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Posts de janeiro 2015

Boa estreia Tricolor!

31 de janeiro de 2015 33

Por Carlos Rollsing

Foi bom o começo de temporada do Grêmio, com uma vitória tranquila sobre o União Frederiquense por 3 a 0.

Início de temporada, não podemos descartar a fragilidade do adversário, mas o Grêmio foi competente e preciso. Gostei muito da disposição e seriedade dos jogadores, além do cumprimento tático das funções. O jeito Felipão de jogar, eficiente e objetivo. Sobretudo no primeiro tempo, funcionou a marcação avançada. Na segunda etapa, com o placar feito, o time reduziu o ritmo.

A defesa, pouco exigida, esteve ok. Araújo me agradou nos primeiros 45 minutos. Bom desarme e alguma visão de jogo. Depois, caiu de produção e, desatento, teve de cometer faltas que resultaram na sua expulsão. Galhardo se mostrou bela opção de ataque pela direita, embora eu guarde certa ponderação quanto ao seu poderio defensivo. Lincoln tem muito futuro. Deem sequência e esse garoto vai voar, com qualidade técnica e força. Barcos e Moreno funcionaram, com o segundo flutuando mais pelo campo. Dizem que a dupla deixa o time lento, mas Luan, Lincoln e Galhardo podem ser a velocidade. Everton, tenho certeza, desponta para grande futuro.

Estamos apenas no início da jornada, mas mantenho otimismo. Podemos chegar com uma equipe jovem e barata. Em 2012, com um time muito mais badalado, estreamos no Gauchão levando 2 a 0 do Lajeadense no Olímpico. Acredito em Felipão. Muito. O Gauchão pode ser valioso. Vamos em busca, com todas as forças.

Adeus, Barcos?

Pirata pode estar de saída para jogar na China. Uma notícia que nos pegou de surpresa nesse sábado de estreia no Gauchão. Houve um preocupante desmanche na equipe. A maioria das saídas acertadas, exceto nos casos de Barcos e Riveros, em minha opinião modesta. Por outro lado, o Grêmio precisa de dinheiro e de alívio na folha mensal.

Se confirmar o negócio, desejo todo o sucesso ao Pirata. Enquanto esteve aqui, foi profissional ao extremo, dedicado, líder e ligado ao clube. Apesar de ter falhado em alguns momentos, de ter oscilado altos e baixos, Barcos sai de cabeça erguida. Se for, vá em paz, Pirata.

Para o futuro, sem Barcos, defendo apenas Moreno na frente. Permanece Lincoln e ingressa Douglas, em um meio povoado que irá combinar técnica, cadência e velocidade. Depois disso, Everton surge como ficha um.

Gauchão pra valer!

30 de janeiro de 2015 35
Felipão é a estrela-mor do Grêmio de 2015. Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Felipão é a estrela-mor do Grêmio de 2015. Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Por Guilherme Mazui | @guilhermemazui

Sábado começa o Gauchão. Fim da abstinência de jogos oficiais. Espero que seja a largada para o fim da seca de títulos. O Grêmio tem o dever moral de levar a sério o Estadual.

Muita gente desprestigia o regional, chama de campeonato engana-bobo e afins. Concordo em parte. De fato, ganhar o Gauchão não garante sucesso no restante da temporada. Contudo, o torneio sabe indicar o que não funciona. O Estadual serve de primeiro filtro.

Se um atacante azul não for capaz de balançar as redes com regularidade contra as equipes do Interior, o que ele fará no Brasileirão? Se um zagueiro tricolor sofre com um ataque interiorano, sobreviverá aos melhores times do Brasil? O Gauchão oferta a possibilidade de ver o que não dará certo. E dá a chance para azeitar a equipe, para aquele nome emergente ganhar confiança. Considero o Gauchão útil.

Alguns amigos aqui do blog virão com a bandeira do fim dos Estaduais e tal e coisa. Saliva fora. O campeonato está no calendário, começa sábado e temos de jogá-lo. Sábio é quem sabe aproveitar o regional.

O Grêmio estréia diante de União Frederiquense na Arena. Em tese, seria uma barbada, só que a pré-temporada foi pálida. Vitória magra sobre o Gramadense e empates contra Noia e Cascavel. Sequer o time titular é conhecido, as laterais não empolgam.

 Douglas não teve a situação regularizada. Beira o amadorismo trazer um reforço brasileiro no começo de janeiro e não conseguir escalá-lo por questões burocráticas. Posso estar sendo pessimista, mas a direção não passa confiança ao torcedor. Talvez a sorte nos ajude e Lincoln dê conta do recado.

Em um time mais modesto, Felipão segue de estrela-mor do Grêmio. E ele tem no Gauchão uma primeira motivação: voltar a erguer uma taça com o clube, ampliar seu currículo de feitos tricolores.

Sem conquistar o Estadual desde 2010, o Grêmio precisa voltar a pintar o Rio Grande. O campeonato pode não ser o melhor dos parâmetros, mas ficar muito tempo sem ganhá-lo é um péssimo indicativo.

Título chama título, assim como gol chama gol. Reconquistar nossa querência pode abrir o caminho para uma nova e vitoriosa fase. Quero Grêmio com sangue nos olhos no Gauchão!

Liquidação tricolor

29 de janeiro de 2015 53

Por Juliano Rodrigues – @julianorodrigue

Não é segredo para ninguém que a situação financeira do Grêmio é terrível e que nenhum jogador é inegociável. Isso está bem claro nas declarações dos dirigentes desde o fim de ano passado e nas mais recentes, sobre uma possível venda do zagueiro Rhodolfo. O que me incomoda nesse processo, que muitos dizem ser necessário diante da crise, é a forma como a direção conduz esses negócios. Admitir vender Rhodolfo por míseros 3 milhões de euros é dar o seguinte recado para os outros clubes: “Estamos desesperados e aceitamos qualquer proposta”.

O Grêmio não pode se diminuir a esse ponto. Já foi feita uma limpa no grupo de jogadores, com a saída de vários atletas caros e que pouco ajudaram o time. Tudo bem negociar os “dispensáveis” a preço de banana, mas não podemos abrir mão de um jogador que resolveu os problemas defensivos e lidera uma zaga que está entre as melhores do Brasil há dois anos. Não por essa mixaria. O Corinthians vendeu o Leandro Castán, que nunca teve lá muita expressão, por 6 milhões de euros em 2012. O Inter negociou o Juan, um jogador de segunda linha, convenhamos, pelos mesmos 3 milhões de euros que estão sendo oferecidos pelo Rhodolfo.

Precisamos de 3 milhões de euros? Claro que sim, o clube está em bancarrota. Mas esse dinheiro vai evaporar em pouco tempo, ajudando a pagar salários e outras dívidas, e criaremos um problema gigantesco para o time. O Grêmio de 2015 começa pela defesa, que foi a melhor do Brasil em 2014. Vender o seu principal líder é desestabilizar o único setor que passa alguma confiança para a torcida. Se é para vender, que seja por um valor irrecusável.

Anderson no Inter?

As notícias da manhã dão conta do interesse do Inter pelo ex-meia do Grêmio Anderson. O que dizer? Ele nos foi oferecido apenas pelo salário e não tivemos condições de bancar. Não podemos reclamar se ele for parar no Beira-Rio. Faz parte do futebol e desse triste momento que o tricolor vive.

A partir de sábado, começamos a virar a página desse período de pré-temporada que não foi nada bom para a torcida. É hora de ver, na prática, o que o Felipão conseguiu armar com as opções disponíveis.

Já reclamei disso antes e vou reclamar enquanto puder: é absurdo o preço dos ingressos na Arena. Os bilhetes para ver um time em formação contra a gloriosa União Frederiquense custam entre R$ 30 e R$ 110 (!!!). Alguns dizem: “Ah, mas para sócio é mais barato”. Não é tão mais barato assim. O país está praticamente em recessão, o Grêmio barateou o time, estamos no meio do verão, mas, mesmo assim, a direção do clube continua achando que tem uma torcida europeia e coloca ingressos a valores exorbitantes. Quem, em sã consciência, vai pagar mais de R$ 100 para ver um jogo desse nível, apenas porque a cadeira é estofada?

Reclamar disso é dar murro em ponta de faca, mas parece que os clubes não aprendem as lições.

Pergunta

Qual é a utilidade/necessidade de um diretor-executivo REMUNERADO em um clube que está sem dinheiro e que desistiu formalmente de adquirir jogadores?

Saudações tricolores!

Compra da administração da Arena: só acredito vendo

27 de janeiro de 2015 60

Por Guilherme Mazui | @guilhermemazui

A milonga da Arena ganha mais um espichado acorde. Agora, o ex-presidente Fabio Koff programa a compra da administração plena da área para fevereiro. E pela metade do preço.

Em vez dos R$ 360 milhões iniciais, o clube pagará à OAS R$ 170 milhões. A crise financeira da empreiteira, envolvida na Operação Lava-Jato, facilita o acordo. Caso seja confirmado, parece ser a grande sacada desta novela que já dura dois anos. A negociação é exemplar: aproveita a crise do parceiro, enrascada que não tem relação com o clube, e fecha um acordo favorável ao Grêmio.

A nova informação provocará reações distintas. Uns chamarão Koff de mito, gênio, salvador da pátria azul. Outros dirão que se trata de mais um engodo do dirigente, similar ao proferido na véspera da eleição do clube, que acabou por eleger Romildo Bolzan. As duas reações são compreensíveis.

Feito gato escaldado, sou cauteloso. Já ouvi a mesma conversa outra vezes. Negócio fechado é preto no branco, é contrato assinado e reconhecido em cartório. Acordo verbal se desfaz.

No caso Arena, sou o clássico São Tomé: só acredito vendo.

Revolta seletiva com o racismo no futebol

26 de janeiro de 2015 26
Foto: Mauro Vieira, Arquivo

Foto: Mauro Vieira, Arquivo

Por Juliano Rodrigues@julianorodrigue

Não são poucos os casos de ofensas racistas a jogadores em redes sociais, mas, com alguns dias de atraso, quero retomar o assunto dos insultos proferidos contra o meia Douglas Costa, cria dos campos do Cristal. Depois de uma atuação impecável contra o Inter, na sexta-feira, o guri postou uma foto com a camisa do Grêmio e foi bombardeado com xingamentos do naipe de “macaco” e “imundo”. Não precisa ser um gênio para concluir que as ofensas partiram de “torcedores” colorados, talvez irritados com o desempenho constrangedor do time. E por que a indignação é tão pequena com esses atos?

É óbvio que o racismo não pode ser atribuído seletivamente a uma ou outra torcida. Quando o goleiro Aranha foi xingado por uma dúzia de torcedores do Grêmio, vimos surgir dezenas de pessoas hipócritas e demagogas querendo acabar com o racismo no Brasil (e talvez no mundo, dada a pretensão dessas criaturas) a partir de uma punição que até hoje não encontra precedentes na história do futebol. Não sei se ocorreu o mesmo com vocês, mas eu li inúmeros posts em redes sociais de amigos e conhecidos que colocaram a torcida tricolor, com mais de milhões de pessoas, em uma vala comum de racismo e preconceito. O resultado dessa campanha demagógica que teve aval de parte da mídia (com mais doses cavalares de hipocrisia) foi a eliminação do Grêmio da Copa do Brasil. Onde estão essas pessoas? Onde estão os indignados? Cadê toda aquela revolta?

A arrogância das pessoas que querem atribuir à torcida tricolor a pecha de racista é tamanha que elas esquecem dos episódios envolvendo o zagueiro Paulão, insultado por torcedores do Inter, e do próprio goleiro Aranha, insultado pelos santistas ao deixar o clube.

Para aqueles que ressalvam que os xingamentos a Douglas Costa, Paulão e Aranha (no caso dos santistas) foram feitos em ambiente virtual, e não no campo de jogo, quero deixar algumas perguntas: Racismo é algo mensurável? Tem diferença entre o fato de alguém gritar um insulto ou escrever diretamente uma ofensa? Foi menos racismo porque ocorreu em uma rede social, e não no estádio? Talvez só os jogadores possam responder, mas estou convencido, depois de tudo que li (e não li, infelizmente), que a indignação com o racismo no futebol é extremamente seletiva e tem pesos diferentes quando envolve torcedores do Grêmio.

Gostaria de ver mais discussão sobre a atitude dos torcedores colorados, que são considerados por muitos e por eles próprios os bastiões da defesa da igualdade racial e os policiais do racismo no Rio Grande do Sul. Mas, infelizmente, a coerência é uma utopia.

Sobram interrogações no Grêmio

25 de janeiro de 2015 28

Por Guilherme Mazui | @guilhermemazui

O Grêmio entrará no Gauchão com muitas interrogações no ar. Os reforços agregaram qualidade? Matías Rodríguez pode ser o lateral titular? Vale manter o esquema com Barcos e Moreno? O time será de fato competitivo?

As respostas começam a vir no próximo sábado, na estréia do Gauchão contra o União Frederiquense. Contudo, as amostragens da pré-temporada não animaram nem o mais otimistas dos tricolores. Vitória sem brilho sobre o Gramadense e empates com Noia e Cascavel. Ok, são os primeiros testes, a turma está sem ritmo, pesada. Mas alguns indicativos ficaram.

Com muita chuva no Paraná, o desempenho ficou prejudicado. Concedendo os devidos descontos, Matías foi driblado com facilidade no gol rival. Um problema crônico. Não consigo confiar no argentino. Espero que ele prove em campo que estou errado.

Moreno e Barcos juntos não funcionaram outra vez. O time perde algo vital no futebol, a velocidade. Junte a dupla de avantes ao cadenciador Douglas, e o Grêmio se arrasta em campo, é previsível ao cubo. Sem velocidade não há jogo. E velocidade pode ser tocar a bola e agredir com rapidez.

No ataque, Barcos foi o mais fraco do período de treinos. Moreno atuou melhor, enquanto os garotos deram boa resposta, vide Everton, Paulinho, Lucas Coelho e Everaldo. Vale pensar em um homem de referência ao lado de um jovem veloz.

Pelo visto, o Grêmio fará dos primeiros jogos do Gauchão uma continuidade dos testes. A pré-temporada desnudou um time burocrático, sem esquema e titulares definidos, que dará muito trabalho a Felipão. Boa sorte ao gringo.

Procura-se um volante que saiba marcar e atacar

23 de janeiro de 2015 38
Ramiro é titular absoluto há dois anos. Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Ramiro é titular absoluto há dois anos. Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Por Guilherme Mazui | @guilhermemazui

Os primeiros amistosos da temporada pouco indicam, apenas arrancam sorrisos ou apupos do torcedor. O desempenho tricolor não foi alvissareiro. E despertou dúvidas sobre a vocação ofensiva ou defensiva para 2015.

Felipão acerta ao tentar livrar o time dos grilhões dos três volantes. Canso de dizer que, em trios de volantes, pelo menos um deve ter condições de chegar à frente e concluir com regularidade. O oposto dos tricolores. Riveros fez seis gols em dois anos. Pouco. Ramiro fez três gols na temporada passada. Quase nada.

A tarefa de Felipão não é simples. Ele tentou em meio ao Brasileirão e desistiu. Há dois anos o time acostumou-se a jogar por uma bola, a política do meio a zero. A defesa se destaca pela proteção excessiva, que impacta nos números tristes do ataque.

Felipão terá de mudar uma cultura impregnada no clube e no atual elenco. Mudança que pode expor demais lá atrás, como ocorreu na vitória magra sobre o Gramadense e no empate com o Novo Hamburgo. O Bigode saca um volante, o meio-campo ainda ganha Douglas e o poder de marcação se foi. E agora? Fecha o time de novo ou segue mais aberto? Como o Brasileirão só começa em maio, há tempo para resolver o problema.

Se a equipe têm dificuldades em rever o esquema, seria prudente a direção buscar no mercado o tal volante moderno (nem tão moderno assim, na verdade, um volante completo). É um estilo Tinga na mocidade, Elias do Corinthians, Ramires do Chelsea. É um meia que chega na área e que sabe marcar feito volantão. Fica até difícil defini-lo.

É uma peça difícil de se encontrar, mas a direção existe para resolver. Precisa ir ao mercado, nacional e latino, em busca de um jogador capaz de marcar e atacar com eficácia. Do contrário, se Felipão não conseguir equilibrar o time, ficaremos mais um ano dependendo de volantes que só sabem marcar e que são apenas esforçados na frente.

Repito que é um jogador difícil de se buscar, mas vale procurá-lo. Caso alguém conheço um, por favor, indique-o a Romildo Bolzan, Rui Costa e Luiz Felipe Scolari.

Mais maduro, Luan é peça-chave no Grêmio de 2015

21 de janeiro de 2015 31
Foto: Lauro Alves, Agência RBS

Foto: Lauro Alves, Agência RBS

Por Juliano Rodrigues@julianorodrigue

Não é apenas pelo gol marcado no amistoso desta quarta-feira contra o Novo Hamburgo, mas principalmente pela característica de time que o Grêmio está montando que o meia Luan será fundamental em 2015. Embora parte da torcida ainda tenha restrições ao futebol do jovem de apenas 21 anos, Luan já se mostrou útil em 2014. Não podemos esquecer das suas boas atuações na Libertadores e em alguns jogos do Brasileirão. A oscilação que o jogador apresentou é natural: foi o seu primeiro ano como profissional.

No jogo contra o Noia, Luan fez um gol e foi o principal destaque do time. Com a ideia de equipe que Felipão está montando – dois centroavantes e um meia clássico -, é importante que alguém dê velocidade às jogadas ofensivas. O resultado do amistoso não me parece tão importante, até porque, no segundo tempo, os dois times estavam descaracterizados. Após o jogo, Felipão elogiou a dupla formada por Luan e Douglas na meia-cancha. Não há dúvidas de que os dois têm muita qualidade, mas ainda tenho receio quanto à consistência de um meio-campo com apenas dois jogadores de marcação e outros dois que têm dificuldade para recompor.

Ainda estamos em fase de testes, incluindo os primeiros jogos do Gauchão. É cedo para dizer se o sistema com dois centroavantes vai funcionar, mas, no mínimo, é preciso tentar. Com Barcos e Moreno, ou apenas com algum dos dois, Luan vai ser muito importante para o Grêmio.

Tudo muito igual no futebol

20 de janeiro de 2015 49

Por Carlos Rollsing

A janela da intertemporada do futebol brasileiro foi de poucas emoções. Não somente o Grêmio não contratou a ponto de empolgar, mas a maioria dos times brasileiros seguiu esse rito. Muito se comenta do Palmeiras, que foi exceção e fez mais de uma dezena de aquisições, mas a maioria delas de qualidade mediana ou inferior a isso. O grande nome alvi-verde é Dudu, que conhecemos bem: um bom jogador. Nada mais.

É por tudo isso que penso que o futebol brasileiro está nivelado. O Grêmio, nos últimos anos, com times capengas, sempre beliscou títulos, foi a semifinais de Copa do Brasil, foi vice-campeão brasileiro. Faltou o detalhe. A diferença é que, em 2015, vamos com uma aposta maior nas categorias de base. E penso que pode dar certo. O talento e a vontade de vencer de três ou quatro jovens da base poderão ser o detalhe que faltou no passado recente.

A verdade é que não há nenhum time brasileiro que desponte como uma máquina a ser batida. O Cruzeiro continua sendo a equipe mais equilibrada e qualificada, acredito, mas perdeu o destaque Ricardo Goulart. Para o seu lugar, deu um chapéu no Inter e contratou De Arrascaeta. Liberou Marcelo Moreno e fez a reposição com o “pobre” Leandro Damião, que não consegue mais jogar bola. E se desfez de outros bons nomes, como Dagoberto. Aliás, Dagoberto está sem clube. Não seria uma alternativa veloz para o ataque do Grêmio? Viria só pelo salário.

Atlético-MG segue como uma força, mas perdeu Diego Tardelli, que está no auge e alcançou a condição de titular da Seleção. É verdade que levou o ótimo Lucas Pratto, mas Tardelli, nesse momento, era o que havia de melhor para o ataque. Ou seja, mesmo as equipes que estão mais fortalecidas acabaram se desfazendo de alguns nomes. Parece irreversível a mudança na mentalidade da gestão no futebol brasileiro. Os clubes terão de gastar menos. É isso ou falência.

O próprio Corinthians, sempre audaz na cartolagem, foi econômico. O São Paulo foi um pouco mais ousado, levou dois laterias do Fluminense, Carlinhos e Bruno, e repatriou o ótimo e incendiário zagueiro Breno.

O Fluminense também está enfrentando algumas reduções. Sóbis foi embora, além dos laterais titulares. Enfraqueceu como grupo. O Santos está em sérias dificuldades e o Flamengo foi comedido. Ah, e o Inter? A melhor contratação dos vermelhinhos foi Nilton. Leo pouco conheço, não posso opinar. Os demais dependem de tempo. Não sei qual é o Réver que chega e Vitinho foi liberado da Rússia por não jogar nada no período em que esteve lá. Aliás, não entendi o que quis dizer o Alemão Adilson sobre o Vitinho naquele post no Twitter, afirmando que ele era um atleta que queimava o filme de brasileiros no exterior. De alguma coisa o Alemão sabe.

Me parece muito claro: o Grêmio pode não ter empolgado nas suas contratações, mas poderá vencer com um time bem armado e com o sucesso de revelações da base. Confio na dupla Barcos e Moreno, acredito na qualidade do Mago Douglas, que foi o destaque principal da pré-temporada que está por findar. Lincoln e Everton, tenho certeza, vão render bons frutos. E Luan a Giuliano serão opções qualificadas. A defesa permanece forte com Grohe, Geromel, Rhodolfo e o bom reforço Frickson Erazo. Não tem bicho papão no futebol brasileiro. Podemos vencer. Sim!

Dispensas acertadas

19 de janeiro de 2015 58
Com dispensas, chance para Everton, que já deixou o dele na pré-temporada. FOTO: Lucas Uebel/Grêmio

Com dispensas, chance para Everton, que já deixou o dele na pré-temporada. FOTO: Lucas Uebel/Grêmio

Por Guilherme Mazui | @guilhermemazui

A direção do Grêmio acertou a mão nas dispensas. Uma barca com 11 nomes que, em sua maior parte, inflava a folha e pouco rendia. Um grupo que poderia ser maior.

O pepino mais uma vez é Kleber, salário de sheik árabe e desempenho de Diego Clementino. Ninguém aceita pagar o que o atacante recebe no Grêmio. É um passivo que será difícil rever. Kleber está no seu direito ao bater o pé para receber o que está previsto no contrato. Outro que poderia pegar o rumo de casa é Edinho.

Da barca tricolor, talvez valesse a pena manter Maxi Rodríguez, porém, não chegaria a ser um reforço de peso. Passou pelo Vasco que não fez força para mantê-lo. Falando em Vasco, Fellipe Bastos pode ser vendido para o futebol árabe. Neste caso, seria uma perda.

Bastos chegou desacreditado, com fama de boleiro malandro. Foi regular em Porto Alegre, titular de Felipão. Se for vendido, enfraquece o elenco. Contudo, o volante é completamente substituível. É bom jogador, mas não é fora de série.

A saída de Werley anima só pelo fato de sabermos que não existe o risco dele entrar em campo. O problema de manter nomes abaixo da média no elenco é que, em algum momento, eles jogam. E geralmente precisam jogar em momentos decisivos.

Passamos 2014 todo reclamando que o elenco era grande demais, que tinha muito perna de pau. Se os reforços até o momento não são uma brastemp, nas dispensas a direção acertou.

>> A barca
Werley (Santos): com sérios problemas na bola aérea, acumulou falhas em 2014. Sua saída é um reforço.

Pará (Flamengo): lateral que acerta um cruzamento a cada ano bissexto não fará falta. Ainda ajuda a quitar uma dívida com o Fla.

Breno (Vitória de Guimarães-POR): vai para ganhar experiência. Inseguro, precisa amadurecer. Por vezes, parece ter medo da bola.

Zé Roberto (Palmeiras): ótimo profissional, exemplo de longevidade, mas já não decide jogo. Raros gols, raras assistências. Não fará falta.

Bressan (Flamengo): bom reserva, zagueiro nego veio, que compensa a técnica limitada com muita seriedade. É substituível e ainda pode se valorizar no Flamengo.

Saimon (Vitória): passou por uma dúzia de técnicos no Grêmio e nunca conseguiu ser titular. Faz bem em buscar novos ares.

Riveros (Olimpia-PAR): experiente, rodado, mas mediano. Volante de passe curto, que pouco se projeta, que só engessa o time. Abre espaço para base.

Alan Ruiz (San Lorenzo): herói do Gre-Nal do 4 a 1, gostaria que tivesse ficado, até saber que defendia o Grêmio e torceu pelo San Lorenzo na Libertadores. Falta total de comprometimento. Felipão não estava tão errado quando o criticava. Do mesmo, é um jogador instável.

Maxi Rodriguez (Uiversidad de Chile): queridinho da torcida, não teria espaço com Felipão. Poderá ganhar visibilidade na Libertadores. Maxi troca de técnico, de clube e não emplaca. Mau sinal.

Dudu (Palmeiras): sete gols em 53 jogos, produção ofensiva triste. Custaria uma fortuna mantê-lo. Fará falta sua velocidade, jamais sua falta de precisão. Confio em Everton.

Fernandinho (Verona-ITA): ganhava uma fábula por mês para ficar no banco. Quando entrava, raras assistências e nada de gols. Abre espaço para um jovem e alivia a folha.