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Posts de abril 2014

Não podemo se entregá pros home!

30 de abril de 2014 33
Guarda três hoje, Barcos! Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Guarda três hoje, Barcos! Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Por Guilherme Mazui

Gremistas de todas as querências, eu acredito! Nossa missão é acreditar, é empurrar – na Arena ou mandando boas vibrações de qualquer rincão – o Grêmio para classificação na Libertadores. Não podemo se entregá pros home”, como diz a canção nativista. Lutar é a marca do campeiro, é a marca do gremista. E queremos (demais) essa Copa.

Confesso que já estive mais pessimista, em especial depois da derrota na Argentina. Uma semana depois, cabeça fria, acredito no nosso Grêmio. Sou obrigado a acreditar. Querer é poder. Temos time para superar o San Lorenzo, contamos com a Arena rugindo, a estreia do verdadeiro caldeirão azul.

Perder de véspera é um erro. Lembrei da música nativista para definir o espírito de hoje: “não tá morto quem luta e quem peleia”. O Grêmio não pode se entregar, o Grêmio tem time para virar.  Espero que essa confiança passe para o campo, aditive o time que precisa reverter o 1 a 0.

A mentalidade é entrar para fazer, pelo menos, três gols. É a busca pela classificação segura, pelo apetite ofensivo que há semanas não encontramos no Grêmio. Jogar pela vantagem mínima atrairá a tragédia. Pé no acelerador, faca nos dentes. Se em uma decisão como a de hoje o time não entrar ligado, mordendo, é melhor mandar meia dúzia embora.

Confio que o espírito e o futebol serão vencedores. O Grêmio tem Luan em melhor forma, não enfrenta um Real Madrid do Prata, logo, tem plenas condições de passar. Tenho restrições ao esquema tático e ao desempenho de certos titulares, mas, minha missão como torcedor, é acreditar, é incentivar.

Grandes equipes também são forjadas com grandes viradas, superando adversidades. Chegou a hora do Grêmio de Enderson Moreira virar uma decisão, mostrar poder de indignação e reação. Não há como adiar. A noite é hoje, o local é a Arena. Avante, Grêmio! Não podemo se entregá pros home!

 

Luan é o cara

29 de abril de 2014 42
Luan está de volta, e com ele a esperança de um craque decisivo para a taça (Foto: Fernando Gomes)

Luan está de volta, e com ele a esperança de um craque decisivo para a taça (Foto: Fernando Gomes)

Por Caue Fonseca

A seca de títulos é longa, mas é verdade que o Grêmio nunca deixou de beliscar. 2007, 2009, 2011, 2013 e agora 2014, ano sim, ano não, o Grêmio está na Libertadores tenteando. Em diversas dessas vezes, eu deparava com outro gremista angustiado. O diálogo, com poucas variações, era o seguinte:

– Acha que dá esse ano?

– Estou torcendo, mas não sei não.

– Por quê?

Falta um cara.

A Libertadores sempre tem um protagonista. A história da conquista da América gira em torno de um grande nome. Em 2007, Riquelme era um monstro. Em 2009, Verón reescrevia a bonita história do pai. Em 2011, o ano do amadurecimento de Neymar. Em 2013, Bernard fazia a diferença entre um bom time e um time campeão.

Este ano, pode que falte algumas peças para termos um time impecável, mas já temos aquele nome. Se forem um dia fazer um filme sobre a história do terceiro título sul-americano gremista, ele começa com Luan arrebentando no Gauchão nas atuações do time sub-23, tranquilo, enquanto Kleber, milionário, era contestado no time titular.

Se foi por acidente que Luan terminou titular absoluto e fiador de nossas esperanças, pouco importa. Daqui um tempo, ninguém vai lembrar disso. Tampouco lembrará se o Grêmio jogou com três ou dois volantes. Ou se Enderson Moreira estava ameaçado. Ou se o lateral não sabia cruzar. Se o centro-avante errava gols feitos.

O assunto do dia sempre parece bobo quanto a história é vista de cima. O que fica na memória da torcida é o craque que resolveu o jogo quando a coisa encrespou. Já dizia Quincas Borba: “ao vencedor, as batatas.”

O atacante de 21 anos volta no segundo jogo contra o San Lorenzo com a mão enfaixada. Quero acreditar que a lesão não foi crueldade do destino, mas um daqueles percalços que o herói enfrenta até triunfar no final.

Se Luan brilhar, fazer mais algumas daquelas apresentações que só quem não sabe o quanto está em jogo consegue fazer, temos chance não só de ir às quartas de final, mas de erguer a taça.

No Grêmio, gosta-se muito de enfatizar o grupo. Soa bonito no microfone, mas não resolve. Todo time campeão, ao menos em um campeonato de sucessivas decisões em mata-mata, precisa de um cara. Luan é o cara. O resto é contabilidade de volantes.

Vitória com dois volantes

27 de abril de 2014 86

Por Guilherme Mazui

Mais do que a bela vitória sobre os titulares do Atlético-MG, 2 a 1, os guris do Grêmio deram novo alento sobre nosso banco de reservas. E provaram que um time pode ser competitivo com dois volantes.

Enderson Moreira usou Matheus Biteco e Ramiro, com Alán Ruiz e Rodriguinho na armação, mais Luan e Lucas Coelho na frente. Próximo do que pedimos há semanas aqui no blog. E a equipe foi bem. Deu espaços, mas criou chances, esteve perto de ganhar com folga. Vale adotar o modelo para o time titular.

Contra o San Lorenzo pela Libertadores, adeus para os três volantes. Ramiro deixa o time. Diante do Galo, Ramiro jogou na mesma toada dos demais garotos, não mostrou ser superior. Logo, sai para entrada de Luan. O Grêmio tem condições de ser competitivo com dois volantes.

A vitória do time reserva sobre os titulares do Galo também colocou boas interrogações na praça. Moisés, de boa atuação, joga mais do que Pará? Biteco merece novas chances, joga mais do que Ramiro? Saimon, que não tirou o pé, pode ser reabilitado? Todos deixaram boa impressão.

Também vale destacar o gol de Lucas Coelho (que saia a zica do guri) e a bela atuação de Ruiz. Espero que ele consiga manter a média. Se tiver essa intensidade, se deixar no passado as jornadas sonolentas, colocará Zé Roberto no banco.

Os guris enfrentaram sem medo e venceram um dos melhores times do país, que vive crise técnica, mas ainda assim tem um belo elenco. A gurizada fez o que os titulares não faziam. A gurizada fez gol falta. A gurizada venceu. A gurizada venceu com dois volantes, o caminho para nossa classificação na Libertadores.

PS: procura-se Ronaldinho Gaúcho. Disseram que estaria na Arena, mas não foi visto em campo. Alguém viu? É sempre um prazer inenarrável vencer Ronaldinho.

Uma sombra para Marcelo

26 de abril de 2014 112

 

Grohe: a melhor alternativa enquanto for a única (Crédito da foto: Lucas Uebel, dvg)

Grohe: a melhor alternativa enquanto for a única (Crédito da foto: Lucas Uebel, dvg)

Por Caue Fonseca

Hoje é Dia do Goleiro, mas em vez de homenagear, peço licença para respeitosamente discutir com vocês nosso titular, Marcelo Grohe.

Marcelo Grohe teve sua primeira oportunidade como titular do gol de Grêmio em 2006. Encerrou o Brasileirão debaixo das traves tricolores. O técnico, na ocasião era Mano Menezes. Classificado à Libertadores, Mano iniciou 2007 pedindo a contratação de um goleiro.

Veio Saja, que, embora querido pela torcida, não era nenhum fenômeno. Ainda assim, ele foi titular até quebrar o braço em um dos últimos jogos do Brasileiro. Marcelo brevemente assumiu.

Nem Mano nem Saja ficaram em 2008. Para a casamata, veio Vágner Mancini. Começaram os treinamentos e Mancini foi o segundo técnico a concluir que o Grêmio precisava de um goleiro melhor do que Marcelo Grohe. Trouxe para o grupo o reserva do Jundiaí, Victor. Embora atrapalhado por uma inusitada lesão no rim, Victor não teve maiores dificuldades de se firmar titular.

Mancini caiu, veio Celso Roth e Victor seguiu titular. Foi o melhor goleiro dos Campeonatos Brasileiros de 2008 e 2009. Em 2009, o técnico já era Paulo Autuori quando Victor foi convocado para a Copa das Confederações e deixou o gol na semifinal da Libertadores a cargo de Marcelo Grohe. Foram três gols sofridos do Cruzeiro. Nenhum culpa de Marcelo.

Em 2010, com Silas, o Grêmio venceu seu último título, o Gauchão. Embora Victor tivesse a fama de azarado em Gre-Nais, foi ele o capitão a erguer a taça.

À época, atribuíram a má fase que seguiu de Victor à frustração pela não-convocação para a Copa do Mundo de 2010, mas ainda assim ele foi mantido titular por Renato Portaluppi, em 2010, e por Julinho Camargo, em 2011.

Em meio ao Brasileiro de 2011, Roth foi novamente contratado. Victor começava a ser questionado pela torcida. Na sua primeira coletiva, perguntado sobre o titular do gol, Roth não pestanejou: “Victor é o titular.”

Veio 2012 com Caio Júnior e Vanderlei Luxemburgo. Victor foi mantido até o meio do ano, quando foi vendido ao Atlético-MG, onde seguiu seu rumo. Marcelo Grohe teve nova oportunidade até o final do Brasileirão com Luxemburgo.

Pois em 2013 Luxemburgo preferiu tirar as pantufas de Dida para a Libertadores a começar com Marcelo Grohe no gol. Renato, no lugar de Luxemburgo, também preteriu Marcelo por Dida.

Em 2014, por imposição da direção e não por decisão de Enderson Moreira, Marcelo Grohe recebeu mais uma oportunidade. Enderson simplesmente não tem outra opção.

Listo isso tudo para salientar o seguinte: Mano, Mancini, Roth (2 vezes), Autuori, Silas, Renato (2 vezes), Julinho Camargo, Caio Júnior e Luxemburgo. Nove técnicos, dos mais variados perfis e currículos, dois deles em ocasiões diferentes, em determinado momento tiveram a opção de promover Marcelo, escolher outro nome do elenco para a camisa 1 ou ir ao mercado buscar um goleiro. Marcelo não foi o escolhido por nenhum dos nove.

Na Libertadores deste ano, Marcelo levou dois gols em sete jogos. Uma boa média. Vamos a eles.

O primeiro, não foi culpa de Marcelo. Maxi Rodriguez, do Newells, chutou mascado no meio, e Marcelo esperava uma bola no canto. O segundo, contra o San Lorenzo, também não foi culpa dele.  Bem amarrado a partida inteira, o San Lorenzo teve a bola do jogo. Marcelo tentou antecipar o chute de Correa, pulou uns 10 minutos antes da conclusão e a bola entrou no meio do gol.

Marcelo é inocente, sempre. É herói quando pega, mas sempre vítima isenta de responsabilidade quando leva o gol.

Comecei neste blog dizendo com todas as letras que torcia por Grohe, mas que não confiava nele. Repito isso com mais ênfase do que nunca. Marcelo começou 2014 uma unanimidade junto à torcida do Grêmio. A tentativa de contratar o titular da Seleção Brasileira para o seu lugar foi encarada como uma falta de respeito com o nosso camisa 1. Qualquer crítica a ele é uma heresia.

Ora, por favor!

Se Marcelo é mesmo o goleirão que todos esperam, deve não só ter um bom reserva como atuar bem o suficiente para manter este concorrente no banco. Danrlei, a quem Marcelo é seguidamente comparado pelas características de jogo e por ser cria das categorias de base, manteve quantos reservas bocejando no banco ao longo de 10 anos de titularidade?

Neste fim de semana, Marcelo é dúvida contra o Atlético-MG na Arena. Sente a coxa. A situação beira o surrealismo. Em caso de Marcelo ser desfalque, precisamos atuar com um garoto das categorias de base, pois ninguém pode fazer sombra a Marcelo. Um bom reserva corre o risco de ser titular.

Na boa, eu adoraria que Marcelo Grohe triunfasse. Vou adorar ter de imprimir esse texto e engolir palavra por palavra celebrando o tri da América com Marcelo no gol. Mas convém recomendar mais uma vez: um bom reserva não só faria bem ao Grêmio, em caso de precisar substitui-lo por lesão, como é fundamental para provar a qualidade de Grohe.

O inferno do San Lorenzo

25 de abril de 2014 58
Queremos mais de 50 mil pessoas na Arena. FOTO: Lucas Uebel

Queremos mais de 50 mil pessoas na Arena. FOTO: Lucas Uebel/Grêmio

Por Guilherme Mazui

Ainda resmungo quando penso na derrota para o San Lorenzo. Não aceito um revés com falhas na defesa e no ataque. Penso a todo instante em como trazer de volta aquela aura copeira do nosso Grêmio. Vamos precisar da Arena lotada, rufando, imponente. Aquele caldeirão que o Olímpico sabia ser e que a nova casa ainda não é. Acredito que será na próxima semana.

Lembrando de tantas batalhas do Olímpico, encontrei a frase que deve ser transferida para o Humaitá. Corria dezembro de 1996, o Grêmio precisava reverter o 2 a 0 da Portuguesa para ser bicampeão brasileiro.  Estádio tomado, atmosfera de decisão. Antes dos cinco minutos, um escanteio para o Grêmio e Pedro Ernesto Denardin soltou a frase antológica (25seg do vídeo):

- Quem pensava que isso aqui fosse o inferno da Portuguesa, acertou!

Paulo Nunes fez o primeiro gol no lance seguinte. O Grêmio foi campeão, o Grêmio se impôs, a torcida empurrou. Este é o espírito. Na volta das oitavas da Libertadores, a Arena precisa ser o inferno do San Lorenzo. Azar do Papa.

O primeiro passo a direção já deu. Acerta ao baixar o preço dos ingressos. Passado quase um ano e meio da sua inauguração, a Arena ainda não foi o alçapão que todo gremista sonhava. Pois chegou a hora de ser. Sem adiamentos.

Alguns amigos aqui do blog vão argumentar que não se pode baixar preço de ingresso em véspera de jogo decisivo, que desvaloriza a mensalidade do sócio. Tudo bem, é um raciocínio válido, porém, o momento exige um estádio tomado até o talo, um estádio rugindo, um estádio com aquela aura da caldeirão. Não interessa quanto cada torcedor vai pagar para ver o jogo, o que interessa é fazer da Arena o inferno do San Lorenzo.

As médias de público da nossa nova casa são boas, mas a Arena é grande demais. Jamais tivemos 50 mil pessoas em jogos oficiais, o adversário não se sente intimidado no Humaitá. Chegou a hora de ser pressionado, de temer o binômio Grêmio-torcida. Quero mais de 50 mil imortais na cancha, quero aquela cumplicidade que o vídeo de 1996 mostra. Ela existe, tenho certeza.

O Grêmio tem muitas coisas para melhorar – falhas da defesa, bola parada, os três volantes, a criação deficitária, o pé torto na frente -, mas Libertadores também é um torneio de espírito. Nem sempre o mais forte ganha, todo ano uma surpresa chega à final.  Em 2007, beliscamos com um time tecnicamente mais do que mediano. Saja, Patrício, Tuta…

Aquele time, além de bem treinado por Mano Menezes, tinha indignação quando jogada em casa. Deu motivos e foi abraçado pelo torcedor. Fomos de mãos dadas até a decisão.  Grêmio, torcida e Arena anseiam por essa parceria. E a volta contra o San Lorenzo pode ser a única chance de provar que a nova casa sabe intimidar.

Vivo a reclamar dos problemas do Grêmio, quase crio uma úlcera sofrendo, maz, azar. Vamos mandar os três volantes para o espaço, vamos colocar a faca entre os dentes, time e torcida. Conclamo cada gremista a gastar os ouvidos com o vídeo de 1996, a se inspirar, a inflar o peito para gritar na semana que vem.

Vamos fazer da Arena o inferno do San Lorenzo. Avante, Grêmio! Queremos a Copa!

Dos males, o menos pior

24 de abril de 2014 116
Edinho x Correa: o Grêmio se impôs, mas quem marcou foi o San Lorenzo (Foto: Juan Mabromata, AFP)

Edinho x Correa: o Grêmio se impôs, mas quem marcou foi o San Lorenzo (Foto: Juan Mabromata, AFP)

Por Caue Fonseca

Houve um tempo em que dormiríamos tranquilos após um resultado como o de ontem. O que é um golzinho a ser revertido em casa, não é mesmo? Ainda mais contra um time que, todos vimos, é pior tecnicamente do que o nosso.

Problema é que um passado recente de mata-matas contra Milllonarios, Santa Fé, Atlético-PR, Palmeiras e afins nos deixou traumatizados. De tanto levar na cabeça, a torcida do Grêmio aprendeu que um time ser inferior ao nosso não é garantia de que não vá se classificar contra nós.

O raio-x deste primeiro jogo das oitavas de final em Buenos Aires tem coisas boas e ruins. Mostrou que o Grêmio mesmo desfalcado, se absolutamente concentrado (o que nos faltou na estreia do Brasileiro, por exemplo), pode se manter competitivo mesmo em situações adversas.

Problema foi que, em cinco segundos de desatenção após um lateral, tomamos um gol. No final, em um vacilo de Geromel (muito bem até aquele momento, diga-se), quase tomamos o segundo. Fica a lição: não há margem de erro. É preciso estar atento sempre.

O ponto negativo foi a ineficiência do ataque. O lance da falta em dois tempos é bastante simbólico. Nosso ataque não consegue empurrar uma bola pra dentro nem a cinco metros da linha. De nada adianta ter posse de bola, domínio de jogo, se não houver oportunidades de gol.

A diferença para o San Lorenzo ter vencido por 1 x 0 ontem foi ter tido competência para criar duas chances de gol e converter uma.

Mas, cá entre nós, confesso que eu temia coisa pior. Achava que o Grêmio, desentrosado e com a confiança abalada, corria um sério risco de se ver no mesmo inferno em que o Botafogo sucumbiu e voltar com um placar irreversível em Porto Alegre. Embora não tenhamos obtido um grande resultado, voltamos vivos contra um San Lorenzo de futebol que não assusta.

Não é nada incomum times inferiores vencerem em casa na Libertadores. O Galo mesmo, campeão ano passado, tomou sufoco em cima de sufoco longe de Minas Gerais. É o poder dos times sul-americanos em seus caldeirões enfumaçados, diante de suas torcidas ensandecidas,  que faz a competição tão nivelada e assustadora. Pois essa é a hora de fazermos valer o nosso próprio caldeirão. É levantar a cabeça e retomar os tempos em que, contra o Grêmio, na sua casa, não havia adversário que não pudesse ser batido.

O momento da reação

23 de abril de 2014 48
Dia de reagir, Enderson. FOTO: Lucas Uebel/Grêmio

Dia de reagir, Enderson. FOTO: Lucas Uebel/Grêmio

Por Guilherme Mazui

Chegou o dia. Jogo de ida das oitavas da Libertadores, San Lorenzo na Argentina. Prenúncio de sofrimento. Nada que nós, gremistas, não estejamos acostumados. Sofremos em busca de grandes alegrias. Vamos à luta.

Chegamos em um momento para lá de pessimista, com técnico ameaçado de demissão, atuações ruins em série e desfalques importantes, como Rhodolfo, o único zagueiro incontestável do grupo. Paciência, teremos de superar nossos problemas e a pressão do San Lorenzo.

Ter esperança é um sentimento nato de todo imortal. Nos últimos anos, o Grêmio nos prega tantas peças – para bem e para mal, derrotas inaceitáveis e vitórias improváveis -, que nossa missão é acreditar. Vai que esse grupo mostre o poder de reação tão aguardado. Vai que nosso treinador prova a capacidade de mobilização até então adormecida.

Em condições normais, o Grêmio ganharia bem na Argentina. Contudo, sem Rhodolfo e Wendell, com chance de ir sem Marcelo Grohe e Luan, o cenário complica. A meta é voltar vivo da Argentina. Exigir da Arena uma virada épica será flertar com a eliminação. Portanto, queremos um time mordedor, vibrante, nada da apatia dos últimos jogos.

Repito, a equipe não vem bem, temos desfalques, o rival é tradicional e joga em casa. Tudo contra. Como o Grêmio se acostumou a jogar. Teremos de sentar e torcer.

Que este elenco honre o uniforme que veste. E que Deus nos abençoe, já que o Papa é do San Lorenzo.

Há um líder em Enderson?

22 de abril de 2014 45
Ou Enderson surpreende a todos, ou não é o chefe que o vestiário gremista precisa. (Foto: Félix Zucco)

Ou Enderson surpreende a todos, ou não é o chefe que o vestiário gremista precisa. (Foto: Félix Zucco)

por Caue Fonseca

Acredito que não haja ninguém que torça mais por Enderson Moreira, amanhã, do que Fábio Koff e seu departamento de futebol. Isso porque o Grêmio é um time sem plano B, da casamata ao centroavante. Se Enderson estivesse demitido, quem assumiria o Grêmio neste momento?

Evidente que a torcida também adoraria ver o Grêmio retomar as rédeas da temporada via Libertadores, mas somos uma torcida ressabiada o suficiente por fracassos recentes para perceber de véspera quando a maionese começa a desandar.

Da primeira fase da Libertadores colhemos algumas boas notícias: Enderson é bom treinador no sentido literal da palavra: soube montar e treinar um time sem maiores reforços para a temporada. O time titular, jogando a pleno, arrancou elogios de todo o país. Não foi um nem dois comentaristas que apontaram o Grêmio como o time que começou a temporada apresentando o melhor futebol do Brasil.

Mais uns jogos adiante e vamos chegando às más notícias. A primeira é que o Grêmio sangra a cada titular perdido. Como apontei na semana passado, entre 13 jogadores – oito zagueiros e cinco laterais – temos dois bons jogadores: Rhodolfo e Wendell. Pois os dois estão fora do primeiro jogo das oitavas em Buenos Aires.

A segunda má notícia é que Enderson pode treinar bem, mas até aqui tem sido um comandante condescendente. É bonito o grupo dizer que está unido, decidir junto a música no Fantástico, mas tudo isso é muito lindo quando se ganha. Quando se perde, é a hora do chefe do vestiário sacudir seus jogadores e mostrar quem manda. Motivar, intimidar… Enfim, fazer das tripas coração para energizar seu grupo. Ser líder.

Há desculpas para o mau futebol, entre elas a falta de peças de reposição, mas não para a apatia. Não consigo pensar em um jogo mais fácil de vencer fora de casa do que o time desmontado do Atlético em Florianópolis, onde a torcida do Grêmio era mais barulhenta que a do time da casa. Pois jogamos daquele jeito que nem se tivéssemos mais 90 minutos reverteríamos o placar.

Enderson foi aos microfones enfurecido? Não consigo sequer imaginar essa cena.

O Grêmio tem pela frente o caminho mais difícil que poderia trilhar nesta Libertadores. Pega um dos melhores times argentinos em um bom momento. Se sobreviver, pode bater de frente com o campeão brasileiro, o Cruzeiro. Se o Galo fizer a sua parte até a semifinal, muda de lado na chave da Libertadores forçando novo embate entre brasileiros. O Grêmio de hoje, terça-feira, não me parece ter forças para essa escalada.

Torço, bem como Koff, para que Enderson me surpreenda. Para que cresça diante da dificuldade e mostre uma faceta que ainda não conhecemos dele. Mas, ao mesmo tempo em que torcemos para estar errados a respeito do nosso técnico, é preciso usar a razão mais do que a reza. O Grêmio de 2014 carece de um bom comandante e de um número razoável de bons comandados.

Se não achar este líder em Enderson, será necessário procurar fora dele.

Preparem as rezas, meia defesa reserva na Argentina

21 de abril de 2014 59
Medo: zaga reserva na Argentina. FOTO: Charles Guerra

Medo: zaga reserva na Argentina. FOTO: Charles Guerra

Por Guilherme Mazui

Caprichem nas rezas, preces, orações, promessas e afins. O Grêmio enfrenta o San Lorenzo, na Argentina, com defesa reserva. Rhodolfo e Wendell estão fora por lesão, Marcelo Grohe é dúvida. Ou seja, o time será muito similar ao de domingo, derrotado pelo misto do Atlético-PR.

As notícias da manhã de segunda-feira são tristes, reforçam o pessimismo que toma conta do torcedor. Pessimismo que o próprio time conseguiu instalar, após os fiascos do Gre-Nal e da estreia do Brasileirão.

Teremos uma defesa nada segura na Argentina, primeiro duelo das oitavas de finais da Libertadores. Rhodolfo, o único nome confiável da penca de zagueiros do time, está fora. Werley, que empilha falhas, deve ser titular, ao lado de Geromel ou Bressan. Preparem os corações.

Se Marcelo Grohe não jogar, o titular será Busatto, goleiro que costuma errar na saída pelo alto. Nas laterais, teremos o limitadíssimo Pará e o jovem Breno, que entrará em uma fumaceira. Será um teste de fogo para o garoto, a hora de separar os adultos dos guris.

O alento é o possível retorno de Luan. Desde que ele se lesionou, contra o Nacional-COL, o futebol gremista sumiu. Todos os meias testados, incluindo Zé Roberto, naufragaram.

Fico preocupado ao ver o Grêmio em um jogo decisivo com tantos desfalques e com a confiança abalada. E mais tenso com o discurso do clube, um cacoete da Era Luxemburgo. Os resultados ruins continuam, as atuações não embalam, mas sempre vem um otimista para dizer que “estamos no caminho certo”, que este time vai “ganhar um título”.

Vamos repetir 2012 e 2013? Ficar acreditando no mantra do caminho certo, mesmo com a tragédia batendo à porta?

Já correram quatro meses da temporada e a direção não entendeu que o time titular é competitivo, mas os reservas desanimam. Agora, na véspera do jogo mais importante da temporada, será preciso usar o banco. Que banco?

Alguém precisa acordar no Grêmio, corrigir o rumo enquanto é tempo. A direção precisa entrar de vez no vestiário, cobrar o grupo, em especial os “bem pagos” do time. Ou vamos esperar aparecer mais um Milionários ou Santa Fé? Acorda, Grêmio!

Um deserto de qualidade técnica

20 de abril de 2014 106
Grêmio testou a paciência alheia. FOTO: Charles Guerra/Agencia RBS

Grêmio testou a paciência alheia. FOTO: Charles Guerra/Agencia RBS

Por Guilherme Mazui

A estreia tricolor no Brasileirão foi uma porcaria. Perdemos para o misto do Atlético-PR, 1 a 0, um time em crise no vestiário e abaixo da linha da mediocridade. Pior, perdemos em campo neutro. Logo, rasgamos três pontos, que vamos lamentar lá na frente. Pelo visto, o Grêmio vai cair no conto de que o campeonato começa depois da Copa.

Tudo bem que entramos com defesa reserva, que Zé Roberto vinha de parada, porém, o Grêmio é mais time do que o misto do Furacão. E quem vai chegar nas cabeças tem o dever de ganhar estes jogos. O Cruzeiro, por exemplo, usou reservas e bateu o Bahia fora.

A derrota é daquelas que tira até monge budista do sério. Falha tosca em uma cobrança de falta, um festival de gols errados e de lances mal acabados. O que reforça o deserto técnico do nosso banco, algo que a direção parece ignorar e que pode comprometer a Libertadores.

Posso estar exagerando, mas, confesso, estou pessimista depois das últimas duas semanas. A seguir, algumas constatações:

>> Não temos goleiro reserva
Busatto falhou no gol, quase entregou em outro cruzamento. Pelo alto, tem sérios problemas com o tempo de bola. Se Marcelo Grohe não puder jogar contra o San Lorenzo, é melhor acharmos uma reza bem forte.

>> Werley joga porque é menos ruim
Enderson Moreira testou a zaga reserva, busca um substituto para Werley. Bressan é firme, espana para o lado que o nariz apontar. Geromel apanha da bala, não faz um corte seguro. Werley é titular porque é menos ruim. Precisamos urgente de um zagueiro para ser titular.

>> As laterais se foram
Pará é muita dedicação e nada de inspiração. E a direção insiste no rapaz. Breno, que tem potencial, foi tímido, abaixo do titular Wendell, que já não produz grandes coisas. Terminamos o jogo com Léo Gago na esquerda. Um alerta.

>> O trio de volantes faleceu
Insisto que nosso trio de volantes não bate de longe, não acerta cruzamentos, não faz gols. A prova veio no gol ridículo perdido por Riveros. E Ramiro manteve sua fábrica de passes curtos e inúteis. O esquema dá a falsa sensação de solidez defensiva, além de enfraquecer o ataque.

>> Um bando de meias meia-boca
Zé Roberto voltou e nada fez. Perdeu um gol de cabeça, fez um arremate torto em vez de pifar Barcos e bateu uma falta na arquibancada. Se jogar a bola furada que jogou, Rodriguinho é mais um para inflar o elenco. Não temos “o” meia. Zé, Rodriguinho, Maxi Rodríguez, Alán Ruiz e Jean Deretti. Ninguém empolga.

>> Bola parada é sinônimo de erro
Se fosse o técnico rival do Grêmio, mandaria meu time passar os 90 minutos dando escanteios e fazendo faltas nas laterais da área. Com certeza não levaria gol. O Grêmio, independente do cobrador, erra toda bola parada. Pará tem cobrado faltas frontais, para vermos o cúmulo da falta de opção. Enderson não treina com o devido capricho o fundamento.

>> Pontaria torta
Um problema eterno . Contra o Furacão, Riveros perdeu gol feito, Ramiro nem bateu nem cruzou em um lance na área, cansamos de cabecear nas mãos do goleiro. Dudu, que não acerta um chute, é um dos principais armadores e finalizadores do time. E o banco é pior.

>> Enderson substitui mal
Uma rotina no Grêmio. As substituições erradas de Enderson Moreira. Nosso técnico não consegue mudar a história de um mísero jogo. Contra o Furacão, inspirou-se em Celso Roth, encheu o time de volantes. A pressão vai corroendo nosso treinador.