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Posts de agosto 2014

Vitória para o gasto na Arena

31 de agosto de 2014 72

Por Guilherme Mazui

O Grêmio ganhou, 1 a 0, chorado como o gol de Barcos. O time não deixou o episódio triste da semana entrar em campo. Fez o placar mínimo, controlou o Bahia, ficou mais próximo do pelotão da frente. Falta, agora, aquela vitória fora de casa, o impulso para buscar o G-4.

Fomos mais uma vez bem na defesa, Marcelo Grohe pouco trabalhou, apenas interceptou com segurança cruzamentos. Felipão optou por Geromel e o desempenho pelo alto agradou. Geromel é titular. Gostei de Rhodolfo e Zé Roberto, já Matías Rodriguez deixou a desejar outra vez.

Os volantes brigaram muito, dominaram o meio, protegeram a defesa. Biteco entrou bem. Barcos fez o que se espera do centroavante, chegou conferindo a bola do jogo, sem chance para o azar. Dudu repetiu o de sempre, muito esforço e correria. Desta vez, seu lance terminou no gol do jogo. Palmas.

Fiquei preocupado com a criação. Além do gol, alguém lembra de uma defesa difícil de Marcelo Lomba? Nossa troca de passe só envolve até a intermediária, quando chega o espaço de definição do campo a bola fica quadrada. Algo a melhorar.

Alan Ruiz pouco rendeu, arriscou alguns chutes sem direção e foi substituído. Produziu menos do que quando entra no meio do jogo, um mau sinal. O argentino precisa ser mais ligado, mais intenso. Já Giuliano foi mais do que discreto, um distribuidor de toques de lado. Os jogos passam e Giuliano, a grande contratação da temporada, continua discreta, longe da área, coadjuvante. Não dá assistência e não finaliza.

Bueno, que a vitória traga confiança para reforçar o que deu certo e corrigir o que ainda precisa ser melhorado. Temos condições de chegar no pelotão de frente do Brasileirão.

***

A nota triste foi a Geral insistindo em cânticos que chamam nosso rival de macaco. O clube começa a fazer sua parte, pede um “chega” ao racismo, mas a organizada não revê seus atos. Assim, a maior parte da torcida acaba estigmatizada pelos cânticos que não param.

Não se trata de dizer que a Geral é culpada de todos os problemas do clube, afinal teve papel importante na retomada do Grêmio na década passa e costuma lotar seu espaço na Arena. Seria de bom tom que a organizada auxiliasse a instituição nesta campanha contra o racismo. A prova de que a maior parte dos tricolores está empenhada foi a vaia que a Geral levou dos próprios gremistas.

O exemplo da própria arquibancada

30 de agosto de 2014 70
Temos de provar com atos que o racismo não é tolerado no Grêmio. FOTO: Diego Vara

Temos de provar com atos que o racismo não é tolerado no Grêmio. FOTO: Diego Vara

Por Caue Fonseca e Guilherme Mazui

O Grêmio recebe o Bahia neste domingo, pelo Brasileirão, com o episódio de racismo de parte da torcida retumbando. É importante que a turbulência e as críticas não atrapalhem o desempenho de campo, afinal, uma vitória permite ao time encostar no pelotão de frente.

Grêmio x Bahia é a oportunidade para mostrarmos, em um trabalho tijolinho por tijolinho, que não somos uma torcida racista, para mostrarmos com atitudes rotineiras que a generalização está errada.

O Grêmio vai entrar em campo com faixa, vai fazer apelo pelo fim de ofensas racistas no futebol e todo discurso que se espera de um clube do nosso tamanho. Estamos na torcida para que, desta vez, sejam tomadas atitudes concretas, que afastem do estádio comportamentos degradantes.

Não apoiamos colocar as possíveis punições e comentários que mancham a imagem do Grêmio na conta de um suposto complô da justiça desportiva, da mídia, dos outros clubes. Existem generalizações, é um erro dizer que toda nação tricolor é racista ou que é a mais racista. Contudo, infelizmente, cada vez que se repete um xingamento como “macaco” na Arena, a exemplo de Aranha, o estigma cola. E cola pela repetição das ofensas.

Não adianta resmungar, dizer que não é só aqui que ocorrem tais agressões (uma verdade), se elas se repetem na Arena. Houve o caso do Paulão e, meses depois, o do Aranha. Há reincidência, a mesma repetição que nos faz criticar há décadas brigas de corintianos, envolvidos na morte de um torcedor boliviano, por exemplo. A reincidência cria um estigma que prejudica a grande maioria dos bons torcedores. É o que sentimos, hoje, como gremistas. É o que devemos ajudar a combater.

No caso do racismo na arquibancada, o problema é o mesmo dos brigões e vândalos. Os clubes não querem resolver a questão de fato, não querem se indispor com as torcidas. Cansamos de ver gremistas brigando na Arena, cansamos de ver quebra-quebra de corintianos, vascaínos, palmeirenses etc. Há poucos meses uma privada foi arremessada de um estádio. As atitudes se repetem porque seus executores continuam nas arquibancadas.

Os clubes começam a resolver o problema e param. Identificam o autor do delito, informam as autoridades, seguem a lei. Muitas vezes o torcedor é proibido de frequentar estádios por meses, só que uma semana depois aparece na arquibancada. Ninguém impede seu ingresso. Alguns deveriam se apresentar às autoridades, algo não fiscalizado.

Ora, se hoje para entrar em muitos prédios comerciais é cobrado cadastro com identificação biométrica, pela impressão digital, por que um clube não faz o mesmo em sua casa, em uma área privada? O torcedor barrado é identificado na catraca e fica de fora. Não esquecemos do corintiano preso pela morte do garoto boliviano que apareceu meses depois brigando em Brasília.

O Grêmio não tem poder para controlar o que fala seu torcedor, mas pode minimizar as chances de ofensas e agressões ocorrerem. É o que esperamos do nosso clube. Esperamos atitudes completas, e não pela metade. Não adianta mascarar o erro tricolor com o erro alheio.

Esperamos, também, que todo torcedor de cabeça quente, no calor do jogo, tente evitar xingamentos racistas, homofóbicos e de cunho religioso. É difícil, mas é um hábito, uma atitude individual. Vai de cada consciência. Uma mudança de atitude que deve ser posta em prática contra o Bahia.

Queremos ver uma vitória na bola, queremos que a notícia do pós-jogo seja nosso desempenho de campo. Esperamos que a imensa maioria da torcida faça valer a boa imagem tricolor, a da paixão, a da entrega, a da massa que “até a pé” vai com o “Grêmio onde o Grêmio estiver”.

Da vergonha ao orgulho

29 de agosto de 2014 127
Uma das campanhas do Grêmio  contra o racismo: pura demagogia até que haja punição.

Uma das campanhas do Grêmio contra o racismo: demagogia até que haja punição.

Por Caue Fonseca e Guilherme Mazui

É vergonhoso e muito, muito triste mesmo, na ressaca de uma derrota rotunda, ter ainda de falar sobre racismo na torcida do Grêmio.

Seja em relação ao goleiro do Santos, à torcida do Inter – como constou até bem pouco tempo em cânticos tricolores sem que provocasse choque algum – ou contra atletas do próprio clube, não há situação aceitável para ofender uma pessoa pela sua raça.

Antes que alguém venha comentar bobagens como a de que o apelido de “macacos” para a torcida do Inter surgiu por se empoleirarem em torno do Eucaliptos, vale citar o colega Carlos André Moreira, um dos autores do livro A História dos Grenais (L&PM, 2009). Tal argumento é uma lenda que não encontra respaldo algum na história. Se alguém quer apelar a ele, que mostre suas fontes.

E ainda que não fosse verídico, não é o lado que ofende deve opinar sobre um apelido racista, e sim o lado ofendido.

A quem tem estômago para defender que é aceitável chamar um negro de macaco, convido a imaginar-se numa mesa diante de Everaldo, de Tarcísio, de Cristóvão, de Tinga, de Marinho, de Zé Roberto e falar, por exemplo, que negros inteligentes não deveriam ficar ofendidos com a comparação a um animal “tão fascinante”, como já foi comentado aqui mesmo neste blog.

O técnico do Santos, Oswaldo de Oliveira, fez uma observação interessante ontem à noite. Disse que quanto mais se fala no assunto racismo sem que haja punição, mais esses casos se repetem.

O Brasil é o país onde todos são culpados e ninguém é responsável. Desta forma, ninguém aparece no balcão para pagar a conta. O futebol é um grande exemplo disso.

No caso de ontem, é facílimo apontar o dedo para os culpados: o torcedor individualmente é culpado pelo ato, a Geral é culpada por amparar e cantar esse tipo de comportamento, o Grêmio pelo histórico de conivência, o árbitro por propiciar o estado de nervos do jogo e da torcida, e haverá quem culpe até o próprio Aranha, pelo tempo de atendimento médico.

De todos esses, o Grêmio pode não ser o maior culpado, mas é o responsável.

As imagens: identificar e punir é fácil quando há boa vontade;

As imagens: identificar e punir é fácil quando há boa vontade.

Hoje, temos vergonha do que ocorreu na Arena. Mas existe uma forma de transformar essa vergonha em orgulho. Para isso, independentemente de punição da Justiça Desportiva ao clube, o Grêmio deve ser pioneiro em identificar esses torcedores e tomar as medidas cabíveis. Por elas, entenda-se divulgar os nomes, banir os sujeitos do quadro social (se pertencerem a ele) e processá-los não por racismo (esse ato cabe a Aranha, se quiser), mas pelo incalculável dano moral causado ao Grêmio.

Haverá dano moral maior ao que esses sujeitos nos causaram? Colocar em 6 milhões de gremistas a pecha de racistas?

Ver torcedores processados pelo próprio Grêmio valerá mais do que mil faixas com dizeres bonitos que até hoje não parecem ter servido para nada. Tentar conscientizar sem punir é pura demagogia.

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Incompetência generalizada

28 de agosto de 2014 138
Luan perdeu chance a dois metros do gol, sem arqueiro. Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Luan perdeu chance a dois metros do gol, sem arqueiro. Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Por Guilherme Mazui

Deu tudo errado. Houve azar, teve erro de arbitragem grosseiro e sobrou incompetência. O Grêmio jogou melhor e conseguiu perder em casa. A classificação na Copa do Brasil, única chance de título que restou, ficou pouco provável.

O Grêmio conseguiu fazer tudo o que não podia fazer em um jogo de mata-mata como mandante. Perdeu para o Santos, um time nada demais, por 2 a 0. Frustrou uma nação cansada de ver a equipe afinar. Vai precisar devolver o placar na Vila, onde historicamente tropeça, para forçar as penalidades. Se ganhar por 3 a 1, classifica.

O jogo desta quinta-feira lembrou demais aquela eliminação para o Palmeiras, em 2012, quando jogamos melhor e levamos dois gols em dois lances. E, desta vez, uma série de erros praticamente nos sepultou na Copa do Brasil. A começar pela pontaria. O Grêmio jogava bem, pressionava o Santos. Acuado, o rival aproveitou uma falha na bola parada e uma escapada com ajuda do juiz para fazer dois gols em duas chegadas. Fim de conversa.

A falta de pontaria ficou evidente com Luan, que teve a bola do gol a dois metros do arco, sem goleiro. Bateu fraco, com displicência, única maneira possível para a defesa cortar de carrinho. Luan só falta jogar de pijama. É uma promessa que se apaga devagar. E, aos que pedem paciência, digo: a promessa se firma pelo o que concretiza em campo, não pelo o que um dia vai hipoteticamente produzir.

Pois além da chance de Luan, houve uma chegada de linha de fundo em que ninguém conseguiu completar para as redes. O jogo ainda estava zerado. Depois, o Santos foi lá e marcou duas vezes. E repetimos a rotina pé torta em todo segundo tempo. Barcos e Rhodolfo perderam chances cara a cara com Aranha. O Grêmio não marcou na Arena porque é um time curupira, porque é incompetente na finalização. E aqui destaco o voluntarioso Dudu.

O célere atacante foi quem mais chamou o jogo, arriscou dribles, foi ao fundo, tentou. Merece palmas pela disposição. Só que Dudu faz força para nada produzir. É raro quando acerta o chute ou o passe. E ainda cobra quase todas as faltas e escanteios. Ora, se Dudu não acerta um chute da pequena área, como vai acertar um escanteio? Felipão insiste no erro. Por sinal, nossa bola parada segue uma tristeza. Parece que jamais vai melhorar.

Outro erro de Felipão atende pelo nome de Werley. Falhou nos Gre-Nais do Gauchão, falhou no clássico do Brasileiro, estava comendo mosca no gol do Cruzeiro e, contra o Santos, ficou vendo o zagueiro paulista cabecear livre no primeiro gol. Se há uma coisa que precisa ser combatida em jogo de mata-mata como mandante é a bola parada. Pois o Grêmio babou, pois Werley falhou de novo. E ainda teve o azar de desviar a bola do segundo gol. Felipão erra feio ao insistir no defensor. Deveria ter um artigo no estatuto do clube proibindo Werley de jogar.

O árbitro também atrapalhou, não viu toque de mão claro do santista na origem do segundo gol, em um lance que a defesa não consignou cortar mais tarde. O árbitro ainda deixou o Santos matar tempo, deu pouco acréscimo e poderia ter marcado um pênalti em Zé Roberto. Só que seria esconder nossos problemas colocar a derrota na conta da arbitragem. Perdemos porque fomos incompetentes.

Será difícil para time e torcida erguer a cabeça, confiar na virada em Santos. Felipão terá uma missão ingrata no vestiário e no campo. O Grêmio terá de ter toda competência que faltou na Arena para manter vivo o sonho da Copa do Brasil. Do contrário, na primeira semana de setembro teremos certeza que 2014 foi mais um ano sem títulos.

Hora de fazer a nossa parte

28 de agosto de 2014 33
Walace prestes a entrar na segunda fogueira: Grêmio x Santos é o jogo do semestre (Foto Lucas Uebel, Facebook do Grêmio)

Walace prestes a entrar na segunda fogueira: Grêmio x Santos é o jogo do semestre (Foto Lucas Uebel, Facebook do Grêmio)

Por Caue Fonseca

Jogar mata-mata é uma arte. Um xadrez em que um clube menor pode surpreender um maior se jogar com sabedoria. Entre dois times grandes, de nada adianta ter boa atuação sem ser pragmático, sem jogar com um olho no campo e outro no regulamento.

Olhando para as demais chaves das oitavas de final da Copa do Brasil – à exceção, talvez, de Bragantino x Corinthians e Vasco x ABC –, os confrontos já estão muito bem encaminhados:

> Entre nossos possíveis futuros adversários, o Ceará venceu o Botafogo por 2 a 1 no Maracanã. No jogo de volta, no Castelão lotado, o Botafogo terá de fazer dois gols sem levar nenhum. Muito difícil.

> Como era previsto, o Cruzeiro brincou com o Santa Rita no Mineirão, 5 a 0. A Raposa poderá enviar o seu time C para conhecer as praias de Alagoas na semana que vem.

> O Vasco empatou em 1 a 1 com o ABC em São Januário em um jogo fraquinho. Mas os cariocas têm chance de reverter o placar, basta 1 a 0 na Arena das Dunas, em Natal.

> De técnico novo, o Coritiba fez 3 a 0 no mistão do Flamengo em casa. Luxemburgo saiu de campo reclamando do calendário e dizendo que a prioridade é o Brasileiro. Típico.

> Zebra da rodada, o América-RN repetiu contra o Atlético-PR o arrodião aplicado no Fluminense e venceu por 3 a 0 na Arena das Dunas. Mesmo que acorde no jogo da volta, vai ser difícil o Furacão reverter em Curitiba.

> Outro técnico que não dá para entender é Ricardo Gareca, que dispensou a chance de ganhar um título no centenário do Palmeiras escalando reservas contra o Galo. Tomou 0 a 1 em casa. No Horto, será morto.

> Por fim, o Corinthians desperdiçou a chance de ao menos marcar um golzinho no Bragantino, que fez a camaradagem de mandar o jogo em frente aos corintianos de Cuiabá, na Arena Pantanal. Deu 1 a 0 para o alvinegro de Bragança.

O que esses confrontos têm a nos ensinar? A importância de construir um placar no primeiro jogo. A partida desta noite é a mais importante do semestre. Precisamos, na Arena, obter um resultado que nos permita deixar o Peixe se debatendo sem ar na Vila Belmiro, semana que vem.

O time está bem encaminhado, motivado e volta a enfrentar um mata-mata com um dos maiores especialistas nesse formato na casamata. Do outro lado, enfrenta um dos adversários mais casca grossa desta Copa do Brasil logo nas oitavas.

Se isso não é motivo para você, gremista, estar hoje na Arena, não sei mais o que dizer.

Pra cima deles, Grêmio!

Mais de 45 mil gremistas na Arena

27 de agosto de 2014 41
Queremos mais de 45 mil pessoas na Arena. FOTO: Lucas Uebel/Grêmio

Queremos mais de 45 mil pessoas na Arena. FOTO: Lucas Uebel/Grêmio

Por Guilherme Mazui

E voltamos ao nosso querido mata-mata. Grêmio e Santos abrem o duelo das oitavas da Copa do Brasil na Arena. Estádio que precisa rugir na quinta-feira.

O roteiro para vencer em mata-mata é mais conhecido do que a estátua do Laçador, foi cunhando, em parte, pelo próprio Grêmio com Felipão. É fundamental vencer em casa e sem levar gol. É fundamental fazer um gol na casa do rival. É fundamental morder, chegar, tirar espaço, pressionar. É fundamental acertar a bola parada. É fundamental abafar o rival em um estádio lotado.

Faço um apelo ao torcedor para tomar a Arena, colocar mais de 45 mil torcedores, quiçá 50 mil. É fazer aquele alçapão que nossa casa ainda se esforça para ser. Aquele alçapão que sabemos fazer. O Santos precisa tremer as pernas ao ver um mar azul de ensandecidos pela vitória.

A média de público da Arena está em 24 mil espectadores, boa média, porém enche apenas meio estádio. Contra o Corinthians, já foram 32 mil torcedores. Confio que seja possível repetir os 47 mil da partida contra o San Lorenzo, pela Libertadores.

O peso do grito das arquibancadas aumenta diante de um rival qualificado, com previsão de duelo equilibrado. Cansamos de superar adversários duros e melhores tecnicamente no passado. Precisamos recuperar no presente tal capacidade com bola no pé. A pegada e o espírito peleador já voltaram. Que também volte o inferno azul de Porto Alegre.

A vida sem Bastos

26 de agosto de 2014 47
Felipe Bastos: sentiremos falta de sangue quente no meio-campo contra o Santos (Foto: Lucas Uebel, Facebook do Grêmio)

Fellipe Bastos: sentiremos falta de sangue quente no meio-campo contra o Santos (Foto: Lucas Uebel, Facebook do Grêmio)

Por Caue Fonseca

A falta que nos fará Fellipe Bastos nos dá uma ideia do nível de apatia do Grêmio pré-Felipão. Se tecnicamente ele pode não ser indispensável – afinal de contas, o que esperar de alguém trocado sem custos por Kleber Gladiador? –, hoje não temos alguém para substituí-lo no mesmo nível de aguerrimento contra o Santos, na quinta, pela Copa do Brasil.

É tradição do Grêmio reforçar-se com bons jogadores que andavam em dificuldade em outros clubes. Aquela conversa apontada por Marcelinho Paraíba, que dizia que a camisa do Grêmio faz o jogador correr mais. O próprio Grêmio de Felipão era forjado de atletas de grande potencial técnico resgatados à beira do ostracismo: Dinho, Paulo Nunes, Jardel, Goiano… é só fechar os olhos e escolher.

Bastos parece ser um resgate dessa tradição. Surgiu no Botafogo e chegou a capitão das categorias de base da Seleção. Com apenas 24 anos já passou mais de cinco na Europa. Mas andava em baixa, perambulando por clubes de segunda linha. Muito em razão do seu comportamento sanguíneo – a troca de palavrões com Barcos, no intervalo do jogo passado, é exemplo. No Grêmio, era o toque de nitroglicerina que faltava no meio-campo. Chegou assumindo não só o megafone, mas as cobranças de bola parada: que antes só explodiam os nervos da torcida pela displicência.

Fora da Copa do Brasil por já ter atuado pelo Vasco, Felipão terá de quebrar a cabeça para substituí-lo.

Tecnicamente, a opção natural seria Riveros, mas é possível que o paraguaio ainda não tenha retornado de lesão.

Uma opção análoga a Bastos seria Edinho, mas o que se ganha em experiência e vibração, pode se perder em passes errados e falta de ritmo contra um time de jogadores rápidos, como Robinho e Gabigol.

Restam os guris, Matheus Biteco e Walace. Felipão já se mostrou reticente a utilizá-los na fogueira, embora já tenha lançado Walace em pleno Gre-Nal, e depois inexplicavelmente deixado o guri de lado.

Bastos fará cada vez mais falta conforme o Grêmio avance na Copa do Brasil, mas vamos torcer para que o meio-campo  de Felipão já esteja, de certa forma, contagiado pela vibração do seu técnico e do volante de fora desta competição.

Com pegada e eficiente

25 de agosto de 2014 17
Sem firulas, Barcos guardou dois. Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Sem firulas, Barcos guardou dois. Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Por Guilherme Mazui

Falei no sábado que o Grêmio precisava preservar o espírito mordedor do jogo contra o Cruzeiro, mas que era vital, diante da defesa corintiana, encaçapar as poucas chances que surgiriam. Pois o Grêmio teve pegada e foi eficiente no ataque. Logo, venceu.

A principal diferença do time derrotado em Minas Gerais para o que venceu na Arena está nas chances convertidas. Em Belo Horizonte foram seis e nada de gols. Ontem, foram quatro claras, além de uma falta frontal. Duas bolas morreram nas redes.

E, neste contexto, destaque para Barcos, artilheiro da tarde, do Grêmio no Brasileirão e no ano e, desde ontem, maior goleador gringo da história do clube (36 gols). Barcos sintetiza a necessidade de ser eficiente. O Pirata teve três chances claras. Na primeira, como já cansou de fazer, resolveu enfeitar. Optou por dominar em vez de cabecear de uma vez. Errou. Nas outras duas, foi sem firulas, bateu firme, seco, com raiva. Marcou duas vezes.

Costumo criticar o argentino pelos gols perdidos, alguns decisivos, como na Libertadores. Barcos erra quando enfeita. É aquele corte extra, aquela batida com graça demais e precisão de menos. Ele adora entrar cara a cara com o goleiro para dar uma cavadinha. A bola bate no ombro, na orelha, no topete do arqueiro e sai.

Foi por preciosismo que o Pirata perdeu uma chance clara contra o Coritiba. Irritado, soltou o pé no lance seguinte e guardou. Jonas, na fase ruim, também era assim. Lembram do lance que o titulou “o pior atacante do mundo”? Errou por fazer firula na finalização. Quando parou de frescura e começou a bater sem dó, independente da distância, passou a empilhar gols. E gol chama gol. Jonas foi embora marcando até de falta.

Espero que o Pirara entenda a lição, quero bater palmas mais vezes para o argentino. Barcos melhorou nos últimos jogos, voltou a fazer gols, é um dos grandes artilheiros do país na temporada, soma 22 gols na temporada. Se mantiver o estilo sem firulas, baterá, com certeza, a marca de 28 tentos que estabeleceu com a camisa do Palmeiras.

Contra o Santos, pela Copa do Brasil, quero um Grêmio com a pegada dos últimos jogos. Também quero finalizações sem firulas, quero Barcos sem piedade. É jogo de mata-mata, é jogo que não combina com misericórdia.

Grêmio lutou e ganhou

24 de agosto de 2014 76
Dudu esteve  mais uma vez entre os melhores na arrepiante vitória do Grêmio (Foto: Bruno Alencastro)

Dudu esteve mais uma vez entre os melhores na arrepiante vitória do Grêmio (Foto: Bruno Alencastro)

Por Caue Fonseca

Bom que se diga, o Grêmio poderia ter lutado e não ter vencido. Pela qualidade que tem, não seria de todo injusto se o Corinthians viesse a empatar o jogo. Mas é preciso valorizar uma vitória a ferro e fogo, como há muito o Grêmio não vencia. Nesse 2 a 1 deu para ver um bigode começando a crescer debaixo dos beiços do tricolor, à feição de Luiz Felipe Scolari.

Outro dia escrevi que o Grêmio estava mal literalmente do goleiro ao centroavante. Pois foi o que de melhor tivemos hoje. Marcelo Grohe foi decisivo e é isso que ele precisa ser. Quando critico o nosso goleiro, muita gente faz questão de não entender. Naquela bola em que ele se viu sozinho frente a frente com Paolo Guerreiro, não seria culpa dele se tomasse o gol. Mas isso não basta para ser goleiro do Grêmio. Ele precisa ir além. Precisa, quando necessário, fazer os milagres que fez hoje. Merece toda a comemoração do final do jogo.

Na outra ponta do campo, valeram os gols sem firula de Barcos. Centroavante é pra isso mesmo, pra meter bolas pra dentro. As fáceis e as difíceis. E em duas jogadas que passaram pelos lados do campo – como não cansa de apontar o Guilherme Mazui – graças à inspiração de Zé e de Dudu.

De destaques negativos, terminei o jogo preocupado com Matías Rodríguez. Sem Pará, o Grêmio melhorou. Não porque Matías tenha jogado melhor e sim porque, ausente, Pará deixou de carimbar todas as jogadas. Os outros 10 têm mais oportunidades sem Pará entre eles. Mas questão é que não vi em Matías as qualidades no apoio que justifiquem a avenida aberta na direita às suas costas. E de frente para o Werley ainda, para aumentar nosso terror.

Talvez Matías seja o bode na sala para o retorno de Pará, mas não custaria escalar Saimon por ali. Ramiro eu sigo querendo emprestar para o MFK Ružomberok, da Eslováquia, sem custos. Aparentemente Felipão é mais um técnico a cair de amores pelo pequeno volante. Paciência.

Temos de celebrar a vitória a fórceps. Vencer mesmo quando joga mal é característica fundamental de um time que quer ser campeão de alguma coisa na vida. Mas não é um Grêmio pronto. Ainda é preciso melhor a dinâmica de jogo para almejarmos uma tacinha. Vamos lá. Passo a passo, sempre pra frente e tabela acima, mesmo aos trancos e barrancos como hoje.

Com pegada, mas eficiente

23 de agosto de 2014 32
Time de Felipão precisa acertar o pé. Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Time de Felipão precisa acertar o pé. Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Por Guilherme Mazui

Ainda estou a remoer os gols perdidos contra o Cruzeiro. E enquanto tento me conformar, já surge o Corinthians no caminho tricolor. Ótimo. No futebol, as frustrações são esquecidas no campo. E o Grêmio de Felipão precisa jogar.

A derrota em Minas Gerais deixou importante lição, vital no jogo deste domingo na Arena. É preciso ter a pegada característica do gremismo, porém vibração é apenas um dos componentes que nos levam à vitória. Só vontade não basta. As máquinas dos anos 90 mordiam e jogavam. Além da pegada, temos de ser eficientes.

A fórmula terá de se materializar em campo diante de um adversário duro, com um elenco melhor do que o nosso: Cássio, Fagner, Gil, Elias e Jadson seriam titulares do Grêmio, por exemplo. O Corinthians oscila boas e más atuações, contudo, tem padrão definido e habita o G-4, rotina nas equipes de Mano Menezes em Brasileirões. A estratégia compacta e chegadora de Felipão se faz necessária neste domingo.

Terceiro colocado no campeonato, o Corinthians lembra o Imortal nas virtudes e defeitos. Tem uma defesa mais forte do que o ataque – o 5 a 2 sobre o Goiás foi exceção na temporada. Por sinal, o Grêmio encara o grande paredão do país, a única equipe que levou menos de 10 gols no Brasileirão (nove).

O fato de enfrentar a melhor defesa do campeonato só reforça a necessidade de ser eficiente. Barcos pode voltar, quem sabe ajude lá na frente. Repetir o desperdício do Mineirão é atrair a derrota. É provável que tenhamos pouca chances, portanto, nosso ataque curupira precisa urgentemente acertar o pé.

Repito o mantra: queremos um Grêmio com pegada, mas eficiente.