTO: Fábio Gomes

Grêmio de Barcos pega o Ju na Arena. FOTO: Fábio Gomes

Por Guilherme Mazui

Grêmio x Juventude num confronto de mata-ou-morre é um jogo que inspira cuidados. Em especial, inspira respeito. Quem respeita da maneira correta, joga sério, ataca, liquida o jogo. Dar o melhor em campo é a melhor forma de demonstrar respeito pelo adversário. É o que espero do Grêmio na Arena.

O Ju é um adversário indigesto recentemente. Tem camisa nas peleias regionais. Por isso, é proibido dormir, entrar mole em campo. Se for concentrado, o Grêmio classifica sem sustos. Se entrar com espírito de já ganhou, tem boas chances de se complicar.

Passar pelo Juventude já nas quartas do Gauchão é mais um passo do caminho de amadurecimento da nossa equipe. Sobrevivemos muito bem aos confrontos suados da Libertadores, temos um clássico regional num jogo decisivo. Oportunidade para reafirmar a boa fase, espantar qualquer zebra.

Assim, espero encerrar o domingo classificado à semifinal do Gauchão, uma obrigação do nosso elenco. Gosto do Grêmio com a faca nos dentes sempre. É com seriedade e bom futebol que nos acostumamos a levantar taças.

Uma Libertadores estranha, muito estranha

21 de março de 2014 28
O Cruzeiro: uma raposa bem menos ameaçadora do que esperávamos.

O Cruzeiro : até aqui, uma raposa bem menos ameaçadora do que esperávamos.

Por Caue Fonseca

Ontem, a torcida do Cruzeiro já contava os trocos pro feijão tropeiro da saidinha do Mineirão quando, nos descontos do segundo tempo, o Defensor do Uruguai empatou em 2 a 2 e manteve o campeão brasileiro com 4 pontos, na rabeira da tabela. Se não vencer o Universidad de Chile (líder, com 9 pontos) ao pé dos Andes, a Raposa está praticamente fora da Libertadores.

É mais um fato estranho de uma Copa estranha.

Começa pelos próprios participantes. Sabe há quanto tempo uma Libertadores não tinha um time paulista? Desde 1998, quando só havia três brasileiros (Grêmio, como de praxe, além de Vasco e Cruzeiro). Pois lá se vão sete taças. Também é uma Libertadores sem Boca, River, Independiente e Estudiantes. Quantas taças se vão? DEZENOVE.

Pois é, amigos. E um giro pela tabela hoje, a duas rodadas do fim da primeira fase, torna tudo ainda mais surpreendente.

Dos 16 times que estariam classificados às oitavas de final, apenas Grêmio, Vélez, Atlético-MG e Nacional de Medellin já levantaram alguma vez a Libertadores. Seriam quatro campeões e 12 virgens. O tricolor é o único bicampeão.

Claro que isso ainda pode mudar.

O Cruzeiro ainda pode buscar a classificação e virar um dos favoritos, conforme esperávamos no início do ano. O Flamengo vive situação semelhante aos mineiros: precisa sobreviver ao Emelec no Equador para seguir vivo. Botafogo e Atlético-PR fazem boa campanha, embora os cariocas tenham feito um jogo horroroso nesta semana. O Galo vem bem, líder de seu grupo, embora eu relute em apostar em um time regido por Paulo Autuori.

Entre os estrangeiros, o Vélez faz a boa campanha de praxe de primeiras fases, mas luta com a maldição de cair logo depois. Já o Defensor é um time que há anos belisca e surpreende times muito maiores. Pode complicar.

Ainda assim, é possível que o Grêmio, nas fases finais, não enfrente desafios maiores dos que já passou na primeira fase. E acho isso ótimo.

Há times que se dão bem segundo as pontas nos jogos contra adversários menores e crescendo em momentos decisivos. O Grêmio não é assim. O Grêmio é como uma massa de bolo, que cresce quando batem e abatuma quando descansa demais.

Portanto, prefiro sermos forjados a ferro e fogo desde a primeira fase do que campanhas como a de 2009, em que passeamos a Libertadores inteira contra adversários medíocres, mas caímos ao enfrentar o primeiro time decente: o Cruzeiro, na semifinal.

Em 2014, ao que tudo indica, chegaremos à segunda fase já calejados e com a camisa mais tradicional. Ainda falta um pontinho para a segunda fase. Mas estaremos prontos para ela, com a faca entre os dentes.