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Posts de junho 2014

Os 12 Trabalhos do Grêmio, Parte X - Reaprender a jogar mata-matas

30 de junho de 2014 29
Em 2007, o São Paulo cai no Olímpico, como todos caíam. Onde está aquele espírito? (Foto: Ricardo Duarte)

Em 2007, o São Paulo cai no Olímpico como todos caíam. Onde está aquele espírito? (Foto: Ricardo Duarte)

Por Caue Fonseca

Lembro como se fosse ontem o olhar de preocupação de Muricy Ramalho quando soube que o São Paulo pegaria o Grêmio nas oitavas de final de Libertadores de 2007. O Grêmio era pior tecnicamente do que o São Paulo. Foi o pior primeiro colocado enquanto o São Paulo foi o melhor segundo, com mais pontos do que o próprio Grêmio. 

Só que o Grêmio era o Grêmio. Era, até bem pouco tempo atrás, um time capaz de complicar qualquer decisão em mata-mata contra qualquer time. Bastava estar jogando um playoff para o tricolor se tornar o mais renhido dos adversários. Podia até não vencer, mas tirar-lhe a vaga era como tentar tomar o osso de um pitbull.

Dito e feito, o Grêmio despachou o São Paulo. Despachou todo mundo menos o Boca Juniors, outro monstro dos playoffs.

Questão é que no ano seguinte – quando Celso Roth encarou com naturalidade ter sido eliminado de uma Copa do Brasil pelo Atlético-GO em pleno Olímpico, pois teria tempo para se dedicar ao Brasileiro – começamos a desaprender a jogar playoffs. A pecha de time copeiro, que os narradores de TV tanto gostavam de atribuir ao Grêmio, hoje é completamente injustificada.

O Grêmio desta década é um São Paulo piorado. Só se sai bem em competições de pontos corridos (embora não o suficiente para vencê-las), quando a pressão de decidir um campeonato se esvai ao longo de longas e modorrentas rodadas. Evitamos justamente aquela fumaceira que fazia do Grêmio tão forte.

Pior. Há algum tempo éramos o time mais fraco que vendia caro a derrota. Hoje somos o time mais forte que perde para adversários fracos. Tem cabimento termos sido eliminados na Copa do Brasil passada para o Atlético-PR? E da Libertadores pelo o Santa Fé? E da Sul-Americana pelo Millionarios?

Algo está profundamente errado. Independentemente da campanha deste Brasileirão, é preciso ressuscitar o time que salivava por jogos de ida e volta. Que patrolava os adversários mais frágeis e, se não vencia o campeonato, se divertia ao ver gigantes dobrar os joelhos no Olímpico.

A Copa do Brasil volta logo mais. Que com ela retorne o seu maior vencedor.

Enfim, a chance de Matheus Biteco

28 de junho de 2014 23

Por Guilherme Mazui

Abri um largo sorriso ao acordar e ver em Zero Hora que Matheus Biteco é o novo titular do meio-campo do Grêmio. Passou da hora de dar uma verdadeira chance ao garoto, o melhor volante do elenco. É Biteco e mais um.

Técnico, intenso e veloz, Biteco tem condições de qualificar a saída de bola, que andou quadrada. É o nome mais próximo de igualar o bom futebol de Fernando. Assim, Enderson Moreira acerta ao escolher o garoto de 19 anos. É preciso testá-lo realmente com sequência de jogos.

Já sabemos até demais o que podem render Edinho, Riveros e Ramiro. Felipe Bastos temos ideia pela carreira. Já Biteco merece o mesmo número de chances dos colegas, além da paciência do treinador e torcedor. O guri é jovem, pode se valorizar, tem bola no pé para ser um dos melhores volantes do país.

Edinho, 31 anos, tem 28 jogos pelo Grêmio e um gol. Como diz o xiru da Campanha, é mais conhecido do que as pedras do chão. Um destruidor, um cão de guarda, nego veio, de currículo vencedor, apesar das dificuldades no passe. Logo, Edinho deve destruir e entregar a bola para quem sabe jogar.

Riveros, 31 anos, 52 jogos pelo clube e quatro gols, tem experiência internacional, é nome frequente na seleção paraguaia. Luta muito e de vez em quando faz seus golzinhos, porém, sem a regularidade que gostaríamos. Destrói melhor do que ataca.

Já Ramiro tem 21 anos, 67 jogos no Grêmio e dois gols. É jovem e tem personalidade de sobra. Compensa a baixa estatura pela disposição. Corre muito, marca com vigor, se entrega. Bate forte na bola, apesar de acertar o gol a cada ano bissexto.

Com a descrição acima, fica mais do que claro que a oportunidade a Biteco é justa. Eles fez poucos jogos como titular, oscilou boas e más apresentações em 24 jogos, a maior parte entrando no segundo tempo. O guri merece sequência. Torço para que aproveite a chance.

Os 12 Trabalhos do Grêmio, Parte IX - Definir os volantes e os meias

26 de junho de 2014 48
Temos de definir os parceiros de Giuliano. FOTO: Lucas Uebel/Grêmio

Temos de definir os parceiros de Giuliano. FOTO: Lucas Uebel/Grêmio

Por Guilherme Mazui

Enderson Moreira deu sinais de que pretende um Grêmio ofensivo no segundo semestre. Confesso que fiquei embasbacado ao ler que o time treinou no 4-1-4-1. Usar um homem à frente da zaga é um choque para o torcedor que ficou quase dois anos vendo seu time insistir em uma trinca estéril de volantes.

Gostei da postura, abandonar os três volantes é uma dádiva. No entanto, desconfio da eficácia do esquema testado, acredito que pode ser uma boa saída para um abafa, uma necessidade urgente de vencer. Assim, trago outra tarefa para o nosso treinador, que é definir seu meio-campo, tanto na formatação quanto na composição.

É interessante observar o tal 4-1-4-1, esquema que confere jogadores mudando de posição, dificulta a marcação adversária, porém, exige intensidade dos quatro escolhidos na defesa e no ataque.  Algo difícil de se conseguir com Giuliano, Luan, Dudu e Alán Ruiz.

Do quarteto, ninguém tem a vocação para marcar. Luan e Giuliano precisam ficar perto da área de definição do lance. Correr na intermediária, longe do gol, é gastar combustível em vão. E Ruiz já é devagar como meia-atacante. Teria de pegar uma motocicleta emprestada para marcar bem.

O esquema segura os quatro defensores (dois zagueiros e dois laterais, por exemplo). Pará, eterno para Enderson Moreira, ficaria plantado lá atrás. Breno subiria de vez em quando. Em tese, não sobrariam espaços para bolas nas costas.

O 4-1-4-1 é diferente do que estamos acostumados a ver o Grêmio fazer. Na prática, parece um esquema de sucesso, contudo, creio que nos faltam as peças necessárias.

Nesta formação, é mais negócio ter laterais com cacoete de zagueiro, deixando um ala mais agudo, que pode ser Matías Rodriguez, no meio-campo. Ainda são necessários os tais “volantes modernos”. Não temos ninguém com perfil de Ramires, Fernandinho, Paulinho, Elias, Tinga e Zé Roberto na mocidade…

Outra opção que Enderson variou foi o 4-2-3-1, que me agrada mais. Na dupla de volantes, aposto em Matheus Biteco, único jovem com técnica e intensidade, capaz de melhorar uma saída de bola que anda quadrada. Edinho, Riveros e Felipe Bastos brigam pela outra vaga. Ramiro sai na janela de transferências ou fica no banco.

Nas meias, Giuliano, Luan e mais um. Vai depender da função de Giuliano e da necessidade de cadência ou pressão. Se formos à frente, Dudu é o titular. Ruiz, Rodriguinho e Zé Roberto são outras opções. Tenho a tendência a apostar em Dudu.

E vocês, gurizada? Gostaram do 4-1-4-1? Quem ficaria no meio de vocês? Restam poucas semanas para o Grêmio voltar a jogar.

Os 12 Trabalhos do Grêmio, Parte VIII - Manter Luan

25 de junho de 2014 33
Luan desperta interesse europeu. FOTO: Fernando Gomes

Luan desperta interesse europeu. FOTO: Fernando Gomes

Por Caue Fonseca

Estamos sendo repetitivos aqui, mas nesse caso é bom repetir até alguém escutar.

No início do ano, o Grêmio vendeu Wendell porque precisava fazer caixa. Sem verbas de bilheteria, pouco dinheiro entrava e o clube não conseguia sequer vencer os débitos do mês com o futebol. Lamentável, porém compreensível.

Mas o que se dizia à época, também, era que vender Wendell era uma forma de manter-se nos trilhos sem precisar colocar outra joia à venda: o atacante Luan.

Pois com cada vez mais naturalidade, a direção do Grêmio admite que Luan está à venda. Por R$ 33 milhões à vista, sai empacotado para presente.

Luan tem 21 anos. Já joga nas categorias de base da Seleção. Há uma Olimpíada no Brasil daqui a dois anos. Quanto será que Luan estará valendo até lá?

Houve um tempo em que um atleta não podia jogar por uma temporada bem que era vendido. Não sabíamos que dava para piorar. Bem como Wendell, Luan é capaz de ser vendido sem sequer completar um Campeonato Brasileiro pelo Grêmio.

Vendê-lo agora seria dupla burrice.

Primeiro porque seria despir um santo para vestir o outro. Não adianta reforçar-se em uma posição, como fez contratando Giuliano, mas fragilizar-se em outra para pagar o salário de quem veio de fora. Reforço significa agregar valor, não trocar seis por meia dúzia.

Segundo porque Luan está sendo oferecido a preço de banana, evidenciando o desespero do vendedor. R$ 33 milhões são pouco menos de 11 milhões de euros. Sabe por quanto Bernard foi vendido para a Ucrânia? 25 milhões de euros, mais de R$ 75 milhões.

Luan pode chegar a esse valor? Pode, mas para isso é preciso deixá-lo jogar. Preferencialmente em um time carente de craques como o nosso.

Os 12 Trabalhos do Grêmio, Parte VII - Encontrar um companheiro para Rhodolfo

23 de junho de 2014 56
Quem jogará com Rhodolfo? FOTO: Lucas Uebel/Grêmio

Quem jogará com Rhodolfo? FOTO: Lucas Uebel/Grêmio

Por Guilherme Mazui

Chegamos ao sétimo capítulo dos 12 trabalhos do Grêmio. É o setor com melhor desempenho em comparação aos demais da equipe, mas que ainda pode melhorar. Falo da defesa. Enderson Moreira tem a parada da Copa do Mundo para encontrar o companheiro ideal de Rhodolfo.

As principais opções, até o momento, são Geromel, Saimon, Bressan e Werley, sendo que os dois últimos podem sair na abertura da janela de transferências. Se ambos saírem, será preciso buscar reforços para a defesa.

Confesso que a nominata não é das mais animadoras, mas temos uma defesa competente. Na temporada, o Grêmio sofreu 27 gols em 36 jogos, média de 0,75 por partida. No Brasileirão, estamos com a melhor defesa, cinco gols em nove embates, mesma marca de Corinthians e Santos.

Rhodolfo é nosso zagueiro mais confiável, fazia uma temporada exemplar até se lesionar. Em forma, é o dono da zaga do Grêmio. Do quarteto que concorre pela outra vaga no time, quem menos jogou foi Saimon, gremista dos quatro costados. No entanto, deu boas respostas, em especial contra o Atlético-MG. Merece mais atenção do treinador.

Já Pedro Geromel começou mal, com direito a gol contra, e se recuperou em seguida. Bressan e Werley conhecemos bem, foram os que mais jogaram. Bressan tem limitações técnica, abusa do balão, mas é nego veio. Werley oscila bons jogos com falhas de posicionamento, em especial pelo alto.

É difícil cravar um nome com o peito estufado de convicção. Contudo, tenho a tendência a apostar em Pedro Geromel. Suas últimas atuações foram boas. Também considero mais seguro apostar no defensor, já que Werley tem sondagem do Oriente Médio e Bressan vive naquela conversa de que irá para Europa (seria ótimo, pois faríamos dinheiro com um jogador mediano).

E vocês? Apostariam em quem para formar dupla de zaga com Rhodolfo? Buscariam reforços, apostariam no atual elenco? Peguei algumas estatísticas do Footstats para ajudar na reflexão. Avante, Grêmio!

>> Zagueiros
Rhodolfo 19 jogos - 1 gol – 418  passes certos – 15 desarmes – 8 finalizações – 3 amarelos
Bressan 15 jogos – 1 gols – 319 passes certos – 12 desarmes – 3 finalizações – 3 amarelos e 1 vermelho
Pedro Geromel 9 jogos – 0 gol – 218 passes certos – 12 desarmes – 6 finalizações – 1 amarelo
Saimon 3 jogos – 1 gol – 40 passes certos – 4 desarmes – 2 finalizações – 0 cartões
Werley 24 jogos – 1 gols – 581 passes certos – 29 desarmes – 7 finalizações – 3 amarelos

Os 12 Trabalhos do Grêmio, Parte VI – Incendiar a Arena

21 de junho de 2014 15
Criciúma vencendo na Arena: o retrato do inadmissível (Foto: Ricardo Duarte)

Criciúma vencendo na Arena: o retrato do inadmissível (Foto: Ricardo Duarte)

Por Caue Fonseca

Poucas coisas fazem mais diferença em uma campanha de pontos corridos do que um time ser imbatível em casa. Exemplos não faltam.

Analisemos o próprio Grêmio, vice-campeão de 2013. Foram três derrotas em casa e quatro empates na Arena. Ou seja, destes 21 pontos que disputamos em nossos domínios, conquistamos apenas quatro. Foram 17 pontos pelo ralo, mais do que o suficiente para buscar o Cruzeiro, por exemplo, que terminou 11 pontos à frente.

Ah, mas é normal uma derrota aqui e acolá contra um adversário poderoso. Mesmo em casa.

Pois é, mas sabe de quem perdemos na Arena? Não foi para Cruzeiro e São Paulo, foi para Criciúma, Coritiba e Atlético-MG (este já cumprindo tabela, campeão da Libertadores). Empatamos com o Santos levando um gol de William José aos 41 minutos do segundo tempo. No auge da crise criativa do nosso ataque, não conseguimos marcar um gol no Bahia.

Todos esses adversários o Grêmio tem o dever de atropelar quando joga em casa. A mosquice do time custou caríssimo.

Em 2014, estamos com um bom retrospecto em casa. Ainda invictos. Empatamos nossa última partida com o Palmeiras, mas vá lá, foi no Alfredo Jaconi.

Para que continue assim, o torcedor pode ajudar.

Ficou nítido em 2013 que a Arena ainda não ferve como fervia o Olímpico, onde chegamos a somar 51 jogos invictos entre 2008 e 2010. Eram times que foram longe mais pelo poder de fogo em casa do que por méritos técnicos.

A distância do Centro da cidade e o tamanho do nosso novo estádio não ajudam, mas é nossa casa e, como tal, precisa ser temida por quem nos visita.

A receita é relativamente simples: time ligado e torcida numerosa e vibrante. Se isso não ocorrer em 2014, podem contar com outro campeonato perdido no nosso próprio quintal.

Os 12 Trabalhos do Grêmio, Parte V - Definir as laterais

20 de junho de 2014 38
Pará joga na direita e esquerda. FOTO: Lucas Uebel/Grêmio

Pará joga na direita e esquerda. FOTO: Lucas Uebel/Grêmio

Por Guilherme Mazui

Na série dos 12 trabalhos do Grêmio, vamos ao capítulo cinco, as laterais. Com a chegada do argentino Matías Rodriguez e a dúvida sobre Breno ou Marquinhos, Enderson Moreira precisa definir seus titulares. De preferência com a missão de ir sempre à linha de fundo.

As laterais costumam nos trazer dores de cabeça. Quando temos um bom nome na direita, o outro lado está capenga. E vice-versa. Só que nas últimas rodadas do Brasileirão, as duas laterais andaram ruins, com alergia à linha de fundo. É preciso melhorar ambas. E com urgência.

O lado direito, órfão de um bom jogador desde a saída de Mário Fernandes, parece encaminhado, já que buscamos um gringo na Itália. Matías chega para reencontrar seu melhor futebol, jogado no Chile. Tem fama de ser agudo, de buscar o flanco, algo que o titular Pará não faz. Se contratamos um estrangeiro, é para vê-lo em campo.

Entrando Matías na direita, Pará deixaria o time. Parece lógico, né? Pois não sei se é o que pensa Enderson Moreira. Pará é ambidestro, faz as duas laterais (com limitações conhecidas, mas faz). O lateral é mais cascudo do que os jovens Breno e Marquinhos, as atuais opções na esquerda.

Não será surpresa ver Pará como titular, só trocando o lado direito pelo esquerdo, porção do campo que vinha bem nos últimos dois anos. Nunca considerei Alex Telles um primor, pelo contrário, acertava poucos cruzamentos, mas foi o melhor lateral do Brasileirão, rendia mais do que o medalhão André Santos. Já Wendell começou bem, mas foi vendido e só cumpriu tabela.

Se Matías Rodriguez for mesmo um lateral de vocação ofensiva, é válido um nome na esquerda que marque melhor. Assim, Pará é opção. Só que, pelo bem da tentativa de oxigenar o time, gostaria de ver Breno ou Marquinhos tendo mais oportunidades. O segundo só fez uma partida, na qual a equipe foi meia boca. Espero que ele tenha mais futebol para mostrar.

Já Breno tem bola no pé, porém, lhe falta tranquilidade. É visível seu nervosismo. Conseguindo dominar a ansiedade, ele pode deslanchar.

Independente das escolhas, o Grêmio precisa voltar a usar os lados do campo, a parar de afunilar o jogo, o que facilita a marcação. A dupla escolhida por Enderson Moreira tem o dever de abusar da linha de fundo.

PS: com Matías Rodriguez, Pará e Moisés, o garoto Tinga parece sem espaço no Grêmio. Vale a pena emprestá-lo. O Grêmio erra ao segurar os gringos no elenco principal só para completar treino. Assim, eles não amadurecem. Os novatos precisam de sequência, nem que seja em períodos de empréstimo.

Os 12 Trabalhos do Grêmio, Parte IV - Aprimorar a bola parada

19 de junho de 2014 13
Alán Ruiz, autor do último gol de falta: raridade no Grêmio de Enderson (Foto: Diego Vara)

Alán Ruiz, autor do último gol de falta: raridade no Grêmio de Enderson (Foto: Diego Vara)

Por Caue Fonseca

Tente puxar da memória qual foi o último gol do Grêmio em uma cobrança de falta.

Foi na segunda rodada do Brasileirão, quando os reservas enfrentaram o Atlético-MG e Alán Ruiz acertou aquela bucha no canto de Victor.

Agora qual foi o último gol do Grêmio em jogada de escanteio.

Foi na quarta rodada, contra a Chapecoense. O mesmo Alán Ruiz, na entrada da área, escorou o cruzamento para a pequena área e Barcos arrematou a bola que pererecava à frente. Um lance completamente acidental.

É pouco, muito pouco.

Longe de mim querer um time que não vença com bola rolando. Que viva de chuveiradas como as seleções europeias de parcas eras. Mas a bola parada é uma alternativa para jogos intrincados que o Grêmio simplesmente deixou de aproveitar por absoluta falta de treino.

Assim, passamos jogos e jogos cruzando bolas a esmo para a área. Faltas, então, dá pra ir até a geladeita buscar cerveja, porque a probabilidade de o lance terminar em gol é pífia.

O peculiar é que as peças estão no time: Werley chegou a ganhar fama de zagueiro artilheiro por conta de seus gols de cabeça. Bressan e Rhodolfo também têm facilidade para se impor nos cabeceios. Barcos, com todos os diabos, é outro cabeceador. Mas não há jogadas para aproveitá-los.

Nas cobranças diretas, Zé Roberto parece mais displicente a cada cobrança. Rodriguinho e Alán Ruiz tentam, mas fica evidente que não há qualquer tipo de ensaio ou estratégia. É o que der na telha na hora de quem se apresentar.

Se os cobradores e cabeceadores ali estão, Enderson que me desculpe, mas o que falta é treinador.

O mínimo que espero desse Grêmio do restante do Brasileirão é que, quando um juiz apitar uma falta perto da área, um jogador destacado pelo técnico vá chutar conforme treinou durante a semana.

É pedir muito?

 

O padrão Grêmio-Enderson no Brasil

18 de junho de 2014 36
Felipão precisa repensar o time. FOTO: Yuri Cortez/AFP

Felipão precisa repensar o time. FOTO: Yuri Cortez/AFP

Por Guilherme Mazui

Sabemos que Felipão é mais do que identificado com o Grêmio. Só não sabíamos que a paixão levou o bigodudo a fazer a Seleção jogar como o Grêmio de Enderson Moreira. Ver o Brasil sem brilho que empatou com o México me lembrou nosso Imortal. Sem melhoras, o hexa vai ter o mesmo destino do sonho azul do tri da América.

O goleiro mexicano pegou demais, tudo bem, mas o Brasil ficou devendo. “O Padrão Grêmio-Enderson” impera. Bola tocada por tocar, sem lances diagonais, esperando que a providência divina (no caso do Brasil, Neymar) resolva.  Ao usar dois laterais que acham que são meias, passar na linha de fundo é um sacrilégio. E o treinador aposta em um centroavante que anda brigado com as redes.

Felipão faz escolhas erradas, assim como Enderson insiste com Pará, Ramiro, Barcos… Felipão banca Paulinho, reserva do Tottenham, um time de segunda linha da Europa. Já Fred faz um ano que joga para o gasto no Fluminense, sendo que, atualmente, rende menos do que o gordito Walter. Nosso 9, até o momento só fez papel de ator na Copa. E Daniel Alves, com mania de meia, marca e ataca mal. Ainda pintou o cabelo de amarelo.

Assim como o nosso Grêmio, o Brasil parece não treinar de verdade. Fica a impressão de que os treinamentos são rodas de bobinhos, brincadeiras. Falta criatividade, toque de bola envolvente, intensidade em direção ao gol, bola parada precisa. É tão difícil explorar os lados do campo, fazer ultrapassagens, acertar cobranças de escanteio?

Por vezes, fico pensando se a maldição do time óbvio é comigo. Não basta o Grêmio ser um poço de obviedade, é preciso aguentar a seleção brasileira na mesma balada.

Enderson também precisa mudar o time. FOTO: Lucas Uebel/Grêmio

Enderson também precisa mudar o time. FOTO: Lucas Uebel/Grêmio

Os 12 Trabalhos do Grêmio, Parte III - Fazer sombra para Barcos

17 de junho de 2014 35
Lucas Coelho contra o Atlético-MG: pouca amostragem, mas boa. (Crédito da foto: Mauro Vieira)

Lucas Coelho contra o Galo: pouca amostragem, mas boa. (Crédito da foto: Mauro Vieira)

Por Caue Fonseca

Este tópico poderia ser “Recuperar Barcos”, mas não sei bem o que o Grêmio poderia fazer mais pelo seu centroavante do que já vem fazendo. Faz um ano e meio que o Grêmio insiste com Barcos no ataque indiferentemente à pouca quantidade de gols que o gringo vem fazendo ou às oportunidades de ouro que perdeu, como aquelas cobranças (a falta e o pênalti) contra o San Lorenzo, que nos custaram mais uma Libertadores.

Portanto, no que tange a Barcos, só resta uma estratégia: qualificar a sua concorrência.

Pelo visto o Grêmio não está em busca de um centroavante clássico. Mesmo que traga Fernandinho, não seria exatamente um camisa 9 para concorrer com Barcos. A solução, portanto, é apostar no que temos ou buscar alternativas táticas. De preferência, fazer as duas coisas.

Com o empréstimo de Yuri Mamute ao Botafogo, o que resta no grupo são os garotos Lucas Coelho e Everton. O que eu espero – e Enderson Moreira já sinalizou isso, contra o Santos – é um pouco de meritocracia. Espero que Barcos saia quando esteja mal. E que Lucas Coelho possa até começar jogando algumas partidas neste segundo semestre.

Já desperdiçamos tantos jogos assistindo ao nosso centroavante perdendo gols. O que custa experimentar, durante um primeiro tempo de um jogo menos pegado, começar com Coelho no ataque? Contra o Atlético-MG, ele fez um belo jogo e um belo gol. É pouca amostragem para avaliar, mas só saberemos do seu potencial se testarmos.

Outra alternativa é esquecer a camisa 9. Tuta, Marcel, Maxi López, Marcelo Moreno, André Lima… tantos nomes testados e quantos de fato emplacaram? Talvez Jonas. Embora tenha feito gols a rodo em 2010, ele também não era um 9 clássico, mas um jogador de velocidade que decidiu arrematar a gol incentivado por Renato.

Já comentamos no post sobre Giuliano que, entre Dudu e Luan, um deve sobrar para a entrada do meia. Quem sabe se sobrasse Barcos? Prefiro a alternativa de jogar sem um centroavante, mas chegando em velocidade na área e arrematando a gol, do que vê-lo trocando cotoveladas e caneladas por mais um Brasileirão inteiro.