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Posts de novembro 2015

É triste ver a derrocada de Jardel

30 de novembro de 2015 19
A imagem do ídolo, Jardel em 1995. Foto: Paulo Franken/Agência RBS

A imagem do ídolo, Jardel em 1995. Foto: Paulo Franken/Agência RBS

Por Guilherme Mazui / @guilhermemazui

É triste para um gremista ver a derrocada de Jardel. Dói ver um ídolo se esvaindo, afinal, em algum momento do passado ele teve status de super-herói para o torcedor. Pelos gols que marcou, o eterno camisa 16 pôs seu nome na história tricolor. Pelas graves suspeitas de corrupção, o deputado estadual Mario Jardel (PSD) foi afastado do mandato.

É preciso separar o Jardel centroavante e campeão da América do Jardel político e enrolado com a Justiça. Há 21 anos, seu time era o nosso Grêmio. Hoje, ele joga no PSD, mais um partido político do Brasil. A relação afetiva com a torcida foi decisiva para eleger o ex-jogador, que recebeu 41 mil votos, porém sua atual conduta não tabela com o clube.

As suspeitas contra Jardel são graves. O Ministério Público encontrou indícios de que o deputado simulava despesas para embolsar diárias, exigia parte dos salários dos comissionados do gabinete e mantinha funcionários fantasmas. Os recursos ajudariam a custear despesas pessoais, drogas, um apartamento para mãe e irmão.

Nenhum gremista tem dúvida de que o parlamentar deve responder à Justiça. Só confesso que é doloroso ver um ídolo em sua ascensão e queda. Os ídolos nos inspiram, pois materializam feitos que parecem impossíveis – como era conquistar aquela Libertadores de 1995 com um time sem estrelas. Nutrimos carinho por nossos heróis, sentimento potencializado no futebol. Ver um herói cair relembra o quanto o ser humano pode ser falho.

Desacreditado e com intimidade limitada com a bola, Jardel chegou ao Grêmio por desejo de Felipão, que o colocou no time. Foi campeão e artilheiro da Libertadores, transformou a camisa 16, dada aos reservas, em manto sagrado. Seguiu a empilhar gols em Portugal e na Turquia. E afundou com a âncora das drogas.

Jardel eleitor deputado. Foto: Wilson Cardoso/Agencia Assembleia

Jardel eleito deputado. Foto: Wilson Cardoso/Agencia Assembleia

 

Conduzido para política por Danrlei, que se elegeu deputado federal, Jardel conseguiu o mandato para ter uma “nova chance”, como se a Assembleia fosse clínica de reabilitação. Mas foi o desejo das urnas. Agora o ídolo caminha para perder o mandato e o respeito de milhões de gaúchos.

Há 21 anos, Jardel era meu herói. Eu tentava domar a bola nos campinhos de São Gabriel tendo o centroavante como espelho. Jardel mostrava que os gols não eram restritos aos mais habilidosos. Gordito e desajeitado, eu queria ser como o camisa 16, o melhor cabeceador do Brasil.

Jardel sobe na área de pescoço firme, leva a cabeça para trás e desfere um potente testaço. Eis a imagem que simboliza um Grêmio vencedor. Ao jogador Jardel sou eternamente grato. Preservo na memória as cenas dele beijando entusiasmado o nosso amado escudo tricolor.

Tenho gratidão ao centroavante, o que não me impede de esperar que a Justiça cumpra seu papel. Talvez o episódio ajude o eleitor a refletir: é preciso desvincular o voto da gratidão clubística.

Luan é peça fundamental para Libertadores

29 de novembro de 2015 26

Por Guilherme Mazui / @guilhermemazui

Luan não pode sair da Arena para jogar nos cafundós da China. É ruim para ele e para o Grêmio, classificado oficialmente para Libertadores sem escalas. O Grêmio precisa de Luan para acalentar o sonho do tri da América. E o piá precisa de um clube grande e de um grande torneio para manter a escalada de sua promissora carreira.

A vitória tricolor sobre o forte Atlético-MG reforçou o que até os quero-queros do Rio Grande sabem: Luan é o melhor jogador do Grêmio. Marcou um gol de falta de pura qualidade e inteligência, coisa de jogador acima da média. Luan foi decisivo no 2 a 1 que mantém a briga pelo vice nacional aberta, garantiu a vaga direta na Libertadores e deu aos gremistas a merecida despedida da Arena em 2015.

Se viesse uma proposta nababesca de um grande europeu até daria para entender uma eventual saída de Luan. Só que aceitar milhões de dólares para jogar na China vai tirar o guri dos Jogos Olímpicos e de qualquer possibilidade de ser convocado para seleção principal. É uma escolha difícil – independência financeira ou o pé no freio na carreira. Luan tem pontos a melhorar, como sua finalização, mas é com méritos um dos melhores jovens do país.

Ricardo Goulart chegou à seleção, migrou para China, virou campeão e artilheiro, mas perdeu relevância. Ser destaque na Ásia é prerrogativa de jogador mediano ou de cara em final de carreira. Luan pode mais.

Se a proposta chinesa se confirmar, caberá ao Grêmio também rebatê-la, algo difícil para um clube de moedas contadas. Só que vender Luan para um mercado de segunda linha seria um atestado de desistência da busca por títulos em 2016. O Grêmio precisa de taças. Romildo Bolzan já disse que US$ 17 milhões é pouco. Se pretende vender o guri, que seja a partir de julho.

A busca pelo tri da América não pode começar sem Luan – seria um desfalque duro, como foi Jonas em 2011. Essa obsessão pela Libertadores deve começar pela procura de um companheiro para Luan, um goleador para jogar ao seu lado.

Das opções do elenco, Everton é a melhor. Ratificou sua condição com um belo gol contra o Galo. O guri cresceu na temporada, tem tudo para estourar em 2016, mas também é fundamental encontrar um artilheiro regular. Outro nome que deu ótima resposta diante dos mineiros foi Bruno Grassi, com defesas difíceis. Foi decisivo, algo que ainda não tinha ocorrido.

O torcedor tem motivos para sorrir, para celebrar a classificação de um time desacreditado e com excelente custo benefício. O Grêmio operário, bom e barato está na Libertadores. O Grêmio se superou no Brasileirão, encontrou um treinador e lançou as bases para um trabalho que tem tudo para ser vitorioso. É rever o conformismo, ganhar poder de decisão, qualificar o elenco e não perder Luan para um mercado B.

Vamos, Grêmio! Soy loco por tri América!

O torcedor merece se despedir com vitória

28 de novembro de 2015 21
Grêmio de Roger faz último jogo em casa. Foto: Mateus Bruxel

Grêmio de Roger faz último jogo em casa. Foto: Mateus Bruxel

Por Guilherme Mazui / @guilhermemazui

O Grêmio pode se despedir do torcedor com uma vitória convincente sobre o Atlético-MG. Será o último jogo da temporada na Arena. Momento da massa azul reconhecer a superação de um time de belo custo-benefício, mas que tem aspectos a melhorar para 2016. Uma vitória deixará todos sorridentes e com vaga direta na Libertadores carimbada. Será um reconhecimento ao apoio do torcedor.

A tarde de domingo na Arena poderia reprisar a última grande atuação do Grêmio, a vitória sobre o mesmo Galo no Mineirão por 2 a 0, no distante agosto. Foi o ápice da equipe de Roger Machado, uma semana inesquecível, com sapatada no Gre-Nal (5 a o) e atuação cirúrgica em Belo Horizonte. Uma semana que permitiu ao torcedor sonhar mais alto. Mas parou por aí.

Em um segundo turno na banguela, faltou qualidade ao elenco, poder de decisão e variações táticas para Roger Machado, um promissor treinador. Também sobrou conformismo no clube. São deficiências que precisamos corrigir com urgência para brigarmos por títulos em 2016.

O Grêmio chega ao final da temporada sem resolver seu ataque. É Luan, melhor tricolor do ano, e mais alguém. Todas as opções testadas tiveram lampejos, mas não empolgam. Everton, Pedro Rocha e Bobô estão abaixo das pretensões azuis. Quem sabe um deles dê resposta mais incisiva (com gols ou assistências) neste domingo.

O Galo tem um elenco mais forte, porém chega a Porto Alegre confuso, sem técnico e com interrogações sobre o futuro de muitos jogadores. Arena cheia, despedida no ano e adversário combalido integram a equação de um domingo que pode terminar recheado de sorrisos no Humaitá. O torcedor gremista merece esse afago. 

 

Um segundo turno na banguela

24 de novembro de 2015 62

Por Guilherme Mazui / @guilhermemazui

Só uma tragédia sem precedentes tira a vaga do Grêmio na Libertadores. Vaga pavimentada em um excelente primeiro turno. O Imortal cravou 36 pontos, desempenho que lhe permitiu um returno na banguela, de manutenção. A performance arrefeceu, o time somou 26 pontos em 51 disputados. Faltou poder de decisão e qualidade no elenco, dois pontos que devemos melhorar para 2016.

O primeiro turno azul foi ótimo, em especial se analisarmos a qualidade do elenco tricolor, que carece de artilheiros. Equipe mais caras e valorizadas ficaram para trás, como São Paulo, Palmeiras, Flamengo, Fluminense, Inter e Cruzeiro. Foi a surpreendente arrancada do trabalho de Roger Machado, revelação entre os técnicos do Brasileirão.

Os 36 pontos em 57 disputados deixaram o Grêmio em terceiro, empatado com o Galo, segundo colocado, e a quatro do líder Corinthians. Quase no fim do returno, com 62 pontos marcados, o ímpeto baixou. O Atlético-MG desgarrou quatro (66) e o campeão Corinthians disparou 18 (80).

O desempenho do returno é bom, mas poderia ser melhor. Foi o suficiente para viajar pela América, mas insuficiente para brigar pelo título. Com 26 pontos (pode chegar a 32), o Grêmio tem a sexta campanha do segundo turno, atrás de Corinthians (40), Santos-Inter (31) e Galo-Cruzeiro (30).

Creio que pecamos no excesso de conformismo, em especial nos jogos contra equipes de menor tradição e nos compromissos fora de casa. Na Arena, perdemos para Chapecoense e empatamos com o Coritiba. Dois vacilos.

Já o espírito do “pontinho fora”gerou comemorações nos empates fora contra Ponte Preta, Cruzeiro, Corinthians e Vasco. Dos quatro, apenas o líder teve campanha mais vigorosa. Direção, comissão técnica e elenco, diante das dificuldades, usaram o escudo da boa posição no campeonato para rebater questionamentos sobre a queda de desempenho.

Esse mesmo gosto pelo empate fora chamou as derrotas para Sport e Inter, por exemplo. Em 2016, o Grêmio precisa ser mais nego veio longe dos seus pagos. E precisa vencer quando a Arena lotar, já que perdemos para o São Paulo com casa cheia e fomos eliminados na Copa do Brasil.

O desempenho também caiu porque os adversários manjaram o estilo de jogo tricolor, que nada evoluiu nos últimos meses, apesar do tempo para treinar desde o início de outubro. A mão de Roger Machado não apareceu com a mesma intensidade de outrora. Parte da responsabilidade fica com o técnico e parte com a qualidade limitada do elenco.

É fundamental buscar reforços para 2016. Um ataque com Pedro Rocha, Everton ou Bobô dificilmente terá sucesso. Ter Galhardo como titular absoluto é dose. Vale o mesmo para Douglas, vide seu desempenho recente. Douglas pode ser reserva, uma opção para 20 minutos pegados, jamais o dono indiscutível da camisa 10.

O Grêmio não arrancou, em especial na reta final. Nos últimos sete jogos, somou 10 pontos em 21. Desempenho mediano. Temos parte do diagnóstico sobre a queda de performance. É usar esses dados e aprimorar o time para 2016.

Classi2Turno Classi1Turno

>> Resultados do returno
Inter 1 a 0 Grêmio
Grêmio 1 a 0 Flu
Sport 1 a 0 Grêmio
Grêmio 2 a 0 Fla
Vasco 0 a 0 Grêmio
Grêmio 2 a 3 Chape
Grêmio 1 a 0 Santos
Cruzeiro 0 a 0 Grêmio
Grêmio 3 a 1 Avaí
Palmeiras 3 a 2 Grêmio
Atlético-PR 1 a 2 Grêmio
Grêmio 1 a 2 São Paulo
Corinthians 1 a 1 Grêmio
Grêmio 2 a 1 Goias
Figueira 0 a 2 Grêmio
Grêmio 0 a 0 Coxa
Ponte Preta 0 a 0 Grêmio

 

 

Giuliano parece um Kleber Gladiador no meio-campo

23 de novembro de 2015 68

 

Giuliano fez dois contra o Avaí em 26 de setembro. E só. Foto: Carlos Macedo

Giuliano fez dois contra o Avaí em 26 de setembro. E só. Foto: Carlos Macedo

Por Guilherme Mazui / @guilhermemazui

Giuliano fazia um bom Brasileirão. Mas desistiu de entrar na área e resolveu ficar trocando passes curtos com Galhardo, Marcelo Oliveira, Douglas e Luan. Nos últimos oito jogos, incluindo um Gre-Nal de coadjuvante, virou um tico-tico, um trombador. Galopa para se transformar no Kleber Gladiador do meio-campo. Giuliano muda ou terá seu prestígio com a torcida corroído.

Assim como Kleber, Giuliano forrou os bolsos e congelou parte do seu futebol no Leste Europeu. Voltou encorpado, ganhou músculos para enfrentar o contato físico. Gladiador, esforçado e tal e coisa, Kleber se notabilizou no Grêmio como um atacante que não gostava de fazer gols, que preferia jogar de costas, trombando e tocando para trás ou para o lado. A objetividade passou ao largo.

Pois Giuliano segue o mesmo caminho. Fundamental na arrancada do time de Roger Machado, quando aparecia de surpresa na área para concluir, o rapaz adotou a postura caranguejo do Grêmio. Usa o corpo para trombar, proteger a bola, fazer uma tabelinha curta e depois tocar de lado. Promove um desperdício de energia ímpar para não sair do lugar. Fortinho, brigador, lembra a falta de objetividade de Kleber.

Da forma como vem atuando, Giuliano se configura em desperdício de dinheiro e de talento. É caro e não entrega. Pior, cai vertiginosamente de produção na reta final da temporada, no momento de definição. A última vez que Giuliano decidiu um jogo foi na distante rodada 28 (em 26 de setembro), no 3 a 1 sobre o Avaí, quando deixou dois – entrando na área para marcar. Desde então, só bolas de lado.

Vejam que tivemos oito jogos (Cruzeiro, Santos, Chape, Vasco, Fla, Sport, Flu e Gre-Nal) e um dos principais nomes do elenco não produziu nada de relevante. Sua postura discreta colabora para queda de produção do time. E creio que Roger Machado está satisfeito, já que depois da derrota no clássico falou que o Grêmio preserva sua “identidade”. Pelo visto, uma identidade sem tesão pelo gol, de infindáveis toques de lado.

Um meia decisivo é requisito básico para um time campeão, vide as últimas edições do Brasileirão. Segundo o Footstats, Jadson tem 13 gols e 12 assistências com seu Corinthians. Craque do bicampeão Cruzeiro, Éverton Ribeiro anotou seis gols e 11 assistências em 2014, e sete gols e 11 assistências em 2013. Ainda se pode lembrar de Conca, craque do Brasileirão de 2010, vencido pelo seu Fluminense.

Os meias campeões tiveram números vigorosos. Até a rodada 28, Giuliano tinha seis gols e sete assistências, desempenho que o colocava entre os melhores do Brasileirão. Só que nosso bem remunerado meio-campista estagnou nos oito jogos seguintes.

Para 2016, será muito útil o Giuliano que entra na área, que finaliza de fora, que chama a responsabilidade. Acredito que esse cara ainda exista. Já o Giuliano tico-tico, do toque de lado, que imita Kleber Gladiador, será dinheiro jogado fora.

Um Grêmio ciscador e sem vontade de vencer

22 de novembro de 2015 58
Everton deu um chute pedindo desculpas no primeiro tempo. Foto: Fernando Gomes

Everton deu um chute pedindo desculpas no primeiro tempo. Foto: Fernando Gomes

Por Guilherme Mazui / @guilhermemazui

Pedi um Grêmio operário  no Gre-Nal e recebi um time ciscador. Pior, veio um Grêmio conformado, com aquela postura satisfeita com o empate que tem se repetido rodada a rodada no returno do Brasileirão. Merecemos a derrota por 1 a 0. Faltou querer vencer o clássico.

O Grêmio não cerrou os dentes, não teve apetite. Erazo, um zagueiro mediano, tentou dar uma de Baresi e entregou a rapadura. Perdeu um lance controlado, bastava isolar a bola. Só que o equatoriano enfeitou. Ao acreditar que é elegante, ele distribui falhas. Essa falha decidiu o Gre-Nal. O Imortal ignorou o fato de que o Inter de Argel viria sedento para vingar os 5 a 0 no primeiro turno.

Menos mal que o time criou gordura, que a vaga na Libertadores depende de um ponto em dois jogos (Galo em casa e o rebaixado Joinville fora). E essa “folga” implodiu a vontade de vencer. Foi assim com o Sport, que, assim como o Inter, dividiu mais, brigou mais e jogou mais. O Grêmio só rende quando se supera, quando busca o gol, porém no returno prefere tocar bola de lado.

O Imortal repetiu sua falta de poder de decisão. Se tivesse empatado, teria deixado o gramado do Beira-Rio com a vaga matemática no G-4. Mas não demonstrou apetite ofensivo. Até Erazo entregar com seu excesso de confiança e de “elegância”, Alisson poderia ter ficado jogando canastra com os gandulas.

Everton deu um chute pedindo desculpas no primeiro tempo e tivemos uma cabeçada perigosa no início do segundo. Quando Vitinho marcou, Anderson já havia perdido um gol feito e Ernando chegado muito perto. As estatísticas chegaram a marcar 11 finalizações vermelhas contra três azuis. Como vencer sem concluir? Só Roger Machado deve saber explicar. Não adianta só marcar e roubar a bola, é preciso querer o gol. E o único jeito de encontrar as redes é concluindo.

Quanto mais tempo tem para treinar, menos o Grêmio progride. Estagnou, não cria, só cisca. Walace joga com a marra de Pogba, mas apresenta futebol de Gilmar Fubá. No primeiro tempo, um lance é emblemático no futebol caranguejo. O time veio tocando pela esquerda, a bola sobrou para Douglas na entrada da área, era finalizar com a direita mesmo. O camisa 10 tocou para Giuliano, que deu um chute torto. O 10 afinou de frente para o gol. Faltou poder de decisão.

Giuliano e Douglas personificam um time ciscador, que marca forte, fica com a bola, mas não pressiona de fato. É um festival de tabelas e triangulações sem sair do lugar. Nosso camisa 10 trotou de novo, só cantou o hino antes do jogo, conseguiu correr menos do que Anderson. Douglas repete jornadas de interesse reduzido e sem contribuição decisiva. Não pode ser titular absoluto.

Giuliano não ajuda a decidir um jogo desde a vitória sobre o Avaí, na distante rodada 28 – estamos na 36.  Foi concluir já no final, um chute forte e no meio no gol. O Grêmio só buscou o gol depois de entregar um. Pedro Rocha bateu de longe, Bobô concluiu no meio. Ao pressionar de fato, o time criou, levou perigo. Por que não teve esse ímpeto mais cedo? Podem dizer que falta qualidade, o que é verdade, mas também falta postura de vencedor. Pescou o empate e fisgou a derrota.

Gostaria muito de ver um time indignado depois de perder um clássico, porém não acredito nesta postura contra o Atlético-MG. Não foi assim depois de ser eliminado pelo Flu na Copa do Brasil e depois da derrota ridícula para a Chapecoense.  É provável que teremos na Arena um Grêmio ciscador, tocando bola de lado e sem poder de decisão. ACORDA, Grêmio! Tenha postura de vencedor.

Um Grêmio operário, sedento e decisivo no Gre-Nal

21 de novembro de 2015 17

Por Guilherme Mazui / @guilhermemazui

Quero um Grêmio operário e peleador no Gre-Nal. Guerreiro. Sem misericórdia. Domingo é dia de cravar a vaga na Libertadores com vitória sobre o rival. Sem firulas, frescuras ou salto alto. Quero um Grêmio concentrado. O rival tentará vingar a sapecada por 5 a 0 do primeiro turno.

Faço o alerta porque se cria uma oba-oba em torno do Grêmio, virtual classificado para Libertadores. Virtual não é real, quase não significa estar lá. E o Imortal não tem jogado bem. Faz um segundo turno de manutenção, sem a intensidade pregada por Roger Machado, com dificuldades de criação, excesso de toques de lado e um ataque que não inspira confiança.  Salto alto é chamar a derrota.

A diferença na tabela e a regularidade no Brasileirão tornam o Grêmio o favorito natural para o clássico. Só que, como já disse, nossas atuações recentes não indicam um time muito superior ao colorado. O Grêmio precisa ter humildade no Gre-Nal. É ser humilde sem se acadelar. É ser humilde para reconhecer limitações e superá-las. É ser humilde para correr mais, dividir mais, roubar mais, concluir mais. Ser humilde para ganhar.

Devemos isolar esse papo de “quase lá” na Libertadores, de Guardiroger e Luanel Messi. Os gracejos ficam para depois. Quero um time concentrado e incisivo, sem aquela estratégia caranguejo, sem aquele espírito do “empate fora” que faz o time passar a tarde sem chutar. Quero um Grêmio disposto a confirmar seu tour pela América sem ajuda alheia – tropeços do São Paulo e Santos podem nos classificar.

Insisto nos alertas, pois sei que o Inter virá sedento. As equipes de Argel podem apresentar diferentes dificuldades, porém costumam ter vontade de sobra. O Inter virá para vingar os 5 a 0, tem a humilhação na memória, ainda dói a sapecada da Arena.

O Gre-Nal do Beira-Rio exige um Grêmio ligado. Um Grêmio com seu toque de bola envolvente, mas com objetividade. Um Grêmio capaz de encerrar o domingo com o passaporte carimbado para Libertadores.

 

Vitória estratégica

19 de novembro de 2015 44

Por Guilherme Mazui / @guilhermemazui

A vitória estratégica veio. Bater o Fluminense por 1 a 0, gol de Luan, aliviou a pressão para o Gre-Nal e deixou a Libertadores perto demais. Excelente!

O Grêmio foi competente, facilitou sua vida nas rodadas finais do Brasileirão. Jogará um Gre-Nal no Beira-Rio de vida ou morte apenas para os vermelhos. Melhor, temos a chance de empurrá-los para baixo na tabela. Temos a chance de celebrar a vaga na Libertadores na casa alheia.

O resultado contra o Flu foi melhor do que a atuação. Mas o que realmente importa nas rodadas finais é vencer – jogando bem ou mal. Gerson do Flu merece nossos efusivos agradecimentos. Cometeu um pênalti idiota e foi expulso.

O Grêmio repetiu virtudes e deficiências na Arena. Trocou passes, sofreu um susto (gigante com a bola na trave de Fred). Colocou uma bola por gosto na trave e duas de revesgueio. A vitória veio na penalidade cobrada por Luan com muita categoria. Nosso melhor jogador ainda perdeu grande chance no fim.

Senti que faltou pressionar para matar o Flu. Por outro lado, Marcelo Grohe foi um espectador. Temos dificuldades para criar, que as semanas livres para treinar não resolveram. Iremos nessa superação até o final de um campeonato com um belo custo benefício.

O Grêmio que reduziu investimento e aumentou espaço dos guris cravou 62 pontos, marca inimaginável no começo do Brasileirão. Grande parte do mérito para Roger Machado, de contrato renovado.

O Grêmio acertou ao renovar com Roger. E ratificou o acerto ao colocar premiações fartas por títulos. Sou amplamente favorável ao método de remunerar bem quem entrega bem.

É mais do que merecida a renovação. Se for com vaga direta na Libertadores, melhor ainda. Roger fará pré-temporada, escolherá reforços, terá tempo para aprimorar seu time.

Roger é a revelação do ano no Brasil entre os treinadores. Defendo os elogios ao seu trabalho, mas também rebato exaltações exageradas. O técnico tirou suco de um elenco desacreditado e com muitas limitações, que Felipão reclamava constantemente. Roger ainda tem espaço para crescer.

O Grêmio do returno perdeu gás e intensidade. Tem dificuldades de criação e, desde que teve tempo para treinar, pouco melhorou. Todo grande técnico precisa encontrar um time ideal e suas variações.

Confio que Roger poderá evoluir, que o casamento com o Grêmio tem tudo para ser duradouro. O contrato por dois anos exigirá nossa paciência, na primeira crise não poderemos rifar o técnico. O Grêmio tentará romper a lógica do futebol brasileiro com um contrato mais longo. Torço e prometo paciência para que Roger cumpra com louvor e taças seu vínculo na Arena.

Hora de Luan voltar a fazer gols pelo Grêmio

18 de novembro de 2015 23
Bola na casinha, Luan! Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Bola na casinha, Luan! Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Por Guilherme Mazui / @guilhermemazui

Luan, o homem de 10 gols em 11 jogos com a seleção olímpica, está de volta. É o principal nome do Grêmio para a partida estratégica contra o Fluminense. Bora meter gol pelo Grêmio, guri!

O desempenho do piá com a amarelinha é acima da média, o que só reforça suas qualidades. Luan tem bola para, em breve, vestir a camisa da seleção principal. Agora, vale lembrar que o selecionado olímpico não paga os salários do rapaz. Ele precisa fazer gols pelo Grêmio, o que não ocorre desde a distante derrota para o Palmeiras. Está na hora de desencantar.

Amistoso da seleção olímpica é como jogo-treino com time de Gauchão. Pressão zero. Pouca gente dá bola para os testes, alguns contra equipes de terceira ou quarta linha. Portanto, Luan e seus companheiros ficam mais leves diante de adversários de baixo nível. E a parceria ajuda o gremista, que troca passes com outras promessas brasileiras. O jogo flui.

Ir bem na seleção faz parte da equação que firma todo grande jogador, assim como empilhar gols pelo seu clube. Luan tem mais gols com a seleção olímpica do que no Brasileirão. Seus oito gols no nacional ficam abaixo do seu potencial.

Melhor gremista de 2015, Luan é esperança para uma vitória diante do Flu, resultado que vale a tranquilidade para as rodadas finais do Brasileirão. Quando o guri vai bem, é difícil o Grêmio perder. Que a torcida lote a Arena na quinta-feira, aplauda e empurre Luan para cima do Flu. Quero o piá no Grêmio com a mesma média de gols da seleção olímpica.

 

Semana estratégica

16 de novembro de 2015 26
Bora, Grêmio! Foto: Carlos Macedo

Bora, Grêmio! Foto: Carlos Macedo

Por Guilherme Mazui / @guilhermemazui

O Grêmio tem uma semana estratégica. Se for competente, estará classificado para a Libertadores depois do Gre-Nal do próximo domingo. Só que a tranquilidade passa pelo jogo anterior. Vencer o Fluminense, quinta-feira na Arena, alivia o peso do clássico.

Faltando quatro rodadas para o término do Brasileirão, a semana reserva dois jogos. Como tem seis pontos para o quinto e sexto colocados, O Grêmio pode encerrá-la classificado ou deveras pressionado. Confio que pode liquidar a fatura até o domingo.

O jogo contra o Flu é perigoso, apesar de o adversário cumprir tabela. Na temporada, pegamos o Flu três vezes, empatamos duas e perdemos uma. Fomos eliminados pelos cariocas na Copa do Brasil. Fred é perigoso e gosta de aprontar.

Na retomada do Brasileirão, os jogos que nos interessam ocorrem na quinta-feira. Uma combinação de resultados carimba o passaporte azul para Libertadores. Vitória sobre o Flu, combinada com derrotas de São Paulo (para o Galo) e Inter (para Chapecoense).

Como a perseguição é intensa, está terminantemente proibido repetir o fiasco contra a Chape. Sair ganhando, vestir a capa da soberba, recuar e perder em casa criará um clima de pressão desnecessário. O jogo diante do Flu é chave, pois coloca a vaga à mão e evita dissabores. Para tal, é preciso ser mais incisivo, concluir mais, repetir o segundo tempo da vitória sobre o Flamengo, isolar o pé torto da derrota para o Sport.

Vencendo o Flu, o Grêmio transforma o Gre-Nal de domingo em partida de vida ou morte apenas para os vermelhos. É a semana da competência, a semana para coroar um belo Brasileirão.