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Posts de fevereiro 2015

Se meu coração deixasse...

27 de fevereiro de 2015 22

Por Carlos Rollsing

Vencer o Gre-Nal deste domingo não é uma boa para o Grêmio. Não é fácil dizer isso, é dolorido, mas tenho minhas razões. O ideal, para o restante da temporada, é perdermos ou, no máximo, conquistarmos um empatezinho chorado daqueles em que tiramos bolas em cima da linha do gol, tomamos carimbadas na trave, um sufoco atrás do outro, digno de ficar com as calças na mão. Enfim, o típico resultado que nos leva a dizer: “Tivemos mais sorte do que juízo”.

Não estou delirando, passo a argumentar a leitura de que, neste momento específico, um vitória não seria o melhor para o nosso tricolor. Em primeiríssimo lugar, porque seria um resultado enganoso. Em caso de conquista dos três pontos, dentro do Beira-Rio, antevejo Rui Costa estufando o peito na entrevista coletiva (sim, desta vez ele vai aparecer para falar aos torcedores) para dizer que o Grêmio está no caminho certo, que o projeto da direção existe, é visionário, mas até agora não foi compreendido pelas mentes rasas dos críticos. Ele dirá que o torcedor é passional, e nada melhor do que uma vitória em clássico para mudar radicalmente o rumo de tudo, e nos fazer acreditar cegamente que temos um time de verdade e que tudo vai bem pelos lados da Arena.

Depois virá Romildo Tatcher Bolzan, em êxtase após vencer o seu primeiro clássico como presidente do clube. Aliviado, com toneladas a menos de responsabilidade sobre os seus ombros, imagino que desdenhará dos críticos, insinuará que a imprensa é colorada, tocará flauta no Inter e dirá, com todas as letras: vencemos um time que disputa a Libertadores, que gastou uma fortuna incalculável para montar a equipe, que aplica o triplo do que nós em folha de pagamento. Qual será a conclusão de Tatcher? Estamos no caminho certo, a proposta de austeridade em primeiro lugar já mostra seus resultados, temos um grupo qualificado, contamos com uma linhagem de jovens talentos e usamos o Gauchão para fazer testes. Por fim, creio ele dirá: reforços? Quem sabe mais adiante, em maio, mas o jogo de hoje mostrou que não se fazem urgentes as contratações.

Uma vitória do Grêmio agora servirá apenas para acomodar os interesses políticos e econômicos da atual direção do clube. Os problemas serão empurrados com a barriga, faremos vista grossa, nos deixaremos enganar soberbamente, e aí precisaremos de mais algumas semanas ou meses, quem sabe somente depois da perda do Gauchão e de um início ruim no Brasileirão, para perceber que o time é ruim demais, o pior dos últimos dez anos, e que precisamos desesperadamente contratar em todos os setores para evitar a desgraça. Poderá ser tarde demais?

Se o meu coração deixasse, eu pararia diante da TV no domingo e torceria pela derrota do Grêmio. Embora tenha convicção de que vencer não será o melhor para o futuro, não consigo aplicar esse pragmatismo na hora do jogo. Aí é o coração que fala mais alto, e jamais queremos perder para ninguém, muito menos para eles. Se meu coração deixasse…mas ele não deixa. Te ergue e vai em frente, Grêmio!

Grêmio quieto e peleador no Gre-Nal

27 de fevereiro de 2015 31
Mamute pode ganhar uma chance. Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Mamute pode ganhar uma chance. Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Por Guilherme Mazui | @guilhermemazui

Domingo tem Gre-Nal. Clássico com o Inter como favorito. Perfeito. Vamos quietos e com a faca nos dentes. É assim que gosto do Grêmio.

Com as nossas atuações recentes, é mais do que compreensível que o favoritismo fique no colo vermelho, apesar das apresentações bem medianas do co-irmão.  Melhor assim. Quero o Grêmio ouvindo todo o tipo de provocação nos próximos dias. Quero o Grêmio tendo os brios testados. Quero ver Felipão irado outra vez na casamata.

Felipão sinaliza Giuliano no time titular, pode ter o retorno de Yuri Mamute. Vai tentar se virar com o que tem, mas creio que virá com três volantes. O fato é que será preciso bloquear as poucas jogadas em velocidade do rival.

Se no futebol o time anda apagado, vai precisar equilibrar na pegada. Uma equipe fechada, compacta, brigando por cada palmo de grama. No Gre-Nal do Brasileirão, o espírito peleador funcionou: o Grêmio correu mais, marcou mais e goleou. O Grêmio jogou muito mais.

Mesmo com resultados pouco animadores no Gauchão, a vitória no clássico pode inaugurar uma nova fase na temporada, pode trazer a confiança que escapa a cada rodada. Todo gremista adora quando duvidam do nosso time. Avante, Grêmio! Vamos quietos e peleadores para o Gre-Nal.

***

Gurizada, domingo também tem estreia no aplicativo Gremista ZH. Vamos com uma narração personalizada no minuto a minuto, contando o clássico pela ótica tricolor. Terei a honra de fazer a primeira narração. Aceito sugestões de bordões bem tricolores para gols, lances de perigo, faltas, cartões.. É gremista narrando o Gre-Nal para gremista.

Confiram aqui a novidade.

Walace deve ser titular do Grêmio

26 de fevereiro de 2015 47
Walace virou reserva de Oliveira e Bastos. Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Walace virou reserva de Oliveira e Bastos. Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Por Guilherme Mazui | @guilhermemazui

Algumas coisas juro que tento, mas não consigo entender no Grêmio. O clube tem Walace, um volantão de 19 anos, 1m88cm de altura, boa técnica e titular da seleção brasileira sub-20. Uma promessa que o Imortal não pretende vender por menos de 8 milhões de euros. Pois Walace é reserva de Felipão. Viu os últimos jogos do banco, enquanto Fellipe Bastos erra um passe atrás do outro.

Walace voltou da seleção, foi titular contra o Xavante e desde então amarga um banco. Entrou contra o Passo Fundo e apenas aqueceu ao lado do gramado diante de Veranópolis e Juventude. ​O Grêmio é o único clube do mundo que valoriza suas promessas deixando-as sentadas na casamata. Douglas Costa foi um eterno reserva. Ronaldinho foi reserva de Itaqui.

Walace é titular deste Grêmio, deve ser titular no Gre-Nal. Walace pode proteger a defesa com a qualidade que ela necessita. Walace tem futuro. Walace precisa jogar. Mas nosso técnico pensa diferente. Para Felipão, o jovem Araújo é titular. Walace, nome de seleção sub-20, fica no banco. É louvável a oportunidade para Araújo, mas Walace joga mais.

Para Felipão, Walace está atrás na disputa por posição com o“polivalente” Marcelo Oliveira, um esforçado jogador, nada além disso. Marcelo chegou ao seu ápice técnico. Já Walace tem potencial para crescer, afinal, seria uma promessa de 8 milhões de euros.

Para Felipão, Walace deve permanecer no banco, observando Fellipe Bastos, a patada sem direção da Arena. O ex-vascaíno atrapalha a dinâmica de jogo do Grêmio. Ele recebe, domina e devolve a bola em câmera lenta. Ele retarda o jogo. Ele erra passes curtos. Ele erra lançamentos longos. Ele isola todo chute de longe. Ele jamais acerta uma cobrança de falta.

Alguém mentiu, e Fellipe Bastos acreditou que sabia cobrar faltas de longa distância. O Grêmio também crê nesta lorota. O volante fez 21 jogos pela equipe em 2014. Nenhum mísero gol, apenas duas assistências. Em 2015, são sete partidas, nada de gols e uma assistência.

Se o Grêmio analisasse as estatísticas com seriedade, Fellipe Bastos seria proibido de chutar de longe – com bola parada ou rolando. Nosso “batedor de faltas” tem 28 jogos pelo clube sem jamais ter acertado o alvo. Contra o Juventude, os petardos paravam quase fora da Arena. Pois Fellipe, que pertence ao Vasco da Gama e já rodou um bocado sem se firmar, é dono de posição no Grêmio.

Juro, colegas, que tento entender algumas decisões do Grêmio. Juro que tento entender como um reserva de Marcelo Oliveira e de Fellipe Bastos será vendido por mais de 8 milhões de euros.

Grêmio virou o adversário que todos querem enfrentar

24 de fevereiro de 2015 86

Por Carlos Rollsing

Mais uma jornada de futebol horrível do Grêmio. Não há mais como esconder, nem o mais fanático Koffista pode sustentar, a situação do nosso clube é muito grave. É o pior time em 15 ou 20 anos, estamos há três jogos sem vencer ou fazer gols na Arena contra times humildes do interior. Em sete jogos do Gauchão, temos 10 pontos conquistados em 21 possíveis. Isso representa menos de 50% de aproveitamento. É algo humilhante, ridículo, inaceitável para um time da grandeza do Grêmio.

Romildo Tatcher Bolzan, o homem do ajuste fiscal, o carrasco do garrote, reduziu o Grêmio ao padrão daqueles times que todos desejam ter como adversários. É uma barbada jogar contra o Grêmio. De quatro jogos em casa no Gauchão, ganhamos apenas um, perdemos dois e empatamos um. Basta montar uma retranca, explorar a falta de criatividade da equipe, e jogar pelo contragolpe. Não temos solidez na defesa, nosso meio campo é frágil e acéfalo e o ataque rigorosamente não existe. O Juventude foi melhor no primeiro tempo, somente não marcou porque parou em boas defesas de Marcelo Grohe. Fellipe Bastos virou o articulador e dono do time, enquanto Douglas abandona a intermediária e fica plantado na área esperando chuveirinhos. Inacreditável. Felipão dá sinais de que está perdido. Ou está pedindo para sair mesmo. Improvisou Marcelo Hermes no meio, fixou Araújo e Everaldo. Walace, Lincoln e Everton começaram no banco. O time poderia ser um pouco melhor. Ou menos pior.

Lincoln foi arquivado. Teve boas atuações e, como prêmio, foi jogado ao ostracismo. Da titularidade ao final da fila. Não entra mais sequer no segundo tempo. E Douglas se arrasta em campo, mesclando com alguns lampejos de técnica. Hermes entra em campo improvisado, não desenvolve seu futebol, e Lincoln segue no banco.
O segundo tempo foi um pouco melhor, Giuliano entrou e carregou o time para frente. É o único que dá um pouco de esperança. Mas falta acabamento, falta o último passe, falta a finalização. O Juventude, no final, quase matou o jogo. A verdade é que somente o Juventude mereceria vencer. O time da Serra teve as melhores e mais claras chances.

Minha preocupação é enorme. Romildo Tatcher Bolzan precisa contratar urgentemente. Caso contrário, seu ajuste fiscal vai nos eliminar vergonhosamente no Gauchão e nos jogar na segunda divisão nacional. Agora vem o Gre-Nal. Não me encolho jamais, vamos à luta, mas a preocupação é real. Que toda essa ruindade e as justas críticas sirvam de motivação. Não há alternativa exceto anunciar dois ou três reforços até o final de semana. O tempo urge. E a paciência se esgota. Acorda, direção!!

Drible para frente, Giuliano!

22 de fevereiro de 2015 25

Por Guilherme Mazui | @guilhermemazui

Giuliano, o homem de 5 milhões de euros, está prestes a voltar. Espero que retorne recuperado da lesão no púbis e capaz de fazer algo raro no Grêmio dos últimos anos: driblar para frente, em direção ao gol.

De volta oficialmente das férias, estou esperançoso pelo regresso de Giuliano, marcado para amanhã diante do Juventude. É fundamental para time e torcida uma dose de confiança dada pela presença de um jogador diferenciado na equipe.

Independente do técnico (passou Luxa, Renato, Enderson e temos Felipão), o Imortal insiste no futebol caranguejo: um infindável e modorrento jogo de toques e dribles para o lado. Por vezes, penso que as goleiras foram parar nas laterais do campo. A estratégia impacta no baixo rendimento ofensivo, ou seja, nos poucos gols marcados.

No meio, são horas e horas e passes laterais, com a defesa rival postada, só vigiando. Um volante toca para o outro, encosta no meio e nos atacantes, que tocam entre si e recuam para um volante. Já os atacantes brincam de enceradeiras, driblam para o lado e tocam a bola igualmente de lado. Kleber marcou bem esta estratégia. Luan mais encera do que agride. E Giuliano quando chegou repetiu a mania de caranguejo. Estava pesado, sem força para arrancar em busca do gol.

Após alguns anos no gélido leste europeu, Giuliano foi a grande contratação e a grande decepção da temporada passada. O departamento médico avalizou um reforço milionário que chegou com uma lesão no púbis, problema crônico que se agrava aos poucos. Logo, beirou o amadorismo despejar dinheiro em um atleta com uma lesão grave.

O problema no púbis atrapalhou Giuliano, o time e ainda tirou o humor da torcida. Pois realizada cirurgia, o meia-atacante deve reaparecer na Arena contra o Juventude. Carrega consigo nossa esperança de um meio mais agressivo, nossa esperança de encontrar no time um nome diferenciado.

Giuliano só dará certo se driblar e passar para frente, em busca do gol.
Ele notabilizou-se no passado pela capacidade de vencer a disputa contra o marcador e disparar em direção ao gol para o arremate. Sabia ser vertical, incisivo.

Espero que o gelo da Ucrânia não tenha feito Giuliano esquecer que as goleiras estão pontas e não nas laterais do campo. O meia precisa retomar aquele arranque seguido de chute forte, funções que faltam ao lerdo setor de criação do time.

Estou ansioso para ver Giuliano outra vez em ação. Estou ansioso para sua recuperação.

Boa sorte, Giuliano. E não esqueça: o drible é para frente. Caranguejo não joga futebol.

Júnior e Pedro Rocha despontam entre os guris

19 de fevereiro de 2015 57

Por Guilherme Mazui | @guilhermemazui

Enfim, o Grêmio voltou a ganhar no Gauchão. E com boas atuações dos garotos Júnior e Pedro Rocha. Na peneira dos guris, o lateral e o atacante dão as melhores respostas.

A atuação do Grêmio no 2 a 0 sobre o Passo Fundo não foi uma Brastemp, mas ajuda a aliviar a pressão, dá confiança. Felipão retomou os três volantes, o time foi mais compacto, controlou melhor o jogo. O adversário até teve espaços, criou lances e esbarrou na sua tiriça técnica. Sinal de que há muito para melhorar.

Saiu um gol de escanteio, algo raríssimo nos últimos anos. Douglas, que teve lampejos de qualidade apesar de seguir trotando, cobrou muito bem: bola caindo perto da linha da pequena área para cabeçada firme de Erazo. Gol de escanteio marcado por zagueiro. Estava com saudade desta cena.

O segundo gol foi de Pedro Rocha, apenas completando o toque por cima do goleiro dado por Everaldo. Aos 20 anos, Pedro é o atacante que mais chama atenção até o momento entre os guris. É veloz, enfrenta e consegue driblar os zagueiros rivais e busca o gol. Bate de perto ou de longe, demonstra gana. Foi premiado com o gol de puro oportunismo. Não parece ser fora de série, porém tem qualidade e vontade.

Se Pedro Rocha fez o que todo emergente deve fazer, Everaldo perdeu outra vez a chance. Sem dificuldades, poderia ter marcado dois gols, ambos em passes de Douglas. Uma vez errou o domínio. Na outra tentou driblar o goleiro. Não existe atacante, garoto ou veterano, que se firme sem matar quando tem chance.

Já na lateral-esquerda, Júnior, 18 anos, teve uma bela atuação. Confiante, venceu a maior parte das disputas com ataque e defesa do Passo Fundo, tentou ir ao fundo e cruzar. Demonstrou fôlego e força de sobra. No segundo tempo, o canhoto acertou um corte para dentro e bateu firme de direita. Logo depois, deu uma arrancada longa pela direita, clareou para o meio e quase marcou um golaço.

Júnior responde melhor do que Marcelo Oliveira na lateral-esquerda. Júnior é garoto, vai oscilar e depois subirá de produção. Júnior tem bola e personalidade para ser mais um lateral de calibre revelado no Grêmio. Ou seja, Felipão deve deixar o garoto no time, sem retirá-lo para escalar Oliveira, por quem nutre paixão difícil de se entender.

Como a direção faz do Gauchão um vestibular ampliado para avaliar a molecada, alguns patinam e outros dão resposta. Quando chegarem os três reforços prometidos por Romildo Bolzan, são estes garotos que ficarão no clube. Júnior e Pedro Rocha vão dando as melhores respostas.

***

A direção fala em reforços para os próximos dias. Cogita-se o argentino Lisandro López. Não vejo um jogo do gringo há anos (estava no Mundo Árabe, que mata qualquer futebol) mas sempre foi um cara metedor de gols. Com certeza qualificaria o time. Contudo, o importante é que a diretoria parece perceber a fraqueza do time e trata de reforçá-lo antes do Brasileirão.

A sombra dos três volantes

17 de fevereiro de 2015 56

Por Carlos Rollsing

Neste ano, as coisas estão ocorrendo mais rapidamente do que nas temporadas anteriores. Estamos somente em fevereiro e é possível que no jogo de amanhã, diante do Passo Fundo, válido pelo Charmoso Gauchão, entremos em campo com três volantes.

Os três volantes são como uma doença sem cura. Você trata, algumas melhoras podem ser apresentadas, mas ela sempre volta. O assustador é que o Grêmio lançava os três volantes em campo lá por agosto, em meio ao Brasileirão, diante de um adversário tecnicamente superior e de alguma carência de jogadores de criação e de ataque. Agora a incompetência é tamanha que vamos recorrer aos três volantes em fevereiro. Para pegar o Passo Fundo, vamos reforçar o meio, quebrar a bola, desarmar o adversário, blindar o sistema defensivo. Douglas poderá ser o único armador e dois inaptos quaisquer serão colocados na frente. É óbvio que os atacantes vão morrer de fome, não serão abastecidos, não produzirão nada. O time ficará lento, sem criação, sem arremate, dependendo de falhas do adversário ou de algum sucesso na bola parada, o que, no caso do Grêmio, é muito raro.

Não há, salvo raríssima exceção, time no mundo que jogue com três volantes e obtenha alto rendimento. Isso é uma antítese do futebol moderno. O mais adequado é ter jogadores que saibam recompor, marcar com vigor, cumprir funções táticas, mas sem esquecer de jogar e criar com a bola no pé. É claro que essa linha de três volantões do Grêmio não está preparada para executar um sistema de futebol completo. É inexplicável ver o garoto Lincoln no banco. Começo a me convencer de que Felipão perdeu o rumo, ainda mais em meio à ruindade do elenco, esquartejado pelos capitalistas Romildo Bolzan e Rui Costa. Deveríamos jogar com dois volantes, dentro do tradicional. E eles deveriam ser Walace e Araújo. Bastos está em péssima fase técnica, errou incontáveis passes contra o Veranópolis.

Parte da torcida do Grêmio acredita que fomos vencedores no passado com times retrancados. Não é verdade. Aguerrido é diferente de retrancado. Não tínhamos três volantões nos times consagrados. Jogávamos, na maioria dos casos, no tradicional 4-4-2, com jogadores habilidosos de meio de campo. Dinho é um dos mais confundidos. Muito mais do que carrinhos, sabia como poucos fazer lançamentos e chutar de longa distância.

Encerrado o texto principal, algumas curtas:

1 – Atenção, aspones Koffistas que apareceram aqui nos últimos dias para qualificar os blogueiros como apocalípticos: de minha parte, digo que não pararei de criticar enquanto continuarmos nessa fase ridícula e vergonhosa. Tenho certeza de que ajudo criticando e alertando para os riscos da situação. O que não dá é para ficar relevando tudo eternamente.

2 – Precisamos contratar urgentemente: laterais não temos, criação está capenga, atacantes sumiram. Dagoberto, Walter e Caraglio, qualquer um dos três agregaria na atual situação de penúria.

3 – Se o time está um horror dentro de campo, a segunda-feira de carnaval ao menos foi divertida por conta das brincadeiras diante do suposto interesse do Grêmio no jogador Milton Caraglio, do Vélez Sarsfield. Caraglio é jogador para entrar com bola e tudo nas redes adversárias.

Kleber tem lugar no time do Grêmio

16 de fevereiro de 2015 79

Por Guilherme Mazui | @guilhermemazui

Não pensava que escreveria essa frase, mas tenho de escrevê-la: Kleber Gladiador tem lugar no atual elenco do Grêmio.

Kleber não é a solução, porém joga mais do que os garotos. Em cinco rodadas, nenhum guri deixou rastro de esperança. Em cinco jogos, apenas Everton fez gol. Em cinco jogos, Everaldo, Lucas Coelho e os demais são dominados pelos zagueiros do Interior. Em cinco jogos, ficou claro que não vão estourar.

Romildo Equilíbrio Financeiro Bolzan erra de novo na condução do caso do atacante que custa R$ 740 mil mensais. Vai mantê-lo afastado e buscará Walter por cerca de R$ 250 mil mensais. A direção dos cortes de gastos vai tornar o time mais caro para buscar uma incógnita.

Romildo fala que o caminho não é reintegrar Kleber, que há um “processo muito avançado” para resolver a questão. Então defina o que é “muito avançado“. É tão avançado que ainda levará uns três meses e custará mais de R$ 2 milhões ao clube? Levará mais um ano? Romildo fala como o político que é, despeja frases vagas e imprecisas.

Se a direção pretende negociar Kleber, não seria mais fácil valorizar o atleta? Ou é mais fácil vender um jogador que você passa falando mal e que treina em separado? Mesmo que Kleber não seja solução, diante da penúria técnica do time e da intenção de vendê-lo, o melhor caminho é colocar o homem para jogar.

Analisando o caso de Kleber, lembro de um amigo que dizia: “Esse negócio é pior do que comprar um carrão importado. Tu paga uma fortuna, e na hora de vender ninguém paga o que ele vale.”

Pois certa feita um gajo comprou um importado esportivo usado. Sonhava tanto em desfilar de vidro baixo e braço para fora em uma nave, que pagou pelo carro usado o preço de um zero. Parcelou em 60 vezes, um carnê de cinco anos. Depois de 24 prestações, desistiu da máquina.

- Consome muita gasolina, a manutenção é cara, o seguro é um assalto, o carro não é tão veloz – justificou.

Empenhado em vender o importado, colocou anúncio em jornal, site, Facebook. Deixou a chave com um amigo. Foi um test drive. O possível comprador usou e devolveu. O possante voltou para garagem do gajo e ainda faltavam 24 prestações.

Com a nave em casa outra vez, o dono seguiu em busca de um comprador. Ao interessado que aparecia, era sincero sobre as condições do carro.

- Olha, o motor dá umas engasgadas de vez em quando, a bateria está quase morrendo, a estabilidade não é lá essas coisas. Ah, o carro faz quatro quilômetros por litro de gasolina, por isso que nunca tiro da garagem. Fora isso, é um excelente carango.

Não precisa ser a Mãe Dináh para adivinhar que o gajo jamais vendeu o carro. Morreu abraçado no importado.

O lanterna mereceu vencer

14 de fevereiro de 2015 96

Por Juliano Rodrigues – @julianorodrigue

Quem esperava evolução no desempenho do Grêmio no sábado de Carnaval, contra o Veranópolis, viu outra atuação fraca do time, a exemplo do que ocorreu contra o Brasil de Pelotas. Dessa vez, foi o agora ex-lanterna que se aproveitou da desorganização da equipe e nos superou na Arena, em frente a cerca de 7 mil bravos torcedores que foram ao estádio. É difícil encontrar pontos positivos no atual time tricolor. Felipão, que deixou o campo antes mesmo do apito final, segue testando alternativas, mas nenhuma parece ser lá muito confiável. São 180 minutos jogando em casa e sem criar nenhuma chance clara de gol.

O time está inseguro e isso fica claro com a quantidade de passes errados e cruzamentos tortos. Em determinado momento, o Veranópolis tinha mais posse de bola do que o Grêmio. A situação é muito difícil e é compreensível que grande parte dos torcedores esteja revoltada. Até poucos meses atrás, tínhamos uma equipe com vários problemas, mas que lutou até as últimas rodadas por uma vaga na Libertadores. Os problemas se agravaram, vieram jogadores de baixa qualidade ou fora de forma e o futuro tende a ser terrível. A transição era necessária, afinal as últimas direções colecionaram dívidas e deixaram o clube em crise financeira.

O grande problema é que, mesmo com todas as dificuldades financeiras, com todos os problemas que enfrentamos, o Grêmio não pode ficar perdendo para clubes do Interior. Isso é inaceitável. Se alguns de vocês acham isso normal, paciência, mas eu não acho e vou reclamar, sim. Nos comentários dos posts surgem dezenas de pessoas pedindo que nós, blogueiros, paremos de criticar o time. Amigos, vocês estão assistindo aos jogos? O que estamos vendo é muito preocupante! O time está indo ladeira abaixo, sem confiança, sem organização e sem perspectivas.

Agora é a hora de reclamar. Estamos no começo da temporada, jogando contra adversários fracos, e o desempenho é constrangedor. Se o time não mudar de postura, se a direção não contratar reforços e, principalmente, se a torcida for conivente com essa situação, todos nós sabemos o que vai acontecer.

Grêmio: coletânea de avaliações erradas

13 de fevereiro de 2015 68

Por Guilherme Mazui | @guilhermemazui

A diretoria do Grêmio faz uma aposta necessária, porém perigosa. Por falta de caixa, vende os medalhões (que sabem fazer gols) e aposta nos guris. Vocês acreditam que dará certo? Tenho minhas dúvidas, reforçadas após quatro rodadas do Gauchão.

A austeridade é louvável, mas o time que se desenha desde a pré-temporada mostra criação e ataque falhos. Um time que perde Barcos e Marcelo Moreno (vendidos em negócios interessantes, já que ganhavam demais e sairiam de graça em poucos meses), tem de sobreviver com Lucas Coelho, Everaldo, Everton e Luan. O Brasil de Pelotas, com Alex Amado e Nena, tem um ataque mais forte.

Vejo que a direção do Grêmio (junto com Felipão) acumula erros de avaliação, algo perigoso, já que terá de ir a um mercado de poucas opções buscar reposição. São perguntas com respostas óbvias, que no Humaitá ganham análises diferentes. Dou um tempo nas férias e compartilho algumas com vocês. Estou deveras preocupado.

- Galhardo deu errado no Flamengo, Santos e no rebaixado Bahia? Vai estourar depois de grande no Grêmio?

- Marcelo Oliveira passou sem brilho por Corinthians, Cruzeiro e Palmeiras. Vai se firmar no Grêmio?

- Marcelo Oliveira é lateral, que pode ser zagueiro ou volante. Galhardo é lateral que pode ser meia. E assim estão sempre no time. Vocês conhecem algum jogador “polivalente” que faça a diferença em campo?

- Tive esperança em Douglas, mas vejo que errei. Douglas não empolgou no Vasco, que nem sequer campeão da Série B conseguiu ser. Vai desequilibrar na Série A do Brasileiro?

- Rui Costa erra há duas temporadas e segue firme no cargo. Vocês conhecem algum profissional premiado pela incompetência?

- Rui Costa nega um desmanche. Como chamar a operação que se vendeu Barcos, Moreno e Riveros, além das saídas de Zé Roberto, Dudu, Alan Ruiz, Pará e Maxi Rodríguez?

- Se a proposta de 6 milhões de euros por Grohe chegar, ele será vendido. Daí o torcedor poderá dizer que há um desmanche?

- Rui Costa fala em buscar um novo centroavante apenas no Brasileirão, em maio. Com o atual ataque, que sofre contra Aimoré, Avenida e Brasil, o Grêmio chega à final do Gauchão?

- Everaldo foi regular no Figueirense, demonstra mais esforço do que eficácia. Foi dominado pelas zagas de Avenida e do Brasil. Pode dar conta do recado no Grêmio?

- Lucas Coelho se desenha como promessa que não estoura. Tem muito esforço e pouca bola na rede. Vai estourar na terceira temporada como profissional?

- Everton é veloz e procura o gol, parece o melhor dos garotos. Deve suportar a pressão?

- Leio que Zé Love pode ser alternativa para o ataque. Se ele é insuficiente para o Coritiba, terá condições de ser “o” centroavante do Grêmio?

- Paulinho não emplacou no glorioso Londrina. Por que segue no elenco do Grêmio?

- Fábio Koff, que já falou em homem do cofre, fundo de investidores e anunciou duas vezes a compra da administração plena da Arena, endossou a eleição de Romildo Bolzan com a promessa de se dedicar mais ao futebol, de ser mais presente no vestiário. Depois de um desmanche no time e de um começo fraco de Gauchão, onde está o “mito”? Ficou na história?